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O módulo Compreensão Oral em Inglês compreende quatro unidades e está também dividido em duas partes, I e II. A unidade Listening to a Documentary se encaixa na parte I, que vem na seqüência, depois da unidade Listening to Interviews.

Quando o módulo se inicia, cada uma das unidades é disponibilizada separadamente. No módulo estudado, a primeira unidade (Listening to Interviews) ficou disponível durante todo o tempo em que o módulo estava aberto aos alunos, e a segunda unidade (Listening to a Documentary) ficou disponível aproximadamente a partir da metade do tempo do módulo todo, período suficiente para que todas as tarefas propostas fossem realizadas. Depois que a segunda unidade estava disponível, o acesso à primeira não foi limitado porque alguns alunos ainda não a tinham terminado.

Cada unidade foi disponibilizada em sua totalidade, incluindo todas as páginas de conteúdo, todos os exercícios de quizzes e todos os tutoriais ao mesmo tempo. O motivo dessa opção é dar ao aluno total liberdade em relação ao tempo que ele possa escolher para fazer a unidade, acreditando que dentro dessa flexibilidade ele próprio se responsabilize por comparecer regularmente ao curso dividindo seu tempo entre as tarefas e retornando freqüentemente para ler mensagens novas no Bulletin Board, verificar eventos no Calendar, interagir com os colegas conforme proposto, e acompanhar o andamento do curso gradativa e regularmente.

Essa dinâmica de trabalho não foi sugerida ao aluno explicitamente, mas foi proposta através das tarefas, de novas atividades que eram incluídas no módulo durante a implementação, e também das mensagens que sugeriam discussão; enfim, no próprio andamento do curso. O curso como um todo não se caracteriza por ser auto-instrucional, o qual o aluno apenas interage com o material e faz tudo sozinho sem precisar participar de atividades em conjunto ou envolver-se com o trabalho de outros participantes. Programas dessa natureza, de acordo com Azevedo, W. (2001:s.p.) são publicações em hipermídia, equivalentes a livros, manuais e apostilas, que podem ser material didático para curso, mas não podem ser confundidos com cursos em si. Nesse sentido, a participação regular do aluno se faz necessária.

Na unidade Listening to a Documentary havia atividades síncronas e assíncronas. No entanto, as atividades síncronas – Chat – eram percebidas como não obrigatórias pois não constavam no conteúdo da unidade como já foi discutido no item

3.2.2. Desencontros nas salas de chat. Dessa forma, as atividades assíncronas aparentemente delineavam o curso. Digo aparentemente porque não havia sugestão de tempo estimado para cada tarefa em nenhum momento e, se apenas olhássemos as páginas de conteúdo de cada unidade rapidamente, poderíamos pensar que tudo poderia ser feito independente do tempo que cada aluno utilizasse para fazer as tarefas, pois tanto elas como as mensagens de outros colegas estariam sempre disponíveis a qualquer momento.

A idéia de um curso “assíncrono” pode ser mal interpretada pelo aluno e, conseqüentemente, ele pode ter sua ação e atuação prejudicadas durante o curso, afetando sensivelmente a qualidade de seu aprendizado.

Rosenberg, M. J. (2002:131) caracteriza metodologias de ensino a distância como síncronas e assíncronas. O autor define fornecimento assíncrono como “programas que são independentes do tempo (‘pré-gravados’). Em outras palavras, qualquer um pode acessar o programa a qualquer hora e quantas vezes desejar. Não há um componente ‘vivo’ e, na maioria dos casos, nada tem de ser agendado. A comunicação entre as pessoas não ocorre em tempo real.” Em relação a programas síncronos, o mesmo autor menciona que “programas síncronos, por outro lado, são dependentes do tempo. A comunicação ocorre em tempo real. O treinamento é ao vivo - e se você perder, acabou (a menos que seja repetido ao vivo novamente ou gravado, o que o tornaria assíncrono).” (2002:131)

Essas idéias que definem e contrastam um programa síncrono em relação a um assíncrono não são suficientes para esclarecer a noção de sincronia estipulada para as atividades no módulo Compreensão Oral em Inglês. Na definição de Rosenberg, M. J. (2002), a metodologia utilizada na unidade Listening to a Documentary, por exemplo, pode ser caracterizada por um programa independente do tempo por ser pré-gravado. No entanto, essa idéia não se aplica ao curso, pois as tarefas não podem ser realizadas independentes do tempo, mesmo que as ferramentas utilizadas permitam essa dinâmica e possam ser acessadas por cada aluno a qualquer hora e quantas vezes ele desejar.

Tarefas que envolvem discussão e troca de informação são dependentes também do tempo, e a cooperação do outro é necessária e fundamental para a realização efetiva da atividade, mesmo que cada aluno acesse o curso e envie sua contribuição em dias e

horários diferentes. A mensagem enviada fica disponível para o outro; no entanto, se houver uma distância muito longa entre a contribuição de um aluno e outro, aquele que está mais adiantado, engajado em uma outra atividade, não se sente motivado para voltar à tarefa anterior para interagir com o colega.

