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Customer satisfaction and complaints

Part II........................................................................................................................................ 15

Module 1 Road transport and society

1.3 Working time provisions and driving time and rest periods for professional drivers 17

1.4.5 Customer satisfaction and complaints

Percebe-se, pelas falas, que a intervenção por si só foi muito bem avaliada pelo casal, demonstrando que a intervenção apresentou ganhos pessoais que podem perdurar para o período de educação da filha do casal que estava para nascer.

4 Discussão – Estudo 1

 

A intervenção proposta justifica-se pela magnitude dos riscos que estão envolvidos no caso de pais jovens. De acordo com a literatura, percebe-se que quanto mais jovem o casal se torna pai, maiores as dificuldades encontradas no que se refere ao campo profissional, já que muito frequentemente estes pais estão em condições de terem terminado o ensino seja médio ou superior, encontrando assim, maiores empecilhos para adquirirem empregos que possuam salários mais altos. Ainda, para que possam terminar seus estudos ou terem uma renda mensal compatível com suas necessidades, é preciso permanecerem um tempo diário relativamente alto fora de suas casas, e desta forma precisam ter por perto uma rede de apoio disponível. Pais jovens normalmente têm pais que ainda estão em atividade profissional, o que significa que não possuem o tempo livre que a aposentadoria proporciona e assim, torna-se mais complexa a função de ser avô e implica em um grande apoio social que não está tão disponível (Silva & Salomão, 2003). Além disto, há outros estressores como a insegurança no casamento, dificuldades com a fidelidade, e ainda, em assumir a paternidade, em prol da vida social, amigos, etc (Guimarães & Witter, 2007).

Mais especificamente, este casal ainda possui um histórico de violência, no caso do pai, de abandono e negligência e da mãe, violência psicológica. Tal histórico pode ressaltar a importância da intervenção com os mesmos. E pelos resultados, percebe-se que a violência psicológica sofrida pela mãe, além de seu repertório pessoal de como cuidar de crianças, proporcionou a princípio o resultado do abuso físico, sendo que esta respondeu

 

afirmativamente à questão do inventário CAP, a qual se relacionava com o assunto sobre bater (Item 129. Os pais devem castigar para controlar o comportamento de seu filho), que perdurou até a coleta de dados do follow-up.

Assim, agir para que estes pais desenvolvam um repertório mais assertivo em relação à criação de seus filhos pode se apresentar como uma maneira efetiva de prevenir os maus- tratos infantis.

Em relação aos resultados quantitativos encontrados podem ser discutidos os dados encontrados no KIDI. Percebeu-se que não houve diferença entre o pré e o pós-teste e follow- up em termos de escore geral para ambos participantes Pai e Mãe. Apesar de algumas mudanças nos escores das escalas, não houve nenhuma mudança muito grande, exceto pelo conhecimento de Saúde e Segurança do Pai no pós-teste. Além disso, é possível notar que exceto por Normas, o casal tinha um conhecimento prévio de 70%, no mínimo, sobre desenvolvimento infantil, o que representa um conhecimento bastante alto. Muito possivelmente esta condição se deva a ambos terem completado o ensino médio, bem como terem ingressado em cursos da área da saúde no ensino superior. Apesar de Pai estar perto da finalização do curso, Mãe realizou uma interrupção no início de seu curso.

Com relação aos resultados do CAP, percebeu-se que houve mudanças consideráveis em relação aos escores da Mãe, que apresenta uma diminuição no escore geral de Abuso. Em contrapartida, o escore geral de Abuso do Pai apresenta um aumento do pré-teste em relação às outras duas medidas, pós-teste e follow-up.

Ainda, pode-se afirmar que o casal depositou confiança na pesquisadora, uma vez que os índices de Mentira foram baixos, apesar de a coleta ter sido realizada por meio de entrevista. Ratifica-se que estes índices são adaptados para o Brasil. Dessa maneira, pressupõe-se que quando as respostas são faladas em voz alta, o participante deva querer fornecer a resposta esperada para a pesquisadora, o que indicaria um elevado índice de

 

Mentira, entretanto o que aconteceu neste caso foi um baixo índice, e presume-se, portanto, que o casal confiou respostas verdadeiras à pesquisadora. O vínculo que foi estabelecido entre os participantes e a pesquisadora tem influências como esta supracitada, em termos quantitativos nos resultados, contudo também influencia diretamente na proteção que pode ser sentida por este casal, de maneira a minimizar os fatores de risco e aumentar os fatores de proteção, sendo que a pesquisadora pode ser considerada uma rede de apoio ao casal neste momento de estresse.

