3.3 Kommunikasjon
3.3.1 Dialogen
A metodologia do estudo científico é um instrumento muito importante para o desenvolvimento e propagação do conhecimento em nossa sociedade. Através de seus padrões ela permite que todo o conhecimento adquirido, processado e condensado em uma pesquisa possa ser facilmente entendido e absorvido pela sociedade acadêmica. Para Michel (2015), a metodologia é o caminho que se deve percorrer para resolver problemas e buscar respostas para necessidades e dúvidas.
Na visão de Fachin (2002, p. 29), o método científico “é um instrumento do conhecimento que proporciona aos pesquisadores, em qualquer área de sua formação, orientação geral que facilita planejar uma pesquisa, formular hipóteses, coordenar investigações, realizar experiências e interpretar os resultados”.
Conforme explicado na introdução, a pesquisa apresenta um estudo de caso descritivo e qualitativo, do tipo relato de experiência (também conhecido como história de vida e observação participante), de empresa familiar de médio porte. A coleta de dados foi realizada através de entrevistas semiestruturadas, realizadas com membros da família empresária, atuantes e não atuantes na empresa e com análise da estrutura familiar dos sócios. Essas entrevistas foram analisadas através de uma análise de conteúdo.
O método do estudo de caso é caracterizado por Diehl e Tatim (2004, p. 61) como o “estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento, tarefa praticamente impossível mediante os outros delineamentos considerados”. Os delineamentos considerados citados pelos autores referem-se aos outros métodos de pesquisa citados em seu livro.
Sobre o estudo de caso Michel (2015) esclarece que a vantagem do estudo de caso encontra-se na sua capacidade de penetração na realidade social, algo que não é alcançável por um estudo meramente quantitativo, além disso o estudo de caso possui uma grande importância pois cria um modelo a se seguir em situações futuras quando os elementos em analise forem os mesmos.
Sobre a pesquisa qualitativa Diehl e Tatim (2004) afirmam que essa forma de pesquisa pode descrever a complexidade das dinâmicas vivenciadas por grupos sociais e contribuir
para o processo de mudança desses grupos, além de compreender melhor as particularidades comportamentais dos indivíduos envolvidos. Para definir a pesquisa qualitativa Michel (2015, p. 40) explica de forma mais profunda:
A pesquisa qualitativa se propõe a colher e analisar dados descritivos, obtidos diretamente da situação estudada; enfatiza o processo mais que o resultado, para o que precisa e retrata a perspectiva dos participantes. Na pesquisa qualitativa, verifica-se a realidade em seu contexto natural, tal como ocorre na vida real, procurando dar sentido aos fenômenos ou interpretá-los, de acordo com os significados que possuem para as pessoas implicadas nesse contexto. A finalidade primeira da pesquisa qualitativa não é mostrar opiniões ou pessoas; ao contrário, pretende explorar o espectro de opiniões e as diferentes representações sobre o assunto em estudo.
Outro autor, Fachin (2002, p. 82), explica que “as variáveis qualitativas são definidas por meio de uma descrição analítica, e não medidas ou contadas”. O fato de não podermos quantificar a natureza dos conflitos familiares torna o método qualitativo ideal para esta pesquisa.
Sobre a coleta de dados através da observação participante Yin (2001) afirma que entre suas vantagens estão a possibilidade de participação em eventos ou reuniões antes inacessíveis à investigação científica e a capacidade de perceber a realidade do ponto de vista de alguém de “dentro”. Para o sucesso do relato de experiência é preciso que o pesquisador se mantenha imparcial diante do objeto de estudo para que não haja interferências em sua análise, como explica Yin (2001, p. 118) “os maiores problemas relacionados à observação participante têm a ver com os possíveis pontos de vista tendenciosos que possam vir a ser produzidos”.
Para Silva et al. (2007, p. 29 e p. 33) “a história de vida é um método que tem como principal característica, justamente, a preocupação com o vínculo entre pesquisador e sujeito”, os autores, ainda, afirmam que este método de pesquisa é tão válido quanto qualquer outro, pois não importa o quanto individual é uma história, ela ainda é coletiva e realça quão genérica é a trajetória humana. Yin (2001) finaliza explicando que é necessário um equilíbrio entre as oportunidades geradas pela observação participante e seus problemas para que a credibilidade da pesquisa não seja comprometida.
Barros e Lehfeld (2007, p. 108) explicam que “a entrevista é uma técnica que permite o relacionamento estreito entre entrevistado e entrevistador”. Este relacionamento estreito também pode ser confirmado por Michel (2015) que considera a entrevista um excelente
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instrumento de investigação social, pois estabelece uma conversa de maneira metódica e assim proporciona uma captação imediata da informação desejada.
As considerações de Michel (2015) se assemelham às de Diehl e Tatim (2004, p. 66) que acrescentam que em uma entrevista “é possível direcionar-se para a averiguação de fatos, a determinação de opiniões sobre fatos, a identificação de sentimentos, a descoberta de planos de ação, conduta atual ou do passado e os motivos conscientes para opiniões”.
A análise de conteúdo visa levantar dados através de textos, falas e informações coletadas, ela se aprofunda no conteúdo e expressão de uma mensagem em busca de (in)coerências entre a realidade e as informações coletadas, afirma Michel (2015). Baptista e Campos (2016) explica que na análise de conteúdo o pesquisador precisa realizar um trabalho de arqueólogo, desconstruindo o conteúdo coletado e o reconstruindo novamente, a fim de melhor compreender mais do que as palavras dizem. Assim como no relato de experiência, o pesquisador deve se manter imparcial.
Nesta pesquisa é apresentado um estudo de caso em uma empresa familiar de médio porte que atua no ramo de produção de esquadrias de madeira (portas, janelas e mezaninos). Essa empresa, chamada pelo nome fictício “Portas de Madeira”, hoje se encontra no início de seu processo sucessório, da segunda geração (sociedade de irmãos) para a terceira geração (consórcio de primos).
A Portas de Madeira foi fundada em 1972 com foco na revenda de madeira de coberta (caibro, linhas e ripas). Desde sua criação os filhos estiveram presentes e ativos na gestão da empresa. Em 1986 os irmãos compraram a empresa de seu pai e assumiram definitivamente o controle e a liderança da empresa que começou a fabricar esquadrias de madeira (portas, janelas e mezaninos).
A empresa possui 3 departamentos bem definidos, que são as bases de sua estrutura organizacional: Departamento Financeiro, responsável por todas as transações financeiras e administração de recursos humanos; Departamento de Produção, responsável pela compra de matéria-prima e insumos de produção, manufatura dos produtos, estocagem e logística de entrega pedidos; Departamento Comercial, responsável pelas vendas, negociações e marketing.
o mesmo é parte integrante da família e ingressou na empresa em 2010. Os indivíduos entrevistados são representados conforme a Figura 5 a seguir:
Figura 5 – Estrutura familiar da empresa.
Fonte: Criado pelo autor.
A Figura 5 expõe a estrutura da família empresária da Portas de Madeira. A ordenação foi feita verticalmente do irmão mais velho para o irmão mais novo e seus filhos foram organizados horizontalmente da esquerda para a direita por ordem de idade. Esses sujeitos que foram escolhidos compõem toda a família empresária e participam de todos os setores do modelo de três círculos, exceto o setor 3, criado por Gersick et al. (2006). É importante ressaltar que o setor 3 dos círculos propostos não pode ser aplicado para a empresa pesquisada, pois não há nenhum funcionário externo à família em posição de gestão.
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