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5. RESULTAT OG DISKUSJON

5.1 D ET FOTOGRAMMETRISKE ARBEIDET

5.1.3 DTM

A pesquisa entrevistou gestores e docentes de todas as sete escolas de educação do campo de Santo Antônio dos Descoberto-GO, sendo que destas, quatro tem a mesma gestora e as demais, diretores individuais. O grupo de professores entrevistados totaliza 10 pessoas, das quais são do grupo de escolas com a mesma gestora, enquanto as demais tiveram dois docentes participantes.

A pesquisa teve inicio no grupo de quatro escolas com uma mesma gestora, que aqui intitulado Escolas Arco-Íris para facilitar a análise e preservar a identidade dos participantes. Trata-se de escolas pequenas e multisseriadas, com professoras que atendem em turmas que vão da pré-escola ao quinto ano em uma mesma sala, atendendo a um total de 122 alunos em nove turmas. Uma das escolas possui 5 turmas e cada uma das demais somente uma.

O grupo de Escolas Arco-Íris conta somente com uma gestora e uma coordenadora, que atendem, juntas, as quatro escolas de uma sala na Secretaria de Educação localizada na zona urbana da cidade, utilizando para isso uma escala que contempla uma visita semanal da gestora por instituição. Uma vez por mês, ou quinzenalmente, ocorrem visitas das docentes à Secretaria para uma espécie de coordenação coletiva. Observe-se que, no período da pesquisa, havia quase dois meses que este encontro não acontecia.

A gestora das Escolas Arco-Íris ocupava o cargo há seis meses e teve acesso a esse por nomeação política, não possuindo qualquer experiência anterior em gestão escolar nem formação específica na área, apesar de exercer a docência em escolas do município há 22 anos, possuindo vivências anteriores com escolas rurais. Sua titulação acadêmica compreende o Magistério de ensino médio, ou, simplesmente, curso normal como a própria entrevistada menciona. Recentemente ela iniciou a graduação de licenciatura em História. Nas docentes entrevistadas, apenas uma possuía graduação, cursando Pedagogia, enquanto as outras duas possuíam o magistério e uma o ensino médio regular, sendo destas. Três funcionárias efetivas, concursadas, da prefeitura e uma temporária.

A segunda escola pesquisada foi a escola aqui nomeada como Vermelha, que conta 250 alunos, atende ao ensino fundamental e médio e conta, para isso, com um

grupo de 15 professores, dois coordenadores específicos para cada segmento educacional e o gestor. Esta é a maior instituição dentre as quatro pesquisadas e até o ano de 2008 atendia quatro comunidades em um raio de mais de quase 120 km de distância, teve seu número de educandos reduzido com o inicio do funcionamento da Escolas Verde e da Escola Rosa, já que estas três escolas atendem as mesmas comunidades.

Suas atividades tiveram início com este atual formato em 2005, mas há 23 anos a instituição já atuava na educação de crianças e adolescentes. Ela também funciona como abrigo do conselho tutelar, atendendo aos chamados “órfãos de pais vivos”, designação referente ao fato de que estes possuem uma família a qual, por alguma razão perdeu sua guarda. Deve-se ressaltar que todos os trabalhos da instituição ocorrem através de uma parceira público/privado, onde toda a estrutura (a melhor de todas as escolas visitadas) é custeada por recursos privados, cabendo à Prefeitura o pagamento dos funcionários.

O gestor exerce a função há nove meses, não possuindo experiência anterior ou formação na área, tendo se graduado em Filosofia apesar de que sua maior vivência docente seja como professor temporário de Educação Física em escolas da zona urbana. Este também não possui atuação em escolas rurais e nem sequer conhecia a instituição onde atua, passando a conhecê-la somente ao assumir o cargo, obtido por uma indicação de um vereador do mesmo partido do diretor, que também era candidato à Câmara Municipal nas últimas eleições, sem ter sido eleito. Esta questão foi bastante recorrente nas entrevistas, não somente da Escola Vermelha, mas também na Escola Verde e na Escola Rosa, sendo que os participantes demonstram perceber interesses políticos de auto-promoção por parte do gestor em suas ações.

