ROTEAMENTO (OSPF E IS-IS)
A arquitetura GMPLS estende os protocolos de roteamento OSPF e IS-IS (Figura 4.5) com o intuito de proporcionar às redes com múltiplos enlaces de diferentes tecnologias (time slots, comprimentos de onda e pacotes) a autodescoberta de sua topologia e a propagação da disponibilidade de recursos presentes nesta. Detalhes da implementação destas extensões para os protocolos OSPF e IS-IS são apresentados respectivamente em [45] e [46].
FIGURA 4.5: Extensões GMPLS para os protocolos de roteamento.
4.4.1 Capacidade de Proteção de um enlace
Torna-se desejável transportar a informação relacionada à capacidade de proteção de um enlace para que esta possa ser utilizada para a configuração de LSPs com características de 1) Propagar o tipo de
proteção de um enlace
Extensões GMPLS para os Protocolos de Roteamento
2) Suporte para enlaces não numerados (Support for unnumbered link) 3) Descritor da Capacidade de Comutação de uma Interface (Interface Switching Capability Descriptor) 4) Informação de Grupo de
Enlaces com Risco
Compartilhado (Shared Risk Link Group Information )
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proteção específicas. Os tipos de proteção são, assim, os mesmos utilizados pelos protocolos de sinalização, descritos no Apêndice III. Ou seja, proteção estendida (Enhanced), proteção dedicada (dedicated 1+1), proteção dedicada (dedicated 1:1), proteção distribuída (shared), sem proteção (unprotected) e extra tráfego (extra traffic). A função de informar a capacidade de proteção de um enlace é opcional.
4.4.2 Suporte para enlaces não-numerados (Support for unnumbered links)
Enlaces não-numerados são enlaces ponto a ponto, não identificados por endereços IP. Os protocolos de roteamento necessitam de um identificador para serem capazes de representá-los. Cada um dos LSRs presentes nas extremidades de um enlace não-numerado designa um identificador de 32 bits. A Figura 4.6 apresenta um enlace não-numerado entre os LSRs A e B. O LSR A escolhe um identificador para o enlace de interesse (42), B executa o mesmo procedimento (70). Da perspectiva do LSR A, o identificador por ele designado para o enlace denomina-se identificador de enlace local (LLI-link local identifier) e o identificador designado por B para o enlace chama-se identificador de enlace remoto (LRI-link remote identifier). O suporte a enlaces não-numerados inclui, assim, a troca de informações sobre os identificadores deste enlace. Esta troca pode ser realizada por meio dos protocolos de roteamento OSPF e IS-IS, pelo protocolo LMP ou pelos protocolos de sinalização RSVP [47] e CR-LDP [48].
A redução de esforços de gerenciamento de endereço IP através da aplicação deste fundamento torna-se um aspecto muito significativo, especialmente no contexto de redes ópticas, nas quais pode existir uma grande quantidade de enlaces entre nós.
4.4.3 Descritor da Capacidade de Comutação de uma Interface (Interface Switching Capability Descriptor)
No contexto GMPLS, um enlace é conectado a um nó por uma interface, a qual pode apresentar diferentes capacidades de comutação. Por exemplo, uma interface conectando um enlace a um nó pode ser capaz de comutar pacotes e não ser capaz de comutar comprimentos de onda. A cada interface é associado um descritor de sua capacidade de comutação (ISCD- interface switching capability descriptor) [49], sendo este descritor propagado pelos protocolos de roteamento e utilizado na computação de um caminho através da rede. Como visto anteriormente, os tipos de comutação possíveis para uma interface são:
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FIGURA 4.6: Suporte a enlaces não numerados com os identificadores (32 bits) locais e remotos.
1. Capacidade de comutar pacotes (packet-switch capable)
Um nó recebendo dados nesta interface pode comutá-los com base no rótulo transportado em seu cabeçalho;
2. Capacidade de comutar dados com base na camada 2 – L2SC (layer-2 switch capable) Um nó recebendo dados nesta interface pode comutá-los baseado no endereço da camada 2. Uma interface associada com um enlace terminando em um comutador (switch) ATM pode ser considerado um exemplo deste tipo de comutação;
3. Capacidade de multiplexar time-slots (time-division multiplex capable)
Um nó recebendo dados nesta interface pode multiplexar ou demultiplexar canais dentro de uma hierarquia SDH-SONET;
4. Capacidade de comutar comprimentos de onda (lambda-switch capable)
Um nó recebendo dados nesta interface pode reconhecer e comutar comprimentos de onda individuais;
5. Capacidade de comutar fibras ópticas
Um nó recebendo dados nesta interface pode comutar o conteúdo inteiro de uma fibra óptica para outra, sem distinguir comprimentos de onda, time-slots ou pacotes. A uma
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interface deste tipo não é permitido extrair um comprimento de onda individual e comutá-lo;
Uma interface pode ter mais do que um descritor de sua capacidade de comutação (ISCD), sendo este processo usado para lidar com interfaces que suportam múltiplas capacidades de comutação. Por exemplo, considere um enlace de fibra óptica transportando um conjunto de comprimentos de onda, os quais têm como ponto final um LSR cuja interface pode comutar um destes comprimentos de onda para um canal óptico de saída ou pode extrair (demultiplexar) os dados deste comprimento de onda usando intervalos de tempo (time-slots) e então comutá-los para uma saída utilizando a multiplexação por divisão de tempo (TDM).
4.4.2 Informação de Grupo de Enlaces com Risco Compartilhado (Shared Risk Link Group Information )
A função de informar o grupo de enlaces com risco compartilhado é opcional. Um conjunto de enlaces constitui um grupo de enlaces com risco compartilhado (SRLG - shared risk link group) se compartilham um recurso cuja falha pode afetar todos os enlaces do conjunto. Por exemplo, duas fibras ópticas instaladas em um mesmo duto podem estar no mesmo SRLG. Um SRLG é identificado por um número de 32 bits que é único dentro do domínio de um protocolo de roteamento. Esta função pode ser empregada para a configuração de caminhos de backup. Tais caminhos não devem compartilhar os recursos pertencentes aos enlaces, para os quais funciona como proteção. Em outras palavras, os enlaces utilizados pelos caminhos de backup não devem possuir o mesmo SRLG dos enlaces que funcionam como proteção.