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Diastolic dysfunction

4.1 - A propósito da investigação

Nesta seção serão apresentados os principais resultados da pesquisa. Conforme foi observado no capítulo sobre metodologia, os dados foram analisados com base no framework exposto na seção 2.3. Este framework permite compreender de que forma os conteúdos críticos e mainstream (PORTER e KRAMER, 2006) são gerenciados dentro de uma empresa híbrida. O framework se propõe a ser um recurso para combater a polarização verificada na área de RSC; em um dos extremos, Porter e Kramer (2006); no outro extremo, a crítica do CMS (Critical Management Studies) a partir da compreensão de que, a empresa de natureza híbrida é um locus mais apropriado à prática de uma critica engajada.

A constituição do framework reproduz debates acerca do conceito de estratégia, sua criação a partir do foco econômico e da busca por cada vez mais objetividade na construção de seus pressupostos. Assim, o resgate da origem econômica da estratégia desde Chandler até Michel Porter é fundamental não só para ampliar a compreensão sobre a evolução histórica daquilo que se intitulou “estratégia” (CHANDLER, 1962), mas também para explicar o domínio da abordagem eminentemente econômica.

No mapeamento da trajetória da área, foi importante reconhecer, a partir da taxionomia proposta por Mintzberg (1998) momentos importantes da evolução histórica da abordagem econômica da estratégia, e também localizá-la em uma perspectiva temporal.

A observância na literatura produzida pelas escolas de negócio, como dito anteriormente, em especial após a publicação do relatório de Gordon e Howell (1959) contribuiu para que se pudesse compreender os rumos que determinaram que, filosoficamente, esse foco no econômico positivista tomasse o racionalismo cartesiano como princípio, e que, desde então, passasse a influenciar empresas e academia (MINTZBERG, 1998).

A análise crítica sobre a predominância de Michael Porter como um dos autores mais referenciados na literatura internacional e o mais referenciado na literatura no Brasil (BERTERO et al., 2003), e sua “migração” recente para a área de RSC (PORTER e KRAMER, 2006) é de importância central a esta investigação. Ao que tudo indica, Porter traz uma “bagagem” predominantemente econômica para área de RSC.

Em paralelo e, em oposição à essa visão compreende-se em um outro extremo do framework, os conteúdos críticos. Neles, há um ataque à instrumentalidade como premissa econômico-funcionalista. A abordagem crítica observa as implicações que essa predominância e domínio do econômico podem trazer para além do cenário meramente competitivo. Desta forma, questões como problemas do ser humano, legitimação da acumulação capitalista e desenvolvimento de uma sociedade mais civilizada, cuidada e justa são o foco desta abordagem (ALVESSON e WILLMOTT, 2003).

Para que seja possível dimensionar o continuum através do qual o framework se configura foi importante acrescentar outras abordagens que contribuíram para uma análise mais profunda das questões propostas nesta investigação. Desta forma, as abordagens plurais e políticas em estratégia cumprem este propósito. Em abordagens plurais, reconhecemos o conceito de estratégias emergentes, de Mintzberg (1994), em contraposição ao conceito de fenômeno planejado, como o defendido pela ênfase econômica. Ainda nas abordagens plurais, o reconhecimento da Matriz de Whitington, é importante como uma forma de tangibilizar uma visão diferenciada em relação ao conservadorismo do modelo econômico. A Abordagem Sistêmica é utilizada como uma forma de avaliar se as estratégias de RSC dentro de uma empresa híbrida estão relacionadas com culturas e forças sociais locais onde está aplicada.

É razoável pressupor que gerentes-executivos do Banco X são pessoas enraizadas em sistemas sociais, definindo suas estratégias a partir não apenas das forças de mercado, mas das condições socio-políticas e situacionais (WHITTINGTON, 2002). A incorporação das abordagens políticas (BAILEY,

1999; AKTOUF, 2002) também é igualmente importante, em se tratando de uma empresa cujo capital também pertence ao Estado.