Dentre sua equipe pedagógica, a Escola Vermelha tem 9 professores temporários, incluindo o diretor. Desta escola entrevistaram-se dois docentes do quadro de funcionários efetivos da Prefeitura, dos quais um é graduado em Pedagogia, mas leciona Educação Física, Ciências e Religião para o ensino fundamental e Química no Ensino Médio. A outra docente é graduada em Geografia, atuando, porém nos anos iniciais do ensino fundamental em uma turma de quinto ano. Ambos já possuíam experiências anteriores com escolas do campo, lecionando na instituição Há mais de dois anos.

A Escola Vermelha conta com três ônibus que fazem o transporte de funcionários e alunos, sendo que em determinadas localidades mais distantes é necessário também a presença de vans que levam os estudantes até pontos de baldeação. Estes veículos

atendem a quatro comunidades, sendo que a que possui o maior número de educandos é aquela onde se localiza a Escola Verde. Trata-se de um sistema de transporte falho, com veículos antigos e sem manutenção, e que, por vezes, deixam os estudantes sem aula por dias, fazendo com que a instituição atue somente com uma parte do alunado. Em 2009, um dos ônibus capotou deixando um estudante de onze anos de idade com o braço quebrado e outros tantos feridos sem maior gravidade.

Para a terceira escola foi designada a terminologia Verde, que atende somente aos anos iniciais do ensino fundamental, trabalhando no atendimento a um número de 110 educandos, com planos de, a partir de 2010, passar a atender também aos anos finais. Esta instituição iniciou suas atividades em seu atual formato com uma diretora, uma coordenadora e seis professores no ano de 2009, mas já vinha atuando em uma capacidade bem reduzida há alguns anos. Sua estrutura é nova, tendo sido entregue ao uso público há pouco tempo e, assim, como a Escola Vermelha, também é fruto de uma parceria entre público e privado, tendo sida construída com o apoio de um empresa que atua na região.

Das escolas pesquisadas, a Verde é a que possui uma das diretoras com maior experiência em gestão, já tendo atuado noves anos à frente de uma creche privada da zona urbana, que atendia também pela Prefeitura. Esta gestora é graduada em Pedagogia e funcionária temporária e, assim como os demais diretores entrevistados, foi indicada ao cargo por um vereador há nove meses.

Ambas as docentes entrevistadas são servidoras efetivas da Prefeitura e atuam com Educação do Campo desde que tomaram posse do cargo. Uma das professoras é graduada em Pedagogia e trabalha com o primeiro ano e outra atua no terceiro e possui o magistério em nível de ensino médio, cursando atualmente a graduação em Letras Português através de um convênio entre a Prefeitura e, a Universidade Estadual de Goiás.

De todas as instituições pesquisadas, aquela que se localiza mais longe da zona urbana do município é a Escola Rosa. Devido à dificuldade de acesso, esta foi a última a ser visitada. Trata-se da mais recente em termos de institucionalização como centro de ensino de fundamental, pois somente a partir de meados de janeiro de 2009, tiveram inicio suas atividades, em uma estrutura extremamente precária e deficitária, possuindo somente quatro salas divididas por turmas multisseriadas, sendo que cada espaço abriga duas séries diferentes, além de uma turma de educação infantil, onde também se dividem primeiro e segundo período.

As turmas são extremamente pequenas, tendo de oito a 20 alunos por turma, de acordo com a demanda por ano, percebendo-se que, conforme a série avança, menor é a quantidade de educandos por turma, situação que se agrava diante do fato de que muitos estudantes mais velhos ainda preferem estudar na Escola Vermelha devido a sua tradição e tamanho. Com isso, os horários são divididos de forma a possibilitar o atendimento de todas as séries do ensino fundamental e os dois períodos da educação infantil, no pouco espaço que a escola possui, com o turno matutino dedicado aos iniciais e o vespertino, aos anos finais.

O acesso à escola se dá por meio de vans que transportam professores, estudantes e demais funcionários que vivem na zona urbana ou em alguma região que se distancie mais e aqueles que residem na comunidade ou habitam regiões mais próximas, acabam optando por ir a pé. O transporte é deficitário e, muitas vezes, há a necessidade de suspender as aulas devido a problemas nos veículos ou falta de pagamento aos condutores, constituindo, segundo os entrevistados, o maior obstáculo hoje (e já há algum tempo), para a Educação do Campo do município.

