A eficiência gerencial com foco em recursos humanos foi avaliada com base nas políticas de RH adotadas pelas empresas, bem como por meio dos indicadores observados na área de pessoal. Nesse sentido, o primeiro aspecto abordado, considerando-se os diferentes estratos de produtividade, foi a seleção. Os critérios utilizados para selecionar novos funcionários foram observados para que se pudesse compreender a importância associada aos atributos dos candidatos (Quadro 17).
Conforme os resultados obtidos, notou-se que a atribuição de valor aos diferentes critérios de seleção modificou-se significativamente dentro dos estratos. O estrato I atribuiu maior importância à disponibilidade de o candidato morar na fazenda (63,2%) do que às habilidades (47,4%), referências ou formação/experiência (57,9%), indicando que esses produtores correm maior risco de contratarem pessoas inadequadas para os cargos disponíveis.
Para os produtores do estrato II, prevaleceram as indicações por pessoas conhecidas (78,6%) e as referências pessoais (64,3%), revelando a preferência dos produtores em se precaverem quanto ao risco de contratarem pessoas de má índole. As habilidades dos candidatos foram relevantes para 57,1% desses produtores, ficando em terceiro lugar na ordem de importância.
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Quadro 17 - Fatores utilizados como critérios de seleção, segundo os produtores pesquisados no Triângulo Mineiro, em 2001
Fatores Estrato 1 % Estrato 2 % Estrato 3 % Amostra Total %
1º Indicação por pessoas conhecidas 94,7 Indicação por pessoas conhecidas 78,6 Referências pessoais 80,0 Referências pessoais 65,1 2º Disponibilidade de morar na fazenda 63,2 Referências pessoais 64,3 Indicação por pessoas conhecidas 60,0 Indicação por pessoas conhecidas 58,1
Formação e experiência Habilidades do candidato
3º Formação e experiência 57,9 Habilidades do candidato 57,1 Disponibilidade de morar na fazenda 40,0 Habilidades do candidato 53,5 Referências pessoais
4º Habilidades do candidato 47,4 Formação e experiência 35,7 --- Formação e experiência 51,2
Disponibilidade de morar na fazenda
5º --- --- --- Disponibilidade de morar na
fazenda 48,8
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O estrato III, por sua vez, foi o que melhor valorou os critérios de seleção, do ponto de vista estratégico, uma vez que privilegiou aqueles ligados à formação e experiência do candidato e às suas habilidades, ambos apontados por 60,0% dos pecuaristas como prioritários.
O sistema de avaliação de desempenho utilizado pelos pecuaristas foi analisado com base na sua configuração e capacidade de suporte a outros subsistemas de recursos humanos, como remuneração, treinamento e promoção. Diante disso, buscou-se verificar o destino das informações geradas pelo sistema, segundo os diferentes estratos de produtividade (Quadro 18).
Quadro 18 - Percentual de produtores que avaliam o desempenho dos funcionários e o destino das informações geradas no sistema, de acordo com os respondentes no Triângulo Mineiro, em 2001
Freqüência Observada (%) Baixa Média Alta
Total da Amostra (%) Avaliam o desempenho dos funcionários 68,4 78,6 80,0 74,4 Destino das informações do sistema:
Promover funcionários 21,1 21,4 60,0 30,2 Estabelecer prioridades de treinamento 46,2 45,5 62,5 50,0 Recompensar financeiramente 68,4 64,3 90,0 72,1
Fonte: dados da pesquisa.
Os resultados apresentados retratam que 80,0% dos produtores do estrato III e 78,6% do estrato II realizaram avaliação de desempenho no ano agrícola 2000/2001, ao passo que apenas 68,4% do estrato I o fizeram.
Além de os estratos de média e alta produtividade terem maior percentual de produtores que adotaram o sistema de avaliação, observou-se que, comparativamente ao estrato I, a configuração do sistema adotado era melhor, já que as informações geradas alimentavam outros subsistemas. Enquanto no estrato III 60,0% utilizaram essa prática para promover funcionários, 62,5% para definir treinamento e 90,0% para recompensar funcionários, no estrato II esses valores foram de 21,4%, 45,5% e 64,3% e no I, de 21,1%, 46,2% e 68,4%, respectivamente. Diante disto, nota-se que a avaliação de desempenho está sendo
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subutilizada no que concerne ao seu potencial de identificação de demandas de treinamento de pessoal ou ao seu uso como instrumento de promoção de funcionários.
Com relação aos indicadores da área de recursos humanos, alguns deles foram calculados, com base nos dados da pesquisa, e apresentados no Quadro 19.
Quadro 19 - Indicadores de desempenho gerencial na área de recursos humanos das empresas rurais do Triângulo Mineiro, em 2001
Estratos Indicadores de Recursos Humanos
I II III
Média Total
Número de benefícios sociais/empresa 2,05 2,29 2,70 2,28
Número de reuniões com funcionários/ano 4,89 4,07 8,60 5,49 Número de funcionários analfabetos/empresa 0,79 0,29 0,10 1,43
Número de treinamentos/ano 0,84 1,07 1,30 1,02
Número de treinados/empresa/ano 1,47 1,86 2,00 1,72
Fonte: dados da pesquisa.
Em se tratando da eficiência gerencial das empresas com foco em recursos humanos, nota-se que o estrato III destacou-se dos demais, uma vez que as empresas que englobava foram as que obtiveram os melhores desempenhos quanto aos indicadores de recursos humanos: o número médio de benefícios sociais chegou a 2,7 por empresa, o de treinamentos realizados por ano a 1,3 e o número de pessoas treinadas a 2. Esses mesmos indicadores, nos estratos I e II, estiveram próximos ou abaixo da média total, indicando pouca eficiência na área de recursos humanos.
Com relação ao número de reuniões realizadas durante o ano com funcionários, além de ser expressivamente mais elevado no estrato III (8,6 vezes/ano), comparando-o com os demais, foi o que apresentou maior parcela de produtores engajados nesse tipo de comunicação (90,0% deles). Essa técnica favorece o conhecimento dos problemas quando estes ainda são incipientes, o que diminui o custo para saná-los
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O número de analfabetos foi maior no estrato I (0,79 funcionário/propriedade), assim como o percentual de produtores que possuía funcionários analfabetos, alcançando o patamar de 47,4% dos pecuaristas desse estrato. Esses resultados são preocupantes, no que concerne ao crescimento da empresa, já que o analfabetismo pode limitar o uso de tecnologias que exijam leitura e escrita por parte dos funcionários. No caso dos estratos II e III, os percentuais de analfabetos foram de 28,6 e 10,0, respectivamente.