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The effect of water chemistry and watershed processes on total mercury concentration in pike from Degernes and Lake Visterflo

2. Method and materials

4.2 The effect of water chemistry and watershed processes on total mercury concentration in pike from Degernes and Lake Visterflo

Podemos analisar a repercussão das falhas no cuidado materno do bebê, segundo a visão winnicottiana, primeiramente considerando a impossibilidade da mãe de adentrar no estado de “devoção” com seu bebê, de identificar-se com ele e fundir-se a ele.

As falhas ambientais (1960-1962/1983) podem desencadear o reagir do bebê. O reagir às falhas, às intrusões, quando o ego do bebê está enfraquecido, pela ausência do auxílio do ego da mãe, poderá propiciar o corte à continuidade existencial, a própria fragmentação da evolução do desenvolvimento emocional do bebê, o que, provavelmente, o impedirá de percorrer o caminho do EU-EU para o EU – NÃO-EU e chegar a um EU SOU, além de poder facilitar a apresentação de patologias psíquicas.

Nesse período, as intrusões não deveriam ser constantes, pois as falhas ambientais no período inicial do desenvolvimento podem provocar vivências de um mundo externo à criança, no momento em que deveria imperar a subjetividade e não a objetividade.

19 Ver WINNICOTT, D. W.: Distorções do ego em termos de falso e verdadeiro self (1960). In: O ambiente e os

Winnicott (1950/2002:199) discorre sobre os possíveis prejuízos para o desenvolvimento emocional advindos da interação com um ambiente insatisfatório, e destaca a cisão da personalidade como decorrência das falhas ambientais. Escreve o autor:

Na forma mais simples de cisão, a criança apresenta uma vitrine, ou uma metade voltada para fora, construída com base em submissão e complacência, ao passo que a parte principal do eu, contendo toda a espontaneidade, é mantida em segredo e permanentemente envolvida em relações ocultas com objetos de fantasia idealizados.

Sem o manejo (1956/2000)20 suficientemente bom, também é possível

que a relação psicossomática não se estabeleça satisfatoriamente, e como defesa podem se apresentar as doenças psicossomáticas na tentativa de promover a interação da psique com o soma, como também a despersonalização (1962/1983), em decorrência da perda de uma união firme entre o ego e o corpo.

A ausência de um contato materno satisfatório, fundamentalmente no período em que a dependência do bebê ao ambiente é absoluta, poderá também comprometer o início das relações objetais, pois, como abordamos anteriormente, não é possível o bebê perceber o objeto sem antes tê-lo criado, pela experiência de ilusão criativa promovida com o auxílio da mãe, dificultando sua relação com o mundo da externalidade.

Assim como Winnicott enfatiza a conquista da saúde mental por meio de um cuidado materno constante e confiável que favoreça o desenvolvimento das tendências inatas, ressalta também que quadros patológicos podem emergir frente a distorções de cuidados maternos nos estágios iniciais do desenvolvimento emocional, frutos da impossibilidade da boa interação bebê-ambiente. Menciona que as psicoses, o falso self e a psicopatia (tendência anti-social) podem ser decorrentes de falhas ambientais

20 Manejo designa a maneira de atender as necessidades básicas do bebê fornecendo um ambiente suficientemente bom, o holding.

durante o processo maturativo,21 nos primeiros meses ou no primeiro ano de

vida. Passamos a discorrer brevemente sobre os quadros das psicoses, falso self e tendência anti-social.

Psicoses

A origem das psicoses é atribuída, segundo Winnicott (1959- 1964/1983), às incessantes falhas ambientais, à privação dos cuidados maternos experienciados pelo bebê nos estágios iniciais de seu desenvolvimento maturativo.

Nesse grupo, o autor inclui as esquizofrenias, as psicoses infantis, o autismo e as personalidades esquizóides. A psicose é, assim, constituída pela ação do desenvolvimento de defesas psíquicas durante os momentos mais precoces de vida, o qual, inversamente, deveria apresentar uma provisão ambiental suficientemente boa, que protegesse o bebê da invasão de intrusões e das conseqüentes agonias.

É importante ressaltar que a constituição da psicose é atribuída, pela perspectiva winnicottiana, ao grau de dependência em que o bebê se encontra durante o período inicial de vida, isto é, pela dependência absoluta do ambiente, e não a sua vida instintiva, pré-genital.

