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A existência da Comunidade se associa ao crescimento de Manaus que vem ocorrendo intensamente, tornando-a hoje a maior economia no âmbito da região norte. Apesar disso, contraditoriamente, apresenta um índice de pobreza equivalente a 40,48%, acompanhado do maior índice de mortalidade infantil do país, quase 22% por mil habitantes, além de um dos mais altos percentuais de analfabetismo do país (IPEA, 2007).

As dificuldades que as famílias da Comunidade encontram em relação à escolarização dos filhos podem ser consideradas uma expressão do que ocorre na cidade em diferentes lugares e, por suas características, emblemático do que ocorre na maior parte das cidades da região norte, mas especialmente no contexto das comunidades rurais em permanente trânsito entre a cidade e o interior do estado.

Localizada a oeste do estado do Amazonas, Manaus situa-se à margem esquerda do rio Negro. Sua área territorial de 11.159,5 km² faz limite com os municípios de Presidente Figueiredo, ao norte, Careiro e Iranduba ao sul, Rio Preto da Eva e Amatari, a leste e Novo Ayrão a oeste. Sua população é estimada em 1.709.010 habitantes em 2008 (IBGE/DPE/COPIS), calculando-se sua densidade demográfica em torno de 150,2 habitantes por km². Dados obtidos na Prefeitura Municipal de Manaus indicam que o município representa sozinho mais ou menos 10,89% da população da região norte, (MANAUS, 2008).

O crescimento da industrialização, ampliado a partir da década de 1960, foi gerado pela implementação de grandes projetos de desenvolvimento na região. Este fator foi responsável por Manaus ter se tornado, ao longo desses últimos trinta anos, responsável por 98% da economia do estado, enquanto este passou a responder por 55% da economia da região norte. Dos 56 bairros, 40 se originaram de ocupações irregulares que já estão consolidadas (MANAUS, 2008).

O fenômeno do aumento da concentração populacional de Manaus é fruto de várias medidas governamentais, cujo intuito foi promover a integração da Amazônia no contexto nacional, tendo como uma das consequências a transformação da cidade em grande polo industrial e comercial, sede de grandes empresas multinacionais que contavam com a legislação dos incentivos e das isenções fiscais.

A Zona Franca de Manaus, criada em 1967, modificou o perfil socioeconômico da cidade, motivando a concentração de elevadas taxas de população na zona urbana. Nesse período, operacionalizou-se o processo de substituição de um modo de produção tradicional,

baseado no beneficiamento de produtos regionais, pela industrialização de equipamentos eletro-eletrônicos. Em consequência, novos problemas surgiram sem que os já existentes tivessem sido resolvidos.

Tem-se como fato comum que os modelos de desenvolvimento, implementados na região, ocorreram em meio a conflitos gerados pelos processos de apropriação da terra marcados na sua origem pela escravização e dizimação indígena e, posteriormente, por mecanismos sutis, outras vezes violentos, de expropriação e exploração humana.

Nesse processo de crescimento populacional, vários bairros foram se constituindo e ganhando visibilidade no contexto da cidade, assumindo novas configurações como lugar de tráfico de drogas, de violência, de marginalidade, de prostituição.

Inserido nesse contexto encontra-se o Tarumã que até 2006 era considerado um bairro rural, quando foi integrado à zona oeste da cidade. Seus 8.243.25 hectares de área fazem limite com os bairros da Ponta Negra, Lírio do Vale, Planalto, Redenção, Bairro da Paz, Colônia Santo Antonio, Colônia Terra Nova e Santa Etelvina, sendo considerado o que possui maior extensão territorial para uma população estimada em 8.011 moradores.

As moradias distribuem-se às margens dos mais ou menos 300 logradouros, ruas, avenidas, alamedas, ramais e vias que não param de crescer. Grande parte dessa população é constituída por famílias pertencentes às camadas mais pobres que ocupam pequenos aglomerados em áreas próximas aos rios e igarapés, (MANAUS, 2008).

O bairro do Tarumã4 faz parte da memória histórica de Manaus por ter sido palco dos primeiros contatos dos colonizadores portugueses com a população nativa, através das “tropas-de-resgate” e das missões católicas, em defesa de interesses econômicos e políticos.

Atualmente, o bairro constitui importante espaço geográfico que já integra, em parte, a zona urbana de Manaus e tem sofrido grandes modificações em sua paisagem, relacionadas às formas de ocupação humana e de expansão de atividades econômicas.

A Comunidade encontra-se mais ou menos a uma distância de 35 quilômetros do centro de Manaus, na parte identificada oficialmente como área de transição entre a zona rural ribeirinha e a zona urbana do bairro Tarumã.

Em Manaus não se tem notícia oficial da existência dessa Comunidade. Nem mesmo havia qualquer registro no mapeamento feito pelos órgãos responsáveis pela localização geográfica das comunidades, apesar de ter sido organizada em 1997.

4 Curso d'água à margem esquerda do rio Negro, acima de sua confluência com o rio Amazonas, a montante de

Manaus, correndo pelo lado oeste da cidade. Tirou o nome, ao que parece, de um vegetal abundante nos arredores.

O reconhecimento oficial se deu a partir do levantamento de dados para esta pesquisa, quando os técnicos do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (IMPLURB) responsável pela identificação territorial de Manaus, tomaram conhecimento dos objetivos deste estudo e, através das informações e imagens fotográficas que lhes foram apresentadas, procederam ao rastreamento e mapeamento geográfico da Comunidade, bem como ao cálculo da sua distância em relação à escola pública mais próxima.

Essa contribuição foi significativa não apenas para a pesquisa, mas para prover os órgãos oficiais de conhecimento necessário para atuar de modo mais consistente e proveitoso em ações públicas destinadas a favorecer a população da Comunidade.

Os dados levantados pelo IMPLURB para esta pesquisa mostram que, das sessenta famílias anteriormente estabelecidas na Comunidade, cinquenta e duas lá permanecem, das quais, 50% continuam desenvolvendo atividades como caseiros, outras 30% se dividem entre atividades de pequeno comércio local e as 20% restantes prestam serviços na área urbana de Manaus, como auxiliares de serviço em empresas, vendedores de guloseimas na “porta” da escola, empregadas domésticas, cabeleireiras, manicures, professoras leigas (Anexo VI).

A seguir apresenta-se uma imagem fotográfica, feita por satélite, da base territorial onde está assentada a CPTA (Figura n. 1).

Figura 1 – “Comunidade do Pontalzinho do Tarumã –Açu” Ramal São Sebastião, situada na Área de Transição do

Bairro Tarumã