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Consequences for the field of biblical exegesis

Ao aprofundarmos, cada vez mais, na pesquisa em torno do estudo das narrativas de vida escritas pelos adolescentes estudantes repetentes do 6º ao 9ºano do Ensino Fundamental, a temática do laço social se apresentou, configurando-se neste sexto subeixo.

A propósito, reportamo-nos ao conceito de laço social tendo como aporte epistemológico a teoria psicanalítica, de acordo com os estudos realizados tanto por Freud (1913, 1921, 1930) como por Lacan (1969-1970, 1972). Assim, subscrevendo esses estudiosos ao compreendemos que o laço social pode ser entendido como a ligação, o vínculo que possibilita ao sujeito a identificação do outro como um similar, proporcionando um convívio factível com o próprio sujeito e as instâncias coletivas do inconsciente e da dimensão institucional.

Uma vez que as articulações desse sujeito, nesse processo de ressignificação de si mesmo, encontram-se entrelaçadas e se deixam perceber por meio de suas ações, gestos e expressões tanto em seu universo singular quanto no coletivo, estar com o outro, estabelecer o laço social não se trata de uma necessidade inata, ela vem dos outros. E, para o processo da adolescência, é parte importante para a organização de sua subjetividade. O adolescente carece desse outro, desse laço com o outro para também se compreender. Nesse intuito, Kupfer e Petri (2000, p. 113) assinalam que:

Viver com os outros é o que constitui e tece de modo estrutural a teia e o tecido de um sujeito. Se algo na história de uma criança a está impedindo de enodar com o outro, de fazer laço social, então buscar o reordenamento simbólico desse sujeito, tratar dele é, entre outras coisas, levá-lo mais uma vez à trama social. Ao meio da rua, à escola.

Assim, a adolescência, ratificando as ideias de Blos (1998), é tempo potencial para o desinvestimento dos objetos amorosos familiares e para o investimento na busca do outro e de novos objetos, como o amigo, que passa a ocupar uma significação acentuada na subjetividade do adolescente. Nessa direção, estes fragmentos de narrativas são representativos:

EMMO, 15 anos, 8º ano – Eu tenho muitos amigos na minha opinião eu não tenho

um amigo que eu gosto muito, meus amigos da minha turma, todos ficam se zoando, mas sem perder a amizade.

HD, 15 anos, 8º ano – não gosto de falsidade eu tinha vários amigos onde eu morava

aqui eu não tenho ninguém.

HR, 16 anos, 8º ano – meus amigos, tenho muitos, mas ao mesmo tempo poucos, uns

que reprovou eu conheci ano passado o M… e tem o que cresceu comigo e é meu irmão de consideração é chamado D e esses são os amigos de HR.

JAOL, 17 anos, 9º ano – Uma das coisas que eu não gosto é de quando alguém fala

ou faz mal para quem eu amo. Eu tenho amigos mais tenho um que eu sou muito apegada.

JSC, 14 anos, 8º ano – Eu gosto de… sair com meus amigos, tenho 3 amigas e 2

amigos que são os melhores do mundo.

Esses escritos dos estudantes adolescentes em torno do lugar dos amigos na constituição de sua subjetividade nos remetem a refletir, também, o que Lesourd (2004) nos lembra quanto à adolescência, quando nessa se inscreve um trânsito entre o discurso infantil, dirigido até então na infância ao Pai, para os discursos sociais referidos ao Outro social. Nesse transitar se impõe, inexoravelmente, uma significativa permutação entre essas duas formas de referência, ou seja, o Pai e os Outros, exigindo uma nova organização tanto psíquica como da relação do sujeito com o mundo, e é nessa passagem que os amigos ocupam importância singular na subjetivação do adolescente.

Podemos inferir, reportando Freud (1914), que do seu universo infantil o agora adolescente começa a avistar e desejar descortinar um mundo para além das paredes do seu quarto. Nesse movimento o acesso as descobertas são inevitáveis e desestabilizam os conceitos a respeito do Pai. Esse passa a não ser o mais poderoso, sábio e super-herói; aloja-se a insatisfação, a crítica, os valores da sociedade são questionados e, naturalmente, se engendra um desligamento do Pai. É nesse processo que os amigos se instalam como grandes referências e se tornam o grande outro admirado.

Como já reiterado, na pesquisa procuramos realizar um estudo tendo como sujeito o estudante adolescente com histórico de reprovação não pelo viés dos números, da estatística. Não que esses não sejam importantes, mas escolhemos um olhar para a constituição da subjetividade desses sujeitos, que, independentemente do número de vezes de repetência nos anos finais, têm seu percurso escolar interrompido pela via da reprovação. Fomos a campo para aprender como esses meninos e meninas tecem suas subjetividades da adolescência nesse espaço institucional.

Vale relembrar, como já narrado na minha memória no início desta tese, ao trabalhar com estudantes com longo histórico de repetência no Ensino Fundamental, fui inúmeras vezes tomada pela angústia e pela impotência pedagógica, e o caminho que trilhei, no qual construí, diária e sofridamente, algumas possibilidades, foi não inicialmente o da via do conteúdo oficial obrigatório do programa curricular, mas o de primeiramente saber quem eram aqueles sujeitos,

para saber do que eles precisavam e só assim aprendermos juntos como iríamos fazer isso pedagogicamente para enfim alçarmos o currículo prescrito pela Secretaria de Educação.

Assim, eleger a narrativa de vida escrita como o nosso principal dispositivo de escuta desses sujeitos foi o caminho mais próximo para acessarmos as subjetividades desses adolescentes estudantes com marcas de repetência nos anos finais, 6º ao 9º ano, do Ensino Fundamental. E eles generosamente nos apresentaram contribuições importantes no sentido de pensarmos uma escola que ampare o humano no seu tempo da adolescência. Como já pontuamos, essas narrativas indicaram três eixos com elementos significativos que, possivelmente, podem ser potencializadores no sentido de compreendermos um pouco mais esse trânsito no universo escolar do estudante em situação de repetência que vive o seu processo subjetivo da adolescência e, concomitantemente, constitui a sua identidade de estudante.