Falso self

Assim como o self verdadeiro começa a ter vida por meio do auxílio do ego da mãe ao fraco ego do bebê, por facilitar as expressões de sua onipotência, o falso self ou personalidade postiça (1959-1964/1983, 1999, 2000). É desenvolvido como uma função defensiva, com o objetivo de proteger o self verdadeiro das falhas ambientais provenientes dos cuidados maternos não suficientemente bons, uma defesa contra as agonias impensáveis. Portanto, defesas contra vivências que são sentidas como invasões ao self por falhas na relação fusional mãe-bebê.

21 Ver WINNICOTT, D.W. (1959-1964): Classificação: existe uma contribuição psicanalítica à classificação psiquiátrica? In: O ambiente e os processos de maturação, p. 114-127.

Quando a mãe falha em satisfazer o gesto do bebê e, em vez disso, ela o substitui por seu próprio gesto, é possível o bebê seguir com a imersão na submissão. Assim, o falso self se desenvolverá pela ação de que o bebê seja seduzido à submissão e essa personalidade postiça reagirá submetidamente às exigências do ambiente; enquanto isso, o self verdadeiro se mantém protegido de seu aniquilamento. A submissão virá, então, a sobrepor a espontaneidade. A submissão garante a sobrevivência, mas impede o bebê de viver criativamente, de constituir um indivíduo capaz de viver a vida.

À luz das considerações de Aiello-Vaisberg (2004:76), o falso self, traduzido como “uma atividade mental dissociada que procura dar conta da função materna”, é recorrido por meio das potencialidades intelectuais disponíveis, que, frente às falhas ambientais que vem por ameaçar a continuidade de ser do bebê, este poderia, se não lançasse mão de uma personalidade postiça, vivenciar profundamente as agonias impensáveis, um estado profundo de confusão mental.

A psicopatia – Tendência anti-social

A psicopatia é descrita por Winnicott (1956/ 1983, 2000, 2002) como uma “delinqüência não curada”, um anti-social não tratado e que foi privado de algo. A privação de algo é compreendida como um ambiente que inicialmente favoreceu o desenvolvimento emocional do bebê, no período da dependência absoluta, mas em seguida, ocorreu a perda desse ambiente, no momento em que o bebê já podia reconhecer o objeto como aquele objetivamente percebido, o que certamente reconhece sua perda. Mas essa perda se apresenta no período do desenvolvimento, em que ainda é fundamental a presença de um ambiente suficientemente bom para o andamento do processo evolutivo do crescimento emocional do bebê, o que então poderá ocorrer decorrente dessa perda do objeto nesse momento do desenvolvimento: a interrupção do amadurecimento emocional.

É importante salientar que é pelo grau de maturidade do ego que se desenvolve a tendência anti-social, diferentemente do quadro das psicoses, pois somente ao perceber o objeto é que poderá sentir sua perda.

Como natureza da tendência anti-social, Winnicott (1956/2000) afirma que uma criança torna-se de-privada quando é destituída de algum aspecto essencial de sua vida em família. E ainda que, por meio da tendência anti- social, a criança pode vir a ser considerada desajustada. A perda de algo bom é promovida por um tempo superior àquele em que a criança poderia manter tal experiência na memória.

Ainda refletindo sobre a tendência anti-social, o autor (idem) considera duas vertentes que podem constituir esse quadro: o roubo e a destrutividade. Na primeira, quando há esperanças, a criança procura algo no ambiente e, fracassando sua intenção, procura em outro lugar, de forma a tentar recuperar sua perda inicial por meio de suprimentos ambientais. Na segunda vertente, a criança busca a estabilidade ambiental para suportar o embate do comportamento impulsivo, a representar, dessa forma, a busca por uma provisão ambiental que foi perdida. As reações são provocadas no ambiente, incluindo o roubo, a mentira, a incontinência e a desordem generalizada, sob a perspectiva de um sintoma de caráter perturbador; muitas vezes, essas perturbações ambientais podem ser motivadas conscientemente pela criança.

É importante incluir a observação de que a ocorrência do comportamento anti-social também pode ser manifestada no lar, por exemplo, nos casos de enurese noturna, queixas sobre alimentação e inibição de apetite, sucção compulsiva do polegar e moderada atividade masturbatória crônica, como comportamentos da criança que podem refletir a tendência anti-social.