Esta etapa corresponde à segunda fase da obra de González Tuñón. Nela o poeta assinala sua confiança no papel do artista como indivíduo dentro da sociedade e indica a mobilidade do escritor, membro do Partido Comunista, que aceitava a doutrina do mesmo, sem contudo abandonar o olhar crítico pessoal de sua poesia, acreditando que o poeta deve estar sempre muito consciente de suas convicções e sentimentos.
González Tuñón, por ter vivenciado o processo político do peronismo22, na Argentina, e observado a lentidão das mudanças sociais, tratou de mostrar em sua poesia civil e heróica o caminho a seguir e o exemplo dos grandes lutadores. Os versos de González Tuñón possuem uma qualidade lírica exemplar, bem como a identificação sensível do autor com os temas que aborda. O político e o poeta vivem em busca de um mundo melhor. Foi um fervoroso militante antifascista e participou de alguns acontecimentos políticos europeus, como a greve dos mineiros de Asturias (1935) e a Guerra Civil espanhola (1936-1939). Toda sua obra, composta nessa fase, toma como
22 Peronismo é a denominação dada genericamente ao movimento nacional justicialista criado e liderado a partir do
pensamento de Juan Domingo Perón eleito presidente da Argentina em 1946, 1951 e 1973. Perón possuía um governo popular apoiado pela Igreja, pelo Exército e pelo Movimento sindical, e baseava-se num forte nacionalismo, centralizado no poder do Estado. Perón ainda contava com o carisma da primeira-dama, Eva Perón. Apesar disso, seu governo mostrava-se autoritarista e punia de forma severa quem fizesse críticas ao governo.
tema fundamental esses dois eventos. Ao visualizar os confrontos ocorridos em terras espanholas, durante os anos que ali permaneceu, o poeta foi arrebatado por um sentimento comovedor, que o levou a escrever La rosa blindada (1936), Las puertas
del fuego (1938), La muerte en Madrid (1939) e Ocho documentos de hoy (1936).
Em sua segunda viagem à Europa em 1935, Raúl González Tuñón chega à Espanha pela primeira vez, ainda que antes tivesse estado em vários portos desse país. Essa foi uma viagem de lua de mel, após seu casamento com Amparo Mon, sua primeira esposa. De acordo com o autor, sua segunda viagem corresponde ao que ele chamou de memorável em sua vida de poeta, de jornalista, de homem do seu tempo, foi a que mais deixou marcas em suas experiências. Viveu por quase um ano na capital espanhola, e conforme suas palavras:
Viví en constante estado de exaltación lírica, pero también de exaltación civil. Me encontré allí (ya en Buenos Aires había escrito el poema “La Libertaria”) y fui a saludar a La Pasionaria23 y ella
me contó- minuciosamente- todo el drama de Asturias, me sentí tremendamente tocado. 24
Assim que chega à Espanha, González Tuñón, que já tinha conhecido a Federico García Lorca em Buenos Aires, entra em contato com ele e com Pablo Neruda, na época Cônsul do Chile naquele país. O escritor argentino ao saber de sua condenação na Argentina, por incitação à rebelião, ganha a solidariedade dos poetas espanhóis, Vicente Aleixandre, Rafael Alberti, Miguel Hernández e León Felipe, que assinam um manifesto de protesto, levado por César Vallejo para Paris, onde o ratificam também André Gide, André Malraux, Louis Aragon, Jean Cassou, entre outros.
23 Isidora Deolores Ibárruri Gómez (também conhecida como La Pasionaria) foi uma líder comunista espanhola.
Nasceu em Gallarta, uma localidade de Biscaia (província do País Basco) na Espanha, em 9 de dezembro de 1895. Em 1918 escreve seu primeiro artigo assinado com o pseudônimo de La Pasionaria, que a acompanha a vida toda. Em 15 de abril de 1920, filia-se ao Partido Comunista espanhol, no qual permaneceria por toda sua vida, e o qual presidiria a partir de 1960. Ela distinguiu-se durante a Guerra Civil espanhola, na oposição ao General Franco. Exilou-se na URSS após a vitória de Franco, e regressou a Espanha em 1977. Faleceu em Madri em 1989.
