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6.12 Calculations for Volume and Heat in the North Atlantic

6.12.1 Circulation in the North Atlantic

A relação entre gênero e envelhecimento baseia-se nas mudanças sociais ocorridas ao longo do tempo e nos acontecimentos ligados ao ciclo de vida. A proporção de idosos entre os sexos é bastante diferenciada; as mulheres idosas são mais numerosas. Em 1991, as mulheres brasileiras correspondiam a 54% da população de idosos, passando para 55,1% em 2000. Isto significa que para cada 100 mulheres idosas havia 81,6 homens idosos, relação que, em 1991, era de 100 para 85,2. Tal diferença é explicada pelas expectativas de vida das mulheres que é de oito anos a mais que dos homens. Veras (1996) atribui esse fenômeno a aspectos biológicos e a diferença de exposição aos fatores de risco de mortalidade. A maior longevidade feminina implica transformações nas várias esferas da vida social, uma vez que o significado social da idade está profundamente vinculado ao gênero. Verifica-se que ocorrem mudanças dramáticas nas estruturas dos países em desenvolvimento, associado ao rápido envelhecimento da população feminina (ver figura 1).

As mulheres vivem mais do que os homens em quase todos os lugares. Este fato reflete-se na maior taxa de mulheres por homens em grupos etários mais velhos. Por exemplo, na Europa, em 2002, havia 678 homens para cada 1.000 mulheres com 60 anos ou mais. Em regiões menos desenvolvidas, havia 879 homens para cada 1.000 mulheres com 60 anos ou

mais (ver figura 2). As mulheres correspondem aproximadamente a dois terços da população acima de 75 anos em países como o Brasil e África do Sul (OMS, 2005).

Quanto aos aspectos da longevidade, alguns autores afirmam que as mulheres têm a vantagem de viverem mais, no entanto, tendem a ser mais pobres e a apresentar mais deficiência em idades mais avançadas.

Nesse sentido, Camarano (2002) comenta que as implicações da feminização da velhice em termos sociais são notórias, dado que grande parte das mulheres é viúva, vive só, não tem experiência de trabalho no mercado formal e são menos educadas. Nos países leste europeu, por exemplo, em fase de transição econômica, mais de 70% das mulheres com idade de 70 anos ou mais são viúvas. No entanto, as mulheres têm a vantagem da longevidade, mas são vítimas mais freqüentes da violência doméstica e de discriminação no acesso à educação, salário, alimentação, trabalho significativo, assistência à saúde, heranças, medidas de seguro social e poder político. Essas desvantagens cumulativas significam que as mulheres, mais que os homens tendem a ser mais pobres e a apresentar mais deficiência em idades mais avançadas (OMS, 2005).

Observou-se em alguns estudos que no ano (2000) predominava, entre as mulheres brasileiras, o estado conjugal viuvez seguido de casado, aumentando no decorrer do tempo a proporção de separados, desquitados e divorciados. Repercutindo em mudanças no arranjo familiar, cujos domicílios passaram a ser chefiados por mulheres.

Entretanto, há outras visões mais otimistas em relação à condição atual das mulheres idosas. Debert (1999), por exemplo, acredita que para as idosas de hoje tanto a velhice quanto a viuvez podem representar certa independência ou mesmo uma forma de realização. Não obstante as aparentes contradições entre estas duas visões, ambas contribuem para a discussão de questões importantes relacionadas ao tema, sendo verdadeiras para segmentos sociais específicos dentro da população idosa.

Para Bruns (2007):

na meia idade o descasamento é um fato comum. Todavia, não raro nos surpreendermos com separações daqueles com idade acima de 65 anos. Essa realidade permite-nos dizer que a estrutura familiar está em crise e o processo desencadeador dessa significativa mudança na estrutura familiar foi sendo elaborado no decorrer do século XX. É importante dizer que os descasamentos ocorridos na meia idade per si não oferecem garantia de felicidade e sucesso na última e derradeira fase de nosso ciclo existencial.

Também, no caso da relação familiar, as mulheres estão em menor número que os homens quando se trata de autonomia econômica. É mais comum, em função de questões históricas e sociais que envolvem a mulher, encontrarem mulheres dependentes, sem renda fixa ou que moram em casas de parentes (CAMARANO et al., 2005). Esse é o reflexo imediato das condições socioeconômicas que indica a situação geral de vida do país ou região, num circuito intimamente vinculado.

