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Neste estudo, 78,95%, 18,95% e 2,10% das voluntárias apresentaram respectivamente, os genótipos G/G, G/A e A/A para o SNPs rs1800169. A freqüência do alelo G foi 88,42% enquanto do alelo A foi 11,58%. A freqüência genotípica assemelha-se aos valores encontrados por Roth et al. (2001), em que 78,7% dos voluntários estudados apresentaram genótipo G/G, 19,2% G/A e 2,0% A/A. A freqüência do alelo A foi 11,6% enquanto do alelo G foi 88,3%. Takahashi et al. (1994) estudaram 391 japoneses, dos quais 61,9% exibiram o genótipo G/G, enquanto 35,8% e 2,3% exibiram os genótipos G/A e A/A, respectivamente. Giess et

al. (1998) mostraram que em 68 voluntários alemães com distrofia muscular, 70,6% eram homozigotos normais, 27,9% heterozigotos e 1,5% homozigotos mutante, com freqüência do alelo G de 85% e do alelo A 15%. Giess et al. (2002) também encontraram que somente 2,4% dos 288 voluntários estudados eram homozigotos para a mutação nula.

Quando se analisa a distribuição genotípica do SNP rs2515363, nota-se que 34,74% foram C/C, 45,26% C/G e 20,0% G/G, e a freqüência alélica foi 57,37% para o alelo C e 42,63% para o alelo G. Ao contrário do SNP rs1800169, esta mutação ainda não foi relatada nos estudos. Em contrapartida, dados populacionais depositados no Centro Nacional para Informação em Biotecnologia (NCBI, do inglês

National Center for Biotechnology Information) encontram-se disponíveis no site http://www.ncbi.nlm.nih.gov/SNP/snp_ref.cgi?rs=2515363. Os indivíduos afro- americanos (n=23) apresentaram freqüência do alelo C em 60,9% e do alelo G em 39,1%. A distribuição genotípica foi de 34,8%, 52,2% e 13,0% para os genótipos C/C, C/G e G/G, respectivamente. Tanto a freqüência do alelo C quanto do alelo G foi de 50,0% para os indivíduos europeus (n=24), e 29,2% foram C/C, 41,7% C/G e 29,2% G/G. Já nos indivíduos asiáticos (n=24), 8,3% foram C/C, 54,2% C/G e 37,5% G/G. A freqüência do alelo C foi de 35,4% e o alelo G foi de 64,6%.

Após a análise dos resultados, notou-se que os genótipos do CNTF não se associaram com os fenótipos de MLG. Este achado corrobora com Roth et al. (2001) que não encontraram diferença significativa entre os genótipos da mutação nula do

CNTF e MLG. Entretanto, esses autores verificaram que o pico de torque concêntrico (3,14 rad/s) para os músculos extensores do joelho foi significativamente maior para os indivíduos do genótipo G/A, enquanto aqueles com genótipo A/A apresentaram menor pico de torque excêntrico (0,52 rad/s) para o mesmo grupo muscular. Quanto aos flexores de joelho, os portadores do genótipo G/A também apresentaram maior pico de torque concêntrico (0,52 rad/s e 3,14 rad/s), e os A/A apresentaram menor pico de torque excêntrico (0,52 rad/seg) que os demais. Momentaneamente, o presente estudo não objetivou mensurar força, entretanto será alvo de futuras investigações. O’Dell et al. (2002) estudaram as características

antropométricas de 390 mulheres caucasianas (66,37±2,79 anos), e buscaram verificar se essas variáveis possuíam associação com a mutação nula do CNTF. Da mesma forma que o presente estudo, também não foi encontrada diferença significativa em nenhuma das variáveis. Vale ressaltar, que das voluntárias estudadas, 70% eram do genótipo G/G, 27,69% do G/A e 2,31% eram A/A.

