Neste ponto, iremos levantar algumas questões e comentar aspetos que chamaram a atenção no desenvolvimento deste trabalho. A utilização das imagens pela campanha brasileira e a padronização da sequência da campanha é visível. Contudo, a campanha portuguesa revela mais detalhes na informação, ou seja, no campo educativo. Em primeiro momento, as imagens podem atingir o seu objetivo de mudar “temporariamente” o comportamento do público, mas a longo prazo, os textos portugueses parecem educar de maneira fixa para que o público desenvolva atitudes de prevenção e as torne habituais.
Não podemos dizer que houve um envolvimento direto entre os participantes interativos (pessoas reais), pois, trata-se de um estudo de campanhas publicitárias, onde os produtores das campanhas imaginariamente criam situações do cotidiano para simular reações dos visionadores. Podemos destacar nesta análise imagens da vida comum dos brasileiros, mostrando em muitas ilustrações pessoas a sorrir, demonstrando uma certa relação de “afinidade social” (Kress e van Leewuen, 2006). No caso de campanhas de planos de saúde, as fotos de uma “família feliz” são muito usadas. Já em campanhas contra o fumo, utilizam-se fotografias com temas sobre impotência, aborto e até mesmo infarto; imagens impactantes e de certa forma agressivas.
Nesta análise, partimos do pressuposto que a pesquisa não trata da questão do outro, mas da questão de “todas” as pessoas, ou seja, de uma população de um determinado país. Embora os cartazes brasileiros utilizem literalmente a palavra “você” e os materiais portugueses se dirijam diretamente a uma pessoa (visualizador), as duas campanhas de acordo com o material analisado assumem o papel de “todas as pessoas” ou até mesmo “nós”, sejam eles brasileiros ou portugueses; o que de certa forma abandona os traços individuais (idade, sexualidade gênero, etc.) e coletivos (políticos, econômicos, etc.), generalizando as informações. As ilustrações brasileiras são diversificadas com relação aos traços individuais, produzindo institucionalmente uma identidade coletiva: “nação brasileira”. Desta forma, os responsáveis pela assinatura da campanha desejam “atingir” não apenas uma pessoa (Joaquim, Maria, Nuno, etc.), mas
95 um único perfil formado pela “nação brasileira” ou “nação portuguesa”, mesmo que existam diferenças culturais, económicas, religiosas, ou sociais.
96 7.2 Considerações Finais
A Gripe A (H1N1) é uma doença respiratória causada por um vírus, que na época não tinha sido registados em humanos (apenas em suínos). Os Governos do México e Estados Unidos da América relataram, em 2009, a primeira contaminação em humanos, a forma em que ela poderia ser transmitida (de pessoa a pessoa), que causou pânico com a possibilidade de uma pandemia.
Baseados em dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), governos de todo o mundo iniciaram campanhas e tomaram medidas de contenção do vírus, realizando identificação precoce, tratamento e isolamento de casos. Incluído nestas campanhas, estava exatamente a divulgação de informações por material impresso. Material este que se tornou objeto de nossa investigação.
Devemos relatar que muitas das informações encontradas foram fornecidas pela OMS, explicando e respondendo o que porquê de termos grande semelhança em alguns materiais coletados. Porém, o Ministério da Saúde de cada país elaborou diretrizes com o intuito de adaptar e padronizar as principais ações de profissionais de saúde, bem como, pessoas que lidam diretamente com o atendimento ao público, seja ele, do sector público ou privado.
No caso de Portugal, verificamos a divulgação da informações, mas a nível de publicidade impressa. O resultado foi de cartazes simples, que não pareciam seguir uma padronização ou sequência na produção dos mesmos. O que foi proposto aqui é uma pequena luz para que os publicitários, na área da saúde em Portugal, utilizem materiais (no caso específico das campanhas em saúde) corretos, de forma estudada e profissionalmente elaborada. E espera-se que o estudo possa trazer novos dados à área de comunicação na saúde e da própria semiótica social voltada para campanhas de publicidade social. Devemos ressaltar, também, que na campanha portuguesa, as informações textuais são mais esclarecedoras e contêm mais detalhes com relação as precauções e cuidados a serem tomados. Fica como sugestão para futuras campanhas na área de saúde que tenham como objetivo prevenir doenças, uma maior utilização de imagens, bem como a padronização das campanhas com materiais sequenciais.
