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Vejamos, portanto, os registros feitos pelos três participantes adultos acerca dos cenários feitos pelas crianças e adolescentes:

Todos os objetos transmitem uma mensagem, que gera comunicação e logo uma participação. A TV, o rádio, os livros e os demais objetos desde a sua criação.

A recordação desses objetos é o jeito que estão arrumados porque na participação tem que ter organização e os objetos estão muito bem organizados.

Todos os objetos p/ estarem neste local, foi necessário a participação de várias pessoas, desde a extração da matéria prima, transformação, transporte, venda, utilização e etc.

Em seguida, após alguns poucos minutos e aparentemente saciados, invertemos, agora, as crianças foram contemplar o mural das suas montagens e registrar algumas de suas sensações ou pensamentos sobre suas próprias imagens. Eis suas anotações sobre a participação que se somaram às feitas pelos adultos:

Adultos

Todos os objetos transmitem uma mensagem, que gera comunicação e logo uma participação. A TV, o rádio, os livros e os demais objetos desde a sua criação.

A recordação desses objetos é o jeito que estão arrumados porque na participação tem que ter organização e os objetos estão muito bem organizados.

Todos os objetos p/ estarem neste local, foi necessário a participação de várias pessoas, desde a extração da matéria prima, transformação, transporte, venda, utilização e etc.

Crianças e adolescentes

O rádio trás transmissão sobre a participação do OP. A TV porque anuncia e atrai as pessoas a virem ao OP.

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Os objetos participam de todas as formas. Alguns objetos são assessórios.

Ao término do registro de seus olhares sobre as montagens da participação, realizamos uma partilha sobre o mural das montagens criadas pelas crianças e adolescentes.

A partir desse momento, os co-pesquisadores realizavam suas falas e questões, analisando as montagens. Não é o objetivo na sociopoética uma análise sobre cada pessoa e sua fala, do grupo, ou do processo grupal, pois isso tornaria os co- pesquisadores um grupo objeto.

Então, de modo a partilhar apenas as formas e as respectivas análises dos participantes demonstro abaixo em cada quadro, as consignas disparadoras dos diálogos e, posteriormente, um comentário feito por mim acerca das análises dos co- pesquisadores das montagens da participação criadas por crianças e adolescentes.

I. Partilhas sobre os escritos na cartolina

1 - Então, vamo lá. Escrevi aqui, Eu escrevi aqui todos os objetos transmitem uma mensagem que gera comunicação e logo uma participação, a TV, o rádio, os livros e os demais objetos desde sua criação. Aí o que quê você, aí eu perguntei o que quê vocês tem de dúvida nisso, né? Que os objetos transmitem uma mensagem... Porque quando você vê um objeto logo vem a sua mente pra que serve aquele objeto. O que que aquele objeto represente pra pras pessoas, pra as necessidades das pessoas, né? E Logo gera uma comunicação, né? E Logo uma participação. Ai quando eu falo desde sua criação, né, porque assim, para se chegar a uma televisão, por exemplo, ouvi comunicação, né, ouvi uma criação, né, e ouvi, né, uma interlocução, uma interação entre as partes para se chegar até aí, esse objeto de fato concreto. Então é isso que eu quis na verdade passar pra vocês. Ficou claro?

2- Gostaria de explicar o meu. (...) sou da Regional 2. Eu coloquei assim, porque a TV, assim, anuncia e atrai as pessoa para vim no OP. Tosse. Isso aconteceu comigo mesmo, deu olhar a TV, a televisão, e anunciar sobre o OP, o Orçamento Participativo, lá no projeto que eu fazia me ensinaram muito a vim no OP, isso me dá, dá o exemplo para todos que verem a televisão se interessarem a vim ao OP.

3 - Vou falar agora um pouco do que eu coloquei... I. regional 2. É, sobre a organização que como o Dil falou sobre a comunicação, também antes de tudo já tem a organização. Antes da comunicação, antes de tudo a pessoa primeiro se organiza para poder fazer uma coisa como objeto. Muita gente deve ter se organizado para fazer isso, isso, isso. Como a pessoa no OP, a gente se organiza pra, pra elaborar proposta, discutir proposta, sobre a cidade. É só isso que eu queria falar

