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5. Study Findings

5.1 The “CHOICE” of infant feeding

5.1.4 Health professional’s influence

5.1.4.1 Differing infant feeding counselling scenarios: The case of Zewditu and

Embora, antes de aplicarmos a aula, pensássemosque os alunos-sujeitos do 7º ano seriam capazes de demonstrar habilidades básicas de leitura e conhecer o GDT para atingir os objetivos propostos (1º inferir informações explícitas e implícitas em um texto; 2º perceber pressupostos e subentendidos em um texto e o 3º fazer inferências), notamos que essas habilidades não estavam consolidadas nessa turma. A seguir, um modelo de caderno de um colaborador.

Figura 34 - Modelo de caderno do aluno - Lendo as entrelinhas

Fonte: Material coletado em pesquisa de campo.

Cada um dos alunos-sujeitos recebeu seu diário de prática e respondeu às atividades, individualmente. O tempo de duração dessa etapa de investigação foi deduas aulas de 50 minutos. Constatamos que no momento em que eles iniciaram as atividades,encontraram dificuldades para respondê-las, visto que observávamos a postura de cada um. Ao andar pela sala, verificamos resposta em branco, incompletas, e alunos-sujeito pensativos.

Nesse momento, indagamos o porquê e logo em seguida responderam que não conheciam o personagem Hagar da tira A. Assim, percebemos que era necessário saber quem ele era, um viking, de forma a contextualizar o personagem, uma vez que esse fato se mostrava um empecilho para a leitura,a compreensão e a interpretação. Outras dificuldades se referem ao desconhecimento dos alunos-sujeitos sobre a acepção das palavras que apareceram nas questões referentes à tira A. Podemos citar:“pressuposta”, “inferir”, “capitalista,” “conhecimento de mundo”. Desse modo, começamos a refletir que o modo como as perguntas foram elaboradas deveria ser repensado para atingir esses alunos-sujeitos. O vocabulário empregado pela/s autora/s atinge os docentes com conhecimentos acerca das teorias que envolvem os gêneros discursivos e de interpretação. Exemplos:

a ) “Qual o conhecimento de mundo que o leitor precisa ter para dar sentido à tira?” b)“Estas informações estão explícitas no texto?”

Poderíamos pensar em reformulá-las, de modo que ficassem mais compreensíveis aos alunos-sujeitos, como: Que conhecimentos você utilizou para interpretar a tira? A resposta que você deu à questão anterior estava clara na tira? Por quê?

Quanto ao GDT b e c (designados na sugestão de aula como TIRINHA A e TIRINHA B),as questões de inferência novamente suscitaram dúvidas quanto à ideia de casamento concebida pelo personagem Hagar, ou seja, a concepção de casamento das mulheres. Ademais, novamente, não sabiam a acepção dos vocábulos“explícita”, “ironia” e “humor”.

Como a última atividade exigia do aluno-sujeito a explicação do conteúdo temático de duas tiras de Mafalda, eles não fizeram nem demonstraram inquietações, mesmo aparentando não saber respondê-las. Nesse sentido, nem sempre nossas observações no espaço da sala de aula estão adequadas, pois com a análise dos dados quantitativos no quadro a maioria deles respondeu sobre o tema dos dois GDT/s de maneira satisfatória.

Para compreendermos os resultados da nossa análise, elaboramos os seguintes itens de verificação: 1) os alunos não responderam; 2) responderam de maneira inadequada; 3) responderam superficialmente; 4) responderam adequadamente.

Os dados quantitativos estão representados no quadroa seguir, no qual colocamos em negrito os números maiores em cada linha e coluna:

Quadro 8- Análises das respostas dos alunos das aulas do Portal do Professor.