Imediatamente González Tuñón se associa ao mundo intelectual madrilenho e se comove intensamente com a repressão do levantamento de Asturias. A ideologia se unia nesse caso à origem de seu avô asturiano, que despertou seu sentimento revolucionário, expresso nos poemas “Recuerdo de Manuel Tuñón” e “La copla al servicio de la revolución”: Este último registrado a seguir.
En Mieres nació mi abuelo, mi abuela en Pola de Siero. La capital de mi sangre se debe llamar Oviedo.
O poema autobiográfico “La copla al servicio de la revolución”, expressa a identificação irrestrita avô-poeta através de comparações, que levaram González Tuñón ao mundo do combate e da poesia.
Esse confronto dos mineiros asturianos, em 1935, impressionou o poeta, posto que jamais tinha visto uma realidade tão violenta e cruel, nem mesmo durante os anos em que foi correspondente do diário Crítica. O resultado desse choque com a realidade foi a elaboração poética, esta vez dura e combativa de La rosa blindada em 1936, onde a partir de um tema bélico a poesia se expressa tanto em verso rimado quanto em longos períodos de verso livre e prosa. Essa obra reúne todos os elementos fundamentais da épica de González Tuñón, ações heróicas dos mineiros com suas mulheres e filhos, a história de Aída La Fuente morta em um vale mineiro de Asturias e poemas onde anteciparia o sangrento levantamento de Franco.
A península estava em ebulição: o enfrentamento entre esquerda e direita era iminente e chegaria em julho de 1936. González Tuñón começa a escrever La rosa
blindada. Esse livro foi o precursor da poesia de guerra na América Latina. Raúl
González Tuñón também seria o responsável pela transformação na poesia de Miguel Hernández, em direção a uma temática mais enraizada com sua circunstância política,
conforme afirma o autor Andrés Sorel no seu livro Miguel Hernández, escritor y poeta
de la revolución (1976). Conforme González Tuñón,
Miguel Hernández [...] continuaba la línea de una retórica muy brillante. [...], pero trabajaba dentro de las formas tradicionales hispánicas. Él me oyó discutir alguna vez con Neruda. Yo estaba muy dolido por el drama de la cuenca minera […] Yo reiteraba aquellas palabras de Jacques Roumains, el gran poeta haitiano […] La frase es de su ensayo La poesía como arma, y expresa: “Hay momentos en la historia del mundo en que la poesía deviene un arma, puede y debe convertirse en un arma”. Miguel me dio una cita en una tabernita […] Tenía los ojos llenos de preguntas. Yo insistía en la posibilidad de una eventual interpretación poética en determinados hechos sociales, y le insistía en que el caso es buscar la forma que corresponda mejor al contenido […]. No sé si aquel día Miguel quedó convencido, aunque más tarde tuve motivos para pensar que sí.25
A poucos meses do regresso de González Tuñón a Buenos Aires, explode a Guerra Civil na Espanha. Na Argentina reinava o autoritarismo e o poeta era observado pelo governo. Após publicar Ocho documentos de hoy, onde reunia parte de seu trabalho solidário com a República espanhola, teve conhecimento do assassinato de Federico García Lorca e decidiu que seu lugar seria na Espanha. Consegue, então, que La Nueva España, um jornal republicano editado em Buenos Aires, o enviasse como correspondente de guerra. Dessa experiência surgiram Las puertas del fuego e
La muerte en Madrid. Nesse último livro dedica o poema “Muerte del poeta” a seu
grande amigo García Lorca. Abaixo está um dos trechos do poema:
¡Qué muerte enamorada de su muerte! ¡Qué fusilado corazón tan vivo!
¡Qué luna de ceniza tan ardiente en dónde se desploma Federico!...26
25 CUADERNOS HISPANOAMERICANOS. “Raúl González Tuñón: un modo de tutear a Dios”. In: Sección de
notas (1978) p. 97.
