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E VALUERING AV KVALITATIVE DATA OG METODE

KAPITTEL 3 – METODE OG DATA

3.7 E VALUERING AV KVALITATIVE DATA OG METODE

Tendo em vista tais implicações, os impasses ambientais da agricultura podem contribuir para a baixa da sustentabilidade do setor agrícola, tanto em escala regional,

quanto em escala global. Alterações nos recursos de água e solo, por exemplo, associam-se frequentemente aos impactos regionais. No que tange aos exemplos de como o setor agrícola pode ocasionar impactos para escala global, cita-se sua participação para a geração dos gases causadores do efeito estufa, sendo estes algumas de suas fontes: o metano eliminado pela fermentação entérica do gado, os resíduos da queima do óleo diesel utilizado pelos equipamentos agrícolas e da queima de mata nativa ou de pastagem (HORNE & GRANT, 2009).

Para o entendimento da problemática ambiental, e até da sócio-econômica relacionada à agricultura, toma-se como exemplo uma possível elevação da demanda por carnes em um contexto amplo e duradouro, baseado em Knudsen et al. (2006). Em resposta a esta demanda, surge a necessidade de se elevar a criação de gado, que traz como consequência da necessidade de se aumentar a disponibilidade de terras destinadas às pastagens. Tanto uma maior quantidade de pastagens e de animais pastando nestas terras, como também o comércio de alimentos (que fica mais acirrado), remetem a impactos ambientais e sócio-econômicos do sistema de produção alimentar. Exemplos destes impactos são melhores exemplificados pela Figura 12.

Figura 12. Ilustração da problemática ambiental relacionada ao setor agrícola.

Fonte: Knudsen et al, (2006).

Pela análise da Figura 12, nota-se que o desmatamento do terreno para ser utilizado como pastagem pode, por exemplo, acarretar em aquecimento global, redução

Aumento da demanda global por carnes

Aumento da necessidade por terras agrícolas

Aumento do comércio mundial de alimentos: competição por preços, elevação do transporte.

Especialização, intensificação e industrialização do sistema de produção agrícola.

Relações ambientais Relações sócio-econômicas

Aquecimento global Elevação do uso de energia e agrotóxicos Super exploração dos recursos da terra. Degradação do solo Desmatamento Poluição por: eutrofização, antibióticos, pesticidas. Redução da biodiversidade. Erosão do solo. Perda dos recursos do solo e do seu potencial de produção. Vantagens sócio-econômicas: - Produtividade aumentada; - Suprimento estável;

- Ampla disponibilidade de comida; - Declínio dos preços de alimentos;

- Menor dependência das estações.

Desvantagens sócio- econômicas: - Menos propriedades e agricultores; - Distorções de MKT; - Dumping do excesso de produção de países em desenvolvimento; - Subsídios agrícolas em países desenvolvidos; - Marginalização de pequenos produtores; - Perda dos meios de subsistência.

Mudanças na segurança alimentar. Redução ou melhorias?

Desenvolvimento do sistema de produção alimentar

da biodiversidade, erosão e perda dos recursos de produção do solo. Ao se analisar o caso do avanço da pecuária no Brasil, por exemplo, Bustamante et al (2009) afirmam que o desmatamento para formação de novas áreas de pastagens é uma das maiores fontes emissoras de gases do efeito estufa, sobretudo os ocorridos na região Amazônica, cuja expansão da pecuária entre os anos de 2003 e 2008 foi responsável por 75% do desflorestamento do bioma desta região.

Neste sentido, pela exposição da Figura 12, fica evidente que além do surgimento dos impactos ambientais, emergem também aspectos positivos e negativos do ponto de vista sócio-econômico. Uma vez que o aumento da produção gera mais oferta de alimentos no mercado com preços mais satisfatórios, pode haver também a marginalização dos pequenos pecuaristas devido à atuação dos grandes produtores que conseguem ofertar um produto com preço menor por causa de sua produção em escala lhe proporcionar menores custos unitários de produção. Portanto, de acordo com Knudsen et al (2006), a resposta para a pergunta que fica em aberto na Figura 12, é que pode existir equidade entre os aspectos apresentados, desde que sejam revistos os meios de se produzir.

Neste contexto, pode-se afirmar que a agricultura está diante de um desafio. Estimativas indicam que o planeta poderá contar com nove bilhões de habitantes até metade deste século, sendo necessário aproximadamente o dobro da produção de alimentos de hoje para suprir esta futura demanda. O desafio, então, é o contínuo aumento da produção amparada pela manutenção e melhoria da qualidade da água, do solo e da conservação da biodiversidade. Portanto, o caminho para a agricultura está na sintonia da produtividade com a sustentabilidade (GAZONNI, 2011).

Para que tal sintonia seja eficiente, um dos mecanismos viáveis, de acordo com Mazon (2003), é a utilização de indicadores de desempenho voltados à agricultura. De acordo com o autor, um comitê governamental australiano identificou fatores–chave que podem ser considerados como indicadores para uma agricultura sustentável, sendo: viabilidade das propriedades agrícolas manterem balanço financeiro positivo ao longo prazo, competência gerencial, qualidade da água e do solo e também a consideração de aspectos ambientais como base para aperfeiçoar uma decisão relacionada ao campo nacional e ao campo regional.

Dessa forma, a relevância destes indicadores e a necessidade da sustentabilidade do agronegócio reflete no comércio internacional de produtos agrícolas, fazendo com que a adoção de barreiras comerciais estabelecidas com base em exigências agroquímicas e fitossanitárias corrobore para isso. Cita-se, como exemplo destas barreiras, a proibição do comércio de produtos agrícolas que tenham sido produzidos com algum agrotóxico composto por qualquer tipo de ingrediente ativo considerado como propício a causar risco severo a saúde humana ou ao meio ambiente. Diante disso, uma rotulagem ambiental baseada em uma ACV é tida como uma medida eficaz para comprovar o comprometimento das práticas envolvidas na produção de determinado produto com as exigências sustentáveis vigentes (FERMAN & ANTUNES, 2008).