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B. Efficacy of Treatment

VIII. Conclusions and Future Perspectives

Como método inicial da pesquisa de campo por meio da abordagem qualitativa, optamos por utilizar a observação participante para o processo de conhecimento e delimitação do grupo de alunos a ser investigado. Isso é o que atesta Peruzzo (2005, p.126) em quem nos baseamos: “a pesquisa participante

33 O termo anamnese é utilizado pelas ciências da saúde referindo-se ao documento com

implica a presença constante do observador no ambiente investigado, para que ele possa ver as coisas de dentro”.

Esta opção se deu pelo fato de termos conhecimento prévio dessa comunidade escolar e dos alunos participantes, havendo interações com o grupo, porém sem que estes interferissem nos objetivos da pesquisa, nem nas suas demais fases, caracterizando assim esta modalidade de pesquisa. Novamente, apoiamo-nos em Peruzzo (Ibidem, p.125): “A pesquisa participante consiste na inserção do pesquisador no ambiente natural de ocorrência do fenômeno e de sua interação com a situação investigada.” E Bogdan e Biklen (1994, p.48) complementam a afirmação anterior: “Os investigadores qualitativos frequentam os locais de estudo porque se preocupam com o contexto. Entendem que as ações podem ser melhor compreendidas quando são observadas no seu ambiente de ocorrência.”

Flick (2009, p.207), por sua vez, ao abordar a observação participante, propõe: “Os aspectos principais do método consistem no fato de o pesquisador mergulhar de cabeça no campo, de ele observar a partir de uma perspectiva de membro, mas também, de influenciar o que é observado graças à sua participação.” A situação de ensino e aprendizagem como parte integrante da coleta de dados pressupõe a afirmação anterior do autor, sendo também um fenômeno que conta com situações inusitadas, imprevisíveis e surpreendentes.

Bogdan e Biklen (Ibidem, p.50) reforçam essa concepção:

Os investigadores qualitativos tendem a analisar os seus dados de forma indutiva. Não recolhem dados ou provas com o objetivo de confirmar ou infirmar hipóteses construídas previamente; ao invés disso, as abstrações são construídas à medida que os dados particulares que foram recolhidos vão se agrupando.

Tal modalidade de pesquisa, bem como outras inseridas no âmbito das relações sociais, exige postura ética, apropriação e flexibilidade, uma vez que seus dados não podem ser generalizados (FLICK, 2009). Nesse caso, por se tratar de um grupo discente cuja realidade psicopedagógica é complexa, atentamos para as variantes na participação e nas possíveis interações.

Após a sondagem prévia de várias turmas orientada pela psicóloga da escola do turno vespertino, a observação participante foi desenvolvida com as turmas de Unidade Sócio-Ocupacional I e II (USO I e II) e caracterizada por serem

alunos mais velhos (entre dezenove e trinta e nove anos de idade no momento da pesquisa). Essas turmas, devido ao grande comprometimento cognitivo e/ou psicomotor, não participam do mercado de trabalho e desenvolvem na escola diversos trabalhos de estimulação para manutenção e melhora de suas funções psicomotoras, cognitivas e de socialização.

Essas turmas, denominadas USO I e II, são formadas por alunos que não tiveram condições de aprendizagem em uma sala de aula do ensino regular. O tempo de aprendizagem escolar deles é diferenciado. Com efeito, são alunos que participam de diversas atividades além das disciplinas e dos conteúdos curriculares compreendidos entre o 1º e o 5º ano do Ensino Fundamental, conforme as condições individuais. Essas atividades incluem práticas artesanais diversas, aulas de culinária e de informática, dependendo do caso do aluno. Cada turma é composta por cinco alunos, somando o total de dez. Esses alunos apresentam quadros diversos de Transtorno Global do Desenvolvimento dos quais quatro alunos são diagnosticados com autismo.

A seguir, apresentamos os quadros de composição das turmas USO I e USO II com nomes fictícios, a fim de se resguardar a identidade dos alunos. No entanto, preservamos a idade e o diagnóstico, de acordo com o levantamento nas fichas individuais (anamneses):

UNIDADE SÓCIO OCUPACIONAL I – USO I – Profª S. M.

