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2.2 Description of alphabetical inventory and distribution of letters .1 Vowel and consonant letters
O casal participante, Ivonete e Carlos, têm 30 anos de casados. Ivonete tem 53 anos e está sob cuidados paliativos oncológicos. O marido tem 54 anos. A classe social do casal é média baixa, com uma renda familiar superior a quatorze salários mínimos. Ivonete possui o terceiro grau completo, tendo concluído o curso de Direto. Carlos possui o segundo grau. Ambos são naturais do Piauí, porém, se conheceram em Brasília. Ivonete, que está sob cuidados paliativos oncológicos, é servidora pública aposentada. O marido é comerciante e trabalha com transporte de mercadorias. Ambos são católicos e residentes em uma cidade satélite do Distrito Federal.
O diagnóstico de Ivonete é câncer de mama com metástases pulmonares. A histopatia é: carcinoma ductal infiltrante de mama. A patologia é: tumor maligno constituído por células epiteliais, com tendência a invadir as estruturas próximas e a produzir metástase. A infiltração é definida pela patologia: acúmulo ou difusão, em células ou em tecido(s), de substâncias ou células estranhas a eles, ou em quantidades excessivas, conforme Ferreira (2004). O recebimento do diagnóstico ocorrera há três anos, quando realizou mastectomia em uma das mamas. Ela foi internada no HAB em 15 de maio de 2006. Na época da realização das entrevistas, em maio de 2006, Ivonete apresentava estado neurológico consciente e um “perfomance status” igual a PS 3. Atualmente, ela faz uso de morfina, insulina e Lasix. Ivonete é diabética e tem hipertensão arterial. Já realizou sessões de quimioterapia e radioterapia, antes de ser internada no HAB.
Figura 5: Genograma familiar do casal 2 55 48 ± 53 52 †67 † 25 †79 84 54 Carlos Ivonete 51 16m 28 23 32 24 Vitor Heitor Hércules Maria do Socorro Pedro \\ 3anos 1976 1990 5/6 anos Curatelada (juridicamente = filha) Dalva † †4
Figura 6: Genograma da família de criação de Ivonete † Antonieta † 51 Maria da Conceição 53 Maria do Socorro †70 †74 Ivonete José
3.3 – Instrumentos
Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com os casais participantes da pesquisa, a partir de um roteiro de entrevista (Anexo III) construído para esse fim. Durante as entrevistas utilizamos o genograma familiar e a técnica de colagem.
Segundo Lüdke e André (1996) a entrevista representa um dos instrumentos básicos para a coleta de dados, sendo uma das principais técnicas de trabalho nas ciências sociais. A entrevista semi-estruturada é a que se desenvolve a partir de um esquema básico, permitindo ao pesquisador adaptações necessárias, tornando a sua aplicação mais flexível que os outros modelos de entrevista. Por isso, não devemos usar a entrevista como um instrumento fechado, uma vez que o seu propósito consiste no diálogo no qual “as informações surgem na complexa trama em que o sujeito as experimenta em seu mundo real”, como afirma Rey (2005, p. 89). Para esse autor, a pesquisa é um diálogo permanente em que a subjetividade do sujeito estudado, suas opiniões, cosmovisões e emoções, são impredizíveis nos momentos iniciais do processo da pesquisa.
O genograma familiar é considerado um instrumento útil para a avaliação da família, seja do ponto de vista cronológico ou do estágio do ciclo de vida. McGoldrick e Gerson (2001) o definem como sendo retratos gráficos da história e do padrão familiar. Uma vez que o genograma é uma espécie de mapa de uma família, ele foi utilizado, nesta pesquisa, para mapear a família em cada fase do seu ciclo de vida. Além disso, o genograma é um instrumento que dá pistas sobre a maneira como os cônjuges estão inseridos às próprias famílias de origem, proporcionando ao pesquisador uma análise mais aprofundada sobre seus respectivos papéis nestas famílias como nas famílias de origem.