Ao se buscar uma aproximação entre mainstream e abordagem crítica o objetivo é investigar um caminho mais politicamente influente e eticamente responsável de modo a ser crítico, no âmbito de estratégia de responsabilidade social em organizações híbridas, sem ser contra a administração. É importante reforçar este ponto neste momento da investigação porque o objetivo não é simplesmente promover um ataque à abordagem econômica, até porque uma natureza híbrida de atuação pressupõe obviamente a incorporação do viés econômico. Ao contrário, pretende-se fugir de uma dicotomia superficial na análise dos dados que trata razão instrumental x razão substantiva, ou seja, que existe “um lado mau da administração” representado por tudo o que é econômico” e um “lado bom da administração”, este sim, ético e responsável.

O propósito geral é de “ir além, a priori das suposições sobre o que é gestão, em direção a novas possibilidades de gestão que possam ser” (CLEGG, 2006) reconhece a complexidade de se investigar uma natureza híbrida de atuação e os dilemas enfrentados por seus gestores.

4.2 - A empresa híbrida: breve histórico

Para o propósito de investigação deste trabalho, foi pesquisada uma empresa híbrida, ou seja, uma empresa de economia mista, onde acionistas da iniciativa privada dividem a mesma arena com o Governo Federal. É, portanto, uma empresa onde a perspectiva econômica de geração de vantagens competitivas (PORTER, 1979) convive com uma abordagem de RSC que historicamente e, por definição, é comprometida com questões socio-políticas e ambientais. Essa abordagem se torna ainda mais importante porque, como pontua Burawoy (2005) e, de acordo com Faria et al., (2008), a abordagem econômica ganhou destaque sem precedentes a partir de uma relação positiva entre lucratividade e RSC, principalmente se observados os avanços da globalização, a proliferação do

conceito de orientação para o mercado e o enfraquecimento do pluralismo no mundo acadêmico.

A proposta desta dissertação é assumir uma postura de engajamento (GREY, 2007) em vez de presumir que a gestão é um discurso global; ao contrário, o sugerido é que seja um discurso que pretenda traduzir, ou seja, que haja espaçado para diversas interpretações (CLEGG, 2006), até porque o mainstream tem avançado significativamente no sentido de dar um tom de uniformidade ao discurso sobre RSC, como foi possível observar em Porter e Kramer (2006).

Como observam Kotler e Lee (2005), de acordo com Faria et al., (2008), nos EUA, em 2002, US$ 12,19 bilhões foram investidos em RSC, um aumento de US$ 2,6 bilhões em relação a 1999 ). No Brasil, em 2004, cerca de 600 mil empresas investiram R$ 4,7 bilhões em ações sociais (0,27% do PIB daquele ano (IPEA, 2006), muito estimuladas pela ascensão da abordagem econômica Orientação Para Mercado OPM.

A questão é que a literatura de RSC, ao reproduzir o Modelo Americano de Negócios (MAN), acaba sendo usada para construir uma imagem enviesada de engajamento na solução dos problemas sociais. (FARIA, et al., 2008). A abordagem crítica extrema, em resposta ao extremo do mainstream, acaba dificultando a construção de uma abordagem crítica engajada.

Portanto, ao se buscar a investigação a partir de uma abordagem crítica engajada, pretende-se verificar que outras dimensões são observadas na elaboração das estratégias sociais por parte de uma empresa de natureza híbrida. Ao fazê-lo é possível também observar a possibilidade dessa abordagem crítica engajada, suas dinâmicas e complexidades.

O Banco X foi fundado através de um alvará do príncipe regente D. João em 12 de outubro de 1808 quando o Brasil passou a ser a sede da Coroa Portuguesa. Além de viabilizar a vinda da corte portuguesa para o Brasil, tinha a função de emissor de moeda. O capital da instituição seria constituído de 1.200 ações de

um conto de réis cada uma. O lançamento público destinava-se à subscrição por grandes negociantes ou pessoas abastadas.

A primeira utilização da denominação do Banco X como sendo propriedade do país aconteceu já em 1808, resultado da associação de seu ramo de atividade ao País. Na mesma época, puderam-se observar diferentes configurações da marca do banco em papel-moeda e documentos oficiais. Em janeiro de 1809, D. João buscou apoio, junto aos governadores das capitanias, determinando que buscassem acionistas para a instituição.

Em 25 de abril de 1821, D. João VI e a Corte retornaram a Portugal, levando os recursos depositados no Banco X, já em crise devido à sua profunda vinculação com os interesses da Coroa. Em 7 de setembro de 1822, D. Pedro I declara a independência do Brasil, sendo o apoio do Banco X decisivo para que as autoridades da época custeassem escolas e hospitais e equipassem os navios que minaram as últimas resistências lusitanas e asseguraram a Independência.

