3. Methodology
3.1 System description
Ao empreender um mapeamento das edições de revistas que foram publicadas no período próximo à COP-15, esta proposta de estudo considerou este momento histórico como o próprio “contexto local”.
A análise foi realizada da mesma forma que a leitura de um livro, em que o pesquisador deve buscar se projetar naquele universo linguístico que compõe o pensamento a ser estudado. Um “mergulhar na história”, onde o antropólogo deve ser capaz de realizar a reflexão e observação minuciosa do pensamento que está sendo apresentado. O olhar também passa a ser sensível aos símbolos, para captar o significado, pois boas fotografias, material publicitário e layouts criativos dizem mais que palavras.
Mas, temos que prestar atenção em alguns detalhes. O profissional do jornalismo não pode ser tratado como um escritor, pois segundo os argumentos de SCALZO (2003), o jornalista possui certas características. Ele media da forma mais ética e parcial possível a notícia, os acontecimentos ocorridos no mundo, para que possa ser transmitido até o público de maneira que o assunto seja entendido. Para isso, muitas vezes ele reúne mais informações possíveis, e assim tem chance de
que as matérias ou reportagens saiam completas e que tenha garantia que o que está escrito seja compreendido. Outra característica fundamental de um jornalista é a observação, normalmente são treinados para captar muitos detalhes, mas o que não o impede de possuir preferências, posições e ideologias. Entendido isso, estamos dando a devida atenção à subjetividade do profissional e também do projeto editorial da revista na construção objetiva do mundo. Em outras palavras, “não comer na mão do informante”.
Em nossa etnografia, o jornalista é tratado como um informante, que dispõe personagens em suas histórias, num roteiro que pode ser uma “ficção científica”, um “drama”, um “suspense”, uma “comédia”, um “conto”, uma “aventura” e talvez um “romance”.
Segundo SCALZO (2003), as revistas podem ser semanais, mensais, bimestrais, trimestrais, semestrais, etc., já o jornal se caracteriza pela informação diária, ou em alguns casos semanais. Além disso, as revistas possuem maior liberdade em seu formato do que os jornais. Mas, atualmente, nos domingos, os jornais podem ser comparadas às revistas, pela forma como os conteúdos são apresentados. O estudo de Scalzo ainda mostra que as revistas feitas no Brasil pretendiam cumprir um papel integrador de uma cultura brasileira (dirigida ao homem brasileiro ou à mulher brasileira). Mas no início das décadas de 60 e 70 começam a ocorrer mudanças, elas ficam cada vez mais segmentadas, como as revistas internacionais. Hoje em dia existem diversos tipos de revistas especializadas, em temas como para noivas, vestuário, moda, mães, futebol, automóveis, imóveis, informática, etc. Há também revistas feitas sob medida, para as próprias empresas como, por exemplo, as empresas de viação aérea Gol. Este tipo de revista sob medida é uma forma de comunicação exclusiva para os funcionários e clientes. Normalmente, uma revista sob medida visa sedimentar a imagem institucional de sua organização. É um tipo de revista corporativista.
Atualmente existe a forte tendência das revistas incentivarem o consumo, o que as faz cada vez mais parecidas a catálogos de compras. Entretanto, há também o movimento contrário, revistas produzidas para mudar os padrões culturais de consumo. Assim são as ligadas ao ambientalismo:
Se, de um lado, as compras e os catálogos estão em alta, essa mesma sociedade seduzida pelo consumo – ou pelo menos a parte dela que não se rende a ele – está gerando um mercado crescente para revistas que
pregam exatamente o contrário: uma vida mais simples, com ênfase no “consumo consciente”. O foco desvia-se do consumismo desenfreado para o que seriam as “necessidades essenciais” das pessoas e para uma filosofia ecológica, de proteção do planeta. No conturbado mundo contemporâneo, esse é, em vários países, um mercado em franca ascensão (SCALZO, 2003, p. 45).