Como jornalista, conservou a mesma comoção nas notas que enviara a El Diario
de Buenos Aires, e ao jornal republicano La Nueva España, para os quais fora
designado correspondente afim de noticiar tais confrontos. Nessa função, visita as frentes de Jarama e Utrera, testemunha a defesa de Madri, percorre Barcelona e Valencia, participa ativamente do “Segundo Congreso Internacional en Defensa de la Cultura” e do “Congreso de Intelectuales Antifascistas” em Valencia em 1937. Nesta época, um fato marca profundamente a vida do poeta das revoluções: em 1935, Federico García Lorca, León Felipe e, sobretudo, Miguel Hernández, que segundo o poeta o seguiu, sabiam que ele estava escrevendo os poemas de La rosa blindada; imediatamente, León Felipe organizou um ato no Ateneu de Madri, durante o qual González Tuñón leu os poemas mais combativos do livro em questão. Conforme o escritor argentino, ao terminar sua leitura, aproxima-se uma jovem de luto e pede-lhe uma cópia da composição poética “La Libertaria”, alegando ser irmã de Aida La Fuente, a protagonista do poema. Passam-se dois anos e González Tuñón volta à Espanha como correspondente, de acordo com suas próprias palavras:
[...] se realizan en Madrid un homenaje a los periodistas de todo el mundo que estábamos allí. Era un acto con el folklore de los distintos países representados. En una de esas, el acto termina con un coro solemne que canta La libertaria. Me quedé impresionado con eso. No dijeron quién era el autor. Fui al escenario dispuesto a decirlo, pero una lamparita me iluminó. […] en lugar de decir que yo era el autor, pregunté quién era el autor. Me dijeron: “Un autor desconocido, autor anónimo”. ¡Autor anónimo! ¡A los 32 años!27
Ao contrário de outros poetas para os quais a militância adquiriu um papel primordial, González Tuñón pôde fugir à doutrina a golpes de poesia. Inclusive seus artigos em jornais comunistas revelam sua lucidez e seu espírito crítico. É fundamental confrontar os poemas sociais com o prólogo de González Tuñón em La rosa blindada, no qual ele define o que deve ser poesia:
Y si una pretensión tengo es la de ser un poeta revolucionario, la de haber abandonado esa especie de virtuosismo burgués decadente, no para caer en la vulgar crónica chabacana que pretende ser clara y directa y resulta ñoña, sino para vincular mi sensibilidad y mi conocimiento de la técnica del oficio a los hechos sociales que sacuden al mundo. Sin que lo político menoscabe a lo artístico o viceversa, confundiendo, más bien, ambas realidades en una. 28
Ainda no prólogo, González Tuñón explica que uma poesia revolucionária deve conter três características, para ser autêntica:
1º Cuando poesía y revolución se confunden, son consubstanciales […]. Es decir no menoscabando la poesía en sí, haciéndola perdurable por su contenido estético además de su contenido humano.
2º Cuando el contenido social corresponde a la nueva técnica. No se trata de negar el proceso poético […], pero resulta absurdo componer hoy poemas ceñidos a tal o cual regla formal.
3º Pero no hay que confundir técnica nueva […] con travesuras gramaticales, etc., o poemas sin ritmo […]. Porque, generalmente, esa actitud poética que fue una reacción saludable contra el academismo, está reñida con ese ritmo de marcha, de himno […] que debe tener casi siempre el poema revolucionario. Llamo “técnica nueva” al conocimiento y a la superación de todas las técnicas, a la desenvoltura que nos da ese conocimiento, a la libertad de tonos, ritmos, imágenes, palabras, y a lo que siempre tuvieron los poetas de cada época creadora,[…] a lo que sigue la línea poética que nació con la primera palabra pronunciada por el hombre en la tierra: a la personalidad de un poeta.29
28 GONZÁLEZ TUÑÓN (1962) p. 12. 29 Ibidem p. 13/14.
Já foi dito anteriormente que La rosa blindada e La muerte en Madrid correspondem ao período de aproximação de González Tuñón à Espanha e à Guerra Civil, e que nessa época sua poesia sofre uma profunda transformação. No seu primeiro momento ficaram a exaltação do eu e de seu mundo; no segundo, que trata da poesia bélica, não se dissipam essas características, mas se incorporam de outra maneira: o eu-lírico se direciona para o outro, transformando-se em um sentimento universal.
