A convergência mencionada anteriormente pode ser representada do seguinte modo:
Figura 4 – Níveis de apropriação Tecnológica e Pedagógica - Convergência Teórica
A Figura 4 representa as teorias analisadas neste capítulo, com o intuito de verificar a convergência existente entre elas, de modo a extrair subsídios para a construção do conceito de competência(s) pedagógico-digital(is). A linha que representa a teoria de Sandholtz, Ringstaff, Dwyer (1997) foi representada pela sigla SRD, apenas para facilitar o registro.
Após a análise dessas teorias, verificou-se que existem pontos em comuns e pontos complementares que ajudam na construção do referido conceito, pois tratam de apropriação tecnológica e desenvolvimento de competências, com foco no trabalho reflexivo.
Pensou-se na possibilidade de incluir mais uma linha horizontal na Figura 4 para representar o Projeto UCA, tendo em vista que o referido projeto inclui entre seus pressupostos o desenvolvimento de competências e a apropriação tecnológica e pedagógica do laptop, além de enfatizar a importância da reflexão para o trabalho pedagógico. Entre os
princípios do Projeto UCA (MEC, 2007, p. 17), incluem-se a necessidade de o professor e os alunos se apropriarem da lógica subjacente dos softwares dos sistemas de busca, sistemas conversacionais, de base de dados e de organização da informação, o que requer o desenvolvimento de competências para buscar, selecionar, classificar e qualificar a informação de acordo com o contexto do problema investigado. Essas competências, entre outras não explicitadas, poderiam ter sido classificadas por níveis, fases ou estágios, da mesma maneira como fizeram outros estudos, no entanto, não foi localizada uma referência oficial do projeto que abordasse níveis de competência ou de apropriação tecnológica, que pudesse ser utilizada como parâmetro na convergência teórica pretendida neste estudo.
Níveis de competência relacionados ao Projeto UCA – Baixa Competência Tecnológica, Média Competência Tecnológica, Alta Competência Tecnológica - foram localizados somente no documento denominado Síntese da Avaliação do Experimento UCA (2010)25, mas esta nomenclatura não é oficial, tendo sido definida e utilizada por um dos grupos que participaram da avaliação dos experimentos visando dar sustentação a um dos itens do relatório de avaliação.
Ainda em relação à figura, as linhas verticais representam o limite de cada nível, em cada caso. A linha horizontal denominada “Emocional” perpassa todo o processo, em conformidade com as investigações e resultados da pesquisa de Borges (2009), corroboradas por este estudo e por outros autores, como Churchill (2005), Brickner (1995), ainda que esses autores não tenham enfatizado a importância desse elemento em todo o processo de apropriação tecnológica, tal qual a autora citada.
Como todos os autores analisados tratam de níveis de apropriação tecnológica dentro do campo pedagógico, pensou-se na possibilidade de construir e explicitar níveis de apropriação tecnológica e pedagógica, com base nessas teorias, usando os estudos sobre o Projeto UCA para enriquecer a análise e as conclusões sobre este constructo, além de obter
25 Grupo responsável pelo relatório: Execução: PUCSP: Programa de Pós Graduação em Educação:Currículo, Franklin D. Coelho(UFF/LAREDEL), Maria Helena C. H. Jardim (UFRJ/LAREDEL) e Equipe Laboratório de Estudos Cognitivos – instituto de Psicologia/UFRGS, LSI-TEC/USP, Mediateca – Organização para a Inclusão Social e Digital; Consolidação: Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras/CERTI; Coordenação Executiva: Pensamento Digital; Apoio: BID.
elementos para mostrar se a formação oferecida aos professores do Projeto UCA favorece o desenvolvimento de competências pedagógico-digitais, nos termos propostos por este estudo.
Assim, com base no modelo proposto por Krumsvik (2008), associado ao modelo de evolução construído por Sandholtz, Ringstaff, Dwyer (1997) e ao modelo de Borges (2009), é possível identificar níveis de apropriação tecnológica e pedagógica (g.n) pelos quais passam os professores durante um curso de formação para uso de tecnologias, os quais indicam a evolução do professor na dimensão técnica e na dimensão pedagógica, de maneira gradativa, até que possam enfrentar e vencer as resistências iniciais, e outras que surgirão durante o processo de apropriação, sem abandonar o desejo de aprender cada dia mais, de fazer mais por seus alunos e para eles próprios; até que possam conhecer e dominar as tecnologias de maneira a usá-las para potencializar as atividades que pretendem realizar com seus alunos.
