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A interação em qualquer ambiente nasce da aceitação do outro, onde o respeito e o acolhimento facilita a convivência entre os seres humanos. Os ambientes das relações interpessoais, estar focalizando a constituição do eu, a compreensão do indivíduo com suas diferenças e qualidades, para ter condições de vida nos grupos. A educação dá-se num processo de interação constante, em que nos vemos através dos outros e que vemos os outros através de nós mesmos. Nesta perspetiva, esta investigação procurou aprofundar o conhecimento sobre a interferência das relações interpessoais na gestão escolar, destacando o pensamento dos docentes e gestores/diretores dos Agrupamentos de escolas do Algueirão e de Carregal do Sal.

Conclui-se que não há um modelo a ser seguido nas relações interpessoais, porém tudo tende a convergir para o respeito em aceitar a forma com que cada um vê o mundo na sua individualidade. O que nos permitiu confirmar (100%), no Agrupamento do Algueirão, e a confirmação parcial (89,4%), no Agrupamento de Carregal do Sal, da primeira hipótese H1 “A comunicação interpessoal é um aspecto relevante na gestão escolar”. Na verdade, há uma riqueza muito grande em ouvir o que o outro tem a dizer e tentar colocar-se no lugar do outro para desenvolver compreensões mais completas sobre as relações.

O gestor ao exercer sua liderança deve assumir a sua função de facilitador, mediando as práticas de ensino pelos professores, proporcionando-lhes meios didáticos e materiais para que possa desenvolver boas metodologias na sua prática pedagógica, é que se faz uma escola democrática onde aos poucos se consegue atingir seus objetivos educacionais e faz com que seus membros sejam agentes de transformação da sociedade de que fazem parte, através do reconhecimento e da valorização do empenhamento dos

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profissionais dos Agrupamentos. Deste modo, confirma-se a segunda hipótese H2 “É importante reconhecer e valorizar o empenhamento dos profissionais na construção dos objetivos educacionais”.

A terceira hipótese H3 “A competência interpessoal de todos os sujeitos do âmbito escolar favorece o ensino-aprendizagem” foi confirmada, no Agrupamento do Algueirão e confirmada parcialmente no Agrupamento de Carregal do Sal (100% e 90%, respectivamente). O ativo tangível pode ser comprado, negociado, já a inteligência, as relações e as competências das pessoas é que são responsáveis pelo desempenho e melhoria do clima nas organizações. (Chiavenato, 2005). Na gestão escolar, as relações interpessoais podem promover e criar vínculos entre os grupos, se diferentes visões sobre o mundo, diferentes competências interpessoais e conceções sobre a educação conseguirem abrir espaços para a discussão e que, com isso, gere posturas e atitudes em sintonia, preservando sempre a individualidade do professor e a instituição a que pertencem. O conflito é útil para a solidariedade de um grupo e sua eficácia. Contudo, os conflitos, em demasia, provocam disfunções nos grupos e nas organizações, mas são indispensáveis para despertar a qualidade de desempenho, a inovação e a criatividade.

A escola tem uma missão essencialmente pedagógica e educativa que a torna diferente das outras organizações. Tendo isso em conta, não deve utilizar os modos de organização e os processos de gestão somente como meios para o desenvolvimento da ação pedagógica, mas devem também constituir-se, eles próprios, objeto de ação pedagógica. A decisão participada na escola não faz aumentar a produtividade, mas tem um impacto positivo na satisfação dos professores. Esta satisfação influencia a qualidade de trabalho desenvolvido e, a longo prazo, pode levar a um aumento de produtividade (Seco, 2002). Assim, confirmamos, no Agrupamento do Algueirão, a quarta hipótese H4 “A proposta pedagógica deve contemplar a valorização das relações interpessoais na Instituição de Ensino” e confirmamo-la parcialmente no Agrupamento de Carregal do Sal (com 100% e 86%, respectivamente).

Neste trabalho procurámos responder à nossa pergunta de partida “Como as relações interpessoais podem ser um fator mobilizador e um contributo diferencial na gestão escolar?” Concluímos que é visível no contexto estudado a influência das relações interpessoais como um diferencial na gestão escolar, quando participativa e democrática,

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constrói a verdadeira cidadania e desenvolve o potencial humano dentro de uma organização educacional, sendo o gestor um agente mobilizador de todo esse processo.

A gestão escolar, além de ser uma das funções do processo organizacional, é um dever social e pedagógico. A escola, mais uma vez, assume uma função social onde a influência das relações interpessoais é necessária e muito importante à medida que funciona como aparelho ideológico e precisa de atender às demandas da sociedade emergente. Assim sendo, o gestor escolar tem um grande desafio, que é o de integrar consciente e criticamente a escola, os seus alunos e professores no universo da sociedade do conhecimento. A função do gestor não é somente tomar decisões, mas sim contribuir para que todos os que convivem no espaço escolar possam ter estímulo, incentivando todos no processo de aperfeiçoamento profissional, fazendo com que as mudanças que normalmente ocorrem num processo democrático sejam organizadas da melhor maneira possível.

Dessa forma, os gestores têm a difícil tarefa de gerenciar de modo participativo e democrático, procurando a participação de todos os segmentos da comunidade escolar e desenvolvendo a principal função da escola que é a função social e a pedagógica. Ele é o elemento determinante para o bom clima organizacional. Ao término deste estudo, concluímos que as relações interpessoais são um contributo na gestão escolar, são um dos fios condutores da educação, na medida em que professores e gestores/diretores são atores principais da gestão educacional.

Os resultados obtidos com este trabalho podem ser um subsídio para as Instituições de Ensino que procurem inspirações para a gestão democrática e participativa com a inerência das relações interpessoais onde os conflitos interpessoais ocorram apenas para promover o crescimento dos sujeitos envolvidos.

O atual contexto em que as Instituições de Ensino estão inseridas, no qual a educação vem ocupando cada vez menos um espaço, mais do que nunca, está exigindo uma nova postura dos educadores. Evidencia-se a necessidade dos especialistas em gestão e em educação, mudarem suas práticas e através de uma ação integrada junto a toda a comunidade escolar, fomentar valores e sentimentos, aspetos tão importantes quanto à cognição.

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Surge a necessidade, neste processo de integração, de se ter um relacionamento positivo entre todos os setores da escola, no qual o gestor é o principal elemento de integração e promoção das relações interpessoais dentro das Instituições de Ensino. Para que isto aconteça, é necessário que a equipa diretiva fortaleça a importância dos valores, credibilidade da comunidade escolar, proporcionando atividades que possibilitam o desenvolvimento da pessoa e também valorizando suas experiências.

Fica então, à responsabilidade de todos, educadores e especialistas, a formação e administração da comunidade escolar para uma gestão democrática e participativa com a interferência das relações interpessoais.

Em suma, os resultados desta pesquisa revelados pelos depoimentos dos 121 (cento e vinte e um) professores e dos 2 (dois) diretores aliados à nossa experiência como educadora confirmaram nossas primeiras impressões sobre a interferência das relações interpessoais na gestão escolar e acrescentaram também conhecimento e agregaram valor à nossa prática docente.