Conforme VILAS BOAS (1996), as revistas possuem muitas vantagens em relação aos jornais. Elas disponibilizam maior tempo para produção dos textos, o que resulta em maior exploração das informações, análises e interpretações dos fatos. Os textos ficam mais sofisticados já que não estão comprometidas com a velocidade do jornalismo diário. O lado criativo e sensível dos jornalistas flui melhor na produção do conteúdo, o que permite a utilização de recursos como gírias, neologismo e coloquialismo, de acordo com certos limites. O que pode ser chamado de estilo magazine, esta forma de construir um tipo de texto com maior liberdade de prazos. Vilas Boas comenta que as revistas conseguem sair daquela rotina dos demais veículos de comunicação, pois suas publicações acrescentam pesquisas e documentações mais aprofundadas que saem do padrão noticiário. Logo, os textos publicados em revistas mais elegantes e sedutores, que exploram novos ângulos e buscam notícias exclusivas, sempre pensadas nas características do seu leitor. Além disso, a preocupação das revistas é tanta com seu público, que elas acabam adotando a própria linguagem de seu leitor. A tonalidade do texto da revista também é outro diferencial em relação ao jornalismo diário. Geralmente o jornal busca passar a ideia de objetividade e isenção, ao contrário, as revistas podem ter diferentes tons lingüísticos, como humor, tragédia, drama, tensão, etc. O tipo de tom do texto produzido na revista freqüentemente dá ao leitor a noção de rumo que a narrativa vai tomar. O tom também se refere à maneira como os textos serão apresentados, pode ser sarcástico, compreensivo, de esperança, indignação/crítica, etc. Vilas Boas apresenta uma boa definição de revista que nos aproxima da nossa proposta de analisar a “sustentabilidade” como uma forma de pensamento moderno.
Nosso foco de atenção são as revistas voltadas para o ambientalismo empresarial. Revistas que possuem uma característica distinta de outras marcas, pois não necessitam estar no mercado concorrencial, já que a principal fonte de recursos vem do financiamento de organizações, ou seja, são revistas direcionadas ao público corporativista, como as empresas. Revistas que dependem menos da publicidade. Este tipo de revista apresenta discussões dentro do campo empresarial,
sendo possível encontrar nas entrevistas empresários realizando criticas à outros empresários. São revistas que delimitam o campo das ideias do ambientalismo empresarial.
3.2.1 Narrativas
Para analisar estas revistas, uma boa técnica que auxilia em nossa produção etnográfica do pensamento sustentável é a análise de narrativas. GANCHO (2006) oferece um bom esquema para iniciar uma análise literária. Segundo este autor, os elementos fundamentais de uma narrativa são: enredo, personagens, tempo, espaço e narrador.
3.2.2 Fotojornalismo
Se as revistas podem ser estudadas como produções literárias, então, as fotografias, nelas contidas, podem ser analisadas como obras de arte. SOUSA (2004) oferece uma boa técnica para descrever as fotografias.
Segundo Sousa, a fotografia é uma forma de registro, uma ferramenta de observação, informação, comunicação, análise e de opinião sobre a vida humana e sobre as consequências provocadas ao Planeta. Imagens chocantes, irônicas, denunciantes e empáticas são utilizadas para revelar acontecimentos, exposição e denúncia sobre fatos. As fotografias são capazes de transmitir uma ideia ou uma sensação: a pobreza, a calma, a velhice, a exclusão social, a tempestade, o pôr do sol, o instante de dor, a cerimônia ritual, gestos significativos das pessoas, as expressões faciais, o insólito, o acidente, etc. Uma imagem pode transmitir uma única ideia ou várias.
De acordo com Sousa, o fotojornalismo refere-se às fotografias de cunho jornalístico, usadas para noticias, documentários, ilustrações, registro de situações peculiares, etc. A finalidade do fotojornalismo é informar sobre assuntos da atualidade, juntando foto e texto. As atividades de fotojornalismo são sinônimas de
contar histórias em imagens. O Fotojornalismo trabalha a linguagem de instantes registrados nas imagens como se fosse possível “congelar” o significado de um acontecimento. Uma imagem fotojornalística normalmente é bem sucedida quando une a representação da força visual com a força da notícia.
Alguns elementos são essenciais para dar sentido ao fotojornalismo. Elementos que podem estar na própria fotografia, como a pose, a presença de determinados objetos, o melhoramento visual, a utilização de várias imagens, etc. Ou elementos mais específicos da linguagem fotográfica, como a relação espaço tempo, a profundidade de campo, o movimento, etc. Estes elementos deverão ajudar nesta etnografia.
4 REVISTAS
Neste item detalharemos as revistas, com o objetivo de compreender as ideias dos textos, reportagens, entrevistas, boxes de texto, fotografias e os símbolos que estão sendo transmitidos. As formas e os conteúdos contidos nas revistas serão agrupados para melhor apresentar uma leitura das formas de pensar o “sustentável”.