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A posição canguru consiste em manter o PT ou de baixo peso ao nascer em contato pele-a-pele, na posição vertical, junto ao peito materno ou de outro familiar (BRASIL, 2000, 2007). É considerado um método natural e sem custos adicionais, que possibilita participação ativa da mãe no cuidado e se constitui em estratégia já

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preconizada pelo Ministério da Saúde, denominada Método Canguru (BRASIL, 2009). Dentre algumas vantagens amplamente conhecidas do método canguru, destacam-se a promoção do aleitamento materno e o desenvolvimento do bebê, além do fortalecimento do vínculo mãe-bebê e família (FURLAN; SCOCHI FURTADO, 2003; MOORE; ANDERSON; BERGMAN, 2007).

Em uma revisão sistemática realizada por Warnock et al. (2010a), foram encontrados doze estudos experimentais ou casos-controle que investigaram a efetividade da posição canguru no alívio da dor aguda em RN a termo e pré-termo estáveis. Com base nas evidências disponíveis, os autores recomendam o uso da posição canguru no alívio da dor aguda relacionada a uma única punção de calcâneo em RN a termo e pré-termo (> 26 semanas de idade gestacional - IG), com estabilidade clínica.

Entretanto, vale ressaltar que Warnock et al. (2010a) apontaram diversas disparidades metodológicas entre os estudos, as quais impossibilitaram a condução de uma meta-análise.

A posição canguru possui efeitos calmantes quando utilizada, pelo menos, dez minutos antes do procedimento doloroso, devendo ser mantida durante e após o mesmo. No entanto, os estudos divergem consideravelmente quanto ao tempo de tratamento, variando de dez minutos a três horas, dando-se destaque para um estudo que avaliou a posição canguru após cinco sessões de 45 minutos (WARNOCK et al., 2010a). Assim, há necessidade de um estudo que compare a efetividade da posição canguru em diferentes tempos de tratamento.

Com relação ao tipo de procedimento doloroso, a maioria dos estudos sobre a efetividade da posição canguru avaliou a dor relacionada à punção de calcâneo (n=10), sendo que um destes também avaliou a resposta à dor de RN submetidos à venopunção; no entanto, os autores não descreveram quantos RN foram submetidos a um procedimento ou a outro e não foram tomadas medidas para controlar os diferentes tipos de dor. Outros dois estudos avaliaram a efetividade da posição canguru na injeção intramuscular (WARNOCK et al., 2010a).

Dois estudos investigaram o efeito da posição canguru com relação a soluções adocicadas. No estudo realizado por Freire, Garcia e Lamy (2008), comparou-se o efeito analgésico da posição canguru vs. 1ml de glicose 5% vs. posição prona na incubadora, em 95 RNPT submetidos à punção de calcâneo para o teste de triagem neonatal. O grupo submetido à posição canguru obteve menores

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escores na PIPP e demonstrou uma menor variação na FC e SaO2 em relação ao controle e ao grupo que recebeu a glicose. Outro estudo, realizado por Chermont et al. (2009), investigou o efeito combinado da posição canguru com a dextrose oral 25% em 160 RN a termo, saudáveis, durante a injeção intramuscular, em comparação com o uso dessas intervenções isoladamente ou cuidado de rotina. A combinação da posição canguru com a dextrose foi a intervenção mais efetiva no alívio da dor do RN, com menores escores em três escalas de dor (Neonatal Facial

Coding System – NFCS, PIPP e NIPS). Estudos que comparem a posição canguru a

outros métodos não-farmacológicos, tal como a sucção não-nutritiva e o leite materno, ainda precisam ser realizados, assim como investigações sobre sua efetividade quando administrada pelo pai ou outro cuidador.

O efeito da posição canguru parece ser mais demorado em RN com menor IG (28-32 semanas), segundo estudo realizado por Johnston et al. (2008), cujos resultados demonstram diferença estatística significativa entre as médias dos parâmetros comportamentais (mímica facial, estado de sono e vigília) e fisiológicos (FC e SaO2) na condição de contato comparado ao da incubadora nas diferentes fases do estudo; no entanto, a magnitude do efeito foi inferior ao estudo com prematuros mais maduros (> 30 semanas). Além disso, ao avaliar os escores de dor pela PIPP, houve redução estatisticamente significativa somente após 90 segundos da punção, permanecendo após os 120 segundos. Tais resultados divergem do estudo anterior, no qual houve uma imediata redução significativa na condição de contato, 30 segundos após a punção (JOHNSTON et al., 2003). No entanto, no estudo de Johnston et al. (2008) não foi realizada a estratificação por idade.

Até o momento, não encontramos estudos na literatura que se reportassem à implementação da posição canguru na prática clínica como intervenção não- farmacológica para alívio da dor aguda. No entanto, destacamos a importância do seu uso com o objetivo de oferecer uma assistência mais integral e humanizada, pois inclui a participação ativa da mãe e família na prevenção da dor aguda do RN.

Os mecanismos envolvidos no efeito analgésico da posição canguru ainda são desconhecidos. Durante o contato materno pele-a-pele, existem diversos componentes interagindo, tais como a contenção, o som do batimento cardíaco, os movimentos rítmicos da respiração, o calor materno, o posicionamento em prona (LUDINGTON-HOE; SWINTH, 1996) e o odor materno (GOUBET et al., 2003). Estudos em RN animais mostram que estes componentes estimulam diferentes

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caminhos sensoriais durante o contato mãe-filho, reduzindo a perda de energia (BLASS et al., 1995; BLASS, 1997). Além disso, há evidências de que intervenções baseadas no toque podem estar relacionadas à liberação de colecistoquinina e opióides, além de outros neuropeptídeos, como a ocitocina e neurotransmissores clássicos, apresentando um importante papel na reatividade ao estresse e no desenvolvimento da regulação emocional do neonato (LUND et al., 2002; WELLER; FELDMAN, 2003).

Desta forma, a mãe parece ter um papel importante no mecanismo de analgesia do contato materno pele-a-pele, no entanto, Warnock et al. (2009) ressaltam que 50% das mães dos doze estudos que avaliaram a efetividade da posição canguru foram instruídas a não tocar ou falar com o bebê enquanto este permaneceu em contato pele-a-pele. Tal fato foi justificado pelos autores com o objetivo de cegar os codificadores das filmagens ao tipo de tratamento. Porém, ainda não se sabe qual a contribuição do comportamento materno no efeito analgésico da posição canguru, o que requer investigações futuras.

Estudos têm investigado algumas variáveis que podem interferir nas respostas dos neonatos a um evento doloroso. Sabe-se que tanto as características biológicas individuais, tais como a idade gestacional (JOHNSTON et al., 1995), o sexo (GUINSBURG et al., 2000), as experiências prévias de dor (GRUNAU et al., 2001a), assim como o comportamento dos pais (PIIRA et al., 2007; TU et al., 2007) e dos profissionais de saúde (SWEET; MCGRATH; SYMONS, 1999), podem influenciar na reatividade à dor e ao estresse. Nas seções que se seguem, apresentamos resultados de estudos que investigaram a contribuição de fatores maternos na regulação do neonato.