Evidentemente, há uma certa liberdade para se fazer o curso, mas essa liberdade é limitada. Para existir troca entre os alunos, eles devem trabalhar em conjunto dentro de um certo limite de tempo. Dessa forma, mesmo em um programa assíncrono, há sim um componente vivo e, praticamente, tudo no curso deve ser agendado. Ao mesmo tempo, podemos afirmar que “se você perder, acabou”, pois o aluno que já está em outra etapa do trabalho não vai mais voltar para interagir e, dessa forma, não há interação real e bidirecional, com retorno de informação, mas sim uma comunicação totalmente limitada e ausência de discussão real.

As duas etapas de trabalho se intercalam ao longo do desenvolvimento do curso aqui apresentado. O elemento humano torna o curso “vivo” durante todo o tempo, o que faz síncrono e assíncrono, pois apesar de ter grande parte de seu conteúdo pré-gravado, ele está dependente de novas contribuições a todo momento.

As idéias de sincronia e assincronia mencionadas por Rosenberg, M. J. (2002) não parecem suficientes para explicar os resultados da unidade Listening to a Documentary em relação ao tempo. Santos, E. T. & Rodrigues, M. (1999:5) classificam cursos EAD segundo sincronicidade e assistência, e associam essas duas classes com o que chamam de período de sincronização. Essa classificação abrange aspectos presentes no módulo em discussão e se identifica melhor com seus conceitos.

Segundo os autores, sincronicidade se relaciona com “as características dos mecanismos de comunicação adotados” e assistência se relaciona “à existência de um instrutor para assistir aos alunos”. O período de sincronização se refere ao “tempo transcorrido entre dois eventos de comunicação síncrona no curso”.

A flexibilidade de tempo está intimamente ligada ao período de sincronização. Cursos a distância que tendem a oferecer grande flexibilidade de horário para os alunos e se apresentam como cursos assistidos podem causar dificuldades ao instrutor que deve atender a alunos em estágios muito diferentes. A execução de tarefas colaborativas, assim como a execução de avaliações podem ser também prejudicadas. Além disso, o

aluno pode adotar um ritmo mais lento do que poderia executar. Desta forma, é importante estabelecer um período de sincronização dentro de um curso, mesmo que as tecnologias e metodologias empregadas dispensem tal restrição. (Santos, E. T. & Rodrigues, M. 1999:5)

De acordo com Santos, E. T. & Rodrigues, M. (1999:5-7), o período de sincronização pode ser caracterizado de três formas diferentes, dependendo da modalidade do curso. Em cursos totalmente síncronos (os que se utilizam exclusivamente de mecanismos de comunicação síncronos, como vídeo-conferência, chat, whiteboard) o período de sincronização é nulo, já que todos os alunos devem ter acesso ao mesmo conteúdo no mesmo momento.

Para cursos semi-síncronos (baseados predominantemente em mecanismos de comunicação síncronos, mas que utilizam também formas de comunicação assíncrona de modo auxiliar), o período de sincronização é aquele compreendido entre dois eventos de comunicação síncronos. Neste período, os alunos de um curso baseado em teleconferência, por exemplo, podem consultar material adicional quando desejarem até a data marcada para o próximo evento síncrono.

Em cursos totalmente assíncronos, ou semi-assíncronos (os que fazem uso esporádico de comunicação síncrona, tendo sua base em ferramentas assíncronas), onde todo material instrucional do curso pode ficar permanentemente à disposição dos alunos que o consultarão com total flexibilidade de horário, o período de sincronização é a disponibilização de partes do material apenas em determinado período, passado o qual é removida a permissão de acesso. (Santos, E. T. & Rodrigues, M. 1999:5-7)

O módulo Compreensão Oral em Inglês se encaixa na modalidade de cursos semi-assíncronos. Os dados da unidade Listening to a Documentary referentes ao tempo em que os alunos estiveram presentes no curso nos mostram que estabelecer um período de sincronização é realmente necessário num curso dessa natureza. As tabelas 4, 5 e 6 a seguir (divididas em 3 partes) mostram a freqüência e permanência dos alunos durante a unidade Listening to a Documentary, especificando as horas e os dias de acesso de cada aluno.

Do ponto de vista da unidade, isto é, do que estava proposto no design original, temos a lista dos alunos que a cumpriram e o número de horas despendidos por cada

aluno nos dias que ele acessou o curso. Abaixo da hora mostrada em cada campo, a seqüência de dias de acesso aparece especificada (1odia, 2odia, 3odia, etc.). O total das horas é indicado na tabela 7, que aparece na seqüência, nomeada Total de horas logadas. Esse total indica aproximadamente o número de horas que o aluno levou para cumprir as atividades da unidade, com exceção das sessões de chat.

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