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Na presente atividade, estavam reunidos os pesquisadores e as professoras PB e PQ.

A atividade prática de observação da oxidação do prego e de palha de aço foi proposta porque a PQ estava trabalhando, em aula, o tema “Evidências de reação químicas”, e mostrara interesse por sugestões de atividades práticas sobre esse assunto.

O objetivo da atividade prática realizada foi apresentar aos professores, um experimento que evidenciasse uma reação química a partir de materiais encontrados no cotidiano dos alunos, ou seja, que fossem facilmente acessíveis. Diversas vezes, PQ havia atentado para o fato de que os materiais necessários à realização das atividades práticas propostas pelos Cadernos de Química eram, geralmente, de difícil acesso. Exemplificou o problema citando o “sulfato de cobre pentaidratado”, reagente que, segundo ela, sempre estava presente nas propostas experimentais do material curricular, embora não fizesse parte dos kits distribuídos pela Secretaria da Educação para as escolas.

Relatamos que no protocolo original (LIMA et al., 2004, p.32-34) sugeria-se apenas o uso de pregos, mas decidimos usar também pedaços de palha de aço, devido a sua maior superfície de contato com o meio. Assim, a montagem do experimento foi feita colocando-se separadamente prego e palha de aço em:

- Vidro de azeitonas fechado, contendo água fervida; - Vidro de azeitonas aberto contendo água não fervida; - Vidro de azeitonas aberto contendo óleo de cozinha.

Para realização da atividade, PQ ferveu a água, e um dos pesquisadores preparou a montagem. Os potes de vidro foram então guardados sobre uma “bancada” no almoxarifado, a fim de ficarem em repouso durante alguns dias. PQ se propôs a

observar periodicamente a montagem, para saber a partir de quanto tempo a transformação ficara evidente na palha de aço e nos pregos.

Comentamos, na ocasião, que nunca havíamos feito aquele experimento, então, não sabíamos exatamente como seria o resultado. Salientamos aos professores a importância de testarmos os experimentos antes de os levarmos aos alunos, e também a possibilidade de incrementá-los. No caso do experimento em questão, a ideia de usar a palha de aço foi dos pesquisadores, ampliando a proposta original. Da mesma forma, contamos que alguns experimentos realizados anteriormente (difusão da anilina em água quente e água gelada; e fermentação da sacarose pela levedura, em diferentes condições), tiveram ensaios prévios, adaptações e mesmo criações.

Socializamos com os professores que havíamos, por exemplo, testado várias vezes a montagem da fermentação da sacarose, até encontrar a solução mais adequada (volume do recipiente, quantidade de fermento, quantidade de açúcar, temperatura da água etc.). O experimento de difusão da anilina, por sua vez, fora pensado tendo em vista o interesse em preencher uma lacuna (não conhecíamos, na época, nenhuma atividade prática que desse pistas sobre a variação da velocidade de difusão com a temperatura, então procuramos nós mesmos imaginarmos uma atividade).

Além disso, é comum que uma ideia encontrada num livro, para realização de um experimento, embora pareça boa inicialmente, contenha instruções imprecisas, ou erradas. O objetivo da discussão realizada foi estimular os professores a testar, criar e ousar, pois essa é uma das características do seu trabalho, ou seja, é importante que o professor consiga adaptar e criar em busca dos objetivos que pretende.

Passadas duas semanas (reunião de 27/04/11), PQ nos trouxe os potes do experimento de oxidação de pregos e palha de aço. Estava bem visível a diferença de aspecto entre a palha de aço na água comum (que apresentava claros sinais de oxidação) e a palha de aço no óleo e na água fervida (que ainda se conservava semelhante ao que era no início do experimento). PB parecia não saber a explicação do fenômeno, então PQ fez uma breve explanação.

PQ havia acompanhado as etapas intermediárias do experimento, e comentou que, após dois e quatro dias, a oxidação da palha de aço era bem evidente, mas a água estava clara, facilitando a observação dos corpos imersos. Continuou sua fala dizendo que, com o passar do tempo, “a água foi ficando cada vez mais turva, e agora

Examinando os potes mais de perto, verificamos que os pregos não tinham sinal de oxidação, mesmo quando ficaram na água comum. Especulamos que isso acontecera porque os pregos, apesar de terem vindo em embalagem que não especificava seu material constituinte, poderiam ser de aço inoxidável. Valemo-nos do acontecimento para expor que esse seria um exemplo de como o teste prévio da atividade prática pode ser rico, pois um problema foi detectado, formulamos uma hipótese sobre a causa do problema e, a partir disso, tínhamos ideias sobre como melhorar a montagem do experimento. As professoras vivenciaram esse processo, o que provavelmente lhe proporcionou alguns saberes experienciais.