Durante o 1º Reinado, o Banco X foi exaurido por saques da Corte Portuguesa e desmandos financeiros, sendo finalmente liquidado em 1833. Em 8 de outubro, foi promulgada pela Assembléia e sancionada pela Regência lei que visava coibir definitivamente a desordem financeira que então se instaurara no país, fixando novo padrão monetário, gerando novas fontes de renda e restabelecendo o Banco X como propriedade do país. Em 1905 o Decreto n° 1.455 de 30 de setembro aprovou os estatutos do banco, que, entre outras decisões, considerava liquidado o Banco da República do Brasil e incorporava e sub-rogavam seus bens, direitos e ações ao novo banco. Em dezembro, após entendimentos com os acionistas privados e autorização do Congresso Nacional, o governo passou a deter 50% do capital da instituição financeira, que tornou a ser denominada como propriedade do governo brasileiro. Este também passou a deter o controle administrativo da instituição. Inicia-se assim a terceira e atual fase jurídica da instituição. Apesar de possuir uma nova personalidade jurídica, as operações (clientes e ativos) e os principais conceitos e objetivos nacionais são os mesmos de 1853 (início da segunda fase operacional).

A década de 30 aponta para a expansão das atividades do Banco X: criação da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial lançando um novo papel próprio, suas Letras Hipotecárias. O objetivo desses títulos era desafogar o grave endividamento da agricultura brasileira, reduzindo as taxas de juros em empréstimos com garantia de propriedades rurais.

Na década de 40, o Banco X esteve presente na Marcha para o Oeste, deflagrada pelo presidente Getúlio Vargas, ajudando a incorporar milhares de hectares de terras ao processo produtivo. Em 10 de novembro de 1941, inaugura, em Assunção, Paraguai, sua primeira agência no exterior. A presença da instituição na Segunda Guerra Mundial se deu quando apoiou os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira, mantendo escritórios em Roma, Nápoles, Pistóia e depois Gênova, Sua missão era pagar a tropa e transferir numerário para o Brasil, além de atender à embaixada e aos consulados brasileiros. Nesse ano, foi criada a Superintendência da Moeda e do Crédito SUMOC, com a finalidade de exercer o controle monetário e preparar a organização de um Banco Central.

No período pós-1945, o Banco X atuou decisivamente também no desenvolvimento industrial, com destaque na implantação da Companhia Siderúrgica Nacional, um dos marcos mais significativos da industrialização brasileira.

A década de 50 foi marcada pela expansão das fronteiras do Banco X. Em dezembro de 1953, através da Lei n° 2.145, foi criada a Carteira de Comércio Exterior. Cabia a ela, entre outras atribuições, a emissão de licenças de importação e o estabelecimento de sobretaxas de câmbio. Uma mini reforma cambial patrocinada pela Instrução 192 da SUMOC, em 30 de dezembro de 1959, no apogeu dos anos JK, liberou a taxa de câmbio das exportações. Constituía-se assim a primeira experiência em papéis de curto prazo, essenciais à execução de políticas monetária e cambial.

Os acontecimentos dos anos 60 foram iniciados com a transferência da sede do Banco X para Brasília no dia da inauguração da nova capital, 21 de abril de 1960. Em 64 foram lançados os títulos que dominariam o mercado de capitais na segunda metade do século XX. Eram as Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, ORTNs que

1964, a Lei 4.595 (Lei da Reforma Bancária) extinguiu a Superintendência da Moeda e do Crédito, SUMOC, e criou o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional. A partir de 1967 o banco passa a atuar com maior impulso no plano internacional. Agências e escritórios são abertos na América Latina e, no mesmo ano, autorizou-se a abertura da filial de Nova Iorque. A década de 70 é lembrada pelo lançamento de ações preferenciais do Banco na Bolsa de Valores em 1973 e pela inauguração, em 1976, da milésima agência, um marco na expansão da rede bancária nacional.