Segundo Lima (2005), a colagem é um instrumento utilizado na terapia e na pesquisa de abordagem sistêmica e possui como finalidade a facilitação da expressão não-verbal, objetivando
a percepção dos membros familiares sobre o próprio grupo familiar e sua dinâmica. Para Cerqueira (2004) a colagem é uma técnica da abordagem sistêmica que tem como objetivo facilitar a expressão não-verbal do casal sobre ele próprio e ao mesmo tempo demonstrar como as figuras escolhidas acabam refletindo a relação conjugal e a situação atual vivida pelos cônjuges.
3.4 – Local de realização do estudo
A pesquisa foi realizada no Hospital de Apoio de Brasília (HAB), pertencente à Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Nele existem oito ambulatórios: Psicologia, Fisiatria, Fisioterapia, Nutrição, Serviço Social, Odontologia, Hematologia e Terapia Ocupacional. As clínicas de internação são: Oncologia Clínica, Hematologia e Reabilitação. O Hospital possui especialidade em Onco-Hematologia Pediátrica, Fisioterapia e Cuidados Paliativos, com uma média de 1.200 consultas mensais em ambulatório, uma vez que não possui emergência28.
O HAB está ligado à Rede de Combate ao Câncer do Distrito Federal, que foi criada para atender às necessidades de melhoramento de ações de assistência em radioterapia, cuidados paliativos e tratamento de dor oncológica, prevenção e diagnóstico precoce, sistema de registro e cirurgias oncológicas29.
O objetivo da Rede de Combate ao Câncer do Distrito Federal é integrar em uma só "estrutura funcional" todos os profissionais que lidam com o câncer e estruturar a assistência oncológica em uma rede integrada e hierarquizada em centros multiprofissionais regionais e de referência, capacitada a atender toda a demanda populacional, visando reduzir incidência,
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Fonte: www.saude.df.gov.br. 29
aumentar taxas de cura e sobrevida global através do diagnóstico precoce e assistência interdisciplinar, propiciando qualidade de vida em todas as fases do tratamento e gerando conhecimento30.
3.5 – Procedimentos
Em 19 de dezembro de 2005, demos entrada ao pedido de aprovação da realização da pesquisa junto ao Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal – CEP – SES/DF, com o objetivo de conseguir a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (Anexo IV). Antes disso, realizamos contatos pessoais com o diretor do HAB, que solicitou à psicóloga da pediatria oncológica a leitura do nosso projeto de pesquisa, bem como uma entrevista prévia com a pesquisadora responsável.
Em março de 2006, obtivemos a aprovação do projeto de pesquisa (Anexo V). Após a realização da ambientação, selecionamos ambos os casais, inicialmente, por meio da investigação através dos prontuários no HAB. O primeiro casal foi convidado a participar da pesquisa por uma médica do HAB, que após o aceite, apresentou as pesquisadoras a eles. Então, depois da explicação e assinatura do TCLE – pelo casal e pela pesquisadora, foram marcados os horários dos encontros das entrevistas. O segundo prontuário foi selecionado após um mês do início da realização da pesquisa, pois as pessoas que estavam internadas no HAB, nesse período, não atendiam aos critérios previamente definidos no projeto de pesquisa. O segundo casal foi escolhido, inicialmente, através de trocas de informações entre a médica do HAB e a
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pesquisadora. Após a consulta do prontuário, a paciente recebeu o convite, direto da pesquisadora, para participar do estudo. Ela ficou de consultar o esposo que participava de uma reunião de apoio familiar, no momento do convite. Dois dias depois, recebemos o aceite do casal que, juntamente com a pesquisadora responsável, que forneceu esclarecimentos de cada parágrafo do Termo, assinou o TCLE e foram marcadas as datas para a realização das entrevistas.
Contamos com a colaboração de duas psicólogas que cursam especialização em terapia conjugal e familiar no Centro de Estudo e Atendimento da Família – CEFAM, que foram convidadas a participar da pesquisa, como pesquisadoras, sendo que , cada uma, participou de um caso.