Aula: Lendo nas Entrelinhas

Questão Não responderam às questões

Responderam de maneira inadequada

Responderam

superficialmente Responderam adequadamente Total respostas de Atividade 1

Tira A a) b) 0 0 4 4 9 8 8 9 21 21

d) 0 11 10 0 21 Atividade 2 Tira B a) 0 5 5 11 21 b) 0 4 3 14 21 c) 0 5 9 7 21 Atividade 3 Tira C a) 0 5 9 7 21 b) 1 5 3 13 21 c) 0 4 13 4 21 d) 0 7 11 3 21 Tira D 2 2 2 15 21 Tira E 3 0 0 17 21

Fonte: Autoria própria.

Conforme números do quadro, com relação à categoria “responderam de maneira inadequada”, destaca-se o resultado da questão d da tira A. Onze (11) alunos responderam inadequadamente à questão d: “Qual é o conhecimento de mundo que o leitor precisa ter para dar sentido à tira?”. Tendo em vista esse resultado, somado ao fato de que nove (9) responderam a mesma questão superficialmente e nenhum atingiu o propósito de respondê-la adequadamente, pensamos, como já havíamos mencionado antes da aplicação dessa aula, que o modo de elaborar as perguntas pudesse ser feito de outra forma. Entretanto, sabemos que o tema do GDT seria mais facilmente compreendido e interpretado, caso os alunos-sujeitos tivessem feito uma pesquisa ou investigação sobre quem é o personagem Hagar, o contexto histórico ao qual esse personagem pertence, assim como discussões acerca do capitalismo em sala com o professor.

Como aplicamos a aula como atividade diagnóstica, não exploramos esses conhecimentos oralmente com os alunos-sujeitos, pois enquanto professoras do Ensino Fundamental II, sabemos da importância do direcionamento e esclarecimento do docente de modo que os participantes desta pesquisa levantassem hipóteses sobre a questão d. Assim, como poderíamos pensar em outra forma de reformular a questão“Quais os conhecimentos você utilizou para interpretação dessa tira?”

No tocante à categoria “responderam superficialmente”, chama a atenção os dados referentes às questões a e c, referentes à atividade 1, tira A;c, referente à atividade 2, tira B; e

a, c e d, referentes à atividade 3, tira C.Apergunta é:a) Qual é a informação que pode ser

pressuposta, na primeira fala do primeiro balão? Consideramos adequadas respostas como esta,de um colaborador para parâmetro de análise das outras: Aluno 1: “ Todas as pessoas não vivem juntas e em paz, pois existe muita desigualdade social, conflitos, descordância28, uns se

28 As respostas foram transcritas do modo como os alunos responderam, não fizemos nenhuma correção para preservar o dizer do aluno participante.

acham mais que os outros”. Já para “responderam superficialmente”, consideramos o seguinte: Aluno 2: “As pessoas não aceitam as diferenças dos outros”.

Para a questão: c) É possível estabelecer uma relação entre a resposta de Hagar à pergunta que lhe foi feita e o sistema capitalista?,do GDT A,consideramos como superficiais respostas como a do aluno 7: “Os países vivem em guerra porque um país quer mandar no outro”; aluno 10: “Acho que sim pela forma que ele fala na tirinha”. Consideramos essas duas assertivas dos alunos-sujeitos como superficiais, pois se exige do colaborador que não só mencionasse que os países vivem em guerra, ele fez simplesmente a definição de um sistema capitalista sem relacionar o porquê de o personagem Hagar usar a fala “eu”; enquanto o outro só se atém ao modo como o personagem fala no GDT, não percebendo se ele fez ou não a relação entre a fala de Hagar e o capitalismo.Consideramos como resposta superficial à questão c, da atividade 2, tira B: “Estas informações estão explícitas no texto?”, exemplos como o do aluno 3:“Não estão explícitas”;aluno 4: “O pai dele falou que vai ser agressivo, muito agressivo”.Mais uma vez constatamos um empecilho no tocante à acepção do vocábulo “explícita”.