Sendo assim, penso, que ao longo de sua trajetória a mulher climatérica, de baixo grau de estudo e baixo poder aquisitivo, enfrenta obstáculos com efeito acumulativo para a sua qualidade de vida na velhice.

Quanto ao combate à exclusão social, alguns autores apresentam o conhecimento com um poderoso instrumento, não só de visibilidade, mas de mudança da situação e de combate a exclusão social. A Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, da UNESCO, ao referenciar a nova educação, deve abordar quatro princípios para o processo de aprendizagem: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e conseqüentemente, aprender a ser. Esses são os pilares do conhecimento, cuja visão direciona- se para os aspectos social e humanista, que entendemos como necessários não só nas investigações sobre o envelhecimento humano, como também nos documentos que norteiam a educação formal DELORS (1999 apud BRUNS, 2007). Para que as pessoas tenham autonomia, faz-se necessário um conjunto de serviços que se articulem no sentido de propiciar ao sujeito oportunidade, ou seja, condições subjetivas de auto-realização e autonomia, as

condições objetivas de um envelhecimento saudável (FALEIROS, 2002; FALEIROS; LOUREIRO, 2006).

Assim sendo, concordo que os programas de climatérios deveriam preconizar uma concepção participativa e contextualizada, onde a mulher não recebe passivamente o tratamento médico, mas constrói ativamente e em conjunto com as outras o seu próprio conhecimento contribuindo para a provável mudança de comportamento associada aos mitos e preconceitos gerados pela sociedade em relação à menopausa.

As diferenças por sexo em termos de vida saudável são apontadas por Camarano (1999) como dramática situação das mulheres nos países pobres, entre eles os da América Latina, onde, apesar de haver maior esperança de vida feminina, as mulheres apresentam menor tempo de vida saudável (25 anos) do que os homens (26 anos). Isto contrasta com os países desenvolvidos, nos quais as mulheres, consistentemente, apresentam maiores índices de esperanças de vida e, também, mais tempo de vida saudável (47 anos) do que os homens (45 anos); e com os países do Oriente Médio, nos quais as mulheres apresentam apenas 16 anos de vida saudável, enquanto os homens têm 22 anos (OMS, 1996). Segundo Gustafssom (1996 apud Camarano, 1999) a Suécia seria o modelo ideal de “contrato de gênero” mais próximo de rompimento com as dicotomias homem/mulher, que caracterizam a maioria dos exemplos de Estado de Bem-Estar. Existem diferentes tipos de "contrato social" nos diversos países que ajudam a compreender as múltiplas formas de participação das mulheres no mercado de trabalho.

O envelhecimento da população impõe uma alteração rápida e eficaz nos rumos das

políticas sociais que contemplem as demandas e necessidades dos idosos de hoje e dos que o serão amanhã. Paschoal, (2000). Assim, é imprescindível investir em políticas que atendam às necessidades das mulheres menopáusicas.

A partir deste entendimento, verifica-se a relevância dos seguintes fatos, que se apresentam como marco histórico determinante de tais direitos: aprovação, pela Organização das Nações Unidas, do Plano Internacional de Viena sobre o envelhecimento, em agosto, de 1982 e do Plano Internacional do Envelhecimento/ Madri - 2002 (ONU). O principal objetivo destes planos é levar as autoridades dos diferentes países a adotar medidas de apoio a esse segmento da população, tanto no campo jurídico como na implementação de políticas sociais. Tanto na Declaração Universal dos Direitos Humanos quanto na Constituição Federal do Brasil, o ideal maior é o de uma sociedade justa e fraterna, pluralista e sem preconceitos de qualquer espécie, de uma sociedade fundada na harmonia social e no compromisso com a solução pacífica de problemas sociais, conflitos e contradições.

Cabe ressaltar o Estatuto do Idoso – Lei N. º 10.741, sancionado em outubro de 2003 e que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2004, que vem fortalecer e ampliar os mecanismos de controle das ações desenvolvidas, em âmbito nacional, assim como vem complementar a Lei N.º 8.842 de janeiro de1994, que promulgou a Política Nacional do Idoso.