Retomando o histórico dos participantes, cabe ressaltar alguns aspectos, discutidos a seguir. A Mãe relatou sofrer abuso psicológico de sua mãe, a qual proferia frases do tipo “Você vai ver quando eu morrer”, “Você irá se arrepender de não fazer isso por mim agora, porque um dia eu vou morrer”, “Agora que você saiu de casa, eu estou sozinha”. Mencionou ainda que sua própria mãe colocava sobre ela a responsabilidade sobre seu sofrimento. Inclusive que preferia ter sofrido abuso físico a passar por isto sempre e garante que nunca irá se comportar de maneira semelhante com sua filha. No Diário de Campo foi anotada uma situação em que foi realizado um exercício de relaxamento com o casal e após sua finalização, Mãe se lamentou muito pela relação conturbada com sua mãe, e se emocionou ao relatar como se sente. Uma hipótese para o resultado geral do pré-teste de Mãe é a consequência desta violência psicológica, maneira como sua mãe lhe agredia psicologicamente, sendo que o momento de coleta de dados do pré-teste coincidiu com a mudança da participante da casa dos pais, bem como com o casamento de Pai e Mãe no dia anterior à coleta. Este fato pode ter sido marcado pela simbolização efetiva do início da vida de casal e como futuros pais. Além disso, a gravidez foi inesperada, não planejada e não desejada, visto que quando o casal descobriu, eles estavam separados. Todos estes fatos podem estar relacionados com o estado do momento em que o casal estava passando, em especial a Mãe. Esse mesmo comportamento pode ser visto em quase todos os escores da Mãe, que diminuíram no pós-teste e no follow-up.

 

Além disto, mesmo com a intervenção, a Mãe relatou em todos os momentos da coleta, inclusive no follow-up, que usaria da prática coercitiva para disciplinar sua filha. Este dado é bastante interessante, pois apesar do histórico do abuso psicológico, a participante não teve histórico de abuso físico e relatou que caso necessário, usará a força física para disciplinar sua filha.

Percebe-se que os danos da violência psicológica se apresentaram com maior impacto em relação aos danos causados pela violência física, apesar de serem duas pessoas diferentes, que reagem diferentemente aos estímulos. Segundo autores (Jellen et al., 2001, Claussen et al., 1991) há forte relação entre a violência psicológica e abandono com a violência física, e ressaltam que muitas vezes a primeira pode oferecer maiores prejuízos ao desenvolvimento infantil em comparação à segunda. Ainda, entre suas consequências está a incapacidade de construir e manter relação interpessoal satisfatória, comportamento inapropriado e sentimentos frente a circunstâncias normais. Estas consequências talvez se associem à condição de a participante relatar a possibilidade de utilizar violência física contra sua filha, caso fosse necessário.

Em contrapartida, o Pai teve um histórico de abandono por parte de seus pais e sempre viveu com a avó. Segundo ele, seu pai não foi presente em sua vida e quando pequeno, seus pais discutiam muito em sua frente, desta forma, ele vivenciou a violência entre seus pais, e sempre que se comportava mal, ele era agredido pelos seus pais, e também por sua avó. Este participante disse que em nenhum momento usará da força física para disciplinar sua filha e que mesmo tendo apanhado quando criança, ele sabe o que é sofrer isto e que não quer que sua filha passe pelo mesmo. Além disto, sempre que possível, o participante se mostrava muito positivo em relação à vida e o que tem acontecido em sua história, e quando questionado sobre o exemplo de seus pais para ele, foi relatado que com os pais ele aprendeu o que não quer ser para sua filha. Ainda, sempre que sua parceira relatava a possibilidade de

 

se usar da força física contra a filha do casal, o participante em tom de brincadeira, alertava para o fato de ir contra esta posição da parceira e dizia que não permitiria que isto acontecesse. A sua maior referência é sua avó, que apesar de ter usado da força física algumas vezes contra ele, sempre foi uma proteção, uma fonte de carinho e cuidado. Segundo o participante, foi com quem aprendeu muito da vida e a quem dedica muito de seu esforço.

No que se refere ao Diário de Campo, foram anotadas questões que apareceram logo no primeiro encontro, em que por conta de uma questão disparadora do instrumento CAP, ambos relataram o medo de serem pais e ainda, Mãe admitiu seu medo de ter que se separar de Pai e ter que assumir os cuidados de sua filha sozinha. Schwartz, Vieira e Geib (2011) apontam, em seu estudo a respeito das inseguranças desta trajetória, que é importante que as mães adolescentes sejam inseridas em programas de saúde os quais possuam profissionais que formem vínculos com as mesmas em grupos de cuidado social, os quais proporcionem informações e cuidados, para que influenciem positivamente para uma gestação saudável.

Em relação à avaliação qualitativa da intervenção, o casal avaliou a intervenção com bastante positividade. Esses dados corroboram a literatura, que indica que projetos de intervenção com ênfase na prevenção de maus-tratos, na implantação de práticas parentais adequadas e suporte emocional devem ser desenvolvidos e avaliados. Em vários momentos o casal expressou o medo que sentiam em tornarem-se pais com a idade em que estavam e contaram não ser o que planejavam para o momento. Com o decorrer do curso foi percebido que eles se mostravam mais familizarizados com o assunto e sempre bastantes dispostos e motivados em participar da capacitação.