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Case study: Brazil in Guinea-Bissau

In document R 2014: 4 (sider 82-90)

Danilo Marcondes de Souza Neto

4. Case study: Brazil in Guinea-Bissau

Não é fácil conceber o cyberspace tal como realmente é por tratar-se de máxima abstração, produto inimaginável do processamento acelerado de códigos binários. Ainda assim, abundam metáforas reforçadoras de que se trata de espaço navegável, em cujo fluxo é possível transitar (infovias), com pontos de entrada (portais), estações de parada – sites, homepages, salas de bate-papo, fóruns – e endereço para correspondência – e-mails. Nesse sentido, pode-se dizer que redes sociais digitais conformam novas paragens, sedutores rincões de alta visibilidade mediática que redesenham a paisagem tecnoimaginária do cyberspace. Antes, porém, de analisá- las como territorialidades projetadas na espectralidade ciberespacial, ―estáveis‖ redutos sobre o eletrônico espaço de fluxos, cumpre apresentar e apreender sua emergência como fenômeno comunicacional de dimensões globais.

O boom das redes sociais em todo mundo pode ser demonstrado no entrecruzamento de três conjuntos de dados: pela larga adesão de usuários, pelo aumento da frequência de uso e pela proliferação de novas plataformas, principalmente as chamadas redes sociais de nicho5. Segundo o relatório Social Media Around the World 2012, da Insight Consults, sete em cada 10 internautas são membros de ao menos uma rede social – uma população estimada em 1,5 bilhão de pessoas; e, dentre os usuários das redes sociais, 6 em cada 10 acessam seus perfis ao menos uma vez por dia, frequência de uso que tende a aumentar com a popularização do mobile e de

social apps. 6 Dentre as diversas novas redes que despontaram nos últimos anos, Instagram e Pinterest parecem ser as mais promissoras, embora o nível de conhecimento ainda seja

relativamente baixo. Além da concorrência, os novos entrantes precisam lidar com a resistência: embora os usuários (95%) não tenham a intenção de deixar de usar redes sociais, 60% deles não

5 Instagram e Pinterest

lideraram a categoria ―redes sociais de nicho‖ em 2012. No início de 2013, a Fortune listou as sete redes sociais com grande potencial de crescimento: Pheed; Thumb, Medium, Chirpify, Flavyr, Chirp e

Conversations (SEVEN, 2013).

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A Insight Consults entrevistou, no total, 7.827 pessoas, acima de 15 anos, de 19 países: Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Bélgica, República Tcheca, Romênia, Polônia, Holanda, Rússia, China, Índia, Japão e Austrália (SOCIAL, 2012).

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desejam associar-se a uma nova rede. Tal comportamento talvez explique o chamado Google

Plus paradoxe: apesar do alto índice de conhecimento, a adoção é baixa.

Para a Nielsen (2012), desde a emergência da primeira rede social, há duas décadas, as redes sociais não apenas continuam em expansão como se tornaram, verdadeiramente, um fenômeno global, fazendo parte da vida diária de milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, o estudo Net Insight 2013, produzido pelo Ibope Media, aponta a liderança da subcategoria member communities no quesito ―tempo gasto‖: 10 horas e 26 minutos por pessoa em janeiro de 2013. Jogos online (3h20min), e-mail (2h18min), comunicadores istantâneos (2h15min) e vídeos/filmes (1h52min) ocupam as posições seguintes. Em relação a janeiro de 2012, a audiência das redes sociais cresceu 13,5%. De acordo com The Wall Street Journal, a média de uso das redes sociais pelos brasileiros está bastante acima da média mundial (BRASILEIROS, 2013), como se pode observar na figura 8.

Figura 8. Brasileiros reinam nas redes sociais digitais (4 fev. 2013).

Pode-se dizer que, de certo modo, essas redes redesenharam a paisagem digital da

web ao apropriar-se de recursos pré-existentes (fotologs, comunicadores instantâneos e

mecanismos de busca, por exemplo) e impor sua lógica de identificação e vinculação a outras categorias de sites, como provedores de email, blogs (figuras 9 e 10), portais de notícias (figura 11), games, sites corporativos e hotsites, cujas interfaces absorveram recursos como perfil, área de membros, leitores ou seguidores e plugins para ―curtir‖ ou compartilhar conteúdos. Também não se pode esquecer que a dinâmica das redes sociais instituiu, senão consolidou, novos

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comportamentos de caráter sociocultural, conferindo um sentido bastante peculiar às ideias de curtir, compartilhar, mobilizar e colaborar.