Diversos autores como, Camarano (2005), insistem na falta de visibilidade dos problemas das mulheres idosas, em parte, mascarados pela maior esperança de vida dessas mulheres e chama a atenção para o fenômeno da feminização da velhice e para as diferenças no processo de envelhecimento de homens e mulheres. É particularmente importante que a assistência dessa mulher, fragilizada e desinformada, seja levada em consideração nessa fase do ciclo vital..

Todavia, a concepção de integralidade da assistência, central no PAISM, Programa de Atenção Integral a Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde, implica reconhecer as limitações do conhecimento biomédico, hegemônico em saúde. Acrescentaríamos os efeitos das construções simbólicas sobre o corpo e o adoecimento para responder aos graves problemas da população feminina, por deixar em planos secundários aspectos humanos e sociais do processo saúde/doença (MENDONÇA, 2004).

Assim sendo, acredito que as atividades de promoção da saúde e o acesso universal das mulheres menopáusicas ao serviço de saúde durante o período climatérico poderão contribuir para envelhecimento saudável da população feminina.

No entanto, mais recentemente, a lacuna entre ricos e pobres e as injustiças subseqüentes com relação à saúde vem crescendo em países de todos os continentes Lynch e cols., (2000 apud OMS, 2005). A não abordagem desse problema vai gerar sérias conseqüências para a economia global e para a ordem social, bem como para sociedades igualmente e as populações de todas as idades. Os governantes temem, talvez mais que tudo, que o envelhecimento rápido da população leve a uma explosão incontrolável na área da saúde e nos custos com seguro social. Desta forma o envelhecimento global requer que os governos e setor privado enfrentem o desafio de um novo paradigma, enfatizado através do tema “uma sociedade para todas as idades”, foco central do Ano Internacional do Idoso das Nações Unidas, em 1999.

Parece surgir, então, no imaginário social um ideal referente à igualdade de papéis, maior autonomia do papel feminino, fato que antes, não era concebido ou aceito culturalmente. A mulher, antes vista como subordinada e, muitas vezes, submetida ao homem, assume uma posição mais ativa e responsável, passando a ter direito às escolhas, liberdade em suas próprias decisões. “A partir da segunda metade do século XX, o mundo ocidental tem

visto o quanto as conquistas femininas têm provocado mudanças significativas nas relações entre homens e mulheres e na estruturação familiar.” (SCHABBEL, 2005). Podemos relacionar isso com a ida da mulher para o mercado de trabalho, pois, tal evento, ampliou as possibilidades de papéis femininos e possibilitou a mulher maior liberdade nas próprias escolhas. No entanto, se refere Carneiro (2003), o ideal de um amor romântico, na conteporaneidade, tem uma tendência a se fragmentar, isto, pois, a mulher assumiu diversas responsabilidades e adquiriu maior autonomia. Halbe (1995) acusa, como agravante, a intensidade dos sintomas, a caracterização intrapsíquica, a qualidade de vida pessoal e familiar, os fatores socioculturais. A importância desses aspectos é evidenciada na forma que algumas mulheres enfrentam as questões da vida diária e as mudanças mais significativas, ou no seu inverso, em como se deixam envolver entrando em conflitos perenes.

Ao meu entender, a expectativa de vida da mulher pós-moderna, que também está mais exposta aos riscos atualmente, poderá mudar em termos de qualidade de vida, desde que as mulheres menopáusicas venham um dia a liderar, com o apoio da mídia e com o reconhecimento político e social, a criação de uma imagem mais positiva da meia idade. Ademais, se devem educar os jovens sobre o envelhecimento e cuidar da manutenção dos direitos das pessoas longevas, estes procedimentos poderão contribuir para a redução e até para a eliminação dos estereótipos, discriminação contra as pessoas mais velhas, assim como poderão também vislumbrar melhor qualidade de vida para as mulheres idosas climatéricas.

O modelo de "contrato de social" de países nórdicos como a Suécia, valoriza a profissionalização das mulheres e aposta na oferta de serviços às famílias (creches, apoio a idosos, serviços de proximidade), mas também a partilha de responsabilidades familiares entre o pai e a mãe.