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4. DISCUSSION

4.3. D3: T OWARDS A T HEORY OF T RANS -I NTERPERSONAL I NQUIRY

As empresas alvo desta pesquisa têm suas vendas atreladas ao volume de recursos e às condições do crédito agrícola, tal característica tem efeito direto sobre a atividade logística. Devido à crescente internacionalização e ao aumento das exportações, criou-se a necessidade por uma logística mais eficiente e sofisticada, principalmente na gestão de estoques, a qual exige maior exatidão na previsão da demanda de produtos (PASQUAL e PEDROZO, 2007).

Em um levantamento desenvolvido junto a empresas do setor, Brandão (2003) identificou que entre as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas, está presente a questão logística, caracterizada pelo alto custo da atividade e maior exigência nos prazos de entrega. O quadro 2.1, apresenta este levantamento.

Principais dificuldades Citações %

1. Necessidade de redução de custos 58 23,4

2. Aumento do nível de concorrência 32 12,9

3. Diferenças tributárias 19 7,7

4. Maior exigência de prazo de entrega 18 7,3

5. Necessidade de inovação 18 7,3

6. Custos de logística 14 5,6

7. Falta de capacidade de produção 13 5,2

8. Falta de qualidade assegurada 9 3,6

9. Falta de volume de produção 9 3,6

10. Concorrência de produtos importados 8 3,2

Quadro 2.1 – Principais dificuldades das empresas do segmento de bens de capital agrícolas Fonte: Brandão (2003)

Ainda segundo este autor, o estudo permite concluir que entre as principais deficiências das empresas do segmento estão: a baixa integração horizontal e vertical, a falta de posicionamento de mercado, a baixa capacitação em gestão de custos e qualidade e a baixa eficiência logística. Tais afirmações reforçam, portanto o exposto por autores como Pasqual e Pedrozo (2007) e Zago (2008) sobre a importância de um adequado posicionamento da atividade logística nestas empresas.

Zawislak (2000), Castro (2004), Pasqual e Pedrozo (2007) e Zago (2008) em estudos desenvolvidos junto ao segmento, identificaram em seus resultados características peculiares da atividade logística destas empresas. Algumas delas são descritas a seguir:

• A cadeia logística do segmento, apresentada na figura 2.3, é composta por cinco elos, dos fornecedores de matérias-primas e componentes até o consumidor final, que na maioria das vezes, adquire os produtos por intermédio de revendedores.

Figura 2.3 – Cadeia logística do setor de bens de capital agrícolas Fonte: Adaptado de Zawislak (2000)

• As empresas do segmento apresentam deficiência na gestão do ciclo de pedidos, devido a oscilações e peculiaridades da cadeia agroindustrial, que torna difícil a acuracidade na previsão e gerenciamento da demanda e que impacta no planejamento da produção destinada aos mercados e gerenciamento dos pedidos, estoques e volume de produção. Devido à diversidade de mercados atendidos, há uma prioridade de produção de acordo com o destino do produto, devendo ser respeitado o lead e o transit time, do mesmo, pelas diferentes áreas das empresas. Essa perspectiva se reflete na gestão de estoques e armazenagem, no momento em que as empresas possuem itens faltantes (críticos), ou mesmo que possam vir a faltar, quando ocorre uma replanejamento da produção e das necessidades de materiais;

• Sobre a função de apoio à produção tem-se que a decisão de coordenação do fluxo de produtos, nas empresas de grande porte, é totalmente puxada; nas pequenas, a maior parte das decisões é tomada partindo do consumidor final (puxada), mas Indústria de matérias- primas Indústria de componentes Indústria de máquinas Transportadoras Agricultores, cooperativas e revendedores

com uma parcela de participação do elo inicial da cadeia (empurrada); nas de porte médio, as decisões são fortemente baseadas no elo inicial da cadeia que coordena o fluxo (empurrada), isto é, a coordenação reage fortemente às informações de um cliente principal, ou seja, de uma demanda real de venda em tempo real (visibilidade da demanda);

• O acionamento da fabricação de produtos acabados, relacionada à definição da política de produção das empresas, verificou-se que: nas empresas de grande porte, independentemente do produto, o planejamento do fluxo de produtos é totalmente baseado no pedido feito pelo cliente. Esses resultados se justificam na medida em que, quando o produto tem um custo elevado, existe uma maior propensão para produzir contrapedido;

• A decisão de alocação de estoques, com base no número de instalações em que são armazenados os produtos, independentemente do porte das empresas do setor, a decisão está basicamente voltada à centralização. Isso em virtude de o giro de estoques serem baixos e de a perecibilidade e obsolescência dos produtos não acarretarem necessariamente em encalhe ou perda;

• A localização destas empresas, concentradas na Região Sul do país e no estado de São Paulo, deve-se aos benefícios logísticos da proximidade com os principais consumidores destes equipamentos, entre eles os países do Mercosul e com importantes portos brasileiros, utilizados tanto para o escoamento da produção agrícola quanto para o recebimento de componentes para as indústrias;

• Na estratégia de distribuição, comercialização e serviços de pós-venda e assistência técnica, há uma rede de concessionárias espalhadas por diferentes regiões brasileiras, estando próximas dos clientes e dos grandes centros produtores. Os clientes da região centro-oeste são os principais consumidores, em virtude de ser um produtor aliado aos estados do sul do país;

• Quanto maior o nível de complexidade e porte da organização maior sua preocupação com áreas como materiais e integração entre as áreas da empresa, sejam elas compras, logística e distribuição, marketing e vendas, financeiro e produção, visando gerar benefícios não só a empresa, mas ao cliente final e quanto menor o volume de atividades e de produção a empresa está mais próxima dos clientes finais, procurando estabelecer parcerias para atrair e reter seus clientes, bem como conscientizar seus fornecedores do seu potencial competitivo;

• Tem-se ainda que empresas maiores apresentam uma rede de informação e conhecimento maior, devido a integração da unidades brasileiras às demais fábricas do grupo e a matriz, havendo preocupação na precisão das informações e no aprimoramento dos colaboradores, tendo em vista a perspectiva de crescimento na empresa.

Verifica-se, portanto que a logística deve ser adotada como resposta às pressões que as empresas sofrem em relação à necessidade de redução dos níveis de estoque devido aos elevados custos de mantê-los, a necessidade de redução do prazo de entrega e aumento da disponibilidade dos produtos aos clientes. Especificamente no segmento estudado, o ambiente econômico e demanda influem de forma rigorosa no processo decisório de localização geográfica, armazenagem e disponibilização de recursos à fabricação e distribuição final.