Customer Trading and Information in Foreign Exchange Markets 1
3.5. RESULTS 81 Table 3.5 confirms the picture in figure The table shows the correlation between the
3.5.1 Customer trading
Não é meu objetivo fazer uma análise detalhada das correntes que formaram o PT, mas estabelecer um breve quadro sinóptico para o leitor ter uma dimensão das diversas correntes que fundaram e militaram neste partido41
. Segundo Couto (1995), que utilizou um panfleto partidário elaborado por José Dirceu e Wladimir Pomar como referência sobre as tendências, havia no interior do PT diversas correntes em 1986, tais como: a Organização Revolucionária Marxista Democracia Socialista (DS); Partido Revolucionário Comunista (PRC); Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR); Fração IV Internacional (O Trabalho); Movimento Revolucionário Comunista (MRC); Convergência Socialista (CS), Causa Operária (CO) e a Esquerda42
.
De acordo com o panfleto dos dirigentes do PT, todas elas se diziam marxistas, marxistas-leninistas, algumas marxistas-lenistas-trotskistas e todas elas se consideravam anti-stalinistas.
Couto (1995) assevera que a DS foi fundada em 1979, fruto de cisões de pequenos agrupamentos trotskistas, e surge no momento de criação do PT, sendo o agrupamento trotskista mais importante deste partido pelo seu peso no interior da agremiação. A DS sofria do mal que afligia todas as correntes do PT: ou assumia o PT como partido estratégico, diluindo-se no interior da agremiação, ou se constituía um grupo político que procurava construir o verdadeiro partido revolucionário, concebendo o PT como uma frente em que participariam diversos grupos animados pelo ideário socialista (COUTO, 1995).
Para Couto (1995), esse dilema também incidia sobre as demais correntes do PT, mas, na Democracia Socialista e na corrente O Trabalho, esse aspecto não era tão saliente pelo fato de estas anunciarem o PT como o Partido estratégico, ou seja, que não havia
diagnóstico da economia mundial e prescrever soluções para os problemas detectados. Foram apresentados dez pontos para balizar a política macroeconômica dos países latino-americanos. O conjunto de medidas definidas na reunião ficou conhecido como Consenso de Washington. Sousa (2009) resume o decálogo em quatro pontos fundamentais: a abertura econômica que tinha como desiderato abrir o mercado mundial e latino-americano para os produtos norte-americanos; a desestatização, vale dizer, privatização, para permitir que as grandes corporações tivessem o controle de setores estratégicos da economia para garantir o suprimento de matérias-primas baratas para os EUA; a desregulamentação financeira para facilitar a movimentação de capitais no plano mundial e no interior de cada país, principalmente o capital especulativo; a flexibilização do trabalho, ou seja, eufemismo para retirar direitos sociais, privatizar a previdência, notadamente nos países latino-americanos.
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Para quem pretende conhecer mais a temática, existe o trabalho de Silva (s/d) que considero um bom trabalho. Sobre o processo de transformismo do PRC e da Articulação, recomendo a tese de doutorado de Coelho (2005) que consiste é um exaustivo trabalho sobre as duas correntes.
incompatibilidade entre suas formulações políticas e programáticas e o PT a longo prazo; entretanto, para o PRC, o MCR, a Causa Operária e a Convergência Socialista, este dilema era por demais presente por não formularem que o PT era o partido estratégico, evidencia Couto (1995).
Para Silva (s/d), um dos fatores que contribuiu sobremaneira para a criação da DS foi a participação do grupo de Minas Gerais e do Sul na gestação da frente jornalística que editava o jornal Em Tempo, criado em fins de 1977, nucleados por militantes que participaram do jornal Movimento. Estes militantes vinham de várias correntes do espectro político da esquerda brasileira. Em Tempo passou a ser associado à DS, malgrado militantes de outras organizações contribuíssem com o jornal.
A DS aumenta sua atividade no movimento sindical e no PT e isso traz frutos para o seu crescimento. Em 1981, de acordo com Silva (2001), a DS realiza seu Congresso de Unificação com a Organização Revolucionária dos Trabalhadores e adota o nome de Organização Marxista Revolucionária-Democracia Socialista (OMR-DS).
A ORM-DS concebe o PT como um partido estratégico e vê traços progressistas na direção petista. Daí a CS e depois, o PSTU, considerarem que a DS capitulou ao PT abandonando o Programa de Transição e se tornando um apêndice da Direção petista.
