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4.3.2. Apresentação e Análise dos Dados Obtidos através de Entrevista a um Sujeito 4.3.2. Apresentação e Análise dos Dados Obtidos através de Entrevista a um Sujeito 4.3.2. Apresentação e Análise dos Dados Obtidos através de Entrevista a um Sujeito em em em em

Musicoterapia Musicoterapia Musicoterapia Musicoterapia

Por termos conseguido o contacto de uma pessoa que vivencia quotidianamente a

experiência da terapia musical julgamos pertinente efectuar uma entrevista semi-estruturada

considerando certos aspectos que percebemos fulcrais para entendermos se realmente a

musicoterapia é beneficiante para a saúde da pessoa em questão. Para a elaboração desta

entrevista baseamo-nos essencialmente nas questões previamente elaboradas, ainda que na

forma afirmativa, para a constituição do questionário para sujeitos em musicoterapia.

A pessoa em questão, respondeu enquanto cuidadora principal de um indivíduo em

musicoterapia, portador de uma patologia rara confundível com o autismo. Conseguimos

efectuar esta entrevista de modo presencial o que facilitou a sua gravação e entendimento das

respostas às questões que seguidamente serão analisadas. (Anexo IV).

A primeira questão colocada foi:

Através da musicoterapia sente melhoras gerais no seu

estado de saúde? Se sim, de que tipo?

A pessoa entrevistada respondeu claramente que tudo

depende do estado inicial em que se encontra. Considerando este ponto de partida, percebe-se

como categoria essencial da resposta a esta questão a alteração de humoralteração de humoralteração de humor que é frequente e, alteração de humor

portanto, este elemento afirmou que “se mais agitada, posso sentir calma, se estiver triste posso

me sentir alegre, mas também posso me sentir já bem e continuo a sentir-me bem”. Dentro da

mesma lógica, o elemento entrevistado afirma que, efectivamente, aquando de estados mais

nervosos, a música serve como um calmante natural que lhe possibilita sentir-se feliz. Neste

caso concreto, podemos subscrever os autores quando afirmam que, “pais ou cuidadores

sempre percebem modificações no comportamento quando existe música no ambiente” (Chagas

& Tibúrcio, 2006: 3). A alteração do estado de ânimo já por nós focalizada, bem como a

condução para estados de felicidade, apresenta-se de extrema relevância nesta primeira análise

e em consonância com as respostas positivas anteriormente acentuadas pelos sujeitos em

musicoterapia alvo do inquérito à distância.

A segunda questão colocada foi a seguinte:

As sessões de musicoterapia que prefere são

individuais ou em grupo? Porquê? Para si, o que as distingue?

Ambas as experiências são relatadas na entrevista. Relativamente à musicoterapia em grupomusicoterapia em grupomusicoterapia em grupomusicoterapia em grupo, a entrevistada afirma utilizar a

música enquanto terapia efectuando uma analogia com a sua participação em coros etc.

Contudo, especifica que o canto em coro reflecte “uma pequena contribuição para uma coisa

maior […] É uma participação, uma pecinha de um leque, pequenina, para uma coisa maior”.

Percebemos portanto que, para além da componente comunicacional, se apresenta aqui a

componente social e comunitária da música, enquanto elemento conducente de participação,

contributo e bem comum. Já relativamente à musicoterapia individualmusicoterapia individualmusicoterapia individual, considera que, gosta de musicoterapia individual

escutar e de fazer música sozinha, percebe também que a escuta em grupo, ou seja,

musicoterapia receptiva, é como estar a escutar isoladamente pois é para cada um.

A terceira questão colocada foi:

Considera que com a música foi aliviado o seu sofrimento?

Se sim, em que medida?

Relativamente a esta questão a entrevistada não apresentou qualquer resposta.

A quarta questão foi:

Sente que através da terapia pela música desenvolveu capacidades

de comunicação com os outros? Se sim, o que mudou na sua forma de comunicar?