Durante esse processo de apropriação, os professores evoluem até que possam, também, selecionar a tecnologia mais adequada à ação que pretende desenvolver, sabendo tirar proveito de suas características, associando diferentes mídias para o desenvolvimento de uma aula, um projeto ou outra atividade pedagógica com seus alunos, com outros alunos e também para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares que venham, inclusive, a envolver a comunidade em algum momento; até que possam explorar a mobilidade e a interatividade para interagir com seus alunos no espaço da sala de aula ou fora dele e para enriquecer seus projetos, agilizar atividades e motivar sua turma e seus pares; até que possam ser capaz de experimentar novas tecnologias, juntamente com seus alunos e outros professores, fazendo uma análise crítica sobre as mesmas; até que possam discutir o conteúdo do currículo oficial, complementando-o com atividades que use a tecnologia mais adequada para aquele tema e para o objetivo que se deseja alcançar.
Além disso, ao evoluírem em termos de apropriação tecnológica e pedagógica, os professores sentem-se autônomos e seguros para entrar na sala de aula e discutir um tema com o aluno, abrir seu laptop, fazer pesquisas complementares, selecionar e organizar as informações, orientar os alunos para que façam o mesmo e para que localizem outras questões relativas ao tema, compartilhem com os colegas de diferentes maneiras, construindo algo novo a partir desse conhecimento para, em seguida, o registrarem no blog da escola ou outro espaço, ampliando a discussão para além da escola. Os professores podem complementar o
texto inicial com a produção dos alunos, anexar imagens, vídeos e outras linguagens e, assim, ajudar os alunos após a escolha deles.
Ao evoluírem nesse processo de apropriação, espera-se que os professores possam, também, criar a sua página na web, selecionar conteúdos e divulgá-los, associando a sua produção a outras e motivando os alunos a fazerem o mesmo; possam, ainda, criar novas metodologias e estratégias adequadas ao contexto onde está atuando, mantendo aguçada a percepção de seus alunos para o novo, para o que parece ser impossível; mantendo acesa a gana pelo conhecimento e pelo desconhecido. E, assim, espera-se que possam transitar pelo virtual sem perder o contato com o real, com o atual, atingindo o imaginário e o sonho de seus alunos, ajudando-os a transformar seus sonhos e projetos em realidade, sentindo-se autores e levando seus alunos para o mesmo caminho.
No entanto, este processo não é espontâneo, o percurso dos professores pode ser muito diversificado, mas pode ser potencializado via reflexão durante um curso de formação que possibilite ao professor vivenciar situações de aprendizagem que os levem a percorrer esse caminho, evoluindo em níveis de apropriação pedagógica, além do tecnológico, conforme segue:
Figura 5 – Nível Fundamental de Apropriação Tecnológica e Pedagógica
Neste primeiro nível, denominado Fundamental, o professor toma conhecimento da tecnologia e suas funcionalidades, aprende a ligar a máquina, toma conhecimento dos softwares de produção de texto, de apresentação e de planilhas eletrônicas, por exemplo, mas
ainda tem muita dificuldade para usar esses recursos, navegar pela internet e usar um e-mail. Não faz uso da tecnologia no âmbito pessoal ou profissional, pois desconhece o potencial das tecnologias, em especial para os processos de aprendizagem. Sequer pensou na possibilidade de associar o conteúdo do currículo oficial ao uso de uma tecnologia para ensinar e para aprender. E, assim, não vê sentido em usar tecnologias na sala de aula.
O professor não tem consciência sobre os estudos que tratam do tema, sobre os novos modos de aprender e não tem competência digital, aqui compreendida como uma competência associada às funcionalidades das novas tecnologias. A insegurança, o medo e a resistência dominam a relação do professor com a tecnologia.
Levando-se em consideração os níveis de apropriação propostos por Sandholtz, Ringstaff, Dwyer (1997), Krumsvki (2008) e Borges (2009), no Nível Fundamental predomina a dimensão técnica e os professores encontram-se nos seguintes estágios:
Estágios de apropriação: exposição (SANDHOLTZ, RINGSTAFF, DWYER,1997);
emocional (BORGES, 2009).
Estágios de conscientização: sem consciência digital (KRUMSVIK, 2008).
Estágios de competência: Competências básicas de TI (KRUMSVIK, 2008). Infere-se que o
professor domine o conteúdo de sua disciplina e que tenha competência pedagógica, no entanto não tem competência digital, tampouco a pedagógico-digital.