A ORM-DS vê o PT como um partido estratégico e a constituição desta articulação faz parte da perspectiva estratégica da construção do PT. Nessa perspectiva, a construção de um PT que não seja apenas “um partido operário independente de massas, mas também de militância e intervenção, como um partido de combate”, passa também pela constituição de “uma nova direção, uma nova hegemonia, que seja fruto de um amplo reagrupamento no seu interior, unificando todos os setores que defendem a independência de classe dos trabalhadores”. Esta “nova direção”, “agruparia setores que hoje estão nos ‗113‘ (em particular a maior parte da vanguarda formada nos últimos anos) com a esquerda do PT”. Essa nova composição de forças, corresponde à estratégia da DS de procurar a “fusão dos marxistas revolucionários com o setor mais amplo possível da vanguarda classista”. (SILVA, s/d, p. 193).
Löwy, membro de uma corrente internacional da qual a DS é filiada, saudou a vitória de Lula em 2002 como um revide dos oprimidos, alegando que o Candidato vitorioso do PT não era o favorito da oligarquia financeira e tampouco da oligarquia brasileira, o que levou Coggiola a tecer a seguinte crítica:
[...] Que Lula não fosse o candidato preferido do FMI não significa que o Fundo não estivesse disposto a considerar favoravelmente a alternativa de um governo Lula, dada as devidas garantias, diante da completa crise de seus “preferidos” (não se controla o mundo apenas com os “preferidos”!). Foi exatamente o que o FMI fez, desde bem antes da vitória de Lula, ao
declarar sua satisfação pelo apoio dado por todos os candidatos ao acordo FHC-FMI, que viabilizou a vitória de Lula e que Löwy não podia ignorar. Quanto à segunda parte, Löwy parece ter uma idéia bem modesta do que seja a “revanche” (embora a revolução social não seja uma revanche!) por quatro séculos de escravidão e cem anos de exploração imperialista/capitalista. (COGGIOLA, 2004, p. 159).
Com a vitória de Lula em 2002, e com a formação do governo, a DS manteve dirigentes no governo Lula, chegando a ter Miguel Rosetto como ministro do Desenvolvimento Agrário.
O Partido Revolucionário Comunista, surgido em 1984, de uma cizânia no seio do PC do B, se concebia como uma corrente autônoma e que não se disciplinava por outras instâncias, a não ser a do seu partido:
a ação política que se guia por uma tática correta deve ser também uma ação organizativa, que não pode admitir qualquer dissolução frentista do PRC nem se submeter a outras instâncias dirigentes que não sejam as do nosso próprio partido.(...) Nem o PT nem a CUT se tornarão a alternativa operária e popular. (...) A intervenção na CUT e no PT visa reproduzir de forma ampliada a nossa política. (...) O PRC não alimenta falsas expectativas em relação a um papel estratégico revolucionário do PT. Trata-se de uma organização político-frentista, hegemonizada por posições reformistas, aprisionada nos marcos da ideologia burguesa dominante na sociedade. (DIRCEU; POMAR 1986 apud COUTO, 1995, p. 93).
O principal dirigente político do PRC era o deputado José Genoíno, que não via necessidade de seus militantes se submeterem às resoluções do PT. Além disso, considerava que o socialismo petista deveria ser denunciado. Com o desmoronamento do “Socialismo Real” e a ofensiva conservadora da década de 1990, agregada às vitórias eleitorais do PT, o PRC deslindou de um “marxismo-leninismo” para um gramscianisno “a la” Togliatti até assumir um liberalismo e se dissolver no PT, em 1989.
Para Couto (1995), eram as tentativas de se tornarem partidos dentro do partido que geravam o pomo da discórdia entre os agrupamentos e a corrente dirigente — a Articulação — pelo menos até 1992. Mais do que o PRC, à época, entretanto, o que causava mais sobressaltos à direção do PT era a Convergência Socialista, que posteriormente será excluída do PT juntamente com outra corrente trotskista, Causa Operária. (COUTO, 1995). Para o autor em foco, o próprio surgimento da corrente Articulação foi fruto da necessidade de setores hegemônicos no PT43
de se contrapor à
43 Couto (1995) inclui nesse bloco sindicalistas, líderes de movimentos populares e ex-militantes de
militância revolucionária das correntes de esquerda. Nessa perspectiva, é que surge, em 1983, em São Paulo, a Articulação dos 113, que recebeu esta denominação em razão do número de assinaturas que subscreveram seu documento fundacional. Nesse mesmo ano, esta corrente já debutava nos encontros partidários do PT. Para Silva (2001) a tendência se confunde com o próprio PT e,
[...] Sua política, suas teses, sua prática social e partidária dão tom ao partido. Detentora do controle da direção partidária, com o domínio da máquina burocrática, a maioria dos parlamentares e dos prefeitos, a ART é a principal responsável pela práxis petista, por suas formulações estratégicas, concepção de socialismo e modelo de partido. Não é exagero afirmar que a evolução do PT de confunde com sua trajetória. (SILVA, 2001, p. 2).
