3. Forhold til andre arealbruksinteresser
3.3 Drikkevann
A reorientação curricular crítica popular, via abordagem temática era construída a partir dos temas geradores, definidos a partir da pesquisa, que concretizavam a concepção de currículo que propõe Freire (1987a), ou seja, que dialogando entre os diferentes sujeitos, mediatizados pela realidade e pelo acervo científico construam uma concepção crítica da realidade enquanto totalidade, visando à sua transformação. Para isso Freire (1987a, p. 116-139) apresenta essa proposta metodológica definindo cinco momentos que apresento a seguir, mas que Silva (2004, p. 7) reestruturou-os, aprofundando-os, que em Chapecó as entrevistas mostram que foram adotados esses procedimentos metodológicos na organização e implementação do currículo popular crítico.
Freire propõe:
1) Levantamento preliminar da área selecionada para trabalho;
2) Análise das situações e escolha das codificações; 3) Diálogo decodificador;
4) Redução temática;
5) preparação de atividades para sala de aula. Silva aperfeiçoando o que propõe Freire estabelece: 1) Levantamento preliminar da realidade local (este o procedimento que implica a realização de pesquisas sendo tanto qualitativa como quantitativa);
2) Escolha de situações significativas;
3) Caracterização dos temas e contra temas geradores sistematizados na rede temática;
4) Elaboração de questões geradoras; 5) Construção da programação;
6) Preparação das atividades para sala de aula41 .
41Os anexos E, F, G e H, apresentam exemplos desses procedimentos antes da organização das aulas.
A sala de aula também tinha uma metodologia específica na organização que foi sistematizada por Delizoicov (1991), sendo: Estudo da Realidade (ER), Organização do Conhecimento (OC) e Aplicação do Conhecimento (AC). Ou seja, assim como os conteúdos não eram definidos a priori, sem a realização da pesquisa-ação, também não trabalhava-se a sala de aula desconsiderando que aquela realidade apreendida na pesquisa e tornada tema gerador carecia de problematização e análise. Para tal propósito organizavam-se esses três momentos propostos por Delizoicov, tornando a sala de aula um lugar da produção do saber, do conhecimento de forma crítica e conscientizadora, conforme propõe Bachelar (1983, p. 148).
Portanto a sala de aula conforme análise das entrevistas era o lugar do exercício da práxis que propõe Bachelar (1983, p. 148), nada se pode fundamentar sobre a opinião: é preciso primeiramente destruí-la. Ela era o primeiro obstáculo a ser superado, pois o espírito científico nos impede de ter opiniões sobre questões que não compreendemos, sobre questões que não sabemos formular claramente. Antes de tudo, é preciso saber formular problemas e, na vida científica os problemas não se apresentam por si mesmos. Para o conhecimento científico, todo conhecimento é resposta a uma questão, na proposta estudada, a questão era apresentada através dos temas geradores. Se não houver questão, não pode haver conhecimento científico. Nada é dado. Tudo é construído.
De acordo com as educadoras afirmar isso era ter presente que a sala de aula é um espaço da produção do conhecimento numa concepção materialista histórica dialética e que exigia rigorosidade metódica, pesquisa, respeito aos saberes dos educandos, mas criticidade. Por isso nas aulas, não partiam do “conteúdo” do professor, mesmo que este tinha vindo da realização da pesquisa-ação, partiam da metodologia que propõe Delizoicov, porque na sala de aula, o aluno também expressava seu senso comum, construía análises e relações sobre o tema gerador, que mediados pela problematização e mediação das educadoras à luz do acervo científico buscavam construir também a ação. Traduzindo, diria que a metodologia da sala de aula era da práxis, seja, da prática, teoria e prática.
Delizoicov (1991 p. 54-55) sistematizou esses momentos pedagógicos da sala de aula nos três momentos que abordo a seguir.
O primeiro momento, o Estudo da Realidade (ER) refere- se à problematização inicial. Muito mais que uma motivação inicial é fazer a ligação dos conteúdos específicos com situações reais que os educandos conhecem e presenciam, mas que não dispõem de conhecimentos científicos suficientes para interpretar total ou corretamente. Esta problematização pode ser sobre o que os educandos já sabem, ou tenham noção sobre as questões colocadas e também que os educandos sintam necessidade de adquirir conhecimentos que ainda não tenham. Ou seja, este primeiro momento, caracteriza-se pela compreensão e apreensão dos educandos frente ao assunto tratado, a postura do professor é de problematizador, de questionador, de lançar dúvidas em relação às explicações feitas pelos educandos.
O segundo momento envolve a Organização do Conhecimento (OC). Neste momento o conhecimento necessário para a compreensão do tema da problematização inicial é sistematizado sob orientação do professor. Serão trabalhadas definições, conceitos, relações de forma que o aluno aprenda a perceber a existência de outras visões e explicações para as situações e fenômenos problematizados e também que possa comparar esse conhecimento organizado e estruturado pelo professor com o seu, desenvolvendo assim condições de usá-lo para melhor interpretar àqueles fenômenos e situações.
O terceiro momento é a Aplicação do Conhecimento (AC), que os educandos consigam incorporar sistematicamente os conhecimentos que vêm sendo trabalhado, de forma que façam uso para analisar e interpretar tanto as situações iniciais que determinaram seu estudo, como outras situações que são explicadas pelo uso dos mesmos conhecimentos. Os educandos vão percebendo que o conhecimento, além de ser uma construção histórica, está disponível para qualquer cidadão apreendê-lo e dele fazer uso. Isso permite evitar a dicotomização entre processo e produto, ciência e vida, cientistas e não cientistas.
A sala de aula é permeada pelas dimensões da ação e reflexão, uma comunhão entre ambas porque proporciona o existir humanamente, ou seja, a denúncia e o anúncio, a problematização e a ação no mundo. Não o espaço de depositar conteúdos, mas no diálogo entre realidade, acervo científico e sujeitos mediadores (educandos e educadores) com diferentes
papéis e responsabilidades, que exige uma sala de aula, onde os educandos se percebam, entendam e ajam no mundo, buscando humanizá-lo.
CAPÍTULOII
2 A PEDAGOGIA FREIREANA E A PESQUISA-AÇÃO