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“Chicos y chicas: ¡a jugar con la ciencia!”

Esta tese está estruturada em 5 (cinco) capítulos, incluindo a parte introdutória e a conclusão geral.

Na Introdução, contextualiza-se a pesquisa, o objetivo geral e os específicos, o problema da pesquisa, hipóteses, materiais e métodos, área de estudo e a caracterização de Santarém (climatobotânica, geomorfológica, da Formação Alter-do-Chão, rede hidrográfica etc.), aquisição e processamento de imagens e confecção de mapas, extração de drenagem, curvas de níveis e dados integrados de sensoriamento remoto, desenho amostral, localização dos pontos de coletas e avaliação dos teores de mercúrio.

No capítulo 2 é discutido a “Especiação de mercúrio em solo e material particulado e aferição do índice de Capital Social (ICS) na foz do rio Tapajós, Amazônia- Brasil”, fazendo uma contextualização social a partir da aplicação do QI-MCS e a contaminação por mercúrio na área da pesquisa.

O mesmo procedimento foi adotado no capítulo 3 para “Avaliação do risco de contaminação e classificação das áreas contaminadas por mercúrio na foz do Rio Tapajós, Pará, Brasil”, onde foram utilizadas ferramentas da geoestatística na elaboração de mapas de concentrações e mapas de risco de contaminação de mercúrio, com os respectivos mapas de classificação de áreas contaminadas;

No capítulo 4, “Avaliação da contaminação por mercúrio na foz do rio Tapajós, Pará, Brasil, com uso de Krigagem Fatorial”, que permite levantar hipóteses sobre a origem das possíveis fontes de contaminação de mercúrio na área da pesquisa.

Para o capítulo 5, são apresentadas considerações finais e sugestões para trabalhos futuros.

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2 ESPECIAÇÃO DE MERCÚRIO EM SOLO E MATERIAL PARTICULADO E AFERIÇÃO DO ÍNDICE DE CAPITAL SOCIAL (ICS) NA FOZ DO RIO TAPAJÓS, AMAZÔNIA-BRASIL

Enilson da Silva Sousa (1) Marcelo Oliveira Lima (2) Dulcideia da Conceição Palheta (3) Joaquim Carlos Barbosa Queiroz (4) Universidade Federal do Pará – UFPA (1)

Instituto de Geociências – IG

Rua Augusto Corrêa, n. 1. CEP: 66075-110 – Guamá – Belém-PA E-mail:[email protected] ou [email protected]

Instituto Evandro Chagas – IEC (2)

Seção de Meio Ambiente (SAMAM) – Instituto Evandro Chagas (IEC) Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde (SVS) – Ministério da Saúde (MS)

Fones: (91) 32142096 / 988396255 / 982470800 E-mail:[email protected]

Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA (3) Avenida Presidente Tancredo Neves 2501 -

66077-530 Belém - PA

Telefone: (91) 274 3493/(91) 274 0900 Fax: (91) 274 3814 Site: www.ufra.edu.br. E-mail:[email protected]

Universidade Federal do Pará – UFPA (4) Instituto de Geociências – IG

Rua Augusto Corrêa, n. 1. CEP: 66075-110 – Guamá – Belém-PA E-mail:[email protected]

RESUMO

A região de Santarém, no estado do Pará, foi escolhida para a realização desta pesquisa pelo fato de estar no centro das discussões da contaminação por mercúrio na Amazônia. O objetivo deste artigo é a análise da especiação de Hg e Metil-Hg em solo e material particulado na foz do rio Tapajós; e a quantificação da percepção, capacidade de mobilização e ação política sobre a contaminação por esse metal da população de Santarém. Os procedimentos metodológicos incluíram classificação, quantificação de material em suspensão e sedimentos das áreas identificadas, aplicação de Questionários Integrados para Medir o Índice de Capital Social - QI-MCS, proposto pelo Banco Mundial, por meio de entrevistas individuais. Para determinar o mercúrio total e metil- Hg nas amostras, elas foram submetidas à digestão ácida e determinações de Hg realizadas por Espectrofotometria de Absorção Atômica, com geração de vapor frio. A avaliação das concentrações de mercúrio nos pontos amostrados e de profundidade foi realizada com a ajuda da análise de agrupamentos, utilizando o método do Agrupamento (clustering) Hierárquico. Os resultados obtidos foram que a variável mercúrio total em solo apresentou ocorrência de valores muito elevados nas análises de mercúrio total com granulometria para fração fina e fração bruta. O Índice de Capital Social calculado foi de 0,810, o que corresponde a um alto nível de acúmulo de capital social de acordo como a proposta do BM. Os valores de concentração média de Hg foram mais elevados em material particulado em suspensão, frações finas e brutas e a população envolvida na pesquisa apresenta um elevado Capital Social, indiciando uma capacidade de mobilização e ação política a exposição ambiental ao mercúrio por parte dela.

INTRODUÇÃO

Os efeitos sobre a saúde humana, relacionados com a bioacumulação, transformação e transporte mundial do mercúrio inorgânicos se devem quase exclusivamente à conversão dos compostos de mercúrio em metilmercúrio (CH3Hg),

conforme a observação feita por Souza; Barbosa (2000).