A Articulação, segundo o autor, surgiu com dois objetivos: combater as posições políticas que queriam diluir o PT numa frente oposicionista, como o PMDB, ou as posições que queriam um partido socialista sem trabalhadores, como o PDT; e combater as correntes organizadas no PT que mantêm uma posição marcada pela imprecisão em relação ao partido, ora vendo-o como um partido tático, ora confundindo sua organização com o PT.
A principal crítica que a ART fazia aos agrupamentos no interior do PT é que estes não obedeciam às instâncias internas, mas sim aos seus organismos. Vale ressaltar que a ART não se considerava uma tendência interna do PT, mas a própria constituição da ART instaura a bipolarização no partido — de um lado a ART e de outro lado os grupos minoritários. A partir daí, o petismo passou a significar militância na ART (SILVA, 2001).
A Articulação não se forjou sem crises. Houve rupturas e reagrupamentos, como a cisão que ocorreu em 1987, com o surgimento da Tendência Popular pelo Socialismo formada por lideranças como Eduardo Jorge, de São Paulo, e Virgilio Guimarães, de Minas Gerais.
Às vésperas do 5º Encontro Nacional do PT, a ART se reconfigura como uma corrente nucleada por Lula e sindicalistas, com a incorporação de setores da Igreja Católica e dirigentes da corrente O Trabalho.
No 1º Encontro Nacional, já sob o impacto da derrocada dos estados operários do Leste europeu e da onda conservadora deslanchada em torno desses eventos, o PT rechaça a bandeira da ditadura do proletariado e assume a defesa da democracia como valor universal. A Articulação foi uma das mais ardorosas defensoras deste transformismo, como se pode ver no editorial de um jornal brasileiro de grande circulação, ao traçar de forma sucinta a trajetória da articulação e do PT ao longo dos seus anos de existência.
Em 23 anos, no lugar de fazer a revolução que sonhava para o Brasil, o PT revolucionou a si mesmo (...) A metamorfose custou anos de discussões, mas lentamente a maioria do partido enrolou a bandeira do socialismo e adotou um programa moderado e nacionalista, sem rupturas e sobressaltos, dirigido a atrair o empresariado. Em fevereiro de 1980, o PT pedia a reforma agrária ampla sob o controle dos trabalhadores, a educação e a saúde pública e gratuita. A palavra socialismo ingressou oficialmente no vocabulário petista em 1981, introduzida por Lula no Primeiro Encontro Nacional do PT. O discurso esquerdista foi a marca do PT nos anos seguintes. Em 1985 atacou o que em 2002 se transformaria em sua própria bandeira: o pacto social. A flexibilização começaria antes das alianças com outros partidos. Em 1983, com o Manifesto dos 113, se propôs um projeto que blindasse a direção petista contra as organizações de esquerda que atuavam no partido. Foi o surgimento daquilo que se transformaria na moderada “Articulação Unidade e Luta”, que sustenta Lula até o presente. Por proposta do grupo, o PT mudou a consigna de “governo dos trabalhadores” para “governo democrático popular”, abrindo o terreno para as alianças (... ) Ainda mantinha posições históricas como o não-pagamento da dívida externa, a ruptura com o FMI e as estatizações. Foi com esse programa que Lula se candidatou a presidente em 1989. Em 1994 foi derrotado por Cardoso e seu Plano Real (...) Em 1998, tendo Brizola como candidato a vice-presidente, mas ainda longe do centro, Lula tentou um discurso a favor da estabilidade econômica. Abandonou-se a proposta de suspender o pagamento da dívida, mas o programa propunha ainda revisar as privatizações, um imposto sobre as empresas privatizadas e renegociar a dívida interna. Um erro que o PT não repetiu em 2002, quando definitivamente se vestiu de moderado, defendeu o pagamento das dívidas interna e externa, comprometeu-se a cumprir os contratos com as privatizadas e o acordo com o FMI. (JORNAL O ESTADO de S. PAULO apud COGIOLLA, 2004, p. 35-36).