Apesar dos vários problemas que esta instituição enfrenta, sua existência é vista por gestão, funcionários e comunidade como um verdadeiro marco para este povoado, pois a luta por sua criação durou mais de vinte anos, tendo sempre à frente o atual gestor. Foi ele que trabalhou durante todo este tempo junto a autoridades, políticos e pessoas da própria comunidade, buscando a sensibilização para a causa e por tudo que significaria a presença da instituição nesta região. A conquista só veio por meio das últimas eleições para prefeito e vereador, na qual o povoado conseguiu eleger um candidato de dentro do seu povo para a Câmara.

O gestor da Escola Rosa é formado em Pedagogia com pós-graduação em Gestão e Administração Escolar. Esta não é sua primeira atuação à frente da gestão, tendo atuado outras vezes na função nesta e em outras escolas, sempre trabalhando com educação do campo, e, em muitas oportunidades exercendo, juntamente, a docência.

Foram entrevistados dois professores que atuam há mais de quatro anos com Educação do Campo, anteriormente na Escola Vermelha e agora na rosa, a convite do gestor. Assim como eles e como acontece na escola verde, boa parte da equipe pedagógica é oriunda de anos atuando na escola vermelha e que acabou migrando com a mudança de direção acarretada pela troca de cadeiras na prefeitura com as últimas eleições. Ambos os docentes são funcionários efetivos, residem na zona urbana e são

graduados, um em História, e o outro, em Pedagogia, com pós-graduação em Educação Especial.

A realidade destas oito escolas remete a um cenário específico, que apesar de localizadas às margens da capital federal, enfrentam graves problemas de infra- estrutura, transporte escolar, merenda e falta de professores. Em todas elas, os educandos percorrem grandes distâncias, por longos períodos, até chegar à sala de aula, muitas vezes surpreendidos com a ausência de docentes ou, até mesmo, de toda a equipe, conforme seja a realidade dos veículos.

Parcerias entre público e privado é práxis comum nos povoados, pois a Prefeitura não se mostra capaz de atender a todas as demandas que a população possui, necessitando de apoios diversos das organizações que ali atuam. No caso da Escola Verde e da Escola Vermelha, existe uma presença muito forte das empresas responsáveis pela represa de Corumbá Quatro, localizada na região que comporta além destas duas já citadas, a instituição Rosa, que, vale ressaltar, é a única que não recebe apoio nenhum privado, possuindo uma estrutura percebidamente inferior e deficitária quando comparada com suas pares, perdendo seus educandos.

As comunidades, em sua maioria, são compostas por pessoas que vivem da agricultura, pecuária ou comércio e que, muitas vezes, trabalham para grandes fazendeiros ou pessoas da zona urbana que as contratam para cuidar de suas fazendas em virtude da impossibilidade de estarem presentes lá a todo o momento. De todas as regiões visitadas, somente uma possuía posto de saúde e, em duas, foi percebida a presença de quadras de futebol, única possibilidade de lazer público oferecido a estas populações. Diante da pequena participação governamental nestas comunidades, percebe-se que as escolas acabam assumindo um papel bem maior do que somente o de educar, ficando a cargo também de possibilitar lazer, cultura e entretenimento, servindo como pontos de convergência e encontro entre as pessoas das várias localidades que a circundam.

Tratando-se de famílias, deve-se ressaltar que os pais, mães e responsáveis dos educandos são bastante atuantes na educação dos filhos, conforme os relatos dos entrevistados, mas, no entanto, esta participação fica prejudicada pela dificuldade de acesso à instituição, cabendo a estes criar mecanismos e horários alternativos para visitá-la e participar de reuniões. Em grande parte das atividades desenvolvidas pelas escolas a presença dos membros da comunidade é maciça, fazendo com que os eventos escolares tornem-se verdadeiros acontecimentos para quem ali vive.

Atuar em um cenário como estes traz uma série de especificidades às prática pedagógicas, o que fez com que se almejasse saber de que forma quem está à frente destas instituições únicas pensa a educação em meio a uma realidade de dificuldade e perspectivas extremamente distintas da zona urbana. Diante disso, o próximo passo é o estudo dos conceitos de educação do campo do gestor escolar que atua nestas oito instituições pequisadas.