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Department of Computer Science, Power and Space Technology

Período – 17/06/05 Até 09/06/06

ALUNOS DAS – aluno paciente de LLA, inicio do tratamento em 08/2004. Nasceu

em 1990, sempre teve boa relação com os estudos. A mãe voltou a estudar (supletivo do ensino médio pela TV) enquanto DAS realizava tratamento. Aluno de escola estadual de uma cidade do Vale do Ribeira.

No ano de 2004, esteve presente no hospital durante 109 dias letivos e, neste ano, realizou estudos de conteúdos disciplinares encaminhados pela escola de origem para o 8º ano do Ensino Fundamental; não compareceu à escola durante o 2º semestre.

No ano de 2005, compareceu ao hospital durante 176 dias letivos, estudou os conteúdos do 1ª ano do Ensino Médio, não compareceu à escola de origem durante o ano escolar.

Retornou à escola de origem e realizou seus estudos entre as aulas hospitalares e da escola de origem. Sistematicamente faltava às terças- feiras para consultas e, dependendo do encaminhamento para tratamento, em outros dias.

AKPJN – aluna paciente de Osteossarcoma, início do tratamento em

01/05. Nasceu em 1990. Sempre teve boa relação com os estudos. Aluna de escola particular da Região Nordeste.

Em 2005, compareceu 139 dias letivos ao hospital para tratamento, não compareceu à escola de origem. Demos seguimento aos estudos por meio da apostila do curso. Em São Paulo mora com um irmão que aqui estuda. É órfã de mãe. Tem poucos amigos na cidade.

Em 2006, compareceu ao hospital dois dias por semana para estudar e 47 dias para tratamento. Não comparece à escola de origem e seguimos com o mesmo combinado do ano anterior.

IRAV – aluno paciente de Osteossarcoma, início do tratamento em

10/2004. Nasceu em 1990. Sempre manteve boa relação com os estudos. Aluno de escola particular da Bolívia. Em São Paulo mora na casa de apoio ao paciente oncológico. Iniciou o tratamento em 10/2004

Em 2004, comparece ao hospital 33 dias letivos. Não estuda, pois ao sair da cidade de origem já haviam combinado que estava aprovado pelo aproveitamento anterior. Assim o ano letivo estava terminado.

Em 2005, comparece ao hospital 171 dias letivos. A escola de origem encaminhou o material para estudo. Estudamos matemática, física, química, geometria, inglês, filosofia e outras disciplinas específicas do ensino boliviano (a escola dispensou o aluno dos estudos de história, geografia e literatura espanhola julgando esses conteúdos específicos de seu território, que foram depois desenvolvidos na escola de origem com reposição de conteúdos em período extra escolar). Enviamos os relatórios de aproveitamento escolar com visto do consulado.

Em 2006, parte do ano escolar é realizado na escola de origem ( 1ª semestre ) e no segundo semestre seguimos como em 2005.

ORIGEM variação da posição e de velocidade média.

DAS: A escola de origem encaminhou o tema

AKPJN: Exercício do material impresso da escola de origem IRAV: Exercício solicitado pela escola de origem

SITUAÇÃODE

ENSINO

Na FIGURA 2.4.1- CONHECIMENTO ESCOLAR NA INTERFACE HOSPITALAR abaixo, sistematizamos uma situação de ensino realizada na quimioterapia. Explicitando, na bolsa de soro e/ou quimioterapia são anotadas: a medida inicial da posição do líquido e, depois de um determinado tempo, a posição final do líquido. Essa variação é medida em centímetros.

São discutidos os aspectos referentes à diminuição ou aumento da pressão no equipo por meio da válvula e sua relação com a velocidade do caimento do líquido, a influência da densidade do líquido na velocidade e a comparação com a vazão (mL/h) esperada pelo tempo de presença no hospital para a administração da quimioterapia ou soro.

APRENDIZAGEM Cada qual organiza a situação de ensino em função de suas vidas, seus

sentidos, suas experiências. Nos três momentos de aula, partiu-se do levantamento dos conhecimentos prévios de cada um dos alunos e a construção do saber objetivado pelo professor hospitalar em conjunto com a realidade escolar.

Nas interações professor/aluno/meio provocou-se o confronto entre a explicação do aluno e a justificativa para os procedimentos de controle da coluna de soro, do diâmetro do equipo e outros que os pacientes realizam no cotidiano hospitalar. Dessa forma ampliou-se a explicação que os alunos davam para suas condutas de manejo do equipo de soro.

Uma vez estabelecida a relação entre o discurso corrente no hospital (g/min ou mL/min) e a necessidade de uma unidade de medida e o seu significado, construiu-se primeiramente o conceito de razão e, por fim, o conceito de velocidade média e suas unidades de medida usuais ( Km/h , cm/min, m/s ) .

Outras relações emergem na interação: referencial, distinção entre distância percorrida pela coluna de soro e a variação da posição da coluna na bolsa de soro, marco zero, medidas de tempo, distinção entre

velocidade média e instantânea.

A situação de ensino possibilitou a representação do tema objetivado pela escola de origem. A utilização do conceito de velocidade média em uma atividade autêntica, no sentido de atividade corrente numa determinada cultura, ressignifica o conceito, pois trabalha com regras contextualizadas e dessa forma pode favorecer a aprendizagem de novos significados para o mesmo conceito.

Existem práticas discursivas do cotidiano e práticas discursivas estabelecidas cientificamente, elas são distintas, pois perseguem objetivos distintos. Os professores da EMAE buscam flutuar entre essas práticas trazendo para o momento da aula questões: sociais, experienciais, históricas e individuais. O desenvolvimento discursivo dessas práticas está elaborado no item abaixo (2.4.3. SISTEMATIZAÇÃO DA

CONSTRUÇÃODO CONHECIMENTO)

Por fim, observa-se nas atividades desenvolvidas pelos alunos a construção da aprendizagem por processos de indução, dedução e metaconhecimento.

CONHECIMENTO

SITUACIONAL

A Aprendizagem é um processo individual que se desenvolve na interação com os outros, mas também com o meio. Isto significa que a aprendizagem escolar não pode existir que não em situação.

O professor hospitalar partiu de uma situação do cotidiano, e percebe-se que os alunos usam suas capacidades para fazer distinções específicas em uma mesma situação de aprendizagem. Cada qual tem experiências sociais de aprendizagem diferentes.

Nesta visão, os conceitos aprendidos são instrumentos classificadores de uma atividade social mais ou menos esclarecida. Dessa forma, podemos dizer que os significados da aprendizagem não estão no objeto, nem na percepção, mas na prática situada a respeito do objeto em estudo, tanto em relação à escola hospitalar, quanto em relação à escola de origem.

Ainda mais, sem dúvida outros determinantes estão presentes nessas aprendizagens, entretanto, pelas características da EMAE no levantamento do que o aluno já conhece, o professor busca situações que podem ser arranjadas de modo que os alunos ajam de acordo com

certos princípios já estabelecidos socialmente e, mediados pela linguagem, discutem uma situação de ensino específica. 5