Levando-se em consideração que o conceito de competência adotado inclui uma intersecção de conhecimentos, habilidades e atitudes, é possível inferir que neste nível, a falta de confiança, motivação e determinação, não permitem a superação das dificuldades e o professor ainda está longe de alcançar autonomia para usar a tecnologia com seus alunos. A tecnologia ainda não seduziu o professor; ele não quer e não deseja interagir com as tecnologias digitais (BORGES, 2009, p.134). O professor não mobilizou o seu pensamento para o uso de tecnologias.
Figura 6 – Nível Experimentação de Apropriação Tecnológica e Pedagógica
Neste segundo nível, denominado Experimentação, o professor começa a usar algumas funcionalidades dos softwares e a navegar com mais interesse pela internet, algumas vezes buscando temas relacionados à sua disciplina. Softwares específicos relacionados à disciplina do currículo chamam sua atenção.
Apesar de ainda não ter consciência digital sobre aquilo que pode realizar com seu aluno fazendo uso de uma tecnologia, ele já tomou conhecimento de que isso é possível. A tecnologia começa a seduzi-lo. Ele se torna um usuário da tecnologia em busca de novos significados.
Estágio de apropriação: adoção (SANDHOLTZ, RINGSTAFF, DWYER,1997) , emocional
Técnico Operacional (BORGES, 2009) .
O professor se arrisca a usar um software de produção de texto e de apresentação para elaborar um conteúdo para a aula; pode até elaborar um gráfico. Adota a tecnologia para ele mesmo. Já tem e-mail e às vezes usa este recurso para realizar contatos com amigos e colegas de profissão, podendo ser considerado um usuário da tecnologia digital. “Executa algumas operações com os recursos do laptop” (MEC, 2009, p. 30). Ainda não desenvolve trabalhos em rede, mesmo usando esses espaços, algumas vezes, para se relacionar com amigos e estabelecer novos contatos. Tem dificuldades para buscar informações e imagens na internet, salvá-las, de modo a ampliar seus projetos pedagógicos. A dimensão técnica ainda é predominante e o emocional continua a perpassar suas ações (BORGES, 2009).
Estágio de consciência: em processo de consciência digital (KRUMSVIK, 2008).
Estágio de competência: Baixas Competências de TI (KRUMSVIK, 2008). Fazendo uma
analogia com os níveis construídos por Borges (2009), o professor tem competência operacional-técnica inicial. Ele está experimentando as tecnologias e ainda não se sente seguro e determinado sobre o que pode fazer com eles em sala de aula. Há momentos de motivação e outros de frustração ante a tecnologia, o que dificuldade a superação das dificuldades. Mas há avanços em seu processo de apropriação tecnológica. Aparece o desejo em compreender o potencial das tecnologias para o trabalho pedagógico e isso desperta no professor a curiosidade pelo novo recurso. O professor começa a se relacionar com outro professor ou com amigos, para buscar informações sobre a tecnologia, ou faz este tipo de contato apenas para testar o novo meio de comunicação e, com isso, pode descobrir algumas possibilidade de uso pedagógico, dependendo das habilidades desenvolvidas e do conhecimento adquirido. Durante este ensaio, o professor começa a mobilizar o seu pensamento para o uso de tecnologias.
Figura 7 – Nível Produção de Apropriação Tecnológica e Pedagógica
No terceiro nível, denominado Produção, o professor usa com mais frequência uma tecnologia e começa a perceber o que pode ser feito com ela para que seu aluno aprenda. Ele consegue “resolver os problemas comuns referentes ao uso do laptop” (MEC, 2009, p. 30), executa operações com este dispositivo e começa a utilizar a tecnologia para elaborar algo com seus alunos. Algumas habilidades são potencializadas. É o início da integração do
computador nas atividades mais tradicionais. O professor começa a adquirir consciência digital, mas ainda não adquiriu as competências necessárias para ensinar com tecnologias.
Ele conhece e compreende que as tecnologias têm potencial para apoiar o ensino e a aprendizagem dos alunos. Usa diferentes recursos tecnológicos para comunicar suas atividades, seja com os alunos, seja com outros professores, disponibiliza conteúdos no blog da escola ou no blog pessoal e participa de redes virtuais de aprendizagem. Está desenvolvendo a habilidade de selecionar informações úteis na web. O professor pesquisa,
coleta e organiza as informações, trabalha com diferentes tecnologias, utiliza gráficos e dados estatísticos, elabora textos utilizando diferentes gêneros discursivos e aprende a trabalhar em rede. Ele inicia um processo de representação mental (BORGES, 2009), utiliza as tecnologias digitais para acompanhar, comunicar e representar o conhecimento produzido pelos alunos. A partir desse ponto ele pode começar a difundir novas ideias. Assim, a dimensão pedagógica começa a se destacar.
