Ao contrário dos custos do combustível e custos de operação e manutenção, que são contínuos ou repetitivos na realidade, um custo de investimento é um custo único. O capital necessário para comprar o terreno, construir todas as instalações necessárias, e comprar e instalar os equipamentos requeridos para um sistema é
investimento de capital fixo e de outros gastos, que consiste nos custos de partida da instalação, capital de giro e juros incorridos durante a construção.
Segundo Bejan et al. (1996), o capital total investido pode ser estimado como descrito a seguir:
a) Custo dos Equipamentos Adquiridos (CEA)
Estimar o custo dos equipamentos adquiridos é o primeiro passo em qualquer estimativa de custo. O tipo de equipamento e seu tamanho, a faixa de operação e os materiais utilizados na sua fabricação devem ser determinados para que se possam estimar os custos. Segundo Bejan et al. (1996), a precisão das estimativas de custo depende do montante e da qualidade das informações e do tempo disponíveis para realizar essas estimativas.
A melhor estimativa para o custo dos equipamentos adquiridos pode ser obtida diretamente através da cotação junto a vendedores. Para grandes projetos, as cotações junto aos vendedores devem ser feitas pelo menos para os equipamentos mais caros. Os custos dos equipamentos também podem ser estimados através de valores dos custos de aquisição passadas, de consultas com profissionais experientes na área ou de cálculos utilizando bancos de dados específicos geralmente mantidos por companhias de engenharia.
Outra forma de se fazer esta estimativa é através da extrapolação a partir de preços de equipamentos conhecidos. A conversão de custo em relação à capacidade ou tamanho do equipamento pode ser feita comparando-se equipamentos iguais e apenas de tamanho ou capacidade diferentes, de acordo com a seguinte correlação (Bejan et al., 1996):
D ¸¸ ¹ · ¨¨ © § x y x y S S C C (5.16) onde: y
C : custo do equipamento “y” que se deseja determinar;
x
C : custo do equipamento “x” conhecido;
y
x
S : variável de conversão (capacidade) do equipamento “x”;
D : fator de escala em função do tipo de equipamento (Bejan et al., 1996). O ponto desfavorável em relação a esta metodologia é o fato de cada componente ser caracterizado por apenas um parâmetro associado a sua capacidade, sendo desprezada a qualidade do equipamento e o nível de tecnologia usado na sua construção.
b) Custo de Instalação dos Equipamentos Adquiridos
O custo de instalação abrange o frete e seguro para o transporte, custos de mão de obra, descarga, manejo, fundação e todos os outros dispêndios com construções diretamente relacionadas com a instalação do equipamento.
Em geral, os custos de instalação variam de 20 a 90% do custo do equipamento adquirido. De acordo com Bejan et al. (1996), na ausência de outras informações, um valor típico de 45% pode ser utilizado.
c) Custo das Tubulações
O custo para tubulações inclui os custos de material e mão de obra para a completa instalação de toda a tubulação utilizada no sistema. Esse custo geralmente varia de 10 a 70% do custo dos equipamentos adquiridos.
d) Custo do Controle e Instrumentação
O fator utilizado pra calcular estes custos tende a aumentar à medida que o grau de automatização aumenta e decresce com o aumento do custo total. Segundo Bejan et al. (1996), uma faixa típica dos valores do fator do custo para controle e instrumentação é de 6 a 40% do custo do equipamento adquirido. Para plantas convencionais de potência a vapor, a faixa de 6 a 10% é aplicada. Na ausência de outras informações, o valor de 20% pode ser assumido para este fator.
e) Custo dos Materiais e Equipamentos Elétricos
Este custo, que inclui materiais e mão de obra para instalação de subestações, linhas de distribuição, centro de controle, iluminação, entre outros, é geralmente da ordem de 10 a 15% do custo dos equipamentos adquiridos, sendo o valor de 11% o mais usual.
O custo do terreno depende fortemente da localização. Caso tenha que ser comprado um terreno, o custo pode ser até 10% do custo dos equipamentos adquiridos.
g) Custo do Trabalho Estrutural e Arquitetônico
Esta categoria inclui o custo total para toda a construção, incluindo serviços, custos com pavimentação, cercas, paisagismo, entre outros. O custo para esta categoria, considerando uma nova instalação em um local já existente é em torno de 20% do custo dos equipamentos adquiridos (Peters e Timmerhaus, 1991).
h) Custo das Instalações Auxiliares
O custo de instalações auxiliares inclui todos os custos para fornecimento de utilidades requeridas para operar o sistema tais como combustível, água, vapor (assumindo que estas utilidades não são geradas no processo principal do sistema). De acordo com Bejan et al. (1996), o custo total das instalações auxiliares pode variar de 30 a 100% dos custos dos equipamentos adquiridos. Na ausência de informação específica utiliza-se um valor de 65% do custo dos equipamentos adquiridos.
i) Custo da Engenharia e Supervisão
O investimento de capital em engenharia e supervisão inclui o custo para o desenvolvimento do projeto detalhado da planta e os custos associados com maquetes, administração, supervisão e inspeção de obras, viagens e serviços de consultoria. Um valor típico para este custo é por volta de 30% do custo dos equipamentos adquiridos ou 8% dos custos diretos totais da planta.
j) Custo da Construção Civil
Esta parcela inclui todas as despesas necessárias ao processo de construção da planta, tais como operações e instalações temporárias, ferramentas, equipamentos, seguro, entre outros. Nesta categoria também se inclui o lucro do construtor. O custo para construção, incluindo o lucro do construtor, é de aproximadamente 15% do custo direto total.
l) Custos Imprevistos
As estimativas de custos são baseadas em suposições para custos e produtividade, que podem variar significativamente dos valores reais. Além disso, acontecimentos imprevisíveis, como o clima, mudanças de preços repentinas e paradas não programadas, podem afetar os custos reais. Todas essas incertezas e riscos são considerados através de um fator de imprevistos, que normalmente varia entre 5 e 20% do capital total investido.
m) Custo de Partida
Estes custos estão associados a diversos processos que ocorrem após o encerramento da construção da planta e antes do início de sua operação definitiva, tais como: pequenos ajustes no projeto, materiais, equipamentos e mão de obra utilizados no processo de partida da instalação. Estes custos podem variar de 5 a 12% do capital total investido fixo.
A Tabela 5.1 mostra uma lista geral dos itens a serem considerados na estimativa do capital total investido para um novo sistema, segundo Bejan et al. (1996).
Tabela 5.1: Especificação do capital total investido.
INVESTIMENTO DE CAPITAL FIXO (ICF)