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Dag 1 – Utforsking av Energispillet og wiki-jobbing

5.2 Case 2: De Ettertenksomme

5.2.2 Dag 1 – Utforsking av Energispillet og wiki-jobbing

O script do filme faz uma clara crítica ao capitalismo. Por trás de toda conspiração que dará lugar ao Anticristo está a figura de dois banqueiros. O tema da unificação se apresenta na trama como um tipo de globalização que facilitará as atividades futuras do Anticristo. Vejamos as falas.

It´s all about the money, isn´t it? (15:43) ( É tudo sobre dinheiro, não é?)

Dirk Burton, ao relatar sua descoberta sobre os planos dos banqueiros Cothran e Stonagal, ligados aos ataques a Israel, os centros de pesquisas, os fundos de investimentos e o câmbio.

Sorry folks, cash only... 25 large! Do I hear 30, anybody? Anybody? Ok, Mr., you bought yourself a pilot. (45:60)

(Sinto muito, amigos, apenas dinheiro... 25! Posso ouvir 30, alguém?... Ok, senhor, você comprou seu próprio piloto)

Ken Ritz, ao oferecer seu trabalho de piloto particular a quem desejasse sair de Chicago em meio ao caos do arrebatamento. Buck é quem dá a maior oferta e, portanto, acaba comprando o piloto. A cena expõe a insensibilidade e a ganância humana por lucro mesmo diante da desgraça alheia.

Follow the money, honey. (59:38) (Siga o dinheiro, querida.)

Amigas de Buck ao comentar sobre os passos a seguir para decifrar os códigos nos planos dos banqueiros. Em outras palavras, o dinheiro é um rastro que conduz ao cerne do problema.

You mean, it´s all about money? (1:09:39) ( Você quer dizer que é tudo sobre dinheiro?)

Alan Thompkins, ao conversar com Buck sobre o plano dos banqueiros de cobrar a enorme quantia que haviam emprestado à ONU. Buck então compreende que, devido à impossibilidade da ONU pagar essa dívida, acabaria por ser decretada a falência da organização, e os banqueiros se apropriariam das dez faixas de terra pertencentes a ela.

Assim, a ficção faz uma dura crítica ao poder de controle que o capital exerce sobre as pessoas. Os banqueiros Cothren e Stonegal representam esse controle no mais alto grau; seus negócios existem em função da sede de poder que acaba por abrir espaço para que o Anticristo assuma sua função de controle total sobre os sistemas humanos. Mesmo pessoas que não pertencem a uma esfera tão alta do sistema, como o piloto Ken Ritz, procuram tirar o máximo proveito de situações de desgraça e desespero que se abatem sobre o mundo para auferir lucros. Por outro lado, as roupas e pertences materiais são deixados para trás no momento do arrebatamento, um claro indicativo de que os bens materiais não têm mais valor para os que se foram. A crítica ao capitalismo é uma característica incluída no todo da série Left Behind.

Todavia, essa maneira crítica da série expor o capitalismo tem chamado a atenção dos pesquisadores na medida em que as críticas e advertências da série estão em franca dissonância com a postura dos autores e editores da série, na vida real. A série

Left Behind figura entre os inúmeros produtos hoje considerados pertencentes à

chamada indústria do Apocalipse que, segundo pesquisadores como Torin Monahan53, tem-se desenvolvido para alimentar os temores cristãos de diferentes tipos em relação ao fim do mundo. Tal multiplicidade de profecias apocalípticas relacionadas com propagação midiática e fusão com as formas econômicas vigentes têm feito surgir termos como Capitalismo Milenial54. O termo indica, na verdade, o tipo de prática de

capitalismo neoliberal globalizado, baseado nos princípios da privatização, responsabilidade individual e direito de consumir (não produzir), e que tem proporcionado oportunidades para uns sobre a crescente vulnerabilidade de outros. No campo da divulgação de doutrinas e crenças cristãs, está baseado em profecias bíblicas atualizadas para o mundo hodierno.

53 MONAHAN, Torin. Marketing the beast: Left Behind and the apocalypse Industry, Media Culture

Society, 2008, p. 813-830.

54 Esse nome provém em parte do fato dessa forma de capitalismo tomar forma na virada do milênio, e em

parte de seu surgimento fazer com que, tanto os que o apoiam quanto os que lhe são contrários, entrem quase que numa esfera apocalíptica de esperanças e medos. Extraído do site npq.org .