O período 1980 a 1989 é caracterizado pelo fortalecimento do papel do banco de agente transformador: foi criada sua Fundação, que vem se consolidando como grande parceira nos campos educacional, cultural, social e filantrópico, recreativo e esportivo, e de assistência a comunidades urbano-rurais. Em 1986 o Banco X foi autorizado a atuar em todos os segmentos de mercado franqueados às demais instituições financeiras, e constitui uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. Inicia-se, assim, a transformação do Banco X em conglomerado financeiro.

Em 1987 quatro subsidiárias passaram a integrar o conjunto de empresas vinculadas ao banco: Financeira S.A; Leasing S.A.; Corretora de Seguros e Administradora de Bens S.A. e Administradora de Cartões de Crédito S.A. e Caderneta de Poupança Rural. O ano de 1988 foi marcado pela oferta de novos produtos e serviços como o primeiro cartão de múltiplo uso do mercado, as operações de leasing financeiro, e a criação do seu Banco de Investimento S.A. Merece destaque especial a inauguração, em 12 de outubro de 1989, do seu primeiro Centro Cultural no Rio de Janeiro, ao comemorar 181 anos de fundação.

Para a implantação do Plano Real pelo Governo Federal, o Banco assumiu papel estratégico. Foi responsável pela substituição da antiga moeda pela nova, em curto espaço de tempo e em todo o Brasil. A operação foi considerada a maior do gênero já realizada no mundo. Quando o real entrou em vigor, em primeiro de julho, o Banco X havia distribuído R$ 3,8 bilhões às 31 mil agências bancárias existentes no País. 1995 marca a reestruturação da Empresa para melhor se adaptar à nova conjuntura advinda do Plano Real e a conseqüente queda da inflação.

Com a adoção de medidas saneadoras e de regularização de antigas pendências de crédito, o Banco X fechou 1996 com prejuízo de R$ 7,6 bilhões. No mesmo ano, realizou chamada de capital no valor de R$ 8 bilhões. Implementou, ainda, maciço programa de investimentos em tecnologia e implementou medidas rigorosas para conter despesas e ampliar receitas além de, ajustar a estrutura administrativa e operacional. Tais medidas contribuíram para que o banco voltasse a apresentar lucro. Em 1998 o Banco torna-se a primeira empresa brasileira a conquistarr o certificado ISO 9002 em análise de crédito além de receber o rating nacional máximo da Atlantic Rating, "AAA", e a classificação como instituição da melhor qualidade.

O ano 2000 marcou a expansão do Banco X na Internet, com o lançamento do seu Portal, abrigando sites de investimentos, agronegócios, negócios internacionais, relações com investidores, notícias, cultura e esportes; consolidando-se como a instituição financeira brasileira com maior presença na rede mundial. Adotou também a configuração de Banco Múltiplo, trazendo vantagens como redução dos custos, racionalização de processos e otimização da gestão financeira e fisco-tributária. Também foi adotada nova configuração para o Conglomerado, visando agilidade, autonomia e segurança nos processos decisórios. A Diretoria Executiva passou a ser composta pelo Conselho Diretor (presidente e vices-presidentes) e demais diretores e foram criados comitês, subcomitês e comissões para ambos os níveis. Essa nova estrutura configurou o Banco em três pilares negociais - Atacado, Varejo, Governo, além de Recursos de Terceiros.

Em 2002 o Estatuto Social foi adequado para garantir maior transparência e melhores práticas de Governança Corporativa, como parte dos avanços em direção ao novo mercado da Bovespa, inclusive efetuando a conversão das ações preferenciais do Banco em ordinárias.

Em 2003 foi criado o Banco Popular, objetivando a inclusão bancária da população de menor renda. Foi criada também a sua Administradora de Consórcios S.A., para oferecer aos clientes mais uma opção de acesso a bens móveis duráveis e serviços.

Em 2006, ano em que completou 100 de listagem em Bolsa, o banco atingiu o mais alto padrão de Governança Corporativa ao aderir ao Novo Mercado da Bolsa de

Valores de São Paulo (Bovespa), com o comprometimento de atingir um free float mínimo de 25% das suas ações nos próximos três anos.

A natureza híbrida de atuação do Banco X , isto é seu compromisso com o desenvolvimento do país e seu lado privado são evidenciados em alguns documentos da empresa que demonstram que à princípio e, pelo menos oficialmente há um equilíbrio entre as duas naturezas de atuação.

