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COMPORTAMENTO

Valores, crenças, atitudes e comportamento estão relacionados entre si. Os termos causam confusão, pois diferentes estudos utilizam os termos com diferentes abrangências. O termo crença, por exemplo, é utilizado como sinônimo de valor por Schwartz (1992; 2006; 2012), já os estudos de Ajzen utilizam o termo crença associado à ideia de normas (AJZEN, 1991; AJZEN; ALBARRACÍN; HORNIK; 2007; AFONSO, 2013).

No campo organizacional, um dos estudos mais conhecidos sobre valores são os de Schein (2010). Segundo o autor, os valores organizacionais advêm de crenças e valores

pessoais (beliefs and values). Na formação da cultura de uma organização, a princípio, não existe um modo de fazer próprio, e aqueles que estão no comando utilizam suas próprias crenças e valores para tomar as decisões. Se este padrão é validado pelo grupo como funcional, este é aprendido e integrado pela organização “[...]e, portanto, a ser ensinado a novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir em relação a esses problemas” (SCHEIN, 2010, p. 17, tradução livre). Estes seriam os valores esposados que tendem a se tornar centrais e instituídos, tornando-se valores arraigados (SCHEIN, 2010; ZANELLI e SILVA, 2009).

Schein (2010) apresenta os pressupostos básicos (formadores da cultura organizacional) como os valores e crenças individuais. O autor cita que prefere o termo pressupostos básicos (basic assumptions) ao invés de valores básicos (basic values) pois o termo pressupostos é entendido como não negociável do grupo, enquanto valores é um termo mais aberto, passível dos indivíduos concordarem ou não, dando uma ideia errônea ao que o autor se refere.

Os termos valores, crenças e pressupostos podem gerar confusões. Freitas (1991) aponta o termo crenças como sinônimo de pressupostos básicos. Entretanto, Schein (2010) indica que os pressupostos básicos são formados por crenças (beliefs) e valores (values), sendo, portanto, conceitos diferentes mas correlacionados entre si.

Segundo Zanelli e Silva (2008) os valores formam um sistema de convicções e hierarquia de necessidades. Através deles, formam-se os conceitos sobre como agir de um sujeito (aquilo que é bom e mau, bonito e feio, etc.). Os autores destacam que estes são valores arraigados, estão no cerne de nosso comportamento, são estáveis e duradouros.

Schwartz (2006; 2012) concebe valores como crenças vinculadas à emoções. Referindo-se ao cerne da motivação, transcendem ações e situações específicas, orientam a avaliação de pessoas e situações e constituem uma hierarquia

onde um valor é mais prioritário que outro. O valor é mais voltado a orientações gerais do comportamento individual, enquanto normas e atitudes referem-se a situações ou ações específicas, formando uma avaliação da situação específica.

Schwartz utiliza o termo basic values ao refereir-se a este centro do modo de agir. E indica “Values are beliefs” (2012, p. 3). Assim considera-se que o autor utilize a mesma ideia de Schein (2010) quando se refere-se a pressupostos básicos. Neste texto utiliza-se o termo valores para se referir ao conjunto de crenças e conceitos mais centrais do sujeito conforme Schwartz (2006; 2012).

As crenças são consideradas antecessoras das atitudes e dos comportamentos. Entretanto não há consenso entre os autores de sua definição, sendo considerada como uma visão de mundo em alguns estudos e por outros autores como a expressão objetiva dos valores (PATO, 2004; CAIXETA, 2010; COELHO; GOUVEIA; MILFONT, 2006; COELHO, 2009). Segundo Pato (2004), crenças são expressões dos valores, sendo mais objetivas e concretas (PATO, 2004; CAIXETA, 2010).

Para a presente pesquisa, valores e crenças serão utilizadas conforme Schwartz, apresentando-se como sinônimos e centrais à personalidade. O termo norma será utilizado para referir-se às expressões mais objetiva dos valores e crenças, substituindo a utilização de crença para referir-se a essas questões. Opta-se por norma, pois o termo já é utilizado neste sentido e evita confusões com o uso já comum de crenças em autores clássicos (SCHEIN, 2010; SCHWARTZ, 2006; 2012).

