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4 Transnational Engagements of Women in the Norwegian-Myanmar Diaspora

4.3. From Perspectives to Practice: Transnational Activities

4.3.1. Economic Remittances

De 1980 a 2002, 208.490 pessoas residentes na cidade de São Paulo faleceram de câncer; isto é, tiveram a causa básica do óbito classificada como neoplasia maligna. O coeficiente de mortalidade por câncer apresentou tendência estacionária para ambos os sexos, sempre com valores mais elevados para o sexo masculino (tabelas 4.1 a 4.3). A média do coeficiente global (ambos os sexos) em todo o período foi 114,04 óbitos anuais por 100.000 habitantes, conforme o ajuste para a mais recente (2002) distribuição por sexo e idade da população da cidade. No entanto, quando o ajuste dos coeficientes foi recalculado com base nos padrões de distribuição etária da população mundial e da população européia, a média dos valores anuais passou para, respectivamente, 122,57 e 179,35.

A apreciação das tendências de mortalidade indicou valor discrepante para o incremento anual associado ao câncer de cérebro, para ambos os sexos

(tabelas 4.1 e 4.2). No entanto, a figura 4.18a permite perceber que este aumento não foi progressivo no período, mas concentrou-se na forma de “degrau” nos anos 1996 a 2002 (período de vigência da CID-10). Esta categoria foi interpretada como tendo tendência atípica no período global considerado, em função de ter sido observada tendência estacionária de 1980 a 1995, num patamar médio de 2,04 óbitos anuais por 100.000 habitantes, e tendência estacionária de 1996 a 2002, num patamar mais que duas vezes mais elevado, com média de 4,25.

Observação análoga, mas no sentido inverso, pôde ser efetuada para a mortalidade por câncer de localização mal definida ou não especificada. Apesar da acentuada taxa de declínio calculada, a figura 4.22a indica que a redução também foi atípica, concentrando-se em “degrau” descendente no período de vigência da CID-10: a média de óbitos classificada nessa categoria passou de 9,86 por 100.000 habitantes, entre 1980 e 1995, para 4,70 de 1996 a 2002.

Quanto aos demais tipos de câncer, aqueles que apresentaram maior crescimento da mortalidade global (ambos os sexos), foram cólon e reto, pâncreas, rim e tecido linfático (tabela 4.3), todos com taxa de incremento anual superior a 1%, ou 10‰. Para a mortalidade no sexo masculino, o grupo com maior crescimento de coeficientes incluiu ainda próstata e fígado (tabela 4.2); e, para o sexo feminino, bexiga, tecido linfático, corpo do útero e traquéia, brônquios e pulmões (tabela 4.1).

Tabela 4.1 – Mortalidade por neoplasias malignas no sexo feminino segundo localização anatômica, cidade de São Paulo, 1980-2002.

Localização anatômica Média dos coeficientes (1980-2) Média dos coeficientes (2000-2) Taxa de incremento anual (‰) Intervalo de confiança (95%) Interpretação Boca e faringe 1,27 1,33 +9,23 +0,33 a +18,20 Crescente Esôfago 1,55 1,34 –14,57 –23,47 a –5,60 Decrescente Estômago 12,37 6,86 –26,56 –29,64 a –23,47 Decrescente Cólon e reto 8,80 10,45 +14,22 +6,44 a +22,07 Crescente

Fígado 3,29 3,17 –1,57 –4,86 a +1,74 Estacionária Pâncreas 3,94 5,15 +18,35 +12,72 a +24,02 Crescente Bexiga 1,14 1,36 +11,25 +3,46 a +19,10 Crescente Rim 0,84 1,22 +19,07 +12,16 a +26,03 Crescente Laringe 0,44 0,53 +6,25 –8,58 a +21,30 Estacionária Traquéia, brônquios e pulmões 6,43 8,17 +13,20 +7,79 a +18,65 Crescente

Mama feminina 17,93 18,92 +4,72 +0,10 a +9,36 Crescente Colo do útero 5,82 5,75 –1,30 –4,92 a +2,33 Estacionário Corpo do útero 1,56 1,89 +12,68 +4,86 a +20,57 Crescente Útero SOE* 4,50 2,45 –30,53 –37,73 a –23,28 Decrescente

Ovário 4,12 4,83 +9,99 +3,12 a +16,91 Crescente

Cérebro 2,04 3,75 +35,10 +0,96 a +70,41 Atípica

Ossos 0,91 0,58 –18,24 –30,93 a –5,38 Decrescente

Leucemias 3,87 3,50 –2,97 –7,92 a +2,01 Estacionária Tecido linfático 2,27 3,19 +16,36 +9,26 a +23,52 Crescente Mal definidos e não

especificados 10,63 4,40 –47,05 –70,78 a –22,71 Atípica Todas as localizações 104,98 100,99 –0,72 –3,17 a +1,73 Estacionária

*SOE = sem outras especificações.

