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Na Teoria do Comportamento Planejado – TCP, pelo menos três análises são relevantes. Elas visam identificar: i) Análise exploratória das crenças – verificando como as crenças determinam os construtos da TCP – Atitude, Norma Social e Controle Percebido do Comportamento; ii) Modelagem da intenção - verificando como os construtos da TCP determinam a intenção comportamental; iii) Modelagem do comportamento – verificando como o controle percebido e a intenção determinam o comportamento atual.

Na modelagem da intenção, optou-se por incluir variáveis sociodemográficas como variáveis explicativas, bem como medidas do comportamento passado e hábito, apresentado na Figura 3.2. Quando observado que algum grupo dessas variáveis não seja significativo na explicação da intenção, tais grupos foram testados também na relação com o comportamento, como em Bamberg et al. (2003). Nas três modelagens referidas, crenças, intenção e comportamento, apenas a opinião dos alunos foi considerada. Para o teste de uma das hipóteses da pesquisa foi definido um quarto tipo de modelagem, que propõe a consideração conjunta da opinião de pais e filhos na intenção e comportamento por modo de transporte.

a) Análise exploratória das crenças

É esperado que conjuntos de determinadas crenças sejam antecedentes dos construtos da TCP. Na maior parte dos estudos que relacionam crenças a construtos da TCP, a

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categorização das crenças em relação aos construtos que deveria representar é feita intuitivamente (Kamargianni et al., 2015), ou previamente à elaboração do instrumento de medida dos construtos. De fato, a orientação em Ajzen (2000) é o uso de exemplos intuitivos na formulação das crenças por construto. Para verificar a validade da categorização intuitiva proposta por Ajzen (2000), uma análise fatorial exploratória foi conduzida entre todas as crenças na formulação de fatores gerais e comparada à categorização intuitiva proposta. As crenças foram analisadas para cada modo envolvido no estudo.

Na etapa de abordagem qualitativa, cada afirmativa de crença, foi medida em escala likert (discordo totalmente - concordo plenamente), ou adjetiva bipolar (bom/ruim; agradável/desagradável; etc.), com duas medidas para cada crença: do objeto, conteúdo da crença, ou crença sobre o objeto (belief - b) e a avaliação dos atributos do objeto, ou força da crença (evaluation - e). A relação das crenças salientes obtidas nos grupos focais com os construtos da TCP, foi testada numa segunda análise, através de modelos lineares.

A Equação 5.1 representa a forma funcional esperada a partir de um Modelo de Regressão Linear Múltipla – MRLM. O mesmo modelo, caso não confirmado os pressupostos do MRLM, deverá ser modelado por MLG, pela quase verossimilhança.

𝐶𝑜𝑛𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑜 = ∑ (𝑏𝑖 + 𝑒𝑖 + 𝑏𝑖 ∗ 𝑒𝑖) + 𝜀𝑖 (5.1)

O modelo da Equação 5.1 foi elaborado a partir dos resultados do trabalho de Elliott et

al.(2005), referido no Capítulo 3, para a verificação da relação das variáveis independentes, cada medida de crença (bi e ei) e os componentes multiplicados das

crenças (bi X ei), com as variáveis independentes - cada construto da TCP - Atitude,

Norma Social e Controle Percebido do Comportamento. O objetivo desta análise é verificar se: i) primeiramente uma relação funcional entre os construtos da TCP e as crenças salientes obtidas nos grupos focais; ii) se existem diferenças significativas entre o uso do objeto da crença puro (item bi), o uso das forças das crenças (item ei), ou

multiplicativo entre elas (Teoria da Expectância).

Nos modelos das relações entre crenças e construtos, os construtos da TCP assumiram os valores correspondentes à média dos escores obtidos nas respostas aos itens do

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questionário ligados a cada variável (itens de medida direta). Essa abordagem é proposta por Fishbein e Ajzen (1975), e vem sendo adotada em diferentes estudos ligados à TCP (por exemplo, Elliott et al., 2003). Para as variáveis de crença, cada valor de crença (b) e da força da crença (e) foi centralizado, ou seja, cada resposta de b ou de e foi transformada, diminuída da média da variável. A transformação das variáveis (rescaling) relativas às crenças não tem efeito nas propriedades correlacionais desejadas para a regressão proposta, porém evita o aporte de altos níveis de multicolinearidade à regressão por causa do termo de interação (Aiken e West, 1991).

A busca por um melhor modelo utilizou o método de modelagem em passos tipo

backwards, sendo que o critério de exclusão das variáveis segue dois critérios: i) o nível de probabilidade associada a cada crença, eliminando-se uma a uma, hierarquicamente pelo maior valor de p-valor; ii) manter nos modelos apenas os itens, ou conjunto de itens que contenham o item de conteúdo da crença (item bi). Por exemplo, foi observado que o

item ONCCO2, não teve seu correspondente item ONCCE2 incluído no questionário, por erro de revisão do questionário. Nas análises de crença o item ONCCO2 foi eliminado. Da mesma forma, nas modelagens que apresentarem como significativos apenas os itens da força da crença (itens do tipo ei), ou o item multiplicativo (itens tipo bi x ei), estas

crenças serão eliminadas da análise. Por fim, a teoria da expectância, por si só, deve ser testada na sua relação com os construtos da TCP, segundo os mesmos critérios de modelagem e ajustes de modelo.

b) Modelagem da intenção comportamental

Segundo a teoria da TCP, a intenção é a variável latente diretamente determinada pela atitude, norma social e percepção de controle, e o antecedente direto do comportamento. Quanto maior a intenção em escolher determinado modo, maior a probabilidade de efetivar esta escolha - comportamento, e vice versa. As intervenções baseadas na intenção são bem referenciadas na literatura e utilizam o planejamento de viagem como forma de motivar a implementação da intenção (Gärling e Fujii, 2002).

A modelagem da intenção pretende ser tratada de duas formas: i) a primeira deve testar se é aplicável o modelo MRLM (ou MLG, caso os pressupostos do MRLM não sejam confirmados), onde as variáveis psicológicas serão representadas pela média dos seus

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itens de medida direta, não deliberadamente como uma variável latente; ii) e por Modelos de Equações Estruturais - MEE, por Análise Fatorial Confirmatória, com especificações detalhadas no Capítulo 4. O objetivo é testar se as duas modelagens conseguem produzir modelos significativos, com resultados semelhantes. Os aplicativos utilizados nas modelagens da intenção foram o “R” e o AMOS (IBM SPSS, 2011), respectivamente.

São propostos modelos para permitir a análise da relação da intenção (variável dependente) com diferentes grupos de variáveis explicativas. São eles: i) todo o conjunto de crenças estudadas; ii) medidas diretas da TCP (atitude, norma social e controle percebido); iii) variáveis sociodemográficas, hábito e comportamento passado. Como a estrutura da modelagem da intenção é tipicamente um modelo de variável latente (a intenção não é observada diretamente, mas através de indicadores), os modelos que modelarem a intenção considerando-a como latente, e cumprindo demais pressupostos da modelagem, serão preferíveis.

c) Modelagem do comportamento

O tipo da variável de medida do comportamento, variável nominal ou categórica, indica que outro grupo de modelagem deve ser utilizado: o grupo de Modelos de Escolhas Discretas – MEDs. Como parte da explicação esperada do comportamento, neste caso a escolha modal nas viagens escolares, é testada a influência dada pelos atributos psicossociais, considerados variáveis latentes por não serem medidos diretamente, a modelagem do comportamento deve envolver uma técnica de modelagem com variáveis latentes integradas ao modelo de escolhas discreta.

A calibração desses modelos requer recursos computacionais relativamente sofisticados para serem utilizados em aplicações práticas, como o procedimento proposto, e, sobretudo, amostra com grande número de observações, incompatível com o porte da maioria das IEMs em Brasília (Brasil, 2013), onde será aplicado o procedimento proposto. Assim, inicialmente, para o estudo do comportamento da escolha modal em uma dada IEM, buscou-se utilizar modelos de estimação sequencial, com a inserção das variáveis psicossociais através das variáveis compostas pelas médias dos itens de medida direta dos construtos, como descrito na seção 4.6 e Figura 4.5 Este tipo de modelagem foi considerado o segundo melhor modelo, atrás apenas dos modelos ICLV, para a

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modelagem de variáveis latentes integrada a modelos de escolha discreta (Bahamonde- Birke e Ortúzar, 2014).

Para a modelagem do comportamento, a variável dependente toma a forma de variável binária (“1” se escolher o modo e “0” se escolher outro), com modelos separados para a ida ou para a volta. A modelagem é um logit binomial, com o uso da modelagem do tipo hierárquica (como utilizada por Elliott et al., 2005) a ser desenvolvida para cada modo de transporte em particular: i) modelo 1 - a relação da escolha ou não de determinado modo com as médias das medidas diretas dos construtos da TCP, intenção e controle percebido; ii) modelo 2 - acrescentando ao modelo 1 as variáveis sociodemográficas; iii) modelo 3 – acrescentando ao modelo 2 a medida do hábito e o comportamento passado. O aplicativo utilizado para essas modelagens foi o BIOGEME.

d) Modelagem integrada

Dependendo do tamanho da amostra disponível e do acesso às ferramentas computacionais adequadas, deve-se utilizar uma quarta modelagem – Modelagem

integrada, integrando os construtos da TCP, intenção e comportamento, através da modelagem por ICLV. Ao invés de se fazer modelagens separadas para os construtos da TCP, a modelagem integrada é um procedimento que pretende diminuir os erros estimados, se comparada às modelagens parciais (AmirAlavifar e Anuar, 2012). Kamargianni et al. (2015) considerou a Modelagem Integrada de Escolha e Variável Latente (Integration of Choice and Latent Variable - ICLV) superior às demais modelagens, por modelar explicitamente o modelo probabilístico de escolha integrado ao modelo de variável latente. Através de uma modelagem integrada espera-se inferir sobre um provável modelo integrado composto pelas variáveis significativas observadas nas modelagens parciais (“b” e “c”). Caso não seja viabilizada a modelagem integrada, a modelagem sequencial (Figura 4.5 na seção 4.7) deve ser utilizada.

e) Modelagem da interação entre pais e alunos.

Até aqui, todas as modelagens se concentraram na opinião dos alunos sobre a escolha modal. A modelagem da interação entre pais e alunos pretende investigar a hipótese complementar do trabalho, em que a decisão pelo modo de transporte para as viagens

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escolares não é uma decisão exclusiva do aluno. As restrições para a repetição das modelagens anteriores (“b” a “d”) para as opiniões pareadas entre alunos e seus respectivos pais são a pequena amostra de opiniões pareadas obtida em todas IEMs participantes e apenas para alguns modos. Como apresentado na Figura 3.3, apenas o efeito da intenção comportamental e do controle percebido dos alunos e pais/responsáveis sobre o comportamento observado foi modelado, considerando uma amostra mínima de 26 respondentes, e apenas para os modos Automóvel da Família e Ônibus. O teste da hipótese da interação da opinião sobre a decisão modal entre pais e alunos foi testado à semelhança da modelagem do comportamento (item c).