Segundo Groot, Abrahamse e Jones (2013); Mckenzie- Mohr e Schultz (2014); e Schwartz (2012) as normas são regras que informam como um indivíduo ou grupo deve se comportar em determinada situação. As normais sociais são regras sobre o comportamento habitual que orientam sobre as interações sociais e atuam como motivadores do comportamento. As

normas pessoais referem-se à crença do indivíduo sobre a sua própria obrigação moral de como agir em determinadas situações.

Segunda a Psicologia Social, as normas sociais estão associadas a crenças afetivas, influenciando o comportamento no nível do subconsciente. Já as normas pessoais são associadas a crenças cognitivas e, por isso, influenciam o comportamento de forma consciente. Portanto, a combinação destas duas normas podem gerar um normativo mais persuasivo (GROOT; ABRAHAMSE; JONES, 2013).

O termo atitude, diferenciando-se do conceito de normas, é um sistema de organização das crenças, cognições e comportamentos anteriores sobre um objeto predefinido. É o elemento que conecta as opiniões e conceitos com a ação, a conduta. (RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 1999; COELHO; GOUVEIA; MILFONT, 2006; COELHO, 2009; CAIXETA, 2010).

Atitude ambiental é um termo bastante estudado pela Psicologia Ambiental e descreve a tendência do indivíduo em comportar-se favoravelmente ao meio ambiente. Preocupação ambiental e atitudes ecológicas estão associados a esta ideia (MILFONT, 2007; COELHO, 2009; CAIXETA 2010).

Dentro dos estudos do behaviorismo, escola psicológica voltada ao estudo do comportamento humano, a palavra comportamento é a relação entre o meio e o sujeito, referindo- se a (1) os antecessores da ação, o que acontece no meio que faz emergir uma resposta do sujeito; (2) a ação ou resposta do sujeito; e as (3) consequências destas respostas (SKINNER, 1970; LOPES, 2008).

Entretanto, no que se refere aos estudos de comportamentos dentro do sistema de valores, crenças e atitudes, o termo comportamento está sendo utilizado para referência da ação do sujeito. O termo comportamento ambiental refere-se as ações do sujeito deliberadas de proteção ambiental. Assim como o comportamento sustentável refere-se

a ações de proteção social, ambiental e econômica (CORRAL- VERDUGO; PINHEIRO, 2004; PATO, 2004; CAIXETA, 2010; CORRAL-VERDUGO, 2010; 2012; TAPIA- FONLLEM; et al., 2013).

Estes termos formam uma hierarquia de causa e efeito, por isso, sua diferenciação faz-se necessária. Abaixo é possível verificar na Figura 04 a hierarquia formada por estes elementos (PATO, 2004; CAIXETA, 2010; SCHWARTZ, 2006; 2012).

Segundo este modelo valores/crenças geram normas, que geram atitudes, que embasam o comportamento. Neste modelo valores não apenas embasa as normas (que dão origem a atitudes e comportamentos), com também tem relação direta com atitudes e comportamentos. Isto indica que ao se mudar um valor, todo o sistema do comportamento muda. Normas influenciam diretamente atitudes e comportamentos (PATO, 2004; CAIXETA, 2010; SCHWARTZ, 2012).

Os estudos demonstram que valores como transcendência, equidade, altruísmo e benevolência são associados ao comportamento ambiental e sustentável. Na pesquisa de Schwartz estes valores estão apresentados dentro do agrupamento Auto Transcendência (PATO, 2004; Figura 04 – Hierarquia valores, crenças, atitudes e

comportamento

CAIXETA, 2010; CORRAL-VERDUGO, 2010; 2012; TAPIA-FONLLEM; et al., 2013.