As principais discrepâncias entre os gêneros da tendência recente da mortalidade por câncer dizem respeito ao câncer de fígado, bexiga, tecido linfático e traquéia, brônquios e pulmões. Câncer de fígado apresentou tendência estacionária para mulheres, mas foi um dos tipos com maior crescimento na mortalidade de homens. Câncer de traquéia, brônquios e pulmões apresentou tendência estacionária para homens, mas foi um dos tipos com maior crescimento na mortalidade de mulheres. As categorias relativas à

bexiga e ao tecido linfático também apresentaram tendência estacionária para homens, porém crescente para mulheres.

Tabela 4.2 – Mortalidade por neoplasias malignas no sexo masculino segundo localização anatômica, cidade de São Paulo, 1980-2002.

Localização anatômica Média dos coeficientes (1980-2) Média dos coeficientes (2000-2) Taxa de incremento anual (‰) Intervalo de confiança (95%) Interpretação Boca e faringe 6,72 7,31 +4,71 +0,26 a +9,18 Crescente Esôfago 7,82 6,13 –10,33 –17,23 a –3,39 Decrescente Estômago 20,47 12,86 –20,48 –24,97 a –15,97 Decrescente Cólon e reto 7,50 10,44 +20,13 +15,82 a +24,45 Crescente

Fígado 4,13 5,03 +15,50 +8,44 a +22,61 Crescente Pâncreas 3,81 4,97 +14,37 +8,36 a +20,42 Crescente Bexiga 3,90 3,61 –2,68 –8,45 a +3,13 Estacionária Rim 1,64 2,17 +13,02 +3,55 a +22,59 Crescente Laringe 5,73 4,66 –3,95 –11,11 a +3,26 Estacionária Traquéia, brônquios e pulmões 20,83 19,48 –3,87 –8,09 a +0,38 Estacionária Próstata 9,76 13,54 +19,47 +12,56 a +26,43 Crescente Cérebro 2,52 4,63 +34,56 +3,64 a +66,44 Atípica Ossos 1,34 0,78 –19,39 –29,24 a –9,44 Decrescente Leucemias 4,04 4,28 –1,02 –8,74 a +6,77 Estacionária Tecido linfático 3,38 3,91 +6,51 –0,50 a +13,57 Estacionária Mal definidos e não

especificados 8,92 4,42 –37,95 –60,49 a –14,87 Atípica Todas as localizações 122,17 120,08 –0,10 –2,96 a +2,76 Estacionária

É importante sublinhar a indicação de tendência crescente para a mortalidade por câncer de mama, uma vez que esta foi a categoria responsável pela mais elevada taxa de mortalidade no sexo feminino. Os demais tipos com mortalidade crescente na cidade foram ovário e boca e faringe, para mulheres (tabela 4.1), e tecido linfático, boca e faringe para homens (tabela 4.2). A mortalidade global (ambos os sexos) por câncer de laringe e por leucemias apresentou tendência estacionária (tabela 4.3), o mesmo ocorrendo para câncer

de colo do útero. Câncer de esôfago, estômago, ossos e útero SOE (sem outras especificações) apresentaram importante declínio de mortalidade.

Também é importante sublinhar o relevante crescimento da mortalidade por câncer de próstata, que elevou esta categoria à segunda colocação entre os tipos de câncer de maior mortalidade no sexo masculino, durante o período considerado, atrás apenas das neoplasias afetando traquéia, brônquios e pulmões.

Tabela 4.3 – Mortalidade por neoplasias malignas (ambos os sexos) segundo localização anatômica, cidade de São Paulo, 1980-2002.

Localização anatômica Média dos coeficientes (1980-2) Média dos coeficientes (2000-2) Taxa de incremento anual (‰) Intervalo de confiança (95%) Interpretação Boca e faringe 3,87 4,18 +5,52 +0,81 a +10,25 Crescente Esôfago 4,54 3,62 –10,98 –16,84 a –5,10 Decrescente Estômago 16,27 9,74 –23,03 –26,22 a –19,84 Decrescente Cólon e reto 8,21 10,48 +16,43 +10,64 a +22,25 Crescente

Fígado 3,71 4,07 +8,03 +4,42 a +11,66 Crescente Pâncreas 3,89 5,08 +16,40 +12,42 a +20,41 Crescente Bexiga 2,46 2,44 +1,04 –3,61 a +5,71 Estacionária Rim 1,24 1,68 +14,86 +7,57 a +22,20 Crescente Laringe 2,96 2,50 –2,98 –9,58 a +3,67 Estacionária Traquéia, brônquios e pulmões 13,31 13,58 +1,00 –2,20 a +4,21 Estacionária Cérebro 2,28 4,18 +34,36 +1,73 a +68,05 Atípica Ossos 1,12 0,69 –19,07 –27,56 a –10,50 Decrescente Leucemias 3,96 3,88 –2,22 –6,52 a +2,09 Estacionária Tecido linfático 2,81 3,54 +10,74 +4,53 a +16,99 Crescente Mal definidos e não

especificados 9,86 4,42 –42,90 –65,85 a –19,38 Atípica Todas as localizações 113,50 110,40 –0,73 –3,40 a +1,94 Estacionária

As figuras 4.1a a 4.22a permitem a visualização das séries temporais delineadas para os coeficientes de mortalidade por neoplasias malignas em geral e para cada um dos tipos considerados, com discriminação para feminino e

masculino quando pertinente e quando a discrepância de valores permitiu resolubilidade na visualização em separado das séries relativas a cada sexo.

A apreciação destas séries temporais permite a indicação visual de que, embora tenham sido classificadas como estacionárias para o período de abrangência do estudo, pode ter havido reversão de tendência a partir de 1997, com o decréscimo das taxas de mortalidade global (ambos os sexos) por câncer em geral (todos os tipos) e por câncer de laringe; o mesmo se verificando para câncer de próstata e de traquéia, brônquios e pulmões no sexo masculino, e para câncer de mama no sexo feminino. De maneira análoga, embora tenham sido classificadas como crescentes para o período completo, há também indicações de estabilização de tendência a partir de 1997, para a mortalidade global (ambos os sexos) por câncer de cólon e reto, fígado, pâncreas e tecido linfático.

Figura 4.1a – Série temporal da mortalidade por neoplasias malignas, segundo sexo, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.1b – Diagrama de caixa da mortalidade por neoplasias malignas, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.2a – Série temporal da mortalidade por câncer de boca e faringe, segundo sexo, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.2b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de boca e faringe, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.3a – Série temporal da mortalidade por câncer de esôfago, segundo sexo, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.3b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de esôfago, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.4a – Série temporal da mortalidade por câncer de estômago, segundo sexo, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.4b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de estômago, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.5a – Série temporal da mortalidade global (ambos os sexos) por câncer de cólon e reto na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.5b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de cólon e reto, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.6a – Série temporal da mortalidade por câncer de fígado, segundo sexo, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.6b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de fígado, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.7a – Série temporal da mortalidade global (ambos os sexos) por câncer de pâncreas na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.7b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de pâncreas, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.8a – Série temporal da mortalidade por câncer de bexiga, segundo sexo, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.8b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de bexiga, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.9a – Série temporal da mortalidade por câncer de rim, segundo sexo, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.9b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de rim, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.10a – Série temporal da mortalidade por câncer de laringe, segundo sexo, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.10b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de laringe, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.11a – Série temporal da mortalidade por câncer de traquéia, brônquios e pulmões, segundo sexo, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.11b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de traquéia, brônquios e pulmões, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.12a – Série temporal da mortalidade por câncer de mama feminina na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.12b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de mama feminina em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.13a – Série temporal da mortalidade por câncer de colo do útero na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.13b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de colo do útero, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.14a – Série temporal da mortalidade por câncer de corpo do útero na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.14b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de corpo do útero, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.15a – Série temporal da mortalidade por câncer de útero SOE (sem outras especificações) na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.15b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de útero SOE (sem outras especificações), em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.16a – Série temporal da mortalidade por câncer de ovário na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.16b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de ovário em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.17a – Série temporal da mortalidade por câncer de próstata, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.17b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de próstata, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.18a – Série temporal da mortalidade global (ambos os sexos) por câncer de cérebro na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.18b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de cérebro, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.19a – Série temporal da mortalidade por câncer de ossos, ambos os sexos, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.19b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer de ossos, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.20a – Série temporal da mortalidade global (ambos os sexos) por leucemias na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.20b – Diagrama de caixa da mortalidade por leucemias, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.21a – Série temporal da mortalidade global (ambos os sexos) por câncer do tecido linfático na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.21b – Diagrama de caixa da mortalidade por câncer do tecido linfático, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

Figura 4.22a – Série temporal da mortalidade por neoplasias mal definidas ou não especificadas, ambos os sexos, na cidade de São Paulo, 1980-2002.

Figura 4.22b – Diagrama de caixa da mortalidade por neoplasias mal definidas ou não especificadas, segundo sexo, em 96 distritos da cidade de São Paulo, 1995-2002.

4.2 ANÁLISE ESPACIAL DA MORTALIDADE POR CÂNCER NA CIDADE DE