3. TEORETISK REFERANSERAMME
3.1 BEGREPSAVKLARING
Roubo
c.1. Alfred encontra um amigo muito pobre. Esse menino lhe diz que não havia almoçado naquele dia, porque em sua casa não havia nada para comer. Então, Alfred entra numa padaria, mas, como não tem dinheiro, aproveita o momento em que o padeiro está de costas para roubar um pãozinho. Sai depressa e dá o pão ao amigo.
c. 2. Henriete entra numa loja. Vê sobre o balcão uma linda fita e acha que ficaria bem em sua roupa. Então, enquanto a vendedora está de costas, rouba a fita e foge logo em seguida.
O que aconteceu na primeira história? E na segunda? Tem um que é mais vilão que o outro? Por quê? Por que o primeiro roubou? Por que o segundo roubou? Um deve ser mais punido que o outro? Por quê?
d.1. Um garoto [ou garota] passeava na rua e encontrou um grande cachorro, que lhe despertou muito medo. Voltou então para casa e contou à mãe que vira um cachorro tão grande como uma vaca.
d.2. Uma criança voltou da escola e contou à mãe que a professora lhe dera boas notas. Mas isso não era verdade: a professora não lhe dera nenhuma nota, nem boa nem má. Então, sua mãe ficou muito contente e a recompensou. O que é mentira? Qual é o mais vilão? Por que é o mais vilão? Mas e o outro não mentiu também? Por que o primeiro mentiu? E o segundo? Qual deve ser mais punido?
Sanção
e) Um menino brinca em seu quarto. Sua mãe pede-lhe para ir comprar pão para o jantar, porque não há mais em casa. Mas, ao invés de ir logo em seguida, o menino responde que isso o aborrece, que irá daí a pouco etc. Uma hora depois, ainda não foi. Finalmente, chega o jantar e não há pão na mesa. O pai não está contente e pensa em como punir o menino da forma mais justa. Pensa em três punições. No dia seguinte, haverá uma festa, e o menino devia, justamente, ir brincar no carrossel: A primeira punição seria, pois, proibir-lhe esse divertimento: uma vez que não quis ir comprar ao pão, não irá ao parque. A segunda punição, na qual pensa o pai, é privar de pão o menino. Resta no armário um pouco de pão do almoço, o qual os pais comerão, porém, uma vez que o menino não foi comprar mais pão, não há o suficiente para todos. Nesse caso, o menino não tem quase nada para jantar. A terceira punição, na qual pensa o pai, é fazer ao menino a mesma coisa que ele. O pai lhe diria isto: “Você não quis prestar um favor à sua mãe. Muito bem! Não o punirei, mas, quando você pedir um favor, não o farei, e você verá o quanto é desagradável não prestar favor uns aos outros.” O menino diz que está bem, mas, alguns dias depois, precisa de um boneco que está muito alto em seu armário. Tenta alcançá-lo, todavia, é muito pequeno. Sobe numa cadeira, mas ainda assim não o alcança. Vai procurar o pai e pede-lhe para ajudá-lo. Este responde então: “Meu filho, lembra-se de que eu lhe disse ‘Você não quis fazer um favor a sua mãe’? Agora, eu não quero prestar-lhe um favor. Quando você prestar um favor, eu farei também de boa vontade, mas antes não.” – Qual a primeira
sanção? E a segunda? E a terceira? Qual é a mais justa das três punições. Por quê? E se punisse de outra forma?
Conflito entre justiça retributiva e distributiva
f) Era uma vez uma mãe que passeava perto de um rio com os filhos, numa tarde de feriado. Às quatro horas, deu um pãozinho a cada um. Cada um pôs-se a comer, com exceção do menor, que estava distraído e deixara cair o pão na água. Que fez a mãe? Devia dar-lhe outro? Era justo? Precisava brigar com ele por ter derrubado? E se a mãe não desse? O que acham os maiores? A justiça entre crianças
g.1 ) Alguns meninos jogam bola juntos, no pátio. Quando a bola sai do jogo e vai rolar na rua, um dos meninos vai, por sua conta, buscá-la várias vezes. Nas vezes seguintes, só pedem a ele que vá buscá-la. O que aconteceu na história? O que você acha disso? Era justo? E se o mais velho da turma pedisse, seria justo? E se a professora pedisse, seria justo? Por quê?15
g.2) Alguns meninos estavam sentados na grama para comer merenda. Cada um deles tinha um pãozinho, para comê-lo depois do bolo. Um cachorro chegou sorrateiramente por trás de um dos meninos e tirou-lhe o pão. O que aconteceu na história? O que os meninos fizeram? Por que resolveram fazer isso? Mas, numa outra escola, um menino falou que o menino se descuidou e então deveria ficar sem o pão. O que você acha dessa resposta? Por quê?
O processo de aplicação da segunda parte da entrevista foi semelhante ao primeiro, de sorte que contávamos as histórias e pedíamos para as crianças repeti-las. Procedemos dessa maneira, para nos certificarmos de que a criança havia compreendido a história.
15 As questões destacadas por nós não foram colocadas por Piaget (1932/1994), em seus
interrogatórios. Decidimos inseri-las nos nossos, pois acreditamos que, com esse dado, poderíamos contra-argumentar as crianças, ou seja, compreender se elas julgavam segundo critérios da igualdade ou se a autoridade dos mais velhos, quando posta, ainda se fazia conflituosa para elas. Esse fato esse se revelou interessante, nas análises de nossas entrevistas.
Prosseguíamos, mais uma vez, colocando logo em seguida as questões padronizadas por Piaget (1932/1994), almejando a compreensão do julgamento das crianças sobre os elementos morais de cada história. Por exemplo, na questão sobre o roubo, perguntávamos sempre: “O que aconteceu na primeira história? E na segunda? Por que a primeira criança roubou? E a segunda? Qual foi o pior roubo? Por quê?” Averiguamos com tais questões se as crianças haviam apreendido o que fora roubado e quais as intenções que subjazem a cada roubo, além do julgamento feito por elas sobre cada um dos furtos.
Agimos, assim, amparados nos estudos de Piaget (1994/1932), que propõe tais métodos em função de eles apresentarem uma maior probabilidade de compreensão da lógica do pensamento infantil.