O principal estudo de crenças ambientais foi desenvolvido por Dunlap e Van Liere (2008; VAN LIERE; DUNLAP; 1981) em que os autores propõem o instrumento conhecido como NEP (New Environmental Paradigm). Os autores dividem as crenças ambientais em duas visões: antropocêntricas e ecocêntricas. As crenças antropocêntricas são fundamentadas na ideia que os recursos do mundo existem para satisfazer as necessidades dos homens. Assim, o bem-estar próprio estaria acima da necessidade de preservação ambiental. Já a visão ecocêntrica indica que a natureza tem um valor intrínseco e que seus recursos são limitados (VAN LIERE; DUNLAP; 1981; DUNLAP e VAN LIERE, 2008; PATO, 2004; CAIXETA, 2010).

Sobre essa discussão, Thompson e Barton (1994) entendem que ambas as crenças demonstram interesse pela natureza e interesse na preservação. Entretanto, com diferentes motivações. As crenças antrocêntricas geram comportamentos que beneficiam o próprio individuo, assim as ações sustentáveis que esta crença embasa, são comportamentos que gerem benefícios para o indivíduo como economia de água ou luz. As crenças ecocêntricas possuem uma motivação mais altruísta e universalista, tendo como meta o bem comum. Indivíduos com estas crenças podem apresentar comportamentos considerados mais complexos, que geram mais inconveniências ou menor benefício financeiro (como a compra de um produto mais caro, ou separar o lixo).

A respeito das normas e comportamento pró-ambiental, o estudo de Groot, Abrahamse e Jones (2013) diferencia normas sociais descritivas e sociais inibitórias. A primeira descreve a expressão comum de determinado comportamento; a segunda indica os comportamentos aceitos socialmente e os desaprovados. Em geral, os estudos demonstraram que ambas as normas têm o mesmo efeito persuasivo sobre o

comportamento. Porém, em situações caracterizadas por comportamentos altamente indesejáveis, a norma descritiva é ineficaz, pois a descrição do comportamento só aponta que a norma colocada já é desrespeitada. Assim, a norma inibitória pode ser útil para diversos comportamentos pró-ambientais.

O uso de normas pessoais torna a promoção do comportamento muito mais eficiente. Assim identificar uma normal pessoal e conectá-la a um comportamento esperado tem ainda mais chances de promover o comportamento. Por exemplo, o uso de frases como “você se preocupa com o meio ambiente?” deveria ser seguida do comportamento específico que se deseja promover, por exemplo (GROOT, ABRAHAMSE E JONES, 2013).

O estudo de Groot, Abrahamse e Jones (2013) buscou combinar ambas as normas. Sendo pioneiro na área, indicou que não há estudos que mesclam normas sociais e pessoais na busca de influenciar comportamentos pró-ambientais. O estudo utilizou normas cautelares (normas sociais inibitórias que descrevem o comportamento correto, de forma positiva). O resultado foi promissor, pois além de aumentar o número de uso das sacolas retornáveis, a norma cautelar se sobrepôs à norma descritiva presente no supermercado; no momento da intervenção da pesquisa, apenas o espaço observado continha a norma utilizada, nos demais caixas da organização os clientes continuavam utilizando as sacolas na mesma quantidade. Mesmo observando a maioria utilizando sacolas grátis ao invés das retornáveis, a norma cautelar influenciou na ação (GROOT, ABRAHAMSE E JONES, 2013).

Quanto à influência da norma pessoal, as frases utilizadas foram similares, com estruturas como “nós agradecemos por ajudar o planeta, continue a usar sacolas retornáveis.” Os autores acreditam que frases de cunho pessoal teriam maior influência sobre o comportamento, mas a organização indicou que frases pessoais poderiam ofender os clientes. A sugestão dos autores era de que o texto fosse “você

se importa com o planeta? Use sacolas retornáveis.” O estudo indica que a utilização das normas pessoais e sociais inibitórias/cautelares em conjunto aumentam as chances da promoção do comportamento em comparação com as normas em separado (GROOT; ABRAHAMSE; JONES, 2013).

2.4.2 TEORIA DA AÇÃO PLANEJADA VERSUS TEORIA

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