Estágio de apropriação: adaptação (SANDHOLTZ, RINGSTAFF, DWYER,1997),
emocional Imitação Relação/Comunicação Relação/Informação (BORGES, 2009).
Estágio de consciência: em processo de consciência digital; mantém postura crítica.
Estágio de competência: O professor desenvolveu algumas das competências denominadas
Competências Didáticas de TI, mas ainda predominam as Competências Básicas de TI (KRUMSVIK, 2008). O professor demonstra segurança e foco em suas ações, mantém postura crítica e tem flexibilidade para mudar o foco da investigação, quando necessário. Utiliza-se dos softwares de comunicação e colaboração com segurança e desenvolve projetos por meio desses recursos. O professor “se apropria da lógica subjacente dos softwares dos sistemas de busca, sistemas conversacionais, de base de dados e de organização da informação” (MEC, 2009, p. 30). Além disso, o professor mobiliza o seu pensamento para o uso de tecnologias.
Figura 8 – Nível Pedagógico-Digital de Apropriação Tecnológica e Pedagógica
No quarto nível, denominado Pedagógico-Digital, o professor torna-se consciente e competente digitalmente e apropria-se da tecnologia. Neste nível, ele já passou pelas fases da exposição, adoção e adaptação (SANDHOLTZ, RINGSTAFF, DWYER, 1997). Adquire visão estratégica. O professor faz uso de processos pedagógicos interdisciplinares, baseados em projetos. Compreende a relação dinâmica entre mídia, linguagem e mensagem (SILVA, 2011). Incorpora a linguagem e sistemas de signos veiculados pelas mídias e tecnologias digitais (ALMEIDA, 2011c). Lê, assiste e ouve a informação apresentada em qualquer formato - textual, visual, digital –, possuindo, portanto, as competências informacionais indispensáveis ao século XXI (AMERICAN ASSOCIATION OF SCHOOL LIBRARIANS, 2007). Desenvolveu o letramento digital e as competências de investigação, aprendeu a acessar, gerir e incorporar informações no desenvolvimento de multimídias (ALMEIDA, 2011c); adquiriu a capacidade de resolver problemas novos, desenvolveu o espírito crítico e a criatividade para a tomada de decisões em situações complexas.
Nesse estágio, o professor toma decisões, aplica o conhecimento adquirido a novas situações e gera novos conhecimentos; compartilha o conhecimento e atua de modo ético e produtivo; busca aprimoramento pessoal; como já desenvolveu as competências informacionais, tem disposição para se envolver em conversas e debates públicos sobre assuntos de interesse comum (AMERICAN ASSOCIATION OF SCHOOL LIBRARIANS, 2007). Avalia a qualidade e a eficácia do produto de aprendizagem (AMERICAN
ASSOCIATION OF SCHOOL LIBRARIANS, 2007). Está apto a inovar e isso supõe a implementação de um currículo integrado às tecnologias.
Neste nível há o predomínio da dimensão pedagógica.
Estágio de apropriação: Apropriação Inovação (SANDHOLTZ, RINGSTAFF, DWYER,
1997); Emocional Relação/Comunicação, Relação/Informação Relação/Expressão Autoformação (BORGES, 2009).
Estágio de consciência: Alta Consciência Digital (KRUMSVIK, 2008). O professor analisa e
reflete sobre a sua prática pedagógica com tecnologias.
Estágio de competência: O professor possui Competências Didáticas de TI, em direção ao
estágio denominado Estratégias de Aprendizagem (KRUMSVIK, 2008). O professor desenvolve autonomia para selecionar as tecnologias e decidir quando e como usá-las. Ele faz uma utilização criteriosa das TIC. O protagonismo e a autoria são constantes em sua prática. O professor mobiliza o pensamento e diversos recursos para resolver novas situações e novos problemas. Empreendedorismo, liderança e trabalho coletivo, marcam sua prática pedagógica.
Tendo apresentado os quatro níveis de apropriação tecnológica e pedagógica, cabe observar que as competências relacionadas no documento Formação Brasil: Planejamento das Ações (MEC, 2010, p.30), mencionadas na página 90 do Capítulo III, foram distribuídas entre os Níveis 2, 3 e 4, apesar de o referido documento não conter informações sobre a classificação dessas competências.