Quanto ao desenvolvimento da capacidade de comunicar

desenvolvimento da capacidade de comunicar desenvolvimento da capacidade de comunicar

desenvolvimento da capacidade de comunicar o elemento entrevistado considera que, no caso

da pessoa cuidada, que possui sérias dificuldades de comunicação, efectivamente,

desenvolveram-se formas de comunicação através da música sendo que, é “a maneira por que

absolutamente crucial”. Percebemos que este relato vai inteiramente de encontro às respostas

dos clientes e dos musicoterapeutas apresentadas anteriormente, pois, são verosímeis para

ambos os pólos de acção desta terapia as reais influências da musicoterapia no processo

comunicativo do ser humano.

A questão seguinte foi:

Sente que a musicoterapia lhe trouxe um maior bem-estar e

felicidade? Se sim, em que circunstâncias?

Relativamente a esta questão, a resposta da pessoa inquirida foi breve referindo que, “Obviamente que a música traz maior bem-estar e felicidade

em todas as circunstâncias e mais algumas”. Percebemos com esta afirmação redundante e

saliente que, nas mais diversas situações, a música pode e deve entrar, servindo de inibidor ou

potenciador de estados de ânimo e que, esta, só por si, tem a capacidade de nos transformar,

de nos fazer sentir felizes e em plenitude. Esta afirmação, mais uma vez, encontra-se em

consonância com as respostas maioritárias dos sujeitos em musicoterapia que fizeram parte do

inquérito anterior.

Quanto à questão:

Por diversas vezes a utilização da música de forma terapêutica, em sua

experiência, lhe desencadeou sentimentos que a/o levaram a chorar? Se sim, com que tipo de

música?

Novamente percebemos a importância do estado emocional estado emocional estado emocional estado emocional prévio para a prática musicoterápica. Neste caso, o elemento entrevistado afirma que, “sim, mas muitas vezes a

mesma música pode levar a chorar ou a rir”. Afirma ainda que importa grandemente o estado

primeiro em que se encontra a pessoa e diz-nos que não acha que seja a música, propriamente,

que desencadeie tal reacção, o que é contrário ao que vimos estudando, se considerarmos a

existência de componentes musicais concretas que se caracterizam especificamente por

possuírem variáveis que incitam certas emoções. Percebemos que, em contraste com os

restantes sujeitos inquiridos, este indivíduo em musicoterapia considera ambas as situações, o

choro e o riso, dois estados de ânimo associados à emocionalidade. Já maioritariamente, como

analisamos, os inquiridos consideram a inexistência de vontade de chorar nas sessões de

musicoterapia.

A sétima pergunta foi:

Depois de começar com a musicoterapia passou a ter mais e

melhores planos para o futuro?

A pessoa entrevistada faz uma associação entre o crescimento crescimento crescimento crescimento acompanhado por música e os planos para o futuro

acompanhado por música e os planos para o futuro acompanhado por música e os planos para o futuro

acompanhado por música e os planos para o futuro. Assim, considera que, crescer a ouvir

música, também sempre se sentiu com planos para o futuro. Considera no entanto a existência

Seguidamente colocamos a seguinte questão:

Durante a terapia musical consegue

abstrair-se do mundo, dos problemas e do factor tempo, de forma a nem dar pela passagem das

horas?

A resposta a esta questão foi breve e extremamente clara: “Consigo claro, e mesmo da passagem das horas sim”. Esta resposta vem confirmar as respostas dadas pelos indivíduos em

musicoterapia porque demonstra, mais uma vez, a existência de um mundo abstracto para o

qual a música nos transporta e no qual podemos ser e fazer mais e melhor.

A última questão por nós colocada referia:

Sente que se conhece melhor desde que tem a

música como terapia? Se sim, em que aspectos?

O sujeito entrevistado remeteu a nossa questão interpretando-a como um desafiodesafiodesafiodesafio. Assim, percebe que vai crescendo com a música mas que,

como sempre a escutou largamente, entende que a vai adquirindo através do estudo de uma ou