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Delmål 1 – Flere gode gründere InnledningInnledning

2 Rapportering av midler fra Nærings- og Fiskeridepartementet (NFD) 2.1 Introduksjon

2.4 Delmål 1 – Flere gode gründere InnledningInnledning

De todas as empregadas pesquisadas, apenas Cleonice se ocupa esporadicamente do acompanhamento das tarefas escolares da filha caçula dos patrões. Vale observar que esse é o único caso em que há uma criança pequena na residência e, logo, é o único caso no qual a empregada tem escolaridade mais elevada do que a criança. Em todos os outros casos, as empregadas são menos escolarizadas do que os filhos dos patrões (que atualmente são adolescentes ou adultos). Entretanto, mesmo em momentos anteriores, quando os filhos dos patrões eram crianças, essas empregadas não os auxiliavam na realização das tarefas escolares. Os parágrafos seguintes caracterizam melhor cada um dos casos.

Quando Graça começou a trabalhar na residência de E. e T., os filhos dos patrões eram crianças pequenas. Sobre esse período, a empregada relata que sua rotina de trabalho era diferente da atual. A maior diferença apontada por ela diz respeito ao horário de trabalho. Por vezes ela dormia na residência da família para tomar conta dos filhos deles e, muitas vezes, não tinha horário determinado para sair. Na ausência dos patrões, brincava com as crianças dentro do apartamento (com os próprios brinquedos delas) e na garagem do prédio (de brincadeiras mais agitadas, como pegador, esconde-esconde, etc). Também era comum que ela assistisse à televisão com as crianças.

Em nenhum momento a empregada diz ter acompanhado as crianças nas tarefas escolares. Nessa família, era T. quem cumpria essa função, geralmente no período da noite. Cabe ressaltar que a patroa é professora e que, por isso, possivelmente tem o desejo e a preocupação em acompanhar mais de perto a escolarização dos filhos. Além disso, vale lembrar, como aponta Brites (2000), que esse tipo de tarefa não faz parte das expectativas da família. Sobre isso, a autora pondera:

De forma significativa, não ouvi quase nada daquelas queixas tão comuns em famílias européias e norte-americanas (...) sobre o perigo de poluição moral das crianças através do contato com empregadas pouco instruídas. Nas entrevistas com os patrões, foi possível observar que o ensino dos filhos ocupa um lugar central nas suas preocupações. Inclusive, é muitas vezes justamente para pagar boas escolas particulares que os pais e mães aceitam se afastar durante longas horas de suas famílias, tentando ganhar dinheiro suficiente para sustentar este padrão. Porém, esses pais da classe média que entrevistei, quase nunca

filhos. Ninguém empregava uma babá com responsabilidades especializadas,

voltadas para os filhos (cuidar das crianças estava incluído entre outras tarefas, como cuidar da roupa, da casa e cozinhar) (BRITES, 2000, p.96, grifos meus).

Além do acompanhamento escolar, pergunto à Graça se ela lia histórias para as crianças. Ela relata sobre a leitura de gibis por parte de um dos filhos dos patrões. Uma análise do trecho abaixo mostra que os momentos de leitura são caracterizados como ocasiões nas quais não há demanda de atenção por parte da criança, logo, são situações nas quais Graça podia se dedicar ao trabalho com a casa. Por outro lado, as ocasiões de brincadeira parecem demandar participação da empregada.

P: Eles tinham livrinhos...você contava história pra eles?

G: O P. gostava muito daquela...acho que é...aquelas historinhas da Mônica e do Cebolinha...

P: Ah...revistinha...

G: As revistinhas...esses livrinhos...essas coisinhas assim...

P: Aí ele pegava e lia sozinho...alguém lia pra ele? Como é que era?

G: Acho que ele olhava mais os desenhos...sei lá se lia...porque...eu deixava ele lá...porque ele gostava mais é de ficar sozinho...ele tinha a hora que ele queria que eu brincasse com ele...então no período que ele queria ficar sozinho pra lá brincando...com as coisas dele...que ele vinha atrás de mim...aí eu parava um pouquinho...conversava com ele...brincava...ele voltava de novo...eu voltava pro serviço...porque eu tinha que dividir meu tempo...pra ele e pra casa... (Entrevista 2, 22/06/2007)

No caso de Suely, embora os filhos de C. e Sr. I. não fossem muito novos quando ela começou a trabalhar em sua residência (13 e 16 anos), pergunto para a empregada e também para a patroa se Suely já acompanhou a agenda dos meninos ou as tarefas escolares. A pergunta foi seguida de uma resposta negativa em ambas situações. Posteriormente percebi que a questão era imprópria, visto que mesmo bem mais nova do que Suely (12 anos de diferença), a filha caçula da família já havia alcançado escolaridade da empregada em dois anos no momento de admissão da doméstica para o trabalho nessa casa de família. No entanto, a resposta da patroa evidencia novamente a não expectativa desse tipo de atividade e é expressa no trecho abaixo:

P: Ela chegou a acompanhar por exemplo...agenda dos meninos...para-casa? C: Não...primeiro porque nunca precisou...os meus meninos nunca precisaram de ninguém pra acompanhar para-casa deles...eles tinham horário de fazer...eles chegavam da escola e já faziam o para-casa...nunca precisou de mandar...e ela também...quer dizer...não era função dela...eu jamais pediria pra ela fazer

esse tipo de coisa...mesmo porque também eu acho que ela não tem condições

Suely...volta a estudar...mas aí/ eu não sei se ela te falou isso...mas ela começou a estudar de novo...mas ficou pouco tempo...(Entrevista 1 - 13/12/2007, grifos meus)

Nazira, por sua vez, assim como Graça e Suely, nunca acompanhou as tarefas escolares dos filhos dos patrões. Quando ela começou a trabalhar para essa família, há 20 anos, os filhos de Sra. M e W. tinham 10, 9 e 7 anos. Mesmo crianças, todos já sabiam ler e escrever e possuíam uma experiência escolar mais longa do que Nazira. Como já foi dito, ela permaneceu na escola por apenas um ano e apresenta dificuldades com a escrita (para escrever um bilhete, por exemplo). Assim, é possível que suas habilidades de escrita, naquele momento, não fossem muito diferentes das do filho caçula que havia cursado a pré-escola e estava na primeira série do primeiro grau.

Além disso, vale dizer que a patroa de Nazira trabalhou grande parte de sua trajetória profissional apenas no turno da manhã. Segundo relatou, esse foi um acordo com o marido para que os filhos pudessem contar com pelo menos um dos pais no contra turno ao período escolar das crianças. A mobilização pela escolarização dos filhos nessa família é evidente. Todas as tardes, M. sentava com as crianças e as auxiliava nas tarefas escolares. Além disso, os filhos de W. e M. fizeram cursos de línguas, praticaram esportes, estudaram no exterior e fizeram pós- graduação. Nazira estava presente na casa da família empregadora e pôde observar a mobilização da família:

N: Todos três...estudava mas estudava mesmo...eles chegavam...almoçavam...paravam um pouquinho e já começava a estudar com a mãe deles... aí três horas o lanche tinha que estar na mesa pra eles...eles lanchava...começava a estudar de novo...a vida dos meninos do W. foi estudar mesmo... (Entrevista 1 – 21/11/2007)

Esse episódio relatado por Nazira nos faz pensar sobre as diferenças nos processos de escolarização das camadas populares e das camadas médias intelectualizadas. Nogueira (2000), em estudo sobre o processo de conversão de capital cultural em capital escolar, mostrou que as trajetórias escolares de jovens pertencentes a famílias intelectualizadas (filhos de professores universitários) são, de modo geral, marcadas por fluência, linearidade e continuidade. As considerações que a pesquisadora fez sobre a valorização e o investimento dos pais em atividades extra-sala de aula, sobre o desprezo pelo utilitarismo em oposição ao saber como valor e fim em si mesmo e sobre o treinamento para a excelência e a autonomia intelectual presentes nas

estratégias dessas famílias nos faz pensar sobre os possíveis efeitos desses elementos para o processo de escolarização dos filhos das domésticas pesquisadas. Observar o modo de os patrões se relacionarem com a escolarização dos filhos modifica, em algum aspecto, a relação das empregadas com o processo de escolarização dos seus próprios filhos? Essa é uma interessante questão que mereceria um aprofundamento.

Como foi abordado no início desse tópico, Cleonice é a única empregada entrevistada que se envolve no auxílio às tarefas escolares da filha caçula dos patrões. Nesse caso, alguns fatores podem contribuir para isso: o primeiro seria o fato de Cleonice possuir uma escolaridade mais elevada do que a menina (enquanto ela cursa os últimos anos do ensino fundamental, a menina ainda está na educação infantil162), o segundo seria o fato de ficar sozinha por um grande período com a filha do casal (durante as manhãs) e o terceiro, não menos importante, reside no fato de os patrões confiarem na capacidade de Cleonice para acompanharem as tarefas escolares da menina (o que não demonstrou ser a realidade de outras famílias pesquisadas).

Acredito que o acompanhamento ocasional da tarefa de casa de uma criança que se encontra matriculada na educação infantil, mesmo constituindo-se de atividades simples, pode contribuir para a construção de uma imagem positiva que a empregada faz de si própria (alguém que tem capacidade para ajudar e, por isso, merece a confiança dos patrões) e até mesmo pode colaborar para aproximar a empregada de uma dimensão escolar que por muito tempo esteve afastada de sua vida.

3.2. As práticas de leitura e escrita proporcionadas pelo trabalho doméstico em ambiente