O Trabalho, corrente trotskista que inicialmente rejeitou a militância no PT, defendeu a formação de sindicatos livres e associações livres nos idos de 1978 e início dos anos 1980, de acordo com Silva (s/d). Com o ascenso do movimento operário, porém, esta reexamina sua posição política e passa a defender a militância nos sindicatos. O Trabalho defendia a criação de um partido revolucionário independente dos trabalhadores. Quando surge a ideia de formar o PT, O Trabalho viu com desconfianças essa proposta, analisando que seria mais um partido que daria sustentáculo ao governo Figueiredo, mas, em 1980, mudará de posição política e passará a defender a militância no PT.
Segundo Silva (2001), a corrente O Trabalho passa a ver que não há incompatibilidade entre a direção do PT e a constituição do partido revolucionário. A Organização Socialista Internacionalista (OSI) que edita o jornal O Trabalho, ao militar no PT, busca associar-se à Articulação dos 113. Quando a Articulação lança seu manifesto,
em 1983, a OSI defende-o e sugere se integrar aos 113, mas é barrada. Mesmo com o veto, propõe-se defender a unidade em torno da Articulação e do Manifesto dos 113.
O curso da OSI foi de operar diversas tentativas de reaproximação da Articulação. Por conta dessa aproximação política com a Articulação, a CS criticou a OSI por ter capitulado ao PT e à sua corrente majoritária.
Em 1985, a Fração Quarta Internacional realiza seu 8º Encontro Nacional que contou com a presença de dirigentes e militantes da Articulação dos 113, da qual a Fração diz fazer parte, “publicizando” esta decisão. Apesar desta declaração da corrente O Trabalho, a ART excluiu os militantes da OSI das chapas formadas por ela nos encontros petistas.
Silva (2001) exprime que, no 9º Encontro da Fração Quarta Internacional, esta aprofundou seu processo de integração ao PT e mudou o nome de Fração para O Trabalho, enfatizando que se submeteria à disciplina do PT e, portanto, ao seu programa, já que via confluência programática entre suas posições e as da Articulação.
Causa Operária é outro agrupamento trotskista que militou no PT. Esta corrente política surgiu de uma cisão do Comitê de Reconstrução da Quarta Internacional. Um dos motivos da cisão foi a posição da OSI em defender a criação de sindicatos livres e não militar nos sindicatos existentes. Os militantes dissidentes são expulsos no II Congresso da OSI e em 1979 fundam a Organização Quarta Internacionalista (OQI) que edita o jornal Causa Operária. De acordo com Silva (s/d), desde o início, Causa Operária tentou influenciar nos rumos do PT e defendia a idéia de que o partido se estruturasse em comitês nos sindicatos e tivesse um programa classista. A CO tinha um pequeno número de militantes, mas bastantes aguerridos. Sua oposição à Articulação será um dos motivos que a levará à exclusão do PT, destaca Silva (s/d).
O Movimento Comunista Revolucionário (MCR) foi constituído em outubro de 1986, e foi o resultado de uma fusão entre o Movimento de Emancipação do Proletariado (MEP), da Ala Vermelha (AV) e da Organização Comunista Democracia Proletária (OCDP). O “Manifesto de Fundação” do MCR postula a unificação dos comunistas revolucionários brasileiros num só partido para o sucesso da revolução brasileira.
O MCR considerava que a constituição do PT requer a luta contra o basismo, o obreirismo e a prevalência das correntes autonomistas e sociais democratas. O MCR foi outra corrente que também se dissolveu no PT.
No PT, segundo Silva (s/d), também afluíram correntes e setores advindos do PCB, como alguns setores prestistas, e outros grupos que saíram do Partidão desgostosos com os rumos que este tomou. Regra geral, estes setores fizeram unidade com a Articulação e depois se integraram a esta corrente.
No próximo capítulo, será visto como um pequeno agrupamento — Liga Operária (LO) — que veio do exílio na Argentina, ensejou o surgimento de uma nova corrente trotskista no Brasil, seu papel na fundação do PT e da CUT, e o posterior rompimento com estes organismos e a formação do PSTU.
2 UM AGRUPAMENTO QUE SE FEZ PARTIDO: QUANDO A CONVERGÊNCIA