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A pesquisa foi realizada na Universidade de Brasília, nos primeiro e segundo semestres de 2007. O foco de investigação foram duas turmas de “Ensino de Ciências e Tecnologia”. A pesquisa exploratória foi realizada em turma do período noturno, com início no dia 13 de março de 2007 e término no dia 28 de junho de 2007. A turma era composta por 25 alunos e, desses, quatro acabaram desistindo ao longo do semestre. O horário das aulas era das 19h às 20h40, às terças e quintas-feiras, perfazendo um total de 32 aulas.

A segunda turma pesquisada foi uma do período vespertino e era composta por 18 alunos. Houve apenas uma desistência ao longo do semestre. As aulas iniciaram um pouco mais tarde do que o habitual, em razão de uma greve dos funcionários administrativos da universidade. Assim, as aulas se iniciaram no dia 03 de setembro de 2007 e se encerraram no dia 17 de dezembro de 2007. O horário das aulas era das 14h às 17h40, às segundas-feiras, perfazendo um total de 32 aulas.

É interessante contextualizar a disciplina escolhida para investigação dentro do Currículo de Pedagogia dessa universidade, justificando o porquê dessa opção.

O currículo do Curso de Pedagogia, diurno, da Faculdade de Educação dessa universidade entrou em vigor no 2º semestre de 1988. Após um processo de reformulação, somente em 1994, entrou em funcionamento o curso noturno de Pedagogia, oferecendo uma única habilitação em magistério. Novamente novas modificações curriculares se fizeram necessárias. Após inúmeras discussões, em 2003 foi aprovado um novo Projeto Acadêmico para o Curso de Pedagogia, com novo currículo e é o que atualmente está em vigor. O curso tem duração média de 4 anos, podendo ser por tempo maior respeitando as condições de vida e trabalho dos alunos ou imperativos sócio-institucionais (UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, 2003, p. 13). Sua proposta pretende

(...) dar conta da fase inicial da construção da identidade profissional do pedagogo e por isso, oferece ao futuro profissional as oportunidades e meios para a progressiva estruturação da sua identidade que ele deverá continuar elaborando e remodelando no decorrer do Curso e depois ao longo de sua carreira (idem,2003, p.16).

Para que esse objetivo seja alcançado, o Projeto Acadêmico prevê um fluxo curricular em que se assegurem componentes obrigatórios que remetam primeiramente às Ciências Pedagógicas propriamente ditas (metodologias e processos pedagógicos: currículo, programas, organização do trabalho docente, didática, avaliação, alfabetização); segundo, às Ciências da Educação (Sociologia, Antropologia, Psicologia, História, Economia, Ciência Política, Filosofia, entre outras disciplinas); finalmente, aos estudos de ordem organizacional e administrativa.

O Projeto Acadêmico é composto, assim, por três pólos bem demarcados. São eles:

1º - O pólo da práxis, alimentada por projetos. Esses projetos são considerados indispensáveis do ponto de vista da formação profissional e epistemológico e consistem de:

(...) atividades orientadas, de observação, de regência, de investigação, de extensão, de busca bibliográfica, e tendo como referencial a vida concreta das organizações onde os fatos e as situações educativas acontecem, seja em unidades escolares, seja em programas de formação nas mais diferentes organizações, espera-se que os ditames da práxis sejam suficientemente provocadores para romper com os esquemas rígidos nos quais tende a fechar-se uma concepção disciplinar que tende a reificar-se burocratiamente (UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA,

É na dinâmica desses projetos, assumindo uma articulação prático-teórica, que se inclui a pesquisa. Busca-se por meio dela superar a concepção de estágios supervisionados ao final do Curso à medida que é vista como um processo “orgânico de acompanhamento e vivência dos processos educativos tal como se desenvolvem nas organizações, escolares e não escolares” (idem, 2003, p. 15). Sob um ponto de vista mais operacional, os projetos são desenvolvidos em áreas temáticas diferenciadas, envolvendo diferentes professores; articulam ensino, pesquisa e extensão e; são vivenciados do primeiro ao último semestre do curso de Pedagogia, culminando em um Trabalho Final de Curso.

2º - O pólo da formação pedagógica, composto pelos estudos de Linguagem, Matemática, Ciências Naturais e Ciências Sociais, Arte-Educação, Organização do Trabalho Docente, Processos de Alfabetização e processos de Administração da Educação, permitindo o exercício das funções docentes para os anos iniciais de escolarização de crianças, jovens e adultos;

3º - O pólo das Ciências da Educação que oferecem aos futuros pedagogos “marcos teóricos-conceituais mais amplos, indispensáveis para a interpretação e a elucidação das práticas educativas (pedagógicas e/ou gerenciais)” (UNIVERSIDADE DE BRASILIA, 2003, p. 14)

Analisando o fluxo curricular do curso de Pedagogia, percebe-se que os alunos têm de cursar matérias obrigatórias, optativas e os projetos. Identifiquei, assim, que no terceiro período (semestre) é sugerido ao aluno que curse a disciplina de Ensino de Ciências e Tecnologia, dentro do espaço curricular obrigatório. No espaço curricular optativo é oferecida, no segundo período, a disciplina “Fundamentos da Educação Ambiental” e no sétimo, “Ensino de Ciência e Tecnologia 2”. No espaço curricular optativo fora do fluxo, foram previstas as disciplinas “Educação/Gestão Ambiental“, “Tópicos Especiais em Educação Ambiental: experiências pedagógicas alternativas” e “Tópicos Especiais em Ensino de Ciência e Tecnologia”.

Cabe ressaltar que quando fui escolher a disciplina para minha investigação no primeiro e segundo semestres de 2007, somente as disciplinas “Ensino de Ciências e Tecnologia I”, obrigatória, e “Fundamentos da Educação Ambiental”, optativa, foram oferecidas. Isso limitou minhas possibilidades de seleção para essa pesquisa. O motivo para que não se ofertasse nenhuma outra disciplina optativa, projeto ou até mesmo disciplinas consideradas complementares fora do fluxo curricular, foi a falta de

professores para ministrá-las. Escolhi, assim, a disciplina de Ensino de Ciências e Tecnologia por conhecê-la quando a cursei na graduação e por oferecer em seu programa maiores possibilidades de investigação, mais próximas de meu objeto de pesquisa.