• No results found

Visando subsidiar algumas sugestões de diretrizes políticas para o framework estratégico e ratificar algumas das assertivas do trabalho, foram levantados alguns dados socioeconômicos e educacionais de Manaus com base em pesquisa secundária, como previsto na metodologia proposta, cujos gráficos encontram-se no Anexo I.

Dos gráficos 1 a 13, constantes do Anexo I, percebe-se que o setor de comércio e serviços são os que mais empregam, e juntos, contribuem para o PIB da cidade em volumes similares ao da indústria que, por outro lado, agrega mais valor por funcionário. A agropecuária, em função da limitação de áreas utilizáveis para essa atividade – dada a presença e necessidade de preservação da floresta, é a que menos emprega e que menos contribui para o PIB da cidade.

Observa-se, pelos gráficos 14 e 15, constantes do Anexo I, que de 2013 a 2017, houve queda sistemática tanto as importações quanto as exportações em Manaus. Isto pode ser um indício de perda de competitividade da região, que já não tem conseguido competir com seus produtos (em geral ligados às áreas de TIC e metal mecânica) em relação ao mercado internacional (indicado pela queda das exportações) – provavelmente por não conseguir competir em termos de qualidade e avanço tecnológicos no nível local (baixo nível de escolaridade local, baixo nível de investimento em P&D, etc.), nem conseguido manter o mesmo ritmo de produção de anos anteriores (indicado pela queda das importações), provavelmente em função da crise financeira nacional nestes últimos anos.

O baixo nível de escolaridade local pode ser visto no Gráfico 16, constante do Anexo I, e revela o grande desafio a ser superado pela região, visto que não há como se pensar em desenvolvimento tecnológico sem o devido investimento contínuo em educação, pesquisa básica e aplicada.

Apesar de ser a 6º cidade mais rica do país, Manaus possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de apenas 0.737 pontos, o que a coloca em 23ª lugar entre as capitais do país. A expectativa de vida dos habitantes de Manaus é de 74.5 anos. A cidade em 2013 registrou um índice 4.8 pontos no Índice de

Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), ficando na decima quarta colocação entre as capitais estaduais brasileiras (IBGE, 2015 apud ANDRADE, 2015).

Além do baixo IDH (cuja evolução encontra-se no gráfico 17), o índice de Gini (Gráfico 18) revela também as dificuldades que a região de Manaus ainda enfrenta em tentar traduzir seu desenvolvimento econômico em bem-estar social para sua população.

Figura 21 - Infográfico de Manaus

Fonte: www.datasebrae.com.br. Acesso em: 08 nov. 2017

O infográfico constante da Figura 21 sintetiza algumas dessas informações sobre Manaus. De forma sintética, o infográfico sinaliza que esta cidade possui um porte intermediário, segundo os conceitos de Mccann e Ortega-Argilés (2015), sendo ideal para a implementação da estratégia de EI. Espera-se que essa estratégia ajude a região a efetivamente se desenvolver de forma sustentável e assim superar as dificuldades que a cidade enfrenta - tanto em relação à perda de competitividade quanto em levar mais benefícios a seus cidadãos.

4.3 PÓLO INDUSTRIAL DE MANAUS – PIM

Considerado a base de sustentação da ZFM, o polo Industrial de Manaus (PIM) possui aproximadamente 500 indústrias de alta tecnologia que faturaram em 2014 cerca de 17,4 bilhões de dólares. Segundo informações da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA, 2015 apud ANDRADE, 2015, p.21) o polo é responsável pela geração de mais de meio milhão de empregos, sendo 100 mil diretos e outros 400 mil indiretos. A área destinada à instalação do PIM é de 3,9 mil hectares, em 2014 aproximadamente 1,7 hectares encontravam-se ocupados pelas empresas e indústrias, estando disponíveis 2,2 hectares para ocupação de novos empreendimentos. (SUFRAMA, 2015 apud ANDRADE, 2015, p.21)

Andrade (2015) menciona que do ponto de vista das indústrias instaladas no Polo, foi alcançado um crescimento econômico acima da média em relação às indústrias nacionais, constatando-se, portanto, que a política de incentivos fiscais foi importante e atingiu a meta de vencer as barreiras localizacionais da região.

A figura 22 ilustra a participação do faturamento nominal do PIM por subsetores de atividades.

Figura 22 - Participação do Faturamento Nominal – Período Janeiro/2018 – PIM (Percentual por Subsetores de Atividades)

A Figura 22 ilustra que a maioria das indústrias instaladas são do setor Eletroeletrônico, Bens de Informática e Duas Rodas (65,49%). Além disso, boa parte das demais estão ligadas a essas atividades - como Mecânica, Metalúrgica e Termoplástica (17,41%). A extensão do prazo dos incentivos fiscais da região (até 2073) deve ser usada, então, no sentido de atrair empresas ligadas às novas temáticas propostas (Biotecnologia, Bioprospecção e Bioeconomia) – ao invés de simplesmente favorecer a permanência das empresas atuais presentes no PIM por mais tempo. Isso equilibraria a composição das atividades industriais do PIM, trazendo novas cadeias produtivas e menor dependência setorial, além de gerar novos empregos, em atividades melhor remuneradas (em função da agregação de valor trazida pela CTI) – elevando a qualidade de vida local.

Em seu trabalho, em que busca analisar os benefícios econômicos regionais do PIM em relação ao gasto tributário, ANDRADE (2015, p.48) chegou a seguinte conclusão:

“A aplicação do Coeficiente de Correlação de Pearson demonstra que

grande parte da elevação do PIB de Manaus está relacionada a implantação do PIM na região, evidenciando elevado grau de

dependência econômica do município em relação a produção do Polo. A similaridade nas taxas de crescimento indica que a cidade de Manaus se

beneficia não só dos efeitos positivos do crescimento do PIM, mas na mesma proporção sofre os efeitos negativos de um período de recessão. Tais períodos seriam sentidos de imediato na economia do

município, em um grau maior comparado a cidades que não possuem grau de dependência com seu setor industrial. Uma possível alteração nas políticas de incentivos do PIM, impactaria diretamente a economia do município. Constatou-se que o crescimento econômico registrado com

a implantação do PIM não foi refletido na mesma proporção no desenvolvimento socioeconômico da região. Esta avaliação foi feita através da análise comparativa entre o IDH do município de Manaus e o IDH da cidade de Belém em que Manaus apresentou todos índices de desenvolvimento humano inferiores ao de Belém. Vale ressaltar que

Belém apresentou índices de crescimento econômicos substancialmente inferiores em relação ao município estudado, indicando que o crescimento econômico não trouxe melhorias na mesma proporção para a área social.

Conclui-se com o estudo que o objetivo primário do PIM foi alcançado somente de forma parcial, uma vez que crescimento econômico não pode ser confundido com desenvolvimento econômico, pois o segundo abrange melhoras nos aspectos sociais.” (grifo do autor)

De forma resumida, os resultados econômicos do PIM são altamente relevantes para a economia da cidade e do Estado do Amazonas, mas o crescimento econômico não se traduziu ainda em desenvolvimento econômico para a região. A busca por novas especializações mais conectadas com a região, cujas

indústrias venham a se instalar no PIM (aproveitando a infraestrutura industrial já instalada) - como propõe a estratégia de EI - pode contribuir a reversão dessa dificuldade de se promover o desenvolvimento econômico na região.