3.5.a – Casal 1
Foram realizados três encontros no HAB, com duração média de noventa minutos, gravados em fita cassete. O primeiro encontro ocorreu na enfermaria Sabiá em que foram levantados dados relativos à história do casal. O tema girou em torno da constituição dos casamentos de ambos os cônjuges, do relacionamento sexual do casal e de aspectos do diagnóstico. O segundo encontro ocorreu no pátio do hospital, onde o casal falou sobre a sua vida conjugal, familiar e religiosa. Nesses dois primeiros encontros, colhemos os dados necessários à construção do genograma familiar. No terceiro encontro, enfocamos a vida conjugal e sexual antes e depois do recebimento do diagnóstico, além de realizarmos o trabalho de colagem.
Com relação à técnica da colagem, esclarecemos os procedimentos para os participantes: o casal deveria representar, através de gravuras, a vida conjugal antes e depois do diagnóstico da doença. Dividimos o papel pardo ao meio, ficando o lado esquerdo para a representação da
relação do casal antes do diagnóstico e o lado direito para o período após o diagnóstico. Vilma solicitou a ajuda das pesquisadoras para cortar as gravuras escolhidas por ela, uma vez que “não sabia cortar”. As pesquisadoras perguntaram em qual lado eles gostariam que a gravura fosse colada, ao que Vilma respondeu: “você pode colocar aonde quiser”. As pesquisadoras esclareceram que isso deveria ser feito pelo casal. Então, Vilma disse que iria deixar Daniel escolher o lado porque “ele escolhe melhor”. Assim, o casal entregou as gravuras para as pesquisadoras, apontando o local em que elas deveriam ser coladas, se no antes, ou depois; se no alto, no meio ou embaixo.
3.5.b – Casal 2
O levantamento de dados foi realizado na residência do casal, com a autorização de ambos os cônjuges, uma vez que a esposa conseguiu uma alta temporária, ou seja, permissão para passar o final de semana em casa e retornar ao hospital no início da semana seguinte, pois seu estado de saúde permitia esse tipo de procedimento.
Ocorreram três encontros com duração média de noventa minutos cada. No primeiro encontro, foram levantadas as questões acerca da vida conjugal e familiar do casal, bem como do recebimento do diagnóstico da doença. Os dados sobre a sexualidade do casal foram obtidos no segundo encontro, na qual também realizamos a complementação do genograma familiar. Finalmente, no terceiro encontro, realizamos a colagem.
Com relação à colagem feita pelo casal, após os esclarecimentos para a confecção da mesma, o casal escolheu e recortou as gravuras, colocando uma legenda no verso de cada uma delas, como: nossos amigos, nosso casamento e assim por diante. A pesquisadora solicitou que os
participantes selecionassem as figuras que representassem os dois momentos do relacionamento do casal. Carlos observou que só havia recortado uma figura para representar o momento atual.
3.6 – Análise dos dados
Realizamos uma análise qualitativa, com a utilização do método clínico, a partir do referencial teórico da abordagem sistêmica da família e da terapia sexual, conforme o levantamento bibliográfico realizado nesse estudo. Utilizamos mais especificamente os trabalhos de Andolfi (1995), Carter e McGoldrick (2001), Cavalcanti e Cavalcanti (1992), Masters e Johnson (1976, 1979, 1988), Minuchin (1990) e Vasconcellos (1995, 2003).
Procedemos de acordo com Minayo (2000), realizando os seguintes passos para a operacionalização da análise dos dados:
a) a ordenação dos dados – englobando as entrevistas e demais instrumentos (genograma e colagem), incluindo transcrições das gravações de fitas-cassetes, releitura do material e organização dos relatos e dos dados de observação; b) a classificação dos dados – incluindo a leitura exaustiva e repetida dos textos,
genogramas e colagens, ou seja, realizando aquilo que alguns autores denominam de “leitura flutuante” e a constituição de um “corpus” que reúna informações e representações específicas dos instrumentos utilizados, constituindo conjuntos diferenciados, com a realização de uma “leitura transversal”;
c) a análise final – através do movimento dialético entre os dados empíricos e os dados teóricos e vice-versa, que constituem o ponto de partida e o ponto de chegada da interpretação.