“Ser a solução em serviços e intermediação financeira, atender às expectativas de clientes e acionistas, fortalecer o compromisso entre os funcionários e a Empresa e contribuir para o desenvolvimento do País.” Missão do

Banco x

Ou ainda:

“...crença na viabilidade de se conciliar o atendimento aos interesses dos seus acionistas com o desenvolvimento de negócios social e ecologicamente sustentáveis, mediante o estabelecimento de relações eticamente responsáveis com seus diversos públicos de interesse, interna e externamente.” – Princípios éticos e sócio

ambientais do Banco X

“... promover a inclusão social, por meio da geração de trabalho e renda.” Princípios

O Banco X tem tido desde sua origem, como foi possível observar, uma importante função social. Tal como uma empresa de economia mista e como observado nos trechos acima, oficialmente o Banco X busca passar uma postura híbrida equilibrada. Ainda assim, em muitos momentos da sua trajetória, a empresa pagou um preço alto exatamente em função de sua natureza híbrida de atuação. Desta forma, torna- se pertinente e relevante investigar, junto aos gerentes executivos a percepção deles sobre evolução do papel do Banco dentro do econômico, político e social do país. As perguntas se propuseram a conhecer a visão de um alto funcionário executivo do Banco sobre o atual posicionamento da empresa em relação à responsabilidade social, iniciada em 1808, buscando compreender de que maneira a cultura de RSC “nasce” dentro de uma empresa híbrida.

O que foi possível observar, de maneira contundente, é uma visão bastante crítica dos respondentes sobre a atuação do Governo à frente do Banco no sentido de uma pouca competitividade no modelo de gestão adotado. Além disso, ao Governo é imputado ônus de se utilizar do Banco como instrumento político, sem preocupação com a eficiência ou com resultados, o que, por sua vez, também provoca problemas de identidade corporativa. Há portanto uma tentativa clara dos executivos de afastamento de uma abordagem política no sentido de provedora de vantagens dinâmicas (BAILEY, 1999).

“...é inegável que o controlador impacta na imagem da empresa a partir do uso de sua estrutura e da orientação quanto a sua atuação. É bem verdade que, historicamente o Banco sempre teve um compromisso com as questões sociais, fazia isso e foi condenado por fazê-lo. Ser público significava não ser eficiente, cuidar dos bens comuns era papel do Estado.” Gerente Executivo de Marcas.

“Durante muito tempo o Banco ficou muito dependente do seu comando para definir qual rumo tomava. Esse rumo mudava dependendo da cabeça do presidente daquele momento, uma hora éramos banco de fomento, outra banco de negócios. Então, chegava um novo presidente e dizia assim: “O Banco é parceiro do Governo, nós somos um banco de fomento, voltado para a agricultura, para o social”, etc. Aí chegava um outro presidente dizendo justamente o contrário: que precisávamos primeiro ganhar dinheiro e, que deveríamos, sim, fazer papel de governo. Mas a gente é um banco como qualquer outro, então vamos focar em negócios.” Gerente Executivo de Crédito Imobiliário.

O advento da conta-movimento e posterior necessidade de uma injeção de recursos no Banco X parecem representar, segundo seus executivos, o “preço alto” pago pelo Banco no aspecto econômico, político e social do país. Tratava- se de uma conta aonde o Governo Federal dispunha de recursos quando bem entendia o que acabou gerando um défict gigantesco para a instituição (cerca de R$8 bilhões). Com a conta movimento, o Banco X vivia, segundo os entrevistados, uma situação de acomodação. A dimensão política do Banco X é vista como de influência negativa e a conta-movimento é um exemplo aonde a “força” das iniciativas do setor público não são percebidas como aquelas que moldam positivamente as oportunidades de negócio (AKTOUF, 2002).

“Do ponto de vista econômico, no passado, tínhamos um mercado cativo e nossos produtos não concorriam com os produtos bancários dos outros bancos. Era uma boa situação, mas ao mesmo tempo isso gerava um processo de acomodação muito grande, dos funcionários e da própria empresa. Gerente Executivo de Crédito Imobiliário.

“Até mais ou menos 1987 o ambiente era muito mais estável e nós tínhamos uma prerrogativa que os outros bancos não tinham, que era a conta movimento. Era uma conta que tinha uma relação muito peculiar com o Banco Central em que a gente prestava um papel para o Governo e