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A partir de uma investigação mais apurada no que se refere à performance artística, a pesquisa em questão fez um levantamento das informações sobre o espetáculo Por onde se vê, objeto de estudo desta pesquisa, e constatou alguns fatos que já se configuravam como hipóteses iniciais deste estudo, no que diz respeito a diferentes e inusitadas criações no âmbito da dança.

O universo da arte contemporânea vem expandindo seus domínios provocando grandes transformações nesse meio, especialmente na dança, por meio de suas diversas e surpreendentes manifestações híbridas. Esse hibridismo se faz presente também a partir da contribuição de áreas ditas teóricas como a linguística, semiologia, psicanálise, hermenêutica, fenomenologia, história, entre outras, permitindo assim um movimento constante do pensamento em torno da arte.

Em se tratando de arte, não basta ser híbrida para ser categorizada como performance. Apesar de ser quase unânime entre seus autores que a performance é uma forma híbrida de expressão artística, esta característica sozinha não assegura a inclusão de qualquer arte na categoria performance, pois, como bem coloca Glusberg, o hibridismo remonta à Antiguidade.

Acredito que essa questão vai muito além de um diálogo entre linguagens, por isso comungo do pensamento da autora Cristine Greiner quando diz que os limites da performance ficam cada vez mais incertos, passando a funcionar como “operador de radicalização”. Nesse sentido, na dança, os processos criativos radicais executados pelos artistas, mostram que estes estão contaminados por este fazer da performance.

No caso do espetáculo “Por onde se vê”, é clara essa radicalização quando percebemos

uma ruptura com os convencionalismos da arte. O espetáculo traz em sua composição a subversão de padrões e ideias, a collage como estrutura, a utilização de espaços alternativos, a aproximação da relação público intérprete, a visão tridimensional da obra, a possibilidade de vivenciar outros processos de subjetivação, o aguçar da sensorialidade, a possibilidade da atuação mais efetiva do público na obra no ato de afetar e ser afetado por ela, a apresentação da obra sempre aberta, enfim, a Companhia Experimental de Dança Waldete Brito confundiu e instigou muitos espectadores, que saíram daquele ambiente cênico com muitas incertezas e questionamentos sobre o que tinham assistido. Alguns disseram, sobre o espetáculo, que “nem de longe parecia dança”. Ao levantar questões relacionadas entre a dança e a performance, Cristine

Greiner diz que, para alguns artistas e críticos, a dança contemporânea aproxima-se muito mais da performance do que daquilo que se considerava dança até então.

Nesse caminho, acredito que o que diferencia as novas criações em dança é o modo como as ideias e pensamentos se organizam nesse universo artístico. A proposta é subverter tudo que se configura como tradicional e buscar o novo a partir da reelaboração, da reformulação do repertório vivencial de cada um, descartando o óbvio, o provável e lançando-se no universo das incertezas, do improvável e da experimentação, privilegiando as idiossincrasias e as singularidades coletivas, como aconteceu com o espetáculo “Por onde se vê”.

Estas características, que fazem parte da arte da performance constituem-se como grandes aliados no mapeamento crítico e teórico de Por onde se vê.

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