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A escola na qual desenvolvemos o projeto pertence à rede municipal de ensino do município de Santa Luzia do Pará, nordeste do Estado. A ocupação do território que compõe que hoje compõe esse município ocorreu a partir do início da construção da rodovia federal BR 316, que liga os estados do Pará e Maranhão.

Antes de alçar à categoria de município era a Vila Santa Luzia. A sua emancipação político-administrativa ocorreu com base na lei estadual nº 5688, de 13-12-1991, desmembrando-se de Ourém e configurando-se com sede administrativa própria a partir de 01-01-1993. De acordo com o IBGE, possui uma população de 19.348 e uma densidade demográfica de 14,32 hab/kim². No que diz respeito as atividades econômicas, destacam-se a agropecuária, a agricultura familiar e o extrativismo vegetal.

Nesse contexto, a escola campo da pesquisa situa-se na sede administrativa do referido município, a qual possui apenas cinco turmas: dois 6º anos, um 7º, um 8º e um 9º ano, somando 188 alunos matriculados, em uma média de aproximadamente 37 alunos por turma.

Essa instituição escolar pertencia à rede estadual de ensino, porém em razão da municipalização, em 2000, o Ensino Fundamental passou a ser responsabilidade da gestão municipal, de maneira que o governo do estado passou a responsabilizar-se apenas pelo Ensino Médio. Assim, foi criada, do ponto de vista legal, às pressas, uma nova escola de Ensino Fundamental, pertencente à rede municipal, com um outro CNPJ, um outro conselho escolar, para funcionar, em um primeiro momento, nas dependências desse prédio do governo do estado, uma vez que ainda não era possível, segundo o gestor municipal da época, a construção, a curto prazo, de um novo prédio para a nova instituição escolar que teria a responsabilidade de oferecer o Ensino Fundamental, na época, de 5ª a 8ª séries. Por isso, são duas escolas no mesmo prédio, com duas diretoras e dois conselhos escolares.

Nesse sentido, naquele momento, em 2000, o Ensino Médio estava ainda em fase de ampliação, de modo que havia turmas do Ensino Fundamental nos três turnos. No entanto, à

medida que o Ensino Médio ampliou-se, as turmas do fundamental foram diminuindo e ficaram apenas essas cinco turmas no turno da manhã.

Essa foi a primeira escola no município, tendo 48 anos de existência, e, no momento, a discussão entre a comunidade e o gestor municipal é se será construído um prédio para a escola, ou o estado construirá um novo prédio para a escola de Ensino Médio e doará o prédio atual para o município. Há, recentemente, uma negociação entre o gestor municipal e o governo do estado na tentativa de resolver esse impasse. Existe uma discussão a esse respeito não porque a instituição tem uma história no município, mas porque a própria Rede Municipal precisa de mais salas de aula para atender à crescente demanda de alunos, de forma que não pode abrir mão dessa escola. Por isso também a insistência, ao longo dos anos, por parte dos gestores municipais, em não fechá-la.

Enquanto não se resolve o impasse, a escola funciona com um quadro de 13 professores, 02 de Língua Portuguesa, 19 servidores de apoio, uma diretora e uma coordenadora pedagógica. Para desenvolver suas atividades, a referida escola conta com um repasse anual do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) que este ano foi R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais). O valor do PDDE já foi muito maior, mas à medida que o número de alunos diminuiu, o valor do repasse ficou muito menor. Além dessa verba, tem o suporte financeiro oferecido pelo município.

Um aspecto positivo de duas escolas funcionarem em um mesmo prédio é que as duas instituições recebem repasses do governo federal, municipal e estadual e, em comum acordo, empregam na escola, o que garante uma infra-estrutura razoável e uma boa aquisição de materiais pedagógicos e de equipamentos eletrônicos. Nesse sentido, dispomos de três datashows, duas caixas de som amplificadas e dois notebooks para utilizarmos em sala de aula.

Para além disso, no que se refere à infra-estrutura, temos um laboratório de informática, em média com 08 computadores em pleno funcionamento, um professor-instrutor para auxiliar os alunos em suas pesquisas, uma sala multimídia e uma sala de leitura conjugada com a biblioteca escolar. Essa biblioteca é um espaço razoável de 84 metros quadrados, com algumas estantes com livros e seis mesas destinadas a servir aos alunos em suas pesquisas e leituras.

Ainda no que diz respeito a esse espaço pedagógico, é importante destacar que há sempre um servidor para atender aos estudantes com relação ao empréstimo de livros. Os

empréstimos ocorrem no horário de funcionamento das aulas por meio de uma ficha cadastral, com prazo máximo de sete dias para a devolução da obra, renovável por mais sete.

Quanto à frequência dos alunos à biblioteca, são poucos os estudantes que frequentam esse espaço e menos ainda os que levam livros emprestados para lerem em casa, informação comprovada a partir da aplicação de um questionário. Esse fato é lamentável, uma vez que o acervo da biblioteca é muito bom, pois além dos livros que o Ministério da Educação envia à escola todos os anos por meio do Programa Biblioteca na Escola (PBE), há a “Coleção Literatura em Minha Casa”, a qual é composta por um número significativo de obras. Diante desse contexto, desenvolvemos esse projeto de intervenção pedagógica na turma do 9º ano do Ensino Fundamental com a finalidade de possibilitarmos, em sala aula, a leitura do texto literário e a possível formação de uma comunidade de leitores.