PQ citou um texto da revista Superinteressante (Editora Abril, São Paulo, SP), ao qual tivera acesso, que explicava sobre a oxidação, inclusive apresentando as equações químicas. Relatou que tivera a ideia de propor aos alunos a leitura do texto, seguida da realização do experimento de oxidação dos pregos, experimento este que, segundo ela, “ilustraria bem o assunto”.

PB ponderou, assim como nós, que o experimento poderia ser realizado antes da leitura do texto, para que os alunos elaborassem suas previsões e hipóteses. A realização da atividade prática antes ou depois da teoria iria depender dos objetivos educacionais que o professor pretende alcançar com seus alunos, não existindo uma fórmula ou receita única.

Notamos, nesse caso (e em outros momentos do Projeto Diálogos sobre o

Ensino de Ciências), a possível concepção de PQ de que o papel do experimento, no

ensino, é ilustrar a teoria. Embora, um dos objetivos do Projeto Diálogos sobre o

Ensino de Ciências Naturais fosse, justamente, discutir as questões teóricas, ou seja,

didático-pedagógicas das atividades práticas, não tivemos nesse momento, abertura das professoras para um aprofundamento dessas questões.

Por outro lado, podemos destacar que PQ estava “criando” novas formas de trabalhar a partir de materiais já existentes, propondo a articulação entre um texto de divulgação e o experimento em estudo. Podemos supor que, ao imaginar como seria essa aula, PQ provavelmente tenha lançado mão de seus saberes experienciais. As professoras realizaram sínteses entre os aportes oferecidos pelo projeto e outros elementos de sua vivência. Os saberes experienciais são importantes para nortear essas sínteses, pois elas propõem algo que consideram viável e que tem sustentação em suas experiências de trabalho docente.

Quadro 6. Síntese das estratégias de ação empregadas pelos colaboradores externos durante a atividade prática de “Oxidação de pregos e palha de aço”. Estratégia empregada pelos colaboradores

externos em que a estratégia recebeu destaque Exemplos de situações Propor atividades práticas que possuam relação

com o currículo escolar. - A atividade prática foi escolhida, entre outras razões, porque ajudava a discutir um dos temas do currículo de química.

Valorizar os interesses e demandas dos

professores. - PQ solicitou atividades que abordassem “Evidencias das reações químicas”. Dar espaço para a participação ativa dos

professores nas atividades propostas. - A professora PQ auxiliou na montagem do experimento e acompanhou diariamente a evolução dos resultados.

Compartilhar o processo de planejamento e teste

das atividades práticas propostas. - A ideia de usar a palha de aço (ao invés de somente os pregos) foi dos pesquisadores, ampliando a proposta original.

- Os pesquisadores comentaram sobre os testes que fizeram para elaborar o protocolo de outros experimentos já realizados (difusão da anilina em água quente e água gelada, fermentação da sacarose pela levedura).

Valorizar as contribuições das professoras, a fim

de estimular a sua participação. - PB parecia não saber a explicação do fenômeno, então PQ fez uma breve explanação. Encorajar a discussão de aspectos didático-

pedagógicos do trabalho em aula com as atividades práticas propostas.

- PB ponderou, assim como nós, que o experimento poderia ser realizado antes da leitura do texto, para que os alunos elaborassem suas previsões e hipóteses.

Retomar e desenvolver aspectos já citados em

momentos anteriores - Socialização dos testes prévios realizados com experimentos propostos em reuniões anteriores Quadro 7. Indicação dos saberes docentes que se manifestaram e/ou podem ter sido construídos durantea atividade de “Oxidação de pregos e palha de aço”

Tipos de saberes

(TARDIF, 2004) se manifestaram e/ou podem ter sido construídos Exemplos de situações em os saberes em questão Saberes disciplinares - PB parecia não saber a explicação do fenômeno, então PQ fez uma breve explanação. Saberes da formação profissional - PB ponderou, assim como nós, que o experimento poderia ser realizado antes da leitura do texto, para que os alunos

elaborassem suas previsões e hipóteses (manifestava aqui, portanto, uma proposta consistente com as discussões encontradas na literatura atual).

Saberes curriculares - PQ comentou que os materiais para a realização dos experimentos sugeridos nos cadernos do Aluno são muitas vezes de difícil acesso.

- Professoras tiveram contato com uma proposta de experimento que elas ainda não conheciam (e que provavelmente passou a fazer parte de seu repertório de alternativas para estruturação do currículo).

Saberes experienciais - As professoras vivenciaram o processo de realização da atividade prática, constatando suas peculiaridades e possibilidades para seu aperfeiçoamento.

- PQ relatou que tivera a ideia de propor aos alunos a leitura de um texto, seguida da realização do experimento de oxidação dos

pregos, experimento este que, segundo ela, “ilustraria bem o assunto” (essa formulação provavelmente foi elaborada com base em vivências diversas que indicavam que o correto é iniciarmos sempre pela teoria, pois sem a teoria a prática não pode ser compreendida).

4.3. Atividade Prática realizada em 11/05/2011: “Investigando a