Houve, também conforme quadro, um número maior de alunos que responderam superficialmente às questões a, c e d, referentes à atividade 3, tira C. São elas as questões:a) “A resposta de Hagar(segundo balão do primeiro quadrinho) ao filho é possível?Por quê?”; b)”Qual é a ideia que as mulheres fazem do casamento? Como você chegou a essa conclusão?”, “Há humor na fala de Hagar nas tirinhas (b) e (c)?”, pela ordem das questões 9,11 e 13, em que alunos-sujeitos responderam superficialmente, confirmando as lacunas identificadas por nós nas hipóteses desta dissertação: de que perguntas de inferência e de humor requerem dos colaboradores conhecimentos ainda não consolidados.

No que concerne à categoria “responderam adequadamente”, temos um maior número relacionado às questões: b, da atividade 1, tira A; a e b, atividade 2, tira B; b, da atividade 3, tira C; tira D e tira E.

Quanto à questão b,tira A, “O que se pode inferir da resposta do Hagar no último balão?”,obtivemos respostas adequadas de9 alunos-sujeitos. Exemplo: Aluno 1: “Pode se inferir na resposta de Hagar, que por ele „ser de guerra‟, ele não seria uma boa pessoa para saber o que é bom para elas(pessoas)”. A resposta doaluno 10 já se refere às respostas parcialmente corretas: “O Hagar e lutador, guerra, etc”.

Na próxima sequência de atividades, referentes ao GDT b, verificamos que, como as questões exploravam o conteúdo temático sobre machismo, relação homem e mulher em um casamento, os números de respostas adequadas aumentaram. Questões: a) “Por que Hagar está

dizendo ao filho que ele deve ser bastante agressivo?”,b)”Qual a ideia a respeito do casamento e das mulheres pode-se inferir na fala de Hagar?, adotamos como parâmetro as seguintes respostas dos colaboradores em sequência: aluno 1: “Porque ele acha que o homem tem que ser machista e mandar na casa e em sua mulher e não fazer nada.”; aluno 2: “Que o homem tem de ser machista com as mulheres”.

Observamos que muitos alunos responderam adequadamente também à questão b, da atividade 3, tira C, b) “Qual a ideia que as mulheres fazem do casamento? Como você chegou a esta conclusão?”, percebemos como já comentamos anteriormente que quando se tratam de temáticas do cotidiano dos colaboradores, eles conseguem assimilá-las de modo adequado. Exemplo: aluno 10, “A ideia de conto de fadas. Pois elas acham que os homens são perfeitos como um príncipe”.

Outrossim, alunos responderam adequadamente também ao proposto para as tiras D e E, cujo comando da atividade solicitava que os alunos fizessem a interpretação por escrito das tiras da Mafalda, como exemplo: aluno 5: “Eu entendi que a política não está fazendo nada de bom para melhorar o país, pelo contrário, as coisas estão cada vez mais complicadas, principalmente os preços, em geral, só estão subindo, um exemplo. Por isso está sendo considerada como um palavrão...”; aluno 3: “Que eles acham que governo não faz nada para ajudar as pessoas em forma de trabalho de escola de cidadania”.

Como o enfoque de nossa investigação se atém ao humor e ironia do GDT, destacamos, ainda, o resultado referente à atividade 3, com GDT C, questão c, segundo o qual somente quatro (4) alunos perceberam o humor nos exemplares de GDT/s dos exercícios e, na questão d (“Há ironia na fala de Hagar” (tirinhas b e c)), apenas três (3) perceberam a ironia da fala de Hagar. Centramos nossa análise nesses últimos resultados, uma vez que levantamos a hipótese nesta dissertação de que existe uma lacuna quanto ao ensino do GDT e, para tanto, investigamos, além das aulas do PP, o LDLP adotado na instituição coparticipante, como consta na seção 5.1 deste capítulo.Verificamos, também, que há presença de vários exemplares de GDT, do 6º ao 9º ano, embora esse gênero não se apresente em uma unidade específica para interpretação.