Em La rosa blindada, o poeta recorre à narrativa e, em La muerte en Madrid, insere estrofes populares da guerra em forma de epígrafes. Esta eleição implica uma mudança em sua concepção poética, sobre a qual adverte no prólogo. A transformação identifica-se com a problemática espanhola: utilizar a narrativa ou as estrofes é inscrever-se em uma tradição; neste caso, tipicamente popular, é dar conta da Espanha ainda que não se a nomeie. Raúl González Tuñón afirma “Si quiero llegar al pueblo español debo partir de él, de su lenguaje, de sus tradiciones, y por ello elige el romance o las coplas”.30 A narrativa não é o único registro empregado por González Tuñón, abundam os poemas compostos com quartetos ou tercetos octossilábicos. Contudo o poeta conserva o gosto e a liberdade de empregar diversos tipos de estrofes em um mesmo poema ou o verso livre ou o poema em prosa. A rima também preserva a mesma independência.
É considerável o papel de pioneiro que exerce Raúl González Tuñón entre os poetas espanhóis dessa época. O episódio sobre a difusão que teve seu poema “La Libertaria” serve de exemplo. O poeta se empenhava em descobrir uma forma poética significativa que amalgamasse e acompanhasse os processos históricos.
A carta que o poeta mexicano Octavio Paz envia ao sobrinho de Raúl González Tuñón aborda essa importante influência que a poesia tuñoneana gerou, tanto nos poetas hispano-americanos quanto nos poetas espanhóis:
México D. F., 12 de noviembre de 1993 Sr. Eduardo Álvarez Tuñón
… Aún está viva en mi memoria la tarde en que lo conocí, en julio de 1937, en Madrid. Me lo presentó mi compatriota Sequeiros, en las vísperas del Congreso de Escritores para la Defensa de la Cultura. Él ya era un consagrado y me impresionó ese hombre suave y firme, que había escrito los más encendidos poemas sobre el pueblo español. Recuerdo haberlo oído leer “La libertaria”, ese poema en el cual todos los oficios de España confluyen como un rezo. Para esa generación escribir poesía combativa era escribir a la sombra de Raúl González Tuñón. Es el Rubén Darío de la poesía social y no cometo una herejía si afirmo que España en el corazón de Neruda y España aparta de mí este
cáliz, de Vallejo, no hubieran podido ser sin La rosa blindada. […]
Desconozco su restante producción, pero recuerdo que Luis Cernuda me dijo que era también un importante poeta lírico.
Todo me aleja de aquellos años, pero en mi biblioteca guardo
La rosa blindada porque es un hito.
Lo saluda,
Octavio Paz31
O estudo de certos vocábulos que se repetem e adquirem outro significado dentro da obra tuñoneana, constituindo um campo semântico, é essencial para que se elabore uma adequada análise crítica de sua produção. Um bom exemplo é o caso do livro La rosa blindada, em que é notória a conjunção de formas tradicionais e formas modernas. Nele o substantivo “rosa” adquire outro significado, que somado ao adjetivo “blindada”, remete ao campo da guerra. Essa é uma das construções marcantes da poética de González Tuñón, sendo fácil localizá-la em diferentes momentos. A metáfora nucleadora, “rosa blindada” abriga signos aparentemente antagônicos, visto que “rosa” representa a vida, e “blindada” o que não pode ser visto; portanto, a
anulação da vida, a morte. Este jogo antitético pode ser apreciado na produção tuñoneana. Segundo o autor, em Conversaciones con Raúl González Tuñón (1975), afirma ao escritor Horacio Salas que não tinha medo de repetir-se em seus poemas: “Pienso que citar varias veces el barco en la botella, las cajitas de música, las veletas, no es repetirse, sino seguir moviéndose en medio de los símbolos que siempre he amado”. 32
Raúl González Tuñón assiste o surgimento das milícias populares. Vive nas ruas e seu coração está em guerra. Observa as crianças mortas por um bombardeio. Blinda a rosa. Saúda o quinto Regimento. Marcha com os voluntários. Descobre o caos. Conhece La Pasionaria. Sua poesia é um registro fiel: a morte de García Lorca, os tanques de guerra, os aviões, a morte de Antonio Machado... Toda a Espanha está nele, nessa poesia em ação à serviço do combate contra o fascismo. Enlutada. Rebelde. Revolucionária. Guerreira. Em um trem, no caminhão de soldados, entre os estampidos das bombas e a conversa sincera dos companheiros, Raúl González Tuñón escreve seus poemas. Canta. Conta. Resplandece as evidências da destruição:
Donde el carbón se junta con la sangre y la ametralladora bailarina
lanza sus abanicos de metralla donde todo termina.
