A relação entre a adoção de tecnologias de informação e a criação de valor para o negócio é tema discutido por diversos autores de livros, trabalhos acadêmicos, periódicos especializados na área, dentre outras formas de publicação. Conforme já apresentado nas seções anteriores, a logística tem o propósito de adicionar valor ao negócio, uma vez que um produto ou serviço tem pouco valor se não estiver disponível aos clientes no tempo e no lugar em que eles desejam consumi-lo. Da mesma forma, foi enfatizado que para fortalecer os elos entre as atividades logísticas e, principalmente, entre os componentes da cadeia de suprimentos, um conjunto de soluções tecnológicas podem ser utilizadas para agilizar o fluxo de informações pertinentes às suas transações comerciais.
Neste estudo, buscou-se também levantar a percepção de profissionais diretamente envolvidos na gestão das atividades-chave da logística integrada: processamento de pedido, transporte, administração de estoque e serviços ao cliente, sobre a relação entre a utilização de soluções B2B e a criação de valor para o negócio e otimização do relacionamento entre empresas do segmento downstream da cadeia de suprimentos da ALESAT.
Para identificar esta percepção, algumas perguntas do roteiro de entrevista foram realizadas diretamente, conforme exposto na figura 3.1 sobre o detalhamento da pesquisa, e outras informações foram levantadas durante o processo de coleta de dados junto aos profissionais da empresa, a partir de comentários sobre o desempenho da ALESAT no mercado de combustíveis, graças ao uso de tecnologias de informação.
Conforme exposto nas seções anteriores, a adoção de soluções B2B apóia a implementação de estratégias de liderança em custo em todas as atividades-chave da etapa de distribuição física, assim como a diferenciação na forma de conduzir o negócio com o apoio da tecnologia de informação. Segundo o gestor executivo de TI e processos “não obstante a
presença da tecnologia seja diferenciadora, o como usá-la, como ferramenta de apoio à maestria de gestão, é que traz o verdadeiro ganho”. Esta percepção ratifica a posição de autores como Turban, MClean e Wetherbe (2004), de que, na maioria dos casos, a tecnologia desempenha um papel de suporte, sendo a função principal aquela de natureza organizacional e gerencial. Os autores complementam afirmando que, por outro lado, sem a TI, é certo que a maioria dos programas de gestão da cadeia de suprimentos acaba fracassando.
Além do gestor de TI, o qual percebe facilmente as vantagens de utilização de soluções tecnológicas em ambientes empresariais, em detrimento da larga experiência profissional na área, outros gestores opinaram positivamente quanto ao uso de tecnologias de informação como fator preponderante, principalmente, no apoio às operações e ao processo de tomada de decisão gerencial, uma vez que fazem uso dessas ferramentas e observam o resultado diário em termos de precisão e acessibilidade às informações, integração de dados transacionais, a qual proporciona agilidade na execução de atividades, redução de custos operacionais e administrativos, maior e melhor interatividade com clientes, maior eficiência operacional relacionada à gestão de estoque, transporte de produtos, processamento de pedido e prestação de serviços ao cliente, dando, desta forma, condições favoráveis à ALESAT para implementar as estratégias competitivas necessárias para a conquista do crescimento sustentável no mercado de combustíveis, em âmbito nacional.
Neste estudo, buscou-se identificar em que medida um conjunto de soluções tecnológicas direta e indiretamente envolvidas nas transações comerciais entre a ALESAT e os postos revendedores, podem contribuir para a criação de valor para os componentes deste cenário B2B. Segundo a percepção dos entrevistados, as tecnologias de comércio eletrônico tem tido pouco destaque neste segmento, embora com potencial de crescimento de uso, principalmente após a fusão das empresas ALE e SAT. Entretanto, tais profissionais deram ênfase ao ERP - SICOF como ferramenta imprescindível para a operacionalização e gestão das atividades-chave da etapa de distribuição física (processamento de pedidos, transporte, gestão de estoque e serviços ao cliente), como também para o apoio à adoção de estratégias competitivas, fato este observado por Silva (2004), em sua dissertação de mestrado, na qual estudou especificamente a tecnologia ERP da SAT e seu impacto estratégico. Neste estudo, o referido autor conclui que “a SAT realmente procura utilizar seu ERP ao longo de sua cadeia de valor, o que o torna uma peça fundamental e estratégica para a empresa”.
Outras tecnologias de apoio ao gerenciamento logístico também são percebidas como importantes para o controle dos processos, e o cumprimento da missão logística de dispor a
mercadoria ou o serviço certo, no lugar certo, no tempo certo e nas condições desejadas, ao mesmo tempo em que fornece a maior contribuição à empresa (BALLOU, 2001). Para o supervisor de operações, “hoje é impossível trabalhar sem a tecnologia de informação”. Este profissional já observa as contribuições da tecnologia de informação, como também vislumbra novos investimentos em ferramentas que favoreçam um controle mais efetivo sobre as atividades de gestão de estoque e, principalmente, de transporte, no que se refere aos caminhões que transportam os combustíveis, como também a frota leve, a qual é utilizada pela diretoria e profissionais que trabalham em campo.
É unânime a percepção sobre o papel da TI na coordenação e integração das atividades da cadeia de suprimentos da ALESAT, assim como para a criação de valor para o negócio da empresa e do cliente, dentro da concepção de sistema de valor abordado pelo Porter (1989). Conforme mencionou a Coordenadora da Central FALE, “o papel da TI é fundamental na integração das atividades de todos os setores da empresa”. Pelo fato da TI permear a cadeia de suprimentos da empresa, integrando todos os setores através de um fluxo de informações preciso, ágil e dinâmico, possibilitando, desta forma, um melhor atendimento às necessidades dos clientes diretos – os postos revendedores, no que se refere, principalmente, à disponibilidade do produto no tempo desejado e conforme o solicitado.
Ratificando a opinião da coordenadora da Central FALE, o gerente da gerência comercial interna, afirma que “um dos diferenciais da companhia no mercado é o forte investimento em tecnologia de informação”. Ele compara a atuação dos assessores de vendas da ALESAT, os quais trabalham em campo, com a de alguns concorrentes, no que se refere ao apoio de tecnologias móveis, as quais permitem um atendimento diferenciado ao proprietário do posto de combustíveis, devido à vantagem de acessibilidade remota às informações. Segundo esse gerente, o próprio cliente já visualiza as vantagens de ter como parceiro de negócios um fornecedor com uma estrutura organizacional atualmente adotada pela ALESAT, a qual conta com o apoio de um conjunto de soluções tecnológicas para a execução de todos os seus processos empresariais.