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Data Deficiencies and Research Need for the West Greenland Commission Area

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3 FARMING AND SEA RANCHING OF ATLANTIC SALMON

6.3 Data Deficiencies and Research Need for the West Greenland Commission Area

Fonte: IBGE (2010) Elaboração: Próprio Autor.

A Considerar a realidade histórica, na concepção do município de Gravatá, parece clara a função pioneira enquanto lugar de repouso e parada ao que hoje se apresenta como cidade de vilegiatura. Fato que subsidia-nos a afirmar que a cidade tem no seu sentido de existência, até os dias de hoje, a função de paragem para o repouso e descanso. Processo que se deu, não em lapsos no tempo, mas num processo gradativo de transformação, como assevera Ferreira (2006) ao afirmar que Gravatá foi se tornando gradativamente reconhecido lugar de repouso em Pernambuco e estação de cura recomendada pelos médicos para os tísicos24, visto que o seu tratamento baseava-se em repouso, boa alimentação e afastamento dos doentes da região quente e úmida do litoral. Ficou conhecida no meio médico em Pernambuco à época como melhor local para o tratamento da tuberculose, devido à qualidade do clima serrano, a acolher, também, os doentes dos males renais pela

existência de fontes de água mineral, consideradas de primeira qualidade. Muitos desses enfermos que, ao curarem-se, optaram por morar definitivamente na cidade “estação de cura e repouso”, como afirma Lins:

Muitos curavam-se. Restabeleciam-se e preferiam não mais ir embora. Daí a fama que começava a cercar o lugar, despertando a atenção de médicos, que, invariavelmente,aconselhavam seus doentes a vir tentar na serra a cura do mal, com quem a ciência lutava, até então, inutilmente (LINS: 1993, 95).

Assim como a função terapêutica atribuída ao mar, a relação entre clima/aspectos naturais e terapêutica/saúde na serra foi variável importante para promover a atratividade turística e vilegiaturista de Gravatá, a delinear, posteriormente, a transformação e uso do ambiente serrano para atribuir funções de descanso e lazer, fruto da outrora busca pelo bem respirar.

Gravatá que se tornou cobiçada por seus atributos que lhe conferia tranquilidade para descanso, em determinados momentos, sobretudo finais de semana e férias, tem sua calmaria subtraída. Em termos comparativos, Gravatá tem uma dinâmica urbana e econômica mais complexa que Guaramiranga e Lagoa Nova pela intensidade de relações socioespaciais fruto do maior contingente de pessoas, valores, mercadorias e capital. A influência que esta exerce para a sociedade pernambucana é tamanha a ponto de afirmar alguns gestores entrevistados que praticamente toda família da elite recifense possui um imóvel em Gravatá.

Além do grande número de unidades habitacionais pertencentes a segundos residentes, Gravatá possui em torno de 3 mil leitos de hospedagem distribuídos em aproximadamente 30 estabelecimentos considerados de hotelaria pela EMPETUR-PE (2012). Estima-se que a cidade recebeu no ano de 2012 um quantitativo de 305.000 turistas. Para movimentar a atratividade turística Gravatá, assim como Guaramiranga, investe na promoção de festivais ao longo do ano para manter a dinâmica do mercado turístico e da visitação à cidade. A cidade é conhecida também como polo moveleiro e possui tradição no artesanato, representado pelas bonecas da sorte feitas de panos, principal souvenir do município. Gravatá também é conhecida pelas peças em bronze e madeira – móveis, talhas e brinquedos –, muitos deles disponíveis na Estação do Artesão, antiga Estação Ferroviária do século XIX.

2.3 Guaramiranga

Guaramiranga, assim como Gravatá e Lagoa Nova, compõem o palco das relações socioespaciais retratadas aqui na tentativa de desvendar os fenômenos inerentes à vilegiatura serrana. Lugar também privilegiado por aspectos naturais frente às adversidades dos sertões em entorno. A especificidade de situar-se a uma altitude média de 865 metros acima do nível do mar, a ultrapassar mil metros no Pico Alto, – o ponto mais alto da Microrregião do Maciço de Baturité e o segundo maior do Ceará –, favorece a manutenção da temperatura média por volta de 16° a 22°C e chuvas mais regulares em relação às demais regiões do Ceará. Essa realidade constitui uma das motivações para a atração turística que a cidade emana. Em 2017 a cidade foi indicada como um dos cinco destinos para melhor aproveitar o inverno, por grandes agências nacionais de viagem25, em que completam a lista as cidades de Campos do Jordão-SP, Curitiba-PR, Visconde de Mauá-RJ e Gonçalves-MG.

A economia do município está baseada ainda na agropecuária com a produção de café, algodão, banana, arroz, cana-de-açúcar, milho, feijão e cultivo de flores (IBGE, 2010). Nas últimas duas décadas a economia se dinamizou com os serviços e infraestrutura empregados, em especial com a promoção do lazer, turismo e vilegiatura, que movimentam o comércio local, sobretudo durante a realização de festivais.

No cartograma que demonstra a proporção de Domicílios de Uso Ocasional na Microrregião da Serra de Baturité, conhecida como Maciço de Baturité, fica explícita a superioridade numérica do fenômeno no município de Guaramiranga. Chama-nos atenção, na interpretação do gráfico representativo, o fato das duas cidades logo vizinhas à Guaramiranga, Pacoti e Mulungu estarem na faixa de frequência logo seguinte, com considerável proporção de DUOs, dando a ideia de incorporação da microrregião pela vilegiatura em que o fenômeno se expande extrapolando os limites da diminuta área do município de Guaramiranga. Conforme verificamos no cartograma 04:

25Disponível em http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/suplementos/tur/online/guaramiranga-e- incluida-na-lista-de-destinos-para-aproveitar-o-inverno-1.1777690. Acesso em 15/15/2017

Cartograma 4 – Domicílios de Uso Ocasional no Maciço de Baturité

Fonte: IBGE, 2010. Elaboração: Própria Autor.

De acordo com censo do IBGE (2010), a população residente no município de Guaramiranga é de 4.165 habitantes, distribuídos em uma área de 59 km². Portanto, uma pequena cidade que em contrapartida recebe grande demanda de visitantes, a destacar-se enquanto lócus de lazer e turismo no Ceará. O lugar tornou- se turístico pela demanda e oferta turística configuradas tanto pela presença de patrimônios naturais e culturais. Os naturais são procurados, sobretudo por aqueles que vivem no cotidiano urbano frenético e acelerado denominado de dramas da cidade grande (CORIOLANO, 2006). Nesta perspectiva, os ambientes naturais e culturais são aproveitados pela atividade turística.

Algumas serras, encravadas em enclaves úmidos no interior do Nordeste, são uma das ambiências de natureza relativamente preservadas no contexto atual de devastação e desmatamento, da Mata Atlântica e Caatinga, dois dos maiores biomas da Região Nordeste. Fato que contribui com a demanda turística por busca de belezas naturais para a fuga dos dramas da cidade grande, mas sem relegar o conforto que o

urbano e modernidade proporcionam, sobretudo, sentir o aconchego do lar, em uma casa diferente da habitual.

A considerar a realidade antepassada da cidade, para encontrarmos o conforto do urbano atual em Guaramiranga só foi possível a partir de mudanças físicas e sociais no espaço a contribuir com sua colonização em detrimento das primeiras ocupações indígenas. A primeira ocupação foi chamada de Vila de Conceição, posteriormente renomeada de Guaramiranga, palavra de origem tupi que significa "pássaro vermelho", se iniciou no platô úmido26 do maciço residual de Baturité, onde se originou o “embrião” desta cidade. A partir da instalação do sítio Macapá, pelo Capitão João Rodrigues de Freitas, ainda no século XVIII. Guaramiranga foi a primeira localidade erguida “nos topos” do Maciço. No inicio do século XX, famílias ilustres do Ceará começaram aproveitar-se das cidades do Maciço como refúgio da seca e descobriram na cafeicultura fonte de riqueza e crescimento econômico. O ponto decisivo para a conquista da área serrana pela atividade econômica se deu pela excelente adaptação do café nas terras úmidas e férteis, sendo introduzido por Antônio Pereira de Queiroz Sobrinho, produto vindo das plagas do Cariri, descendente de Pernambuco. (FONTENELE JÚNIOR, 2004)

Fontenele Júnior (op. cit) afirma, que a partir de então, ocorre verdadeira corrida pela aquisição das terras serranas do Maciço, e para lá se deslocaram muitos dos ricos fazendeiros e seus descendentes, principalmente dos sertões de Quixadá e Canindé. Subiram à serra em busca de fortuna, famílias como: os Queiroz, Holanda, Pimentel, Caracas, entre tantas outras. Em pouco tempo, a área serrana apresentava notável influência no cenário estadual, a produzir frutas e legumes para a capital, cana-de-açúcar (transformada em rapadura) para os sertões e arredores, além do algodão arbóreo cultivado nos “pés” da serra e principalmente o café, que desde 1846, juntamente com o de Maranguape, era exportado em toneladas para a Europa. Na figura 5, a fábrica de beneficiar café em funcionamento.

Figura 5 - Fábrica de beneficiamento de café em Guaramiranga

Fonte: MUSEU DA FOTOGRAFIA DE GUARAMIRANGA (2017).

A fábrica de beneficiamento cafeeiro era acionada por uma caldeira a lenha (locomóvel) e uma máquina moderna para época (chamada de Uruapã) importada dos Estados Unidos em 1913. Posteriormente foi instalado um gerador para fornecer energia para vila Conceição, atual Guaramiranga que foi a terceira cidade do estado do Ceará a possuir tal equipamento. Inaugurado em 12 de dezembro de 1926, forneceu energia para Guaramiranga até a chegada da energia da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso em nove de maio de 1967. (Museu da fotografia de Guaramiranga, 2017)

No acervo foram encontrados outros registros, que retratam a mobilidade de pessoas influentes da elite cearense que utilizavam a cidade como refúgio pelas relativas amenidades climáticas em relação ao sertão já no século XX, mas, agora na perspectiva do lazer. Como o casarão em que se hospedava a escritora Rachel de Queiroz, conforme Figura 6 com fotografia envelhecida artificialmente.

Figura 6 – Casarão antigo, datado de 1925 no centro de Guaramiranga

Fonte: MUSEU DA FOTOGRAFIA DE GUARAMIRANGA (2017).

Segundo o acervo do museu, a casa pertenceu a Célia de Matos Brito, que hospedava a escritora Rachel de Queiroz quando esta passara férias escolares em Guaramiranga por volta de 1925. A escritora está imortalizada na cidade por ter sido homenageada como seu nome em dois teatros, o primeiro inaugurado pela própria escritora no ano de 1992 com capacidade para 150 pessoas, é carinhosamente chamado de teatrinho e o segundo também com o nome Rachel de Queiroz construído no ano 1997 e inaugurado em 1999 com capacidade para 500 pessoas. O teatro é palco de importantes espetáculos artísticos, reuniões e apresentações realizadas anualmente, como o Festival de Jazz e Blues, e o Festival Nordestino de Teatro Amador, realizado anualmente no mês de setembro. No mapa 4 apresentamos o mapa do município de Guaramiranga.

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