Em meio ao choque, à desordem do espaço citadino, surge a melhor poesia social de Raúl González Tuñón, a que se alimenta do imediato, da indignação perante a realidade urgente do compromisso civil e da paixão individual. A poesia que carrega o ritmo compadecido da guerra e a experiência vital de sensações vis:
miran crecer aromo, mirto y parra y entre los huesos la raíz del grito; para su tumba campo de granito y el polvo de oro para su guitarra.33
--- Hay que ser piedra o pura flor o agua conocer el secreto violeta de la pólvora, haber visto morir delante del relámpago, conocer la importancia del ajo y el espliego, haber andado al sol, bajo la lluvia, al frío, haber visto un soldado con el fusil ardiente, cantando, sin embargo, la libertad querida. 34
Esse importante poeta, que procurou amalgamar sua vida à sua obra, como se as fusionasse para alcançar a perfeita composição poética, a que aflorasse no leitor a diversidade de sentimentos que se tem e que por vezes se esquece em uma gaveta. Esse bravo autor, enunciador do bem e do mal, da fantasia e da realidade, que proporciona ao leitor abrir essa gaveta e dela tirar sua bandeira, pode ser lembrado conforme suas próprias palavras:
Fue un poeta completo de su vida y su obra. Escribió versos casi celestes, casi mágicos, de invención verdadera,
y como hombre de su tiempo que era, también ardientes cantos y poemas civiles de esquinas y banderas.35
33 GONZÁLEZ TUÑÓN (1989) p. 90. 34 Ibidem, p. 91.
III – A imagem surrealista
A arte moderna surgiu de uma ruptura com os ideais do século XIX. Pode-se identificar esse século, devido às influências dos diversos fatores, como sociais, culturais, ideológicos, etc. A partir desses fatores, houve o surgimento de diferentes movimentos de vanguarda na Europa do século XX: cubismo, futurismo, expressionismo, dadaísmo, ultraísmo e surrealismo. Na América Latina, a Vanguarda começa quase simultaneamente em diferentes países, só que com outras
nomenclaturas, como criacionismo, estridentismo, contemporâneos, martinfierrismo, ultraísmo, surrealismo etc.
O Criacionismo foi a primeira manifestação vanguardista na América Hispânica. Ocorre no Chile, com a publicação do Manifesto Non Serviam, em 1914, pelo poeta chileno Vicente Huidobro. Esse movimento é marcado pela ruptura com a arte mimética: para os criacionistas a poesia não deve ser mimética, mas sim criação pura. O poeta expressa em seu manifesto: “No he de ser tu esclavo, madre Natura, seré tu amo”. Dessa forma, Huidobro expõe seu desejo de fazer uma poesia criada por si mesmo e, portanto, diferente de toda a que já foi feita, ou seja, não a quer imitar, mas sim criar uma nova realidade. Essa nova tendência estética evidencia a busca pela verdadeira criação poética. Vicente Huidobro valoriza o poeta criador e condena o imitador. Ele mesmo afirma em seu poema, intitulado “Arte poética”: “Por qué cantáis la rosa, ¡oh, Poetas! Hacedla florecer en el poema”. Com essas palavras, o autor sintetiza o criacionismo, pois ele critica nitidamente a idéia da arte como imitação da natureza.
Com o descobrimento da fotografia, no século XIX, modifica-se o sentimento da verdadeira arte, pois para expressar a arte mimética já existe esse novo invento. Daí a grande repulsa da arte como cópia da natureza. Nessa fase o mais importante, era a