DEL 3 - METODE OG FORSKNINGSDESIGN
3.4 D ATAINNSAMLING
91 Figura 4 - Escadaria Rifaina I, 2012. Foto: Amaranta Krepschi
93 Figura 5 - Pés, escada, homem, 2012. Foto: Amaranta Krepschi
95 Figura 6 - Crianças, 2012. Foto: Amaranta Krepschi
97 Foto 7 - Buraco, 2012. Foto: Amaranta Krepschi
99 A partir da oitava rota, a escadaria entre a rua rifaina e a rua mundo novo entra com tamanha força no percurso que cria um desvio. Passamos a habitá-la, estar horas neste espaço, eu, priscilla carbone e ana dias.
Ao seguir pela rua rifaina, lá depois da segunda curva, uma abertura que não é portão, nem casa: é escada. Longa; acinzentada, no cimento chapiscado. Lá embaixo, a rua novo mundo. Entre o em cima e o em baixo, portão 66, pintado de preto. Ao lado, casa de gradio branco e baixo, uma laje, senhor e crianças nos observam perambular, pausar, olhar a avenida pompéia do alto, e de rabo de olho, o quintal alheio.
Esfrego os cabelos, a palma das mãos e os pés descalços no chão, e ao andar no beirio da escadaria, caminho no limite do que é rua e do que é casa. Há muitos passantes hoje, mães com seus bebês e crianças, com e sem sacolas, homens, moradores com as seis da tarde chegam escada adentro até suas moradias. Nós três continuamos ali. Há uma pausa que abre outro tempo.
Meu corpo numa vertical de muita sustentação, quase todos os degraus sobre minhas costas, há um ponto que a escada é abismo, uma inclinação interessante. Um passo a mais, não se sabe o que vêm, acontece um corte abrupto no espaço. Neste ponto “cego” de abismo, quem chega de baixo também não percebe a continuação da escada para o alto.
Sobe uma menina de uns 8 anos, pele morena, cabelos presos, sobe rapidamente, num pique corre, outras crianças vêm atrás, ao longe. Sobe olhando pro chão, pra trás, a vejo, a vejo até que ponto cego, some do campo de visão e! Se dá num tremendo susto o encontro de nossos olhares, de nossos corpos, da atmosfera em pausa daqui e subindo correndo de lá. Ela pausa, arregalados olhos. Sustentado o silêncio, a pausa, o não saber, abre-se um tempo gigantesco, gigantesco, gigantesco. Então ela retoma o subir, correndo, esperando os que atrás a seguem. Passa por mim, todo corpo reconfigura-se a partir de tal encontro, já não é silêncio, nem pausa, uma reverberação que ganha contorno na procura, outra figura-corpo se contorna, não mais verticalidade, mas a conexão mãos no chão, coluna toda curvada, como num círculo, pés e crânio colados. Dois moleques passam, olham meu quadril para o alto virado pra avenida pompéia.
100 Saída 11
Quando me coloco em pé na escada que desemboca na rua mundo novo, quando me coloco numa presença mais ativa, não me refiro a fazer coisas. É antes uma presença que deixa inúmeros espaços “vazios” e silenciosos e desprovidos de intenção. Mas esta lá. Micro poros em diálogo, cada ínfima parte acordada e em relação. Nos lugares que emperro, forço a passagem, movo um bocadinho a mais ou menos para que vá, continue e insista. Algo pede passagem. Possibilito? Ao fechar os olhos, dois homens nos notam, quase me perco, finco os olhos nos olhos, na terra, finco as costas na respiração dela, a escada está ficando infinitamente maior nesse instante e acompanho tal movimento, (...)
Saída 12
De um encontro matinal entre lisboa e são paulo, de afetos outrora nascidos e continuados: escadas.
Sem início ou fim, o subir e descer se fazem na direção escolhida no presente momento. Em sua dimensão física e num uso funcional, leva de um lugar a outro. Ele passa, diz boa tarde. Ela passa, pede licença, outro, uma respiração ofegante. A escadaria entre a rua rifaina e a novo mundo é comprida, um bocado infinita e por agora, há um ponto na qual certa confusão acontece. Uma ruptura, uma espécie de abismo, espaço de descontinuidade (dos degraus que seguem um após o outro quase que numa certeza). Não se sabe ao que vêm. E instiga.
Ouvir os que passam ao lado, acima, abaixo, por todo lado. As laterais da escadaria contam com portas e portões das casas que ali existem. Entradas e saídas, porta preta, uma azul de
101 madeira descamada, de cimento, portãozinho baixo que dá em dois degraus e uma porta. Entre tantas, a casa 66 avança e nos encontra.
A lateral está bem viva e expande, desloca a estreiteza física à largura intensiva.
Fragmento de escrita:
Hoje a escada tem cheiro de nada. Bitucas, musgos e este corpo equilibram-se na beiradinha. Essa beira das coisas exige muita raiz nos pés. As solicito: venham enraizar-se junto ao chão da escada. Pois, quero ouvi-las passando e contando algo de hoje. Respiração ofegante de alguém que passa, pausa, peso do corpo descendo. Invade (ou compõe o fluxo?) Uma vontade: quero poder continuar ser afetada por algumas coisas do mundo.
Saída 12 a
Hoje meu ciático convoca as pernas até o dedinho do pé. Chove. Há duas semanas chove muito em são paulo. Há um quê de pausa em rotas que começaram lá pra março com muitas pessoas e...
A rota hoje parece desembocar das escadas daqui diretamente a uma escadaria imensa que parte do largo da mouraria, de um telefone público, de uma linha de árvores, da casa que ano passado abrigou o lugar das pessoas no festival pedras d’água. Essa possibilidade de espalhar-se, de estar aqui e lá e aqui e lá, ao mesmo tempo... É mesmo intrigante ...
103 Figura 8 - Escadaria Rifaina II, 2012. Foto: Amaranta Krepschi
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