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Contradicciones en la comunicación ambiental

In document Marketing y cambio climático (sider 21-25)

1.1. Interrogações e objetivos

O sistema EFA oferece às pessoas a possibilidade concreta de engajar-se voluntariamente num processo que visa o desenvolvimento do meio, através da formação dos jovens. O que realmente atrai nesse sistema? O que realmente as pessoas que se engajam no processo enxergam e o que torna o sistema aparentemente tão dinâmico e participativo? Até que ponto prevalecem interesses particulares ou coletivos no engajamento/voluntariado das pessoas? O sistema EFA permite aos adultos um crescimento e que tipo de crescimento? Este crescimento terá um efeito concreto no engajamento em outras ações, fora da EFA? O engajamento na EFA leva as pessoas a se sentirem responsáveis por ela e a assumirem a sua gestão? O sistema permite que os agricultores(as) de fato tomam decisões que influenciam a gestão da EFA, garantem o seu funcionamento e assegurem a sua continuidade? O que favorece ou limita a participação das pessoas no processo? O que impede a autonomia/tomada de poder e favorece a dependência do meio de fatores e estruturas externas dominantes?

No meio de tantas interrogações em relação ao sistema EFA, escolho aquelas que dizem respeito ao crescimento das pessoas engajadas no seu processo, à sua autoformação: será que acontece ou aconteceu? Esta autoformação desemboca numa participação e maior responsabilização nos destinos da Associação? Contribui e como para o desenvolvimento sustentável e solidário da região?

A razão de querer pesquisar mais a fundo a questão do papel do sistema EFA no processo de autoformação das pessoas reside no fato de querer descobrir elementos que possam favorecer o processo, fazendo com que haja uma participação maior, mais consciente e mais decisiva dos(as) agricultores(as) em todo o processo de desenvolvimento rural sustentável.

Os objetivos que pretendo alcançar são os seguintes:

a. Compreender o processo de autoformação das pessoas responsáveis das EFAs;

b. Identificar neste processo o papel do Movimento EFA e outros elementos que nele contribuem;

c. Descobrir a articulação entre autoformação e participação no meio sócio- profissional;

1.2. As questões ao redor do problema:

- Como o Movimento EFA contribui efetivamente nas escolhas de organização do agricultor:

• O que um agricultor aprende através de seu engajamento concreto numa EFA? (tomada de responsabilidade)

• Como este agricultor se formou? (entre outras coisas como responsável de EFA).

- Até que ponto a autoformação contribui com o desenvolvimento sustentável?

Com este estudo, quero compreender melhor como as pessoas se auto-constroem ou não através do projeto EFA. Porque existem contradições: de um lado existe um voluntariado para o desenvolvimento e de outro lado a manutenção paradoxal do analfabetismo, da dependência e do conformismo. Precisa analisar melhor as dimensões conflituais no processo de autoformação: as influências do hetero no mesmo através de pessoas e instituições. Porque e como, apesar das boas intenções, nem sempre se reconhece e se valoriza o que está acontecendo nas pessoas, podendo abrir espaço para a manipulação. Axel Honneth diz que tem três esferas de reconhecimento: privada, com a história, os conflitos, a violência, que representa a confiança em si; os outros (próximos), com a

de direito, significando justiça nos direitos de moradia, trabalho, salário, representando o

respeito de si. Estas esferas de reconhecimento com os vários elementos da confiança, da

estima e do respeito de si, segundo Honneth, favorecem a participação. (Couceiro, Cp. II, pp 43-44).

Gostaria de compreender melhor o paradoxo da dominação na emancipação. A tomada de responsabilidade, a autonomia, a iniciativa, as aprendizagens novas, o reconhecimento e a valorização das aprendizagens em relação ao poder, à autoridade, apontam este paradoxo. Ligações entre responsabilização e desapropriação, autonomia e dependência, interiorização e exteriorização devem ser descobertas e compreendidas melhor a partir do que os próprios agricultores dizem: aquilo que pode confirmar ou acrescentar algo: analisar, alargar, emergir e compreender.

Existem alguns pressupostos sobre o problema e a situação em que se inscreve. Um deles reside no fato que o elemento hetero pode querer, em determinadas situações, impor-se ao sujeito em autoformação (no caso o agricultor responsável pela EFA). Sabe-se que a relação da dimensão de coformação (auto + hétero) é sim acompanhar e não tomar o lugar do outro, senão pode-se cair facilmente na imposição, às vezes intencionalmente. Acompanhar significa caminhar com o outro, o que supõe uma proximidade em que existe troca, interação, empenho mútuo, devendo sustentar e sublinhar o que o outro “executa”, rompendo com a lógica de poder entre formador e formando: só a relação dialógica pode sustentar a função de acompanhamento que segundo Christine Josso requer “capacidade de negociação, de animação e de introdução de informação e de ajustes nos processos, lidando com a incerteza e a complexidade” (Couceiro, p. 81).

Outro pressuposto está no entendimento do voluntariado exercido pela pessoa (agricultor(a) responsável pela EFA) em processo de formação/autoformação. Afinal de contas, o(a) agricultor(a) tem atividades que o(a) impedem estar presente sempre e tomam-se decisões importantes sem ele(a), dificultando certamente o seu processo de autoformação. Afinal, é

ou não é responsável pela EFA ? A contradição nos torna doentes, mas o paradoxo nos torna doidos, pode atingir a saúde mental.

Partindo do pressuposto que existem saberes de natureza diferentes, de fontes diferentes e que a experiência em si é muito pouco valorizada, como trabalhar com estes saberes experiênciais dessas pessoas para que elas possam apropriar-se deles como algo que possam expressar.

Precisa trabalhar a experiência como uma prova de algo novo e como um “ter experiência”: uma tomada de responsabilidade é uma prova (teste) que permite “dar a prova”, demonstrar. O estatuto dado à experiência das pessoas, reconhecido na vida, atribui um lugar seja de experimentado (experiente), seja de ignorante, que Piaget define como “salto cognitivo por assimilação ao contrário da acomodação”.

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