Quanto à toxicidade, o mercúrio ao ser absorvido pelo sistema orgânico humano é depositado em tecidos, causando lesões graves nos rins, fígado, aparelho digestivo e Sistema Nervoso Central. A exposição aguda por inalação acarreta fraqueza, fadigas, anorexia, perda de peso e perturbações gastrointestinais (PASSOS et al., 2007)

A contaminação ambiental, por sua vez, é provocada pela dieta alimentar, comumente pela ingestão de peixes de água doce ou salgada, o que, na prática, afeta diretamente a corrente sanguínea, provocando problemas no Sistema Nervoso Central (SOUZA; BARBOSA, 2000). A grande preocupação é o elevado consumo de peixes pelas populações amazônicas, fonte de proteína e, consequentemente, a principal via de exposição humana ao metilmercúrio na Amazônia, como aponta os estudos de Trasande et al. (2010).

O garimpo clandestino em pequena escala e de forma artesanal, que utiliza a amálgama ouro-mercúrio para extrair ouro do minério, é outra fonte significativa de exposição para os trabalhadores e as populações vizinhas a essas áreas (ESTRELA, 2012). Os garimpeiros queimam a amálgama ouro-mercúrio para vaporizar o mercúrio e recuperar o ouro, assim, os mineiros e as populações locais podem ter alta exposição aos vapores de mercúrio. Além disso, os resíduos de mercúrio metálico são geralmente despejados próximos ou em cursos de água, podendo levar as concentrações de metilmercúrio em peixes desses corpos d'água. Dessa forma, o consumo desses peixes contaminados por moradores da comunidade pode resultar em ingestão de níveis elevados de metilmercúrio (WHO, 2008).

Nesse contexto, a Amazônia é a região por excelência no processo de exposição ambiental humana, devido a sua geografia e a presença de uma vasta rede hidrográfica. O monitoramento e a avaliação da dinâmica mercurial na região e suas consequências para população local, ecossistema regional e global são de grande importância para sugerir políticas públicas e mitigar possíveis danos à saúde e ao meio ambiente.

Uma ampla literatura aborda os possíveis efeitos do mercúrio inorgânico ou metilado, sobre as populações locais da região do Tapajós. As populações amazônicas, principalmente ribeirinhos e indígenas, são potencialmente expostos a baixas

concentrações de mercúrio total, ao longo de toda a vida (PINHEIRO et al., 2007) e a maioria dos estudos mostra uma relação positiva entre o consumo de peixe e elevados níveis de Hg no cabelo (SANTOS et al., 1999; PASSOS et al., 2007).

As maiores concentrações (>500 ppb) foram encontradas em espécies carnívoras, como na Plagioscion squamosissimus (pescada branca), Pseudoplatystoma spp. (surubim), Brachyplatystoma filamentosum (filhote), B. fravicans (dourada) e os

Ciclídeos Cichla spp. (tucunaré), entre outros carnívoros (PINHEIRO et al., 2007),

largamente ingeridos e comercializados pelas comunidades locais. Dessa forma, o comprometimento do pescado local irá afetar sobremaneira a dinâmica econômica e ambiental dessas populações, em especial, o comércio de exportação que é controlado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 1998).

Alguns desses estudos, reportam-se aos efeitos sobre o sistema cardiovascular nessas populações amazônicas e mostram que, por exemplo, as pressões sistólicas e diastólicas são relativamente baixas, no entanto, há evidências de que ocorre o aumento dessa com a idade, e está relacionada significativamente com as elevadas concentrações de Hg total, em uma população com fatores de risco mínimos para hipertensão e com elevadas concentrações ambientais de Hg (FILLION et al., 2006).

Por outro lado, estudos sobre a catarata relacionada à idade (ARG) conduzida no baixo rio Tapajós (PROJETO CARUSO, 2010), indicaram que um terço (n = 69; 32.7%) dos participantes apresentaram ARG, e apresenta indivíduos dessa população com elevados níveis de Hg, os efeitos cataratogênicos do Hg podem ser diminuídos pela ingestão de selênio (Se) nas suas dietas (LEMIRE et al., 2010). O MeHg é primariamente um agente neurotóxico, mas sua ação poderia ser antagonizada por fatores nutricionais, como a ingestão de vitaminas antioxidantes presentes nas frutas amazônicas (PASSOS et al., 2007), aminoácidos (glicina, metionina, cisteína) (FARINA et al., 2011) e minerais, como o selênio (PINHEIRO et al., 2007; RODRIGUES et al., 2008; LEMIRE et al., 2006., LEMIRE et al., 2011).

A ingestão adequada de Se é essencial para diversas selenoenzimas envolvidas nos processos antioxidantes, manutenção do estado redox, regulação imune e regulação tireoidiana (REEVES; HOFFMANN, 2009). A população amazônica, embora exposta a elevadas concentrações de mercúrio através da dieta piscívora, poderá estar protegida pela cultura da ingestão de alimentos ricos em Se oriundos da floresta (LEMIRE et al., 2011).