Na análise dos dados realizamos a triangulação dos resultados dos diversos instrumentos de coleta utilizados, exceto o questionário, que somente foi utilizado para escolha do campo e dos sujeitos de investigação.
Ressaltamos que antes de iniciarmos a análise propriamente dita, escutamos novamente todas as gravações para revisar as entrevistas e os GD.
Os discursos foram organizados e interpretados a partir de categorizações que ultrapassaram a mera descrição, evidenciando significados, crenças e valores identificados. No DSC é orientado ao pesquisador que realize uma série de operações sobre o material verbal coletado da fala dos sujeitos investigados. Por isso seguimos todas as etapas que o DSC exige.
A análise do material verbal em geral foi composta das seguintes fases: a Seleção do material verbal de cada depoimento, que consistiu na leitura e releitura do conjunto das respostas e dos textos de documentos;a fase de Identificar as Expressões Chave (ECH), na qual realizamos a leitura de cada resposta em particular para limpar o discurso de textos – que não tivessem relacionados à pesquisa – para, em seguida, identificarmos as ECH; separamos as respostas pelas temáticas das questões da investigação e passamos a procuramos Identificar as (Ideias Centrais) IC de cada resposta. Na nossa concepção essa foi a fase mais difícil, pois consiste em uma tomada de decisão do investigador em saber como vai organizar essa análise de modo que o leitor compreenda a lógica dada por nós.
Por vezes, encontramos algumas Expressões Chave (ECH) e Ideias Centrais (IC), que são muito semelhantes em outra pergunta do roteiro, o que exigiu de nossa parte outra tomada de decisão: optamos por eleger eixos discursivos, que nos conduziram a uma análise mais temática (com relação às questões investigativas) em vez de seguir à risca o roteiro de perguntas, o que tornaria um trabalho exaustivo e desinteressante para o leitor. Posteriormente definimos as Ancoragens (AC): elas nos possibilitaram “sintetizar as ideologias, os valores, as crenças, presentes no material verbal das respostas individuais ou agrupadas, sob a forma de afirmações genéricas, destinadas a enquadrar situações particulares” (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2005, p. 22).
Após todas essas fases, fez-se necessário retornar à análise para ver se havíamos escolhido corretamente as Ideias Centrais (IC) e, por fim, realizamos a Construção do
Discurso do Sujeito Coletivo, com o conjunto das Expressões Chave (ECH), que foi a sistematização dos discursos dos Sujeitos Coletivos propriamente ditos.
Devido ao volume de dados tivemos que realizar uma análise final, com base em todos os DSC produzidos, para que não desse a ideia de algo fragmentado. Vale lembrar que a análise dos dados realizada por meio do Discurso do Sujeito Coletivo consiste numa forma
não matemática nem metalingüística de representar […] de modo rigoroso o pensamento de uma coletividade, o que faz mediante uma série de operações sobre os depoimentos, que culmina em discursos- síntese que reúnem respostas de diferentes indivíduos, com conteúdos discursivos no sentido semelhante (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2005a, p. 25).
Dessa forma, delimitamos as unidades de análise com mais precisão e planejamos melhor a nossa investigação. Consideramos ainda que
O pensamento coletivo aparece, então, sob uma forma discursiva, mas que o esvazia como categoria empírica, uma vez que pela via metadiscursiva, ele não é mais um discurso da realidade e sim um conjunto de respostas ou extratos de respostas discursivas individuais justapostas que sob a forma de ilustrações, se articulam a um discurso teórico, gerado fora do espaço dos depoimentos, como um discurso sobre a realidade (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2005a, p. 15).
Há muitos exemplos de pesquisas que tenham utilizado o DSC. Entretanto, sabemos que cada investigação requer decisões próprias no momento da análise, pois há muitos fatores que nos fazem estabelecer os nossos próprios critérios de análise, como o referencial teórico escolhido por nós e o campo de investigação que nos remete a determinadas escolhas em relação à forma como iremos apresentar o nosso objeto de estudo no texto.
No nosso caso, conforme mencionado, optamos por não seguir a análise pelo roteiro das perguntas, mas sim pela sequência que melhor respondesse às nossas questões de investigação, como apresentamos no capítulo de análise. Isso porque, no momento em que fazíamos as perguntas das entrevistas, os sujeitos respondiam outra questão. Assim que decidimos deixá-los produzirem o discurso livremente, sem interrupções desnecessárias, e só intervimos quando era realmente algo que restava dúvidas ou quando havia fuga do tema.
Desse modo, a análise do material verbal em geral no DSC é composta das seguintes fases:
1) Seleção do material verbal de cada depoimento, que consiste na leitura e releitura do conjunto das respostas e dos textos de documentos;
2) Identificação das Expressões-chave (ECH): nessa fase realizamos a leitura de cada resposta em particular para limpar o discurso de textos, que não tivessem relacionados à pesquisa, e depois identificamos as ECH;
3) Sistematização do material em Ideias Centrais (IC);
4) Definição de Ancoragens (AC) que possibilitem “sintetizar as ideologias, os valores, as crenças, presentes no material verbal das respostas individuais ou agrupadas;
5) Análise que contemple uma explicação sociológica, antropológica, ética, política e pedagógica;
6) Por último se faz a sistematização dos discursos dos Sujeitos Coletivos propriamente ditos que pode ser realizado com o uso dos programas qualiquantisoft e QLQT, um recurso importante neste momento da análise, principalmente, se houver dados quantitativos38, pois facilita a otimização do tempo.
Vale lembrar que a análise dos dados realizada por meio também do Discurso do Sujeito Coletivo consiste numa forma não matemática nem metalinguística de representar (…) de modo rigoroso o pensamento de uma coletividade, o que faz mediante uma série de operações sobre os depoimentos, que culminam em discursos-síntese e que reúnem respostas de diferentes indivíduos, com conteúdos discursivos no sentido semelhante (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2005a, p. 25).