Segundo o mesmo artigo, parte do mercado de US$ 7 bilhões em produtos cristãos no EUA advém do vasto comércio de ficção religiosa, como a série de produtos

Left Behind. O sucesso de produtos como este pode ser atribuído, por um lado, à

proximidade com o ano 2000, época sem dúvida propícia a temas escatológicos. Por outro lado, a distribuição em massa de produtos cristãos tem sido reflexo das mudanças nas operações e na constituição dos mercados de capitais que efetivamente mudaram todos os setores de produção e consumo. Garantindo espaço no mercado secular em grandes cadeias de lojas, o mercado para produtos cristãos aumentou consideravelmente. Dessa forma, as transformações estruturais na indústria editorial também foram decisivas para o sucesso dos produtos da série Left Behind. Nos EUA, os livros da série eram quase que exclusivamente vendidos por comerciantes cristãos, que foram grandemente prejudicados com a distribuição desses produtos para as grandes lojas no âmbito secular5 5. Conforme Fisher56, a editora Tyndale House, da série Left

Behind, aumentou seu faturamento em U$ 135 milhões entre 1998 e 2001 por causa

dessas mudanças. Em seu artigo, Fisher cita a seguinte frase de Kenneth Taylor, fundador da Editora Tyndale House: “A dificuldade é lembrar que a finalidade do chamado de Deus para seu editores é promover-lhe a glória, e não fazer dinheiro”57. O

resultado dessas mudanças pode ser comprovado pela variedade de leitores que a série tem atingido. Frykholm58, em sua pesquisa sobre a cultura do arrebatamento, encontrou entre seus entrevistados evangélicos e não-evangélicos, crentes no arrebatamento e não crentes no arrebatamento, mórmons, católicos, batistas, presbiterianos, agnósticos e outros. Segundo ela, isso é também uma prova de que, quando se trata de entretenimento, a fé pode ser posta de lado.

Alguns pesquisadores atribuem o sucesso e o lucro de produtos cristãos à ambiguidade das mensagens religiosas, como ocorre, por exemplo, com a música cristã que não menciona o nome Jesus em suas letras e, por isso, proporciona um maior cruzamento dos mercados sagrados e profanos . No caso da música, admite-se que houve mudanças na mensagem cristã por ela transmitida, bem como a forma como os músicos veem a música e a si mesmos (como arte); em todo caso, houve uma submissão a

55 No Brasil também é comum a venda desse tipo de produto nas grandes lojas. Adquiri o DVD da série

pelo site das Lojas Americanas.

56 FISHER, A. Five SurprisingYears for Evangelical-Christian Publishing: 1998 to 2002, Publishing

Research Quarterly Summer (2003), p. 20-36.

57 Ibidem, p. 29.

58 FRYKHOLM, A.J. Rapture Culture: Left Behind in Evangelical America. New

Mamom pelos cristãos, como afirma Hendershot5 9. Porém, há pesquisadores que

também atribuem o sucesso da série Left Behind ao padrão polarizado e conservador (sagrado x secular, salvo x condenado etc.) que as ficções apresentam. Para Drane60, esse tipo de literatura polarizada e conservadora é reflexo do largo movimento para homogeneizar e comercializar sistemas de crenças religiosas. Dessa forma, autores e editores como os de Left Behind seguem a tendência do mercado de massa, explorando- o para difundir suas crenças e aumentar seus lucros. Por isso tal dissonância entre consumismo milenial e crítica consumista da série tem sido alvo de forte reprovação. Mesmo porque seu sucesso, bem como a validação da interpretação dispensacionalista, têm sido usados para promover a veracidade de suas profecias. Já para seus autores a série é parte de sua missão, conforme podemos constatar no site da série:

Since the Left Behind series began in 1995, we have personally heard from over 3,000 people who tell us they have become believers through reading the series.6 1

Destarte, nestas poucas linhas são evidenciadas as principais dissonâncias entre a ficção e a realidade: na primeira, a economia do mundo serve aos interesses do mal, enquanto na segunda a indústria do Apocalipse está totalmente integrada à economia capitalista e é prodigamente lucrativa, o que, para Monahan62, valoriza perigosamente a

lógica da economia neoliberal, a ponto de elevá-la ao nível do sagrado.