Figura 9. Blog Thata e sua vida. Destaque para o número de membros (fev. 2013).

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Figura 11. Recurso "compartilhar notícia” com destaque para redes sociais (fev. 2013).

Apesar de novas redes e aplicativos sociais surgirem todos os anos, verifica-se uma tendência à concentração de usuários em poucas grandes redes. De acordo com a Insight Consults (2012), o usuário médio predispõe-se a utilizar até duas redes, geralmente Facebook e Linked In ou Facebook e Twitter (SOCIAL, 2012). Nesse sentido, torna-se compreensível porque os mapas produzidos pelo italiano Vicenzo Cosenza, a partir de dados do Google Trends for Websites e do

Alexa.com, tornaram-se, gradativamente, menos coloridos: ao comparar o panorama mundial de

junho de 2009 com o de dezembro de 2012 (figura 12), verifica-se que, das dezessete redes sociais inicialmente mapeadas como líderes regionais (Facebook, Orkut, Friendster, V Kontakte,

Nasza-Lasa, Wretch, Odnoklassniki, QZone, Cyworld, Lidè, lwlw, Hyves, Maktoob, Zing, One, Hi5, Mixi), apenas cinco sobreviveram soberanas ao avançar do Facebook, com destaque para a V. Kontakte, na Rússia, e a QZone, na China. No Brasil, o Orkut conseguiu manter-se invicto até

setembro de 2011, quando foi ultrapassado pela rede de Mark Zuckeberg. 7

7 O fato do Facebook conseguir ultrapassar o Orkut em número de usuários antes da estimativa mais otimista foi

noticiado por vários veículos (FACEBOOK, 2012a). Entretanto, no final de 2012, apesar da baixa frequência (4,21% de participação de visitas em dezembro de 2012, segundo a Hitwise), o Orkut ainda compareceu como a terceira rede preferida dos brasileiros, abaixo do Facebook (com 63,40% de visitas no mesmo período) e do Youtube (18,50%).

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Figura 12. Comparação entre o mapa-mundi das redes sociais: 2009-2012. Vincenzo Cosenza (dez. 2012). Cabe lembrar, ainda, que dos vinte sites mais acessados em todo o mundo em 2012, o primeiro, com 836,7 milhões de visitantes únicos e mais de 1 bilhão de usuários, é uma rede social: o Facebook, acima do Google (782,8 milhões) e do Youtube (721,9 milhões). Na lista,

Na sequência, constam Ask.fm, com 2,50%, Twitter, com 2,06%, Yahoo! Answers Brasil (1,42%), Badoo (1,08%),

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também figuram o Blogger (229,9 milhões e o Twitter (189,8 milhões), além de quatro sites chineses. 8

Todos esses dados, em conjunto, parecem sintomáticos do quanto a experiência socioantropológica de ser cibermediático é sedutora. Tal condição exige estar em constante estado de alerta, hiperconectado, disponível, atualizado; viver para administrar impressões e apresentar-se como colagem dinâmica de vídeos, fotos, letras de música, scraps ou mensagens de cento e quarenta caracteres; recriar o corpo, transformar-se em imagem, vestir-se de avatar; desgarrar-se de si, poder ser outro, ser alguém. Colecionar amigos, batalhar seguidores, curtir, tuitar, compartilhar. Sob o imperioso tele-existir, na azáfama de construir e prestar constante manutenção a perfis e avatares, os indivíduos fazem mais que publicizar a própria vida. Vivem- na para que possam ter algo para compartilhar. Ou, mais ainda: passam a ―viver‖ nas redes sociais, o que é possível quando são compreendidas como ―plataformas‖ sobre o mar nulodimencional do cyberspace, onde perfis e avatares corporificam a subjetividade, organicidades aparentes que delineiam identidades e projetam sujeitos em meio aos difusos fluxos informacionais. Se é nessas paragens da paisagem digital que os usuários investem grande parte do seu tempo de vida, cumpre compreendê-las.

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