No caso brasileiro verificamos um material melhor elaborado, mas com um enorme apelo ao medo. Desta forma, os responsáveis pela assinatura da campanha
97 (Sistema Único de Saúde do Brasil) procuraram, não pela confiança na entidade mas pelo “pânico” atingir o seu objetivo que era de informar e persuadir o visualizador. As ilustrações brasileiras parecem ter um impacto potencial superior, já que despertam o interesse do público, através de certo desconforto ou ameaça, o que vê. Apesar da dificuldade de se criar campanhas padronizadas no Brasil, seja por sua diversidade econômica, como cultural ou social, o governo conseguiu harmonizar o material impresso com a utilização de cores e frases padrões. Contudo, sugerimos que os profissionais desta área utilizem maiores informações textuais para fins de esclarecer mais a população e seus profissionais das regiões mais afastadas dos centro urbanos, que muitas vezes não tem conhecimento dos reais riscos de doenças que habitualmente são alvos de campanhas como Aids/Sida (HIV), Câncer/cancro de Mama, etc.
98 CONCLUSÕES FINAIS
“Como a publicidade de imprensa contribuiu para o combate a esse surto?” foi a pergunta imposta no início deste estudo. Assim, para a realização deste trabalho, nossa proposta inicial foi mostrar que cada visualizador constrói seu próprio conjunto de significados, antes mesmo de entender as reais finalidades de quem assina a produção da campanha. Nesta análise de uma imagem e/ou texto, procuramos demonstrar, com o auxílio de um método embasado na Semiótica Social, a riqueza de significações que uma campanha de publicidade social na área da saúde pode-nos oferecer. A partir dos conceitos de Gunther Kress e Theun van Leewuen, acerca da função análise da imagem e discurso de linguagem, sintetizou-se um instrumental teórico até se chegar aos resultados deste projeto. Buscou-se demonstrar que ilustrações, cores e textos podem ser interpretados, mesmo que separadamente, de forma conjunta. Características intrínsecas como o “apelo ao medo”, vem carregada de dados imperativos, o que altera nossa forma de receber e consolidar a mensagem. Adiante, procurou-se mostrar os pontos positivos ou apontar prováveis falhas encontradas no processo de construção de cada campanha. A escolha do tema “Influenza A – H1N1”, cujos cartazes serviram de objeto de análise, não foi aleatória. Pois tratou-se de um grande surto causando o pânico no mundo inteiro. As redes sociais e a internet foram, também, grandes divulgadoras de informações preventivas, mas também devem ser responsabilizadas por difundir este mesmo pânico. A primordial benefício foi a possibilidade de apresentar como podem ser interpretadas certas “representações”, como por exemplo, a “coisificação” do vírus.
A análise dos cartazes, porém, não ficou limitada apenas ao método proposto, já que “progrediu” um pouco mais suas fronteiras. Com o objetivo de engrandecer as análises, foram utilizadas conceitos sobre os significados das cores, segundo estudos de psicodinâmica propostos por Farina (2006). Da mesma forma, pesquisas sobre análise crítica do discurso do estudioso Van Dijk (2005).
Como refere Bolonas, “duas particularidades distinguem a publicidade a causas sociais de todas as outras formas de publicidade: a gratuitidade e o exercício de cidadania” (2006, p. 95). Para finalizar, nunca é demais lembrar que, este trabalho deve ser uma abertura para mais análises e pesquisas na área da comunica da saúde, campo este que se utilizado de forma responsável pode trazer benefícios valiosos no campo social.
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107 ANEXO I
108 ANEXO II
109 ANEXO III
110 ANEXO IV
111 ANEXO V
112 ANEXO VI
113 ANEXO VII
114 ANEXO VIII
115 ANEXO IX
116 ANEXO X