Ao contrário do estudo anterior, Wang et al. (2003) compararam a distribuição genotípica da mutação nula entre atletas de potência (n=70) e indivíduos normais (n=144). Notaram que a freqüência genotípica do CNTF não foi significativamente diferente entre os grupos. Portanto, a evidência experimental deste estudo não suporta a hipótese que este polimorfismo genético está associado com alto nível de performance muscular em atletas de potência. Nesta mesma perspectiva, Jacob et

al. (2004) avaliaram 197 mulheres caucasianas, sendo 79,19% G/G, 19,29% G/A, 1,52% A/A, e também não conseguiram encontrar associação entre estes genótipos e MLG.

Frente a estes achados na literatura, constata-se que os indivíduos homozigotos para a mutação nula do CNTF são pouco freqüentes, portanto, encontrar uma associação significativa, especificamente, entre a MLG com este genótipo é uma tarefa difícil, tendo em vista o tamanho da amostra. Para um maior rigor durante a análise dos resultados, nosso estudo também avaliou a ancestralidade genômica das voluntárias, porém esta variável não foi significante para o modelo da ANCOVA quando se comparou os fenótipos musculares de acordo com os genótipos do CNTF.

Por outro lado, Conwit et al. (2005) avaliaram 69 voluntários e observaram que 83% foram homozigotos normais (G/G) e 17% foram heterozigotos (G/A) e não houve homozigotos para a mutação nula. O genótipo G/A associou com a ativação

de grandes áreas da unidade motora em baixos níveis de força, mas quanto à máxima contração voluntária isométrica, não se encontrou interação com os genótipos. Arking et al. (2006) estudaram oito variações polimórficas do CNTF em 363 idosas caucasianas (70-79 anos). Observaram que cinco SNPs associaram com força de preensão palmar, contudo a interação mais significante foi com a mutação nula do CNTF, que apresentou os menores valores de força. Quanto à distribuição genotípica, 70,8% das idosas foram G/G, 24,7% G/A e 4,5% A/A. A grande inovação deste trabalho foi a análise de haplótipo até então não observada nos demais estudos. Todavia, somente o bloco de haplótipo que continha a mutação nula foi significativamente associado com força de preensão palmar. Ademais, torna-se importante mostrar que nenhuma das variações estudadas foi associada com força de quadril e joelho. O presente estudo também analisou a relação entre MLG e os haplótipos do CNTF, porém nenhuma associação foi encontrada.

Guillet et al. (1999) notaram que a expressão do CNTF em ratos diminui com a senescência. Também foi visto uma forte correlação entre os níveis de CNTF e força muscular, e que estes dois parâmetros diminuem com a idade. Quando os animais mais velhos foram tratados com CNTF exógeno, a força muscular apresentou-se semelhante à força detectada em ratos adultos, demonstrando que CNTF pode ser um importante fator para a manutenção da integridade muscular em ratos velhos. De acordo com estas observações, os autores supõem que a mutação nula do CNTF em ratos poderia desencadear uma deficiência mais pronunciada na força muscular quando eles estão envelhecendo. Isto sugere que a inativação do gene CNTF pode refletir em um prematuro envelhecimento muscular destes animais.

Desta mesma forma, MASU et al. (1993) sugeriram que o CNTF participou na manutenção de motoneurônios em ratos após o nascimento. Essa observação

mostrou que os ratos homozigotos com a mutação nula exibiram desenvolvimento normal dos motoneurônios durante o desenvolvimento embrionário, porém nas primeiras semanas após o nascimento, exibiram uma redução na força muscular. Estes achados permitem refletir sobre os efeitos do CNTF na força muscular e fragilidade de pessoas idosas, uma vez que o déficit motor relacionado com o envelhecimento tem sido ligado à diversas alterações morfológicas e funcionais envolvendo as interações neuromusculares (SOTO et al. 2003).

Ademais, deve-se considerar que muitos genes estão engajados no desenvolvimento, manutenção e ativação dos tecidos musculares e nervosos que compõem uma unidade motora. Para tanto, faz-se necessário uma maior compreensão do processo que examina a interação dos diversos genes envolvidos na ativação de uma determinada unidade motora (CONWIT et al. 2005).