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Part 2: Data

2.1 Data used in the analysis

Ao se efetuar uma análise de um sistema organizacional de uma instituição de ensino imersa em um contexto de uma organização militar, pertencente ao serviço público, mas que se comporta seguindo padrões empresariais, conforme a construção histórica do estaleiro e à própria filosofia das OMPS, vamos necessitar de uma consideração fenomenológica da mutabilidade temporal dela e como ela deve se adaptar para atender os requisitos atuais.

Podemos delimitar esses requisitos atuais, na visão de Paulo Renato de Souza, ao falar na reforma do Ensino Técnico, dentro da Educação Profissional e Emprego:

“... três características importantes:

1) A separação formal entre o ensino médio e o ensino técnico, que passa a ser complementar à educação geral, sem dela prescindir.

2) O ensino modular, que permite a flexibilização do sistema, criando diferentes oportunidades de entrada e saída do sistema.

3) A possibilidade de expansão do sistema de parcerias com as entidades sociais e com os estados e municípios, nas quais a união asseguraria os investimentos básicos em instalações e equipamentos. O princípio fundamental na educação profissional não deve ser a equidade, como na educação geral, mas a empregabilidade das pessoas. Os objetivos são os de qualificar, reprofissionalizar e atualizar jovens e adultos, habilitar, especializar e aperfeiçoar os profissionais. A educação profissional deve ter

um caráter de educação recorrente, as pessoas devem ser capazes e ter a oportunidade de ir e vir nesse sistema educacional...” ( SOUZA, 1999)

A forma de conhecer da fenomenologia abrange o desvelamento dos acessórios para que se atinja a verdadeira essência, abrange a procura da descoberta do sentido de orientação das ações. Esse sentido é essencial para que se possa desenvolver qualquer ação administrativa. O sentido fenomenológico e a intuição decorrente do entendimento do fenômeno torna-se fundamental para o desenvolvimento de posturas efetivamente estratégicas dentro das organizações.

O conhecimento intuitivo decorrente do saber fenomenológico na ação administrativa representa a aplicação do conhecimento do fenômeno como um todo e da compreensão da natureza da realidade do fato administrativo. O fato (fenômeno) não tem de obedecer necessariamente modelos científicos, ele está inserido no mundo da vida e as ações desenvolvidas pelos administradores devem ser legitimas nesse mundo, não em um suposto mundo modelar, o mundo real muda e interage segundo seus sentidos, o mundo de modelos segue regras preestabelecidas, muitas vezes não legitimadas pela realidade.

Nesse sentido, onde há uma necessidade de se agir legitimamente diante de um mundo instável é que é necessário que se desenvolva a intuição/conhecimento fenomenológico na administração. O principal objetivo é que se conheça a realidade para que se possa administrá- la. Para atingir a realidade como um todo o instrumento mais eficaz é a filosofia, não a ciência.

O primeiro grande aspecto a ser considerado no Desenvolvimento Organizacional já abrange aspectos fundamentalmente filosóficos, as primeiras perguntas: por que desenvolver, como desenvolver e para que desenvolver, já nos remete a questões éticas fundamentais que estão no campo da filosofia. Todo o desenvolvimento ético da relação de trabalho e do relacionamento das organizações para com os trabalhadores e clientes estão no campo do desenvolvimento ético.

O segundo aspecto a ser abordado é a própria questão do conhecimento, ao se limitar ou alijar uma forma de conhecimento da realidade do contexto do desenvolvimento das organizações está se alijando, necessariamente, uma fonte fundamental de informações e apreciação do mundo e dos problemas da própria organização, eliminando-se possibilidades de compreensão dos problemas e de desenvolvimento de soluções.

O caminho da reconstrução histórica nos permite assim, observar os fatos reais cronologicamente, sem inseri-los imediatamente em uma modelagem administrativa

preexistente, e assim, a partir da observação dos fenômenos, estabelecer os marcos norteadores de nossas análises.

A visão do caminhar desta reconstrução histórica, inserida em modelos limitados quanto à freqüência de ocorrência, ou sujeitos a especificidades não enquadráveis nos modelos correntes pode ser entendida através do exposto por Maria Yedda Leite Linhares.

“...A construção de modelos realmente históricos, dificilmente formalizáveis, que levem em conta o que é específico a um determinado sistema econômico e social ainda está entre as aspirações remotas da historiografia...

...é preciso ter em mente que só se pode quantificar o que é quantificável, havendo campos em que o qualitativo é imprescindível, mormente se levarmos em consideração a ausência de informações passíveis de quantificação, quando se trata do período pré-estatístico, por maiores que sejam os recursos do historiador...

...Entra-se aqui na importância fundamental do tempo: sincronia, diacronia, permanência, mudança. Mas à noção de tempo do historiador, BRAUDEL, no seu já ultraconhecido artigo sobre a longa duração, chama a atenção para as três ordens temporais: o tempo extremamente longo, de mudanças lentas, quase imperceptíveis, impossíveis de serem quantificadas (estrutura); o tempo das flutuações decenais, anuais e sazonais da conjectura; o tempo curto do cotidiano, dos eventos , fugidio, rápido. Ao historiador cabe fazer as articulações entre esses três tempos ou ritmos. ‘A vida dos homens é feita, conjuntamente, de continuidades e descontinuidades, de persistências e términos (iniciais e finais), de repetições e inovações. As datas são referenciais que servem ao historiador para situar relações entre variáveis e constantes...’, diz GODINHO. Ora, ao adotar a noção de estrutura, o historiador não perde de vista as articulações e mudanças que se operam no interior das estruturas (gênese e evolução das estruturas), já que sua preocupação central consiste em captar a dinâmica da evolução no tempo, da mesma forma em que procura detectar as persistências e as resistências às mudanças...

...devemos chamar a atenção para uma das limitações mais graves da quantificação em história, como maneira de analisar ‘as mudanças na estabilidade’, no interior de um sistema. A mutação histórica decisiva, que é importante descobrir, pode não estar inscrita em nenhuma das séries ou equações elaboradas para o estudo de um sistema econômico, ao resultar de uma inovação ou de um fator exógeno qualquer; a própria continuidade da série pode dissimular mudanças estruturais importantes...

...é forçoso, não esquecer que a história só é explicável, a partir da globalidade dos sistemas sócio- econômicos, encarados na sua especificidade histórica e única, no tempo e no espaço. Depreender essa especificidade e encaixa-la no contexto histórico constitui a sua tarefa primordial. “ ( LINHARES)

Podemos então, para construirmos a abordagem dinâmica da evolução organizacional da ETAM focar em 3 pontos de análise . O primeiro referente à própria evolução da estrutura organizacional da escola ao longo do tempo e o porque das mudanças ocorridas, o segundo relativo à questão da relação da escola com a sociedade, centrada nas suas relações com o MEC e clientes e por último a evolução dos critérios de avaliação na Instituição e sua aplicabilidade na aferição dos resultados.