4 - Bom dia, eu vou falar, meu nome é Ed, delegado e conselheiro da regional 4. Neste trabalho aqui tem duas formas de ver a participação. A primeira forma é a palavra isolada, no qual eu escrevi que.... Os objetos através de fotos que estão aqui, eles, todos os objetos, para estarem nesse local foi necessário a participação de várias pessoas, desde a extração da matéria prima,né? passado pela transformação, transporte, venda, utilização e tal. Até estarem aqui em forma de foto, né? Várias pessoas participaram em vários processos para chegar no objeto final. A outra forma de participação que foi salientada, é a participação ligada ao Orçamento Participativo, né? Qual a forma de perceber... na minha maneira de entender é que alguns desses objetos serviram, e servem, como acessórios de trabalho para realizar a participação maior, que é estar presente e participar, através de palavras, ações, outras coisas mais. Bom, essa é o meu depoimento, muito obrigada. Bom dia

5 - Eu acho assim, ó, que todos os objetos. Meu nome é W. da regional 5. Eu acho assim que todos os objetos participam de alguma forma... né.. todos... tudo aqui participa de todos... eu acho que tudo participar aqui, por isso que eu não sei o que não participa da nossa vida.

128 Nessa partilha dos escritos da cartolina, chamou a minha atenção à ênfase da comunicação estabelecida com os objetos. Isso me faz remontar à pedagogia dos objetos geradores e sua busca por perceber a vida nos objetos e o sujeito no objeto. Afinal, as mensagens dos objetos são relacionadas às pessoas e às suas necessidades, como se o objeto transmitisse as marcas do humano que o tocaram.

Por outro lado, os objetos são percebidos como acessórios para a participação. O que os transforma em servos, pois servem para algo “maior”, a participação, o estar presente. E servem no sentido de sua utilidade para a participação por meio de ações e palavras. Servem para atrair e anunciar sobre o OP, e, em outra posição, todos participam da vida. São, portanto, polissêmicos, mas guardam uma relação com a participação – idéia já contemplada nas falas dos dois primeiros encontros.

II. O que os objetos nas fotos mostram da participação no OP?

1- Eu acho assim, que o, o caderno, é da negociação, participa, que tudo aqui participa do OP. Eu acho que menos o rádio, risos.. e o livro... a luva... os copos em pirâmide aqui, eu não entendi nada, né? O loro José aqui... Eu não entendi mais só o caderno, a televisão, o rádio... O rádio participa? Não, mas o rádio participa do OP? Não participa do OP

Não, mas ele perguntô que participa do OP... (...) Não, não sei do rádio não. Sei que o caderno participa, a televisão, o copo quando a gente vai beber água lá no OP, é isso aí...

Faz referência a um pensamento no encontro das crianças e adolescentes no qual se associa a participação à utilização do objeto nos espaços do OP.

III. Comentários sobre as imagens

1- Não gostei disso aqui, ó... Dando um cotoco pra gente, ó! Respostas ao comentário

1. Michael Jackson. Foi o Michael Jacson dando cotôco... Foi o Michael Jackson deixou só a luva. 2. É interessante que na na intervenção dela, não gostei disso aqui porque ta dando cotoco. Veja bem, ta gerando aí uma informação, e uma comunicação, né? Ela interagiu com o objeto, ela não gostou, né? Ela não gostou da luva dando cotoco pra ela.

3. Eu não quis mostrar nada, só foi pura coincidência, porque eu quis, eu quis... eu quis criar, junto com o Fred, um, um, um conjunto de objetos, um ar familiar, como a gente se sente no OP, um ar de família para um objetivo comum, comum. Não é, não? Eu to metindo? Toca aê... Então, não foi de propósito, foi de coincidência mesmo, ok?

Na pedagogia dos objetos, assim como na sociopoética, os estranhamentos e possíveis conflitos deles resultantes, são o terreno fértil para a construção de conhecimentos.

129 A análise do próprio grupo pesquisador sobre suas criações possibilita esse diálogo diante, inclusive, do que incomoda – “o côtoco” – possibilitando oportunidades de aprendizagens acerca do tema da pesquisa, dos pensamentos e sensações no processo de produção dos dados.

Dessa forma, o conhecimento se constrói na indagação, na provocação (FREIRE, 2001) e não apenas na concordância, que, pelo contrário, pode silenciar os saberes.

Após essas trocas, o diálogo no grupo continuou a partir da partilha dos olhares acerca das imagens das montagens feitas na oficina dos adultos:

Durante o primeiro momento de contemplação das fotos, foram feitos os seguintes escritos na cartolina acerca das imagens das montagens da oficina com as crianças e adolescentes: