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Competitive Effects of Congestion

To explain the paradox, we distinguish between strengthening the grid by improving thermal capacities and by improving line admittances. We also provide an explanation of the paradox

9. Competitive Effects of Congestion

Estudando o desenvolvimento estético a partir destes quatro autores – Parsons, Housen, Rossi e Franz – senti o desejo e a necessidade de compará-los, de perceber como dialogam entre si, como divergem ou harmonizam em seus pensamentos e teorias, enfim, senti vontade de desenvolver um olhar próprio, crítico e talvez até político sobre suas pesquisas e é sobre esta vontade um tanto pretensiosa de que falarei agora.

A leitura isolada de cada autor por si só despertou questões, conflitos, desarranjos e desconstruções internos em mim e foram muitos os momentos em que senti uma forte tentação por trabalhar com apenas um deles ou no máximo dois, um estrangeiro e um brasileiro, para simplificar as coisas. Contudo, como eu já havia feito leituras e anotações de textos dos quatro autores, pude perceber que havia uma complementaridade em suas idéias e que, respeitadas as diferenças existentes entre suas pesquisas e teorias, poderia ser enriquecedor para o meu olhar, um encontro entre eles.

Tenho consciência de que essa escolha traz riscos, aliás, como todas as escolhas. Risco de ser simplista, reducionista e superficial na leitura de suas teorias, risco de não diferenciar e respeitar aquilo que identifica a pesquisa de cada um, risco de tirar conclusões errôneas ou distorcidas sobre o que dizem em função de estar lidando com várias idéias ao mesmo tempo, mas resolvi assumir os riscos, pois percebi que o momento de escrever uma dissertação é o momento de me confrontar comigo mesma e com os autores, é o momento de refletir sobre minhas escolhas e usufruir delas de forma consciente.

Até esta parte do texto eu procurei descrever a pesquisa de cada autor respeitando as características intrínsecas a cada uma delas e buscando nelas, diversos aspectos que foram fundamentais para as minhas próprias escolhas e para a minha compreensão do desenvolvimento estético.

Com o intuito de melhor organizar os meus pensamentos e de facilitar a minha compreensão das diferentes pesquisas, elaborei um quadro comparativo – em anexo – no qual identifico características de cada pesquisa. Assim é possível visualizar as diferenças e semelhanças entre suas metodologias, abordagens, contextos, estágios, perguntas e imagens utilizadas.

Os quatro autores têm por preocupação comum a melhoria da qualidade do ensino da arte partindo da compreensão de como os sujeitos a interpretam. Parsons, Rossi e Franz trabalharam diretamente com o público envolvido em processos de ensino e aprendizagem da arte, quer seja em escola de educação básica ou superior, quer seja em museus.

A entrevista foi a metodologia utilizada por todos e os tipos de perguntas feitas aos entrevistados estavam diretamente ligadas ao que cada autor buscava conhecer através de sua pesquisa e isto eu denominei de “abordagem”, ou seja, é a direção do olhar, é o recorte ou a ênfase que cada um dá a determinado aspecto na leitura da imagem. Assim, Parsons faz perguntas direcionadas para a compreensão da interpretação estética que os indivíduos fazem da imagem. Por isso, pergunta: Acha que é um bom assunto para um quadro? ou Foi difícil fazer este quadro? A primeira pergunta direciona a resposta do observador para o tema da imagem e com ela Parsons verifica em que nível se dá a relação desse observador com o tema. Com a segunda pergunta, Parsons averigua se a mestria ou a habilidade é um aspecto valorizado pelo observador, pois essa informação fornece indícios de como ele

pensa. Além do olhar sobre o aspecto estético, as respostas dos sujeitos forneceram a Parsons um aspecto psicológico referente à maior ou menor capacidade que os sujeitos têm de assumir o ponto de vista das outras pessoas.

Rossi elaborou perguntas direcionadas à interpretação e ao julgamento das imagens pelo observador a fim de compreender o tipo de relação que ele estabelece a partir dessa imagem. Assim, perguntava:O que você pensa quando olha para essa figura? ou Qual delas é a melhor? E a pior? Por quê? A primeira pergunta leva a uma resposta interpretativa, já a segunda, leva ao julgamento da imagem e ambas revelam à pesquisadora se o observador relaciona a imagem com o mundo, com o artista ou com ele próprio, que é a sua abordagem sobre a leitura das imagens. Franz é dos quatro autores, a que elaborou a maior quantidade de perguntas e as especificou de acordo com o público entrevistado, pois sua proposta era investigar a compreensão que as pessoas têm das imagens sob diversos âmbitos, portanto, perguntou: O que sabes sobre o autor, título, lugar e época em que foi produzida? ou Podes me dizer como os pintores do século XIX pintavam suas visões sobre a história do Brasil? A primeira pergunta conduz a uma resposta sob o âmbito da compreensão estético/artístico da imagem, já a segunda, enfoca o âmbito histórico/antropológico.

Housen foi a pesquisadora que fez o menor número de perguntas nas entrevistas, pois acredita que uma única pergunta – O que vê aqui? – permite chegar a respostas mais espontâneas e que explicitam melhor e de forma mais neutra, o modo de pensar dos observadores. Há em sua entrevista no máximo mais uma pergunta que é: Há mais alguma coisa? A autora percebeu que as respostas dos sujeitos demonstram seus conhecimentos e que estes podem variar de conhecimentos pessoais, gerais a estéticos.

Particularmente, interessei-me por testar a metodologia de entrevista de Housen em uma das turmas com que trabalhei e devo dizer que mesmo a simples pergunta O que vê aqui? me pareceu conduzir o olhar do observador, mas essa questão será abordada no próximo capítulo.

Era consenso entre os pesquisadores que, uma vez feita a pergunta, o entrevistador deveria interferir o mínimo possível na fala do entrevistado para que as respostas não fossem tendenciosas.

Parsons trabalhou com diversas imagens, mas apresentou em seu livro a leitura de oito delas, sendo todas pinturas figurativas dos séculos XIX ou XX. Housen utilizou no doutorado três pinturas do século XX, sendo uma delas abstrata, já em seu texto de 2000, mostra-nos as leituras de uma imagem de Picasso. Franz, por motivos que já foram abordados, trabalhou com uma única imagem, uma pintura histórica. Finalmente Rossi foi quem mais diversificou a sua seleção tanto em termos de linguagens como em estilo, mas todas do século XX.

Retomarei essa questão da curadoria de imagens no próximo capítulo, discutindo até que ponto essa escolha é importante para quem deseja identificar o nível de pensamento estético dos sujeitos.

Quanto aos estágios ou níveis de desenvolvimento estético, o quadro a seguir nos mostra os resultados a que cada teórico chegou com suas pesquisas.

Relembrando o que já foi dito anteriormente, podemos visualizar neste quadro que Parsons nomeia os estágios pelas idéias que predominam nas falas dos indivíduos em cada estágio; Housen dá nome à ação que os sujeitos são capazes de realizar em cada estágio; Rossi denomina os níveis de I, II e III, mas dentro destes três níveis há cinco diferentes tipos de relações que os sujeitos estabelecem para as imagens; Franz nomeia os níveis de acordo com o maior ou menor

conhecimento que os sujeitos apresentam sobre os cinco âmbitos de compreensão de uma imagem apresentados pela autora.

Teóricos Estágios/

Níveis

Parsons Housen Rossi Franz

1O

Estágio/Nível Preferência Narrativo Nível I Ingênuo

2O

Estágio/Nível Tema Construtivo Nível II Principiante

3O

Estágio/Nível Expressão Classificador Nível III Aprendiz

4O

Estágio/Nível Estilo/Forma Interpretativo _______ Especialista

5O

Estágio/Nível Juízo Re-Criativo _______ _______

Quadro comparativo dos estágios/níveis de desenvolvimento estético segundo os quatro teóricos

No quadro seguinte é possível observar que procurei estabelecer uma correspondência entre os estágios dos quatro autores tomando por referência os estágios de Parsons e a partir deles verificando as semelhanças com os estágios dos demais teóricos.

Contudo, essa correspondência foi feita, levando em conta aspectos gerais e não as especificidades de cada estágio. Sendo assim, o quadro é apenas uma proposição daquilo que o meu olhar conseguiu identificar como possíveis semelhanças e correspondências entre os estágios desses autores, não perdendo de vista que eles adotam abordagens distintas para analisar as respostas de seus sujeitos e que, portanto, seria impossível estabelecer uma total equivalência entre estes estágios.

Demais Teóricos

Parsons

Housen Rossi14 Franz

Preferência Narrativo Ingênuo

Tema Construtivo Nível I-Nível II Ingênuo/Principiante

Expressão Classificador Nível II-Nível III Principiante/Aprendiz

Estilo/Forma Interpretativo Aprendiz

Juízo Re-criativo Especialista

Quadro de correspondência entre os estágios/níveis de desenvolvimento estético tomando Parsons como referência

Para concluir meu pensamento, vejo como principal ponto de confluência ou como objetivo comum às pesquisas dos teóricos que adotei como referenciais para o estudo do desenvolvimento estético, o interesse em propor caminhos ou metodologias que promovam o avanço da compreensão que as pessoas têm da arte.

Além disso, é consenso entre esses autores que esse avanço no desenvolvimento estético está diretamente relacionado às experiências que o sujeito tem com a arte, ou seja, um sujeito pode ter atingido o máximo de seu desenvolvimento cognitivo, o máximo de sua consciência sobre o ponto de vista dos outros ou o máximo de sua consciência sobre a participação de sua subjetividade na interpretação de uma obra de arte, mas se ele não for confrontado com a arte de

14 O nível I de Rossi é comparável ao 2º estágio de Parsons, pois o 1º Estágio deste autor é próprio

de crianças com o pensamento pré-operatório, que não corresponde ao pensamento dos estudantes entrevistados por Rossi. Na classificação de Rossi não há possíveis equivalências com o 4º e com o 5º estágios dos outros autores, pois sua pesquisa se deteve a analisar o pensamento estético de estudantes da educação básica (informações verbais fornecidas por ROSSI, por ocasião da defesa desta dissertação em São Paulo, em dezembro de 2008).

forma a refletir sobre ela e construir conhecimentos e significados para ela, ele vai ter o seu desenvolvimento estético estagnado a níveis pouco elaborados.

Aqui entra duplamente o trabalho da arte-educação, pois cabe aos professores de artes tentarem criar na escola condições para que a experiência estética ocorra e para que o conhecimento em arte seja fruto da construção ativa de cada aluno a partir de seu encontro com a arte.

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O contexto do qual se está falando

Atuo como professora de artes na educação básica desde o ano de 1994 (desde a 1a série do ensino fundamental I até a 2a série do ensino médio) e no ensino superior desde o corrente ano e neste momento estou apenas na rede particular de ensino.

Esta pesquisa foi realizada em uma das duas escolas de educação básica em que trabalho – uma cooperativa – e a escolha por ela se deu em função da não utilização de material apostilado, portanto, nessa escola organizo meu planejamento, seleciono conteúdos, faço planos de aulas. Isso confere ao meu trabalho um caráter autoral mais intenso, mas também uma responsabilidade maior sobre minhas escolhas metodológicas, pedagógicas e ideológicas. Sinto que essas escolhas revestem o meu trabalho de um aspecto de investigação e de criação próprios, pois para definir conteúdos, objetivos e metodologias preciso pesquisar, estudar, selecionar, escolher, comparar, definir, conhecer, experimentar, refletir, criticar, enfim, envolver-me de forma mais profunda com o processo de ensino- aprendizagem da arte – o meu próprio e o dos meus alunos.

Houve um tempo em que pensei se queria mesmo ser professora de artes ou ser artista. Tenho impressão de que muitos professores de artes também passam por esse questionamento. Mas me dei conta de que o importante é o processo de criação, ele é fundamental na minha vida e no meu trabalho, pois me faz sentir viva, pensante e pulsante e, afinal, criar não é uma exclusividade dos artistas.

Esta pesquisa reforçou essa visão e também meu sentimento de autoria, de criação, de reflexão, de autonomia e ao mesmo tempo de consciência de que não há autonomia plena, pois estamos sempre defendendo e divulgando idéias com as