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Fonte: Cadernos de Estudos Regionais do NDIHR. Pesquisa e elaboração do quadro pela autora.

As 80 páginas que constituíram a primeira publicação foram ampliadas nas edições seguintes, e número varia entre 188 e 329 páginas. A partir do segundo número, a encadernação em forma de brochura com grampos foi substituída pela encadernação com costura; cada número apresenta uma capa de cor diferenciada e com ilustração que resgata uma imagem do período colonial da história paraibana. Segundo as informações localizadas no verso da capa, utilizou-se a gravura intitulada “Antonio Peres Calhão, através de grandes perigos, vai socorrer o Forte de Cabedello, chave da Província de Parahyba, no anno de 1634” para ilustrar a capa dos Cadernos de números 2 ao 5, em substituição à igura geométrica que compôs o primeiro número.

Os Cadernos de Estudos Regionais, a partir do número 2, apresentam uma epígrafe, que ilustra o pensamento da História-processo, da História-vida. No segundo volume, tem-se a seguinte epígrafe de Godinho (1979)11: “Existe, portanto, uma história viva, que não é o estudo do passado para reviver o passado, mas o estudo do presente iluminado pelo passado”.

10 Os Programas permanentes do NDIHR foram pensados no período da implantação, mas só foram colocados no Regimento em 1997. Os Programas permanentes do NDIHR foram pensados no período da implantação, mas só foram colocados no Regimento em 1997. 11 Vitorino Magalhães Godinho foi professor universitário, historiador e cientista social português. Vitorino Magalhães Godinho foi professor universitário, historiador e cientista social português.Vitorino Magalhães Godinho foi professor universitário, historiador e cientista social português.

O trabalho de pesquisa proposto pelo NDIHR tem relação com o que expressa essa epígrafe. Segundo o Projeto de implantação do NDIHR, sua proposta inicial consiste em

[...] compreender o estagio atual do processo histórico da região nordeste de modo a induzir uma política, social, cultural e educacional para a região, considerando-se dois problemas: a falta de uma historiograia sistemática e cientiica na região e, pré-requisito do problema anterior, a precariedade das fontes capazes de gerar essa historiograia (dispersão, desconhecimento, destruição, apropriação privada, etc.). (IMPLANTAÇÃO [1975] p. 33-35) Com a reformulação, o primeiro número da Série Documentação, organizado pelo Programa de Documentação e Memória, recebe o título Arrolamentos de Acervos Cartoriais

para a História da Paraíba. Na apresentação desse número, a coordenadora do NDIHR Silveira

(1979) revela os objetivos do NDIHR e a importância desse tipo de fonte histórica que, até então, tinha sido pouco utilizada.

Uma das metas permanentes do Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional, da Universidade Federal da Paraíba, é seu Programa de Documentação, no sentido de possibilitar aos estudiosos em geral a localização e acesso às fontes de Historia Regional, que lhe permitam análises mais fundamentadas da realidade regional. [...] Nesse intuito, considerou-se necessário, a bem de valorizar o material arrolado, situá-lo no contexto da História paraibana e dimensioná-lo enquanto documentação para a pesquisa histórica, estruturar uma série de estudos subsidiários, que compõem esse número do Caderno de Estudos Regionais, estudos esses elaborados por vários pesquisadores do NDIHR. [...]

O primeiro artigo apresenta a importância das fontes depositadas nos cartórios para o estudo da História, em particular de uma História social, ainda pouca trabalhada no país, sobretudo nos aspectos do cotidiano. E

adverte para a pouca utilização que a historiograia brasileira faz dos

repertórios documentais dessas entidades [...] (SILVEIRA, 1979, p. 9-11, Grifo nosso).

Essa pesquisa, que nasceu da necessidade de se realizar um levantamento de fontes cartoriais sobre a História da Paraíba, para a elaboração da Dissertação de Mestrado da Professora Galliza (1979), do Departamento de Filosoia e História da UFPB, integrou-se plenamente aos objetivos do NDIHR. A publicação dos Cadernos de Estudos Regionais nº 2 é o resultado da pesquisa sobre o arrolamento dessas fontes, feito pela docente e por duas bolsistas, sob o patrocínio do NDIHR. O estudo dissertativo da referida professora teve como título O Declínio

da Escravidão na Paraíba. Essa publicação demonstra que o NDIHR elaborava projetos,

dava apoio à pesquisa e garantia que os resultados fossem divulgados, para fazer jus aos seus objetivos fundamentais.

O primeiro número da Série Monograia é o terceiro dos Cadernos de Estudos

Regionais e trata da temática Economia Pesqueira do Nordeste. Tem em sua epígrafe

o pensamento do geógrafo francês, especialista em Geograia marítima, oceanograia e socioeconomia da pesca, Marie Jean André François Doumenge, que airma: “Nem todas as civilizações mostraram igual aptidão para viver em simbiose com o mar” (DOUMENGE, 1980, p. 5). Os estudos que o NDIHR fez sobre a economia pesqueira do Nordeste mostram que essa simbiose implica uma inter-relação, de forma íntima, entre natureza e sociedade dos organismos envolvidos (mar e homem). No Nordeste, essa simbiose ocorre pela necessidade de sobreviver do homem.

Em sua apresentação, Barros (1980, p.10) reairma os objetivos básicos do NDIHR: Se, em razão do exposto, as informações pertinentes à realidade regional vierem a ser objeto de análises críticas, as equipes interdisciplinares responsáveis e atuantes no NDIHR só haverão de enriquecer-se e, por isso mesmo, agradecerem reconhecidas. Norteia a todos o princípio de que a produção cientíica gerada está longe da pretensão de verdade inda, acabada. O que se produz deve ser exposto à crítica como (sic) abertura de discussão; deve ser revista e, quiçá, em médio prazo, superada.

Preencher as lacunas porventura existentes na História Regional e ao mesmo tempo, revisar temas relevantes tratados de modo tradicional e/ou empírico, constituem prioritariamente, metas do NDIHR ao mesmo tempo, visa à formação de um acervo regional, para livre acesso a todos os estudiosos da História. Com tal conjugação de objetivos tornar-se-á possível a compreensão histórica do processo de mudança da realidade nordestina nos seus aspectos mais signiicativos.

Nessa citação, o autor mostra os objetivos do NDIHR e aborda uma questão primordial tratada anteriormente: “[...] formação de um acervo regional, para livre acesso a todos [...]”, para que o NDIHR exerça o seu papel, como disseminador e socializador da “informação histórica e historiográica”.

O quarto número dos Cadernos de Estudos Regionais, segundo volume da Série

Monograia, também se dedica à Economia Pesqueira do Nordeste. Esse número tem duas

epígrafes, uma do Almirante da Marinha brasileira, Ibsen de Gusmão Câmara, “Se para estudar as baleias é preciso extingui-las, preiro não conhecê-las, (estudá-las)”, e a outra de João Lyra Tavares: a necessidade da “... creação de um porto no Cabedello é [...] uma aspiração para a prosperidade e o engrandecimento d’essa província ...”, as quais revelam os assuntos tratados nessa edição: O Porto de Cabedelo e a Pesca da Baleia.

Em se tratando do Porto de Cabedelo, dá prá perceber sua trajetória descendente, guiada pelos interesses políticos desde a sua criação.

Da sua importância para a região, dos seus projetos falidos e da politicagem econômica decidindo seu rumo temos aqui exposto numa abordagem crítica da realidade que leva em consideração, da ecologia à ação do homem.

E é dando prioridade à questão do homem/ecologia, que prossegue o estudo da caça à baleia, onde já de inicio é feita uma análise das repercussões ecológicas traduzidas pela caça desse cetáceo em todo o mundo. Daí se segue o estudo do caso particular de Costinha, situando a COPESBRA em relação à região em que está localizada.

Assim se fecham numa abordagem crítica, os primeiros passos dados em relação ao “reconhecimento” da região estuarina.

A meta agora é a de aprofundamento das questões a nível prático e teórico- metodológico. (MADRUGA, 1980, p. 9-10)

O Porto de Cabedelo tem muitas histórias a contar, mas os estudos pararam, pelo menos no Núcleo, e sua importância estava na abordagem crítica. Os pesquisadores do NDIHR preocupavam-se com a ecologia e com as ações dos homens, por isso a epígrafe de abertura do Almirante da Marinha brasileira, Ibsen de Gusmão Câmara, que mostra o pensamento e a responsabilidade social dos pesquisadores do Núcleo.

O quinto e último número dos Cadernos de Estudos Regionais, o primeiro da Série

Especial, dedica-se à temática da Questão Agrária. Esse Caderno tem uma epígrafe que revela

as contradições existentes no Brasil e, sobretudo, na região nordestina do país:

[...] o Nordeste deixa um gôsto de cinza na bôca da gente. A exploração do homem pelo homem é ali igual à de que não importa que região torpe do mundo. Antes da Abolição havia no Brasil um requisito indispensável para se ser escravo: a cor preta. O Nordeste acabou com o preconceito. Qualquer um pode ser escravo que esse país é livre, ora essa. (CALLADO, 1981, p.7) Nesse Caderno dedicado ao Conlito Social no Campo, ou seja, à penetração do capitalismo no campo e à exacerbação da exploração do homem pelo homem, o apresentador da edição nos esclarece:

A proposta dessa edição que inaugura a Série Especial dos Cadernos de Estudos Regionais nasceu em seminário promovido pelo Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional, em novembro de 1979, a propósito da questão agrária nordestina.

Naquele momento se discutiram as bases da organização de uma nova linha temática a ser desenvolvida pelo NDIHR-UFPB, voltada para o estudo interdisciplinar das formas de economia de subsistência ocorrentes na região. Nesse Caderno de Estudos Regionais, coordenado por Maria Cândida Rodrigues Gonçalves, são divulgados artigos a propósito da luta social no campo, bem como documentos (entrevista, acervo documental) ligados a esse

objeto, resultados parciais de trabalho já realizado desde então pelo NDIHR nessa área. (ALEM, 1981, p. 11. Grifo nosso)

Depois de reestruturados, os Cadernos de Estudos Regionais tratam sempre das temáticas desenvolvidas pelo NDIHR. Os Cadernos deixaram de ser publicados em 1981. No Quadro 11, registram-se as datas dessas publicações e o número de trabalhos, já que não só há artigos, mas também projetos, listagens, entrevistas, fotograias, além de resultados das pesquisas em andamento ou de suas conclusões.

voLume data

número de trabaLhos

temática

1 1976 4 Documentação e Memória Historiograia Cultura

popular Relações de trabalho 2 1979 8 Documentação e Memória 3 1980 5 Economia Pesqueira 4 1980 7 Economia Pesqueira 5 1981 6 Questão Agrária

Quadro 12: Relação de temáticas em cada volume dos Cadernos de Estudos Regionais Fonte: Cadernos de Estudos Regionais do NDIHR. Pesquisa e elaboração do quadro pela autora

As produções do NDIHR sempre tiveram um diferencial, e as diiculdades de publicá-las levaram o Núcleo a fazer sua própria Edição. Assim, cria-se a publicação Textos UFPB/NDIHR.

5.1.1.2 Textos UFPB /NDIHR

Ilustração 4: Capas dos Textos UFPB/NDIHR

Os Textos UFPB/NDIHR apresentam-se mimeografados. Eles foram produzidos em formato A4, ou tamanho ofício, grampeados com capa padrão, impressos nas cores rosa, parda ou amarela, com a identiicação TEXTOS UFPB/NDIHR na cor preta e com uma abertura na frente, que permitia a visualização do título, do nome do autor, do nº do texto e da data. O formato simples dos textos é relexo da carência inanceira em que o Núcleo vivia e para atender a um amplo público. Por ser de fácil acesso e de baixo custo, os textos poderiam ser distribuídos entre os alunos.

Esses textos divulgavam artigos escritos por professores ou pesquisadores e proporcionavam a atualização teórico-metodológica, através do diálogo com a nova geração de professores e pesquisadores que haviam ingressado na Universidade. Ressaltamos que um dos objetivos do NDIHR efetivava-se expresso pelo Conselho Editorial – o de disseminar a informação histórica através desses textos.

Os Textos UFPB/NDIHR foram produzidos durante 12 anos, de 1983 a 1994, e totalizaram 30 números, produzidos em doze gestões consecutivas12. Cada número contém entre 21 e 96 páginas. Não havia regularidade nem periodicidade nas publicações, como podemos observar no Quadro 12.

anosdepubLicação textospubLicados números

1983 1, 2 e 3 03 1984 4 e 5 02 1985 6, 7, 8, 9 e 10 05 1986 11, 12, 13, 14 e 15 05 1987 16, 17, 18 e 19 04 1988 20, 21 e 22 03 1989 23 01 1990 24 e 27 02 1991 25, 26, 28 e 29 04 1992 - - 1993 - - 1994 30 01

Quadro 13: Série Textos UFPB/NDIHR (1983-1994), segundo o ano e o número de publicações Fonte: Textos UFPB/NDIHR. Pesquisa e elaboração do quadro pela autora.

A maioria dos temas estudados nos Textos UFPB/NDIHR provém das Linhas Temáticas do Núcleo. São resultados de pesquisas desenvolvidas por professores dos vários Departamentos que compunham o quadro de pesquisadores da instituição.

O quadro 13 apresenta as linhas temáticas e os assuntos presentes nos Textos UFPB/

NDIHR:

número números

deartigos Linhatemática eixotemático

1 1 Estrutura de Poder (EP) Ditadura militar – movimentos sociais

2 1 Questão agrária (QA) Questão agrária – Mercado agrário –

Mercado fundiário 3 1 Movimentos Sociais Urbanos e Estado no Nordeste (MSU) Movimentos sociais – Meios de comunicação 4 1 Estrutura de Poder (EP) Socialismo no Brasil – Partido Político 5 1 Movimentos Sociais Urbanos e Estado no Nordeste (MSU) Movimentos Sociais Urbanos 6 1 Estrutura de Poder (EP) Trabalho – Classe operária – Sindicalismo 7 1 Não identiicada Produção mercantil – Relações de trabalho

8 1 Estrutura de Poder (EP) Eleições e clientelismo

9 1 Não identiicada Imprensa – Religião

10 1 Estrutura de Poder (EP) Sistema partidário

11 1 Educação e Sociedade História das Instituições

12 1 Estrutura de Poder (EP) Neocoronelismo e eleições

13 1 Estrutura de Poder (EP) Oligarquia

14 1 Estrutura de Poder (EP) Clientelismo eleitoral

15 1 Estrutura de Poder (EP) Eleições

16 1 Estrutura de Poder (EP) Urbanização e poder político

17 1 Estrutura de Poder (EP) Eleições

18 1 Estrutura de Poder (EP) Relações de poder

19 1 Estrutura de Poder (EP) Eleições e partidos políticos

20 1 Estrutura de Poder (EP) Clientelismo e coronelismo

21 1 Estrutura de Poder (EP) Eleições em Princesa

22 1 Estrutura de Poder (EP) Peril de vereadores de João Pessoa

23 3 Educação e Sociedade (ES) Ensino de História

24 1 Questão Agrária (QA) Ocupação do espaço agrário

25 1 Questão Agrária (QA) Capitania Real da Paraíba

26 1 Educação e Sociedade (ES) História local – Ensino de História 27 1 Educação e Sociedade (ES) História local – Ensino de História

28 3 Não identiicada Religião – Sexualidade – Ideologia

29 2 Formação histórica da Rede Urbana

no Nordeste (FHRU) Estrutura urbana

30 2 Não identiicada Escravidão – Sexualidade

Quadro 14: Textos UFPB/ NDIHR: Temáticas por número publicado Fonte: Textos UFPB/ NDIHR. Pesquisa e elaboração do quadro pela autora

O quadro 13 é representado através do gráico 1, a seguir:

Gráico 1: Percentual dos Textos UFPB/NDIHR por linha temática