Além disso, e considerando o que já foi mencionado sobre não haver um limite definido para o início e término desses níveis, tendo em vista que é preciso considerar o estágio de conscientização, apropriação e competência de cada professor, o processo de apropriação tecnológica e pedagógica pode ser representado conforme a Figura 9, em que se observam a influências das três categorias mencionadas durante todo o processo.
Fundamental
Experimentação
Produção
Pedagógico‐ Digital
Figura 9 – Níveis de Apropriação Tecnológica e Pedagógica
Cabe ressaltar, que apesar de a Figura 9 representar somente os quatro níveis identificados neste trabalho, é preciso considerar a existência de outros níveis a partir destes, uma vez que o processo de apropriação tecnológica e pedagógica é contínuo. Fazendo uma analogia aos estudos de Sandholtz, Ringstaff, Dwyer (1997), quando aborda o estágio da apropriação, o quarto nível pode ser considerado o ponto de virada, em que há mudanças na prática e na atitude pessoal do professor em relação à tecnologia. A partir deste nível, o professor está apto para desenvolver projetos pedagógicos inovadores, por meio de uma aprendizagem interativa e de um currículo integrado a tecnologias.
Assim, a partir do quarto nível, supõe-se a existência de um quinto nível em que inovações pedagógicas são evidenciadas. Sobre questões relacionadas à inovação, é preciso ter claro que elas não existem somente em um nível determinado. Ao longo de todo o processo é possível identificar inovações associadas a uma nova prática, ao uso de um novo material, ou a uma nova ideia, e algo que pode ser inovador para um sujeito, não o é para outro. Desse modo, cada mudança e cada etapa vencida devem ser consideradas, reconhecidas e estimuladas ao longo do processo educacional.
É preciso ter claro, ainda, que a inovação também é um desses conceitos com inúmeras definições. É um termo usualmente utilizado na área econômica, administrativa e empresarial e, como outros, absorvido pela área educacional. O termo é utilizado ora como sinônimo de novidade, ora como sinônimo de originalidade e invenção, estando associado a mudanças. No entanto, quando o foco abrange inovação, educação e tecnologia, novas abordagens de ensino com possibilidade de desenvolvimento de novas competências, tanto pelos alunos como pelos professores, passam a ser o cerne de toda a questão.
Sobre o conceito de inovação, Senge (apud MASETTO, 2004, p. 201-202) acrescenta o compromisso como uma atitude fundamental durante um processo que supõe inovação, afirmando:
inovação e mudança andam juntas, mas só acontecem de fato quando as pessoas nelas envolvidas se abrem para aprender, para mudar, para adquirir novos conhecimentos, para alterar conceitos e ideias trabalhadas, às vezes, durante muitos anos, para assumir novos comportamentos e atitudes não comuns até aquele momento, para repensar a cultura pessoal e organizacional vivida até aquele momento, para mudar suas próprias crenças e aderir a novas e fundamentais maneiras de pensar e de agir.
Retomando a reflexão posta neste trabalho, vê-se que, de fato, o compromisso das equipes envolvidas no curso de formação dos professores da EE Antonio Carlos Ferreira Nobre foi considerado fundamental para iniciar um processo consciente de mudanças e inovações pedagógicas, atrelado ao desenvolvimento de novas competências, com possibilidade de desenvolvimento da competência pedagógico-digital.
Tendo retomado o conceito de conscientização, apropriação e competência(s), a partir do aporte teórico selecionado para subsidiar esta tese, foi possível realizar uma convergência teórica que culminou na identificação do conceito de competência pedagógico-digital, bem como na construção de níveis de apropriação tecnológica e pedagógica pelos quais passam os professores durante um processo de uso de tecnologias associado à prática pedagógica.
Segue Capítulo V, referente à análise, esclarecendo que as conclusões relativas ao nível de apropriação tecnológica e pedagógica dos professores da EE Antonio Carlos Ferreira Nobre levam em consideração os conceitos e níveis apresentados, retomando as variáveis
relativas ao contexto em que se deu o curso de formação, descrito no Capítulo III e outras que emergiram no próprio processo de discussão e análise dos dados e informações.
CAPÍTULO V
ANÁLISE E DISCUSSÃO
Este capítulo tem como objetivo apresentar a análise dos dados e das informações coletadas durante o curso de formação dos professores da EE Antonio Carlos Ferreira Nobre que participam do Projeto UCA, com o objetivo de verificar se esta formação possibilita o