NOME IDADE DIAGNÓSTICO

Renata 28 anos Transtorno Mental

Gilson 23 anos TGD Autismo

Cláudio 34 anos Síndrome de Down e Autismo

Ricardo 39 anos PC e Transtorno Mental

Gislene 26 anos Psicose e Transtorno Mental

UNIDADE SÓCIO OCUPACIONAL II – USO II – Profª G. S.

NOME IDADE DIAGNÓSTICO

Kátia 24 anos TGD não especificado

Murilo 20 anos TGD não especificado e déficit intelectual acentuado

Ananda 19 anos Distúrbio do Comportamento e Autismo (estudo de caso)

Lucas 19 anos TGD Autismo

Beatriz 23 anos Autismo

Tabela 2 – Tabela de dados da turma USO II

Esses diagnósticos e dados gerais dos alunos foram acessados mediante a presença e o acompanhamento da psicóloga e da coordenadora pedagógica da escola, por meio das fichas de anamnese e de acordo com os procedimentos da escola. O levantamento desse material ocorreu em paralelo ao período de observação, conforme indicado no quadro a seguir.

OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE

DATA PROCEDIMENTO INSTRUMENTO

1º dia da coleta

1º contato com a escola

Observação das turmas USO I e II no pátio, no horário de Educação Física e em horário do recreio.

Coleta por meio de anotações

2º dia da coleta

Observação das turmas de Educação Escolar I e II no horário de Educação Física e de Artes e no horário do recreio, com as demais turmas.

Coleta por meio de anotações e registro fotográfico.

3º dia da coleta

Observação das turmas USO I e II no pátio, no horário de Educação Física e em horário do recreio.

Consulta às fichas de anamnése

Coleta por meio de anotações e registro fotográfico.

4º dia da coleta

Observação das turmas USO I e II no pátio, no horário de Artes e de atividades artesanais.

Consulta às fichas de anamnése.

Coleta por meio de anotações e registro fotográfico.

5º dia da

coleta Consulta às fichas de anamnése. Coleta anotações. por meio de

Tabela 3 – Tabela da 1ª etapa da coleta de dados, realizada no primeiro semestre de 2009.

A coleta realizada na observação participante ocorreu no primeiro semestre de 2009. A observação participante possibilitou a organização da proposta

pedagógica para a turma com base nos limites e nas potencialidades individuais, levando em conta as dificuldades cognitivas e motoras dos alunos e também a faixa etária dos mesmos. Devemos apontar que a observação de algumas atividades e o acompanhamento de alguns procedimentos nas atividades curriculares e artesanais do grupo possibilitou-nos detectar preferências e interesses, que serviram para fundamentar as atividades artísticas propostas para a segunda etapa da coleta.

A coordenação pedagógica da escola organizou horários com a turma de modo que o projeto das aulas para essa coleta tivesse autonomia em relação às demais atividades escolares, ou seja, propusemos um projeto de ensino de arte independente das aulas curriculares, com autonomia da equipe em relação ao conteúdo, metodologia e avaliação dos resultados. Durante a observação participante, pudemos constatar os diversos níveis de produção gráfica dos alunos, alguns com figuração e outros, em estágio de garatuja. Verificamos significativa heterogeneidade no desenvolvimento psicomotor e cognitivo do grupo selecionado, inclusive entre os quatro alunos diagnosticados com autismo, foco da pesquisa.

Esses fatores, somados à complexidade da análise a ser realizada, definiram o percurso a seguir, compreendido como estudo de caso único. Dentre os quatro alunos com diagnóstico de autismo, a escolha de Ananda ocorreu pelo fato de sua produção gráfica apresentar figuração, o que viabilizou a análise de sua produção. Além disso, havia o conhecimento prévio da aluna e do seu interesse pelas atividades de artes, verificados nas experiências pedagógicas anteriores e no relato